Missão a partir das ações de Jesus e da leitura de sociedade de sua ‚poca, segundo Richard Horsley

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É possível fazer uma abordagem da missão de Jesus, a partir da leitura de sociedade no evangelho de Marcos, segundo Richard Horsley. Isso porque este autor analisa a ação de Jesus não somente no aspecto espiritual mas também no social, apresenta como Jesus entendeu as estruturas políticas e religiosas da época, e além disso, propõe que a Igreja atual dê continuidade àquilo que Jesus começou.

 Jesus desenvolvia sua missão, fazendo aquilo que entendia ser a vontade do Pai, conforme o contexto sociocultural de sua época. Horsley afirma que a forma como percebemos a sociedade atual, em que prevalece o individualismo é algo recente e característico do mundo ocidental. Ler a história com os “óculos” do individualismo seria colocar os pressupostos ocidentais modernos na Palestina antiga. Se interpretarmos a história assim, Jesus passa a ser, nos Evangelhos, uma pessoa independente das relações sociais. Acreditamos, assim, que os relacionamentos de Jesus eram voltados apenas para os indivíduos, e não para instituições políticas ou grupos sociais.

Horsley (2002, p. 16) entende que na Palestina existiam povos que formavam uma sociedade com conflitos políticos, o que dificultava o judaísmo ser uma religião unitária. Assim, as famílias herodianas desfrutavam das posses, do poder e dos privilégios, o que também ocorria com a classe dos sumos sacerdotes. As posições destes, nessa estratificação social, eram garantidas pelos romanos. Já os demais judeus, que compunham a maioria, eram marginais no aspecto econômico, residiam em aldeias e eram camponeses.

 Ainda Horsley (2002, p. 16) lembra que o Templo, além de uma instituição religiosa, também era uma instituição econômica. Para ali, iam os dízimos, o imposto do Templo (Mt 17.24) e as oferendas. Além disso, muitos templos na antiguidade funcionavam como banco, pois o dinheiro guardado ali seria protegido pelo deus daquele templo. Não era diferente com o Templo de Jerusalém, que se tornou um local central na economia da Palestina antiga. Havia tributos pagos a Roma coletados por sacerdotes, os quais se tornavam pessoas importantes para a política econômica da província romana Judeia. Em relação à importância das instituições, Horsley afirma que “talvez a autoridade dirigente mais importante fosse o Templo e os sumos sacerdotes de Jerusalém. Mas no tempo de Jesus, a Galileia não era governada diretamente pelos sumos sacerdotes do Templo, mas pelo filho de Herodes, Antipas” (2002, p. 16). Afinal, quando se deixa de estudar a sociedade na época de Jesus, torna-se difícil compreender as ações e fala do Mestre. Seria como estudar Martin Luther King, sem compreender o sistema de escravatura em sua época.

 É num contexto social de imperialismo romano que Jesus apresenta a sua mensagem. Proclamava a presença ou a iminência do reino de Deus, por meio da sua prática, bem como fazia curas, exorcismos, alimentação das massas e apresentação de valores relacionados com a aliança. Não era algo tão simples para Jesus, pois a Galileia, onde o Senhor vivia e cumpria sua missão, era dominada pelos exércitos romanos que tinham invadido ali décadas antes. As crianças de alguns anos anteriores ao nascimento de Cristo ficaram traumatizadas com a brutalidade da invasão, pois aldeias foram queimadas, regiões foram invadidas, as pessoas sadias foram escravizadas e os incapazes, eliminados (HORSLEY, 2002, p. 21).

 A liderança religiosa em Jerusalém, que podia trazer alguma esperança para o povo judeu, estava sob o poder dos governadores romanos, que destituíam e nomeavam sumos sacerdotes para a administração do Templo. Era assim que essa liderança desfrutava do bom e do melhor, agradando os romanos e permitindo que compatriotas ficassem sofrendo na Galileia. Na pregação de Jesus, percebemos que há a proposta de que os judeus coloquem em prática o verdadeiro sentido da Lei, com uma ética baseada na verdade, na justiça, no amor, no perdão etc. Tal proposta é apresentada nas aldeias da Galileia e, dessa forma, Marcos expõe os sinais como se Jesus fosse um novo Elias. As curas realizadas pelo Mestre e a experiência com Elias e Moisés na montanha identificam Jesus com esses dois líderes, porque estes foram responsáveis pela restauração de Israel em tempos difíceis (HORSLEY, 2002, p. 118).

Acerca dessa identificação, Horsley afirma, “após o seu batismo por João, Jesus, como Elias, passa quarenta dias no deserto sendo testado como profeta, pelo que a sua primeira ação é chamar discípulos, como Elias fez Eliseu, para ajudar a renovação de Israel. Os discursos da missão, portanto, inequivocadamente apresentados como etapa importante na missão geral de Jesus da renovação de Israel” (HORSLEY, 2002, p. 118). Entendemos, assim, que a missão de Jesus não estava limitada somente a indivíduos ou famílias, mas alcançava também as aldeias. Logo, não é de se admirar que Jesus não tenha fundado uma nova comunidade, além dos doze apóstolos, pois já existiam as aldeias. As pessoas que tinham acesso a Jesus estavam inseridas numa comunidade. É para as comunidades que a missão de Jesus estava voltada (HORSLEY, 2002, p. 119).

Por estarem as pessoas arraigadas à tradição da aliança, acusavam-se a si mesmas. Ao sofrerem com fome, doença e pobreza, entendiam que tinham quebrado as leis da aliança, ou que tinham pecado. Essas duas ações traziam maldições para as suas vidas. Acerca disso, Jesus ensinava o perdão dos pecados associado às curas (Mc 2.1-12). Ele procurava transformar as maldições — como compreendem as pessoas — em um novo relacionamento com Deus, envolvendo a libertação das pessoas, tanto dos pecados, como da pobreza, da fome, das doenças etc. Quanto àqueles que se tornavam ricos expropriando os bens dos camponeses, Jesus falava de condenação (HORSLEY, 2002, p. 124).

Jesus também priorizava a partilha e a cooperação mútuas, a base do ensinamento da aliança. Por causa das pressões econômicas dos governantes e por causa da alta carga tributária imposta pelos romanos, os camponeses endividavam-se cada vez mais. Muitos dos que pediam algo emprestado não conseguiam quitar suas dívidas. Logo, os que emprestavam aos seus vizinhos pressionavam estes para que devolvessem o valor emprestado, pois também precisavam saldar dívidas. Essa pressão provocada pela cobrança acarretava um crescimento de conflitos locais. Nesse triste contexto econômico, Jesus diz para amar os seus inimigos. Assim, a renovação da aliança é dirigida para as comunidades camponesas que estavam se desintegrando por causa das brigas entre famílias, provocadas por questões econômicas. Tais famílias sobreviviam com recursos cada vez mais escassos porque a taxação dos governantes romanos era rigorosa (HORSLEY, 2002, p. 125).

De certa forma, a missão de Jesus estava relacionada com a revitalização e com a reconstrução das comunidades existentes nas aldeias. Dessa forma, entendemos a abrangência socioeconômica da missão do Mestre. Essa postura de Jesus também demonstra como ele estava consciente e integrado no contexto histórico e no sofrimento do povo judeu sob o poderio romano. Tanto nos ensinamentos como nas ações de Jesus são perceptíveis a oposição de Cristo à ordem imperial romana e as consequências sobre os povos conquistados por ela. Destarte Jesus proclama contra a ordem imperial romana e afirma que esta e também os dependentes herodianos e sumo sacerdotais, exploradores em Jerusalém, não escapariam do julgamento de Deus (HORSLEY, 2002, p. 131).

Notamos que a missão do Senhor nas aldeias da Galileia também tem o objetivo de curar os debilitantes das consequências da violência romana, optando pela “renovação do espírito cooperativo em comunidades que se desintegravam sob o impacto da ordem imperial” (HORSLEY, 2002, p. 131). Isso significa que a missão de Jesus procurava solucionar o problema de exploração econômica e reconstruir o espírito comunitário do povo judeu. Jesus optou pelo princípio de vida cooperativa, dizendo não a hierarquia. Foi em circunstâncias de impotência perante a ordem imperial romana que Jesus convidou as pessoas a se comprometerem com valores políticos e econômicos da aliança nas comunidades visitadas por ele. Foi numa situação de pobreza que Jesus e seus discípulos se esforçaram para praticarem a solidariedade, a cooperação e a justiça. Com essa postura, Jesus “foi executado por ordem do governador e morto por crucificação, uma forma de suplício que as forças de ocupação aplicavam para aterrorizar povos escravizados, torturando publicamente seus líderes rebeldes até a morte” (HORSLEY, 2002, p. 132).

Entendemos, assim, que o conceito de missão de Jesus é abrangente. Salvação não se limitava apenas à libertação dos pecados. Era mais do que isso. A salvação implicava salvar as pessoas da exploração em que viviam. Para isso, Jesus não organiza um exército com o objetivo de tentar vencer os romanos. Apenas ensina as pessoas a viverem em comunidade, colocando em prática os valores do Reino de Deus. Não é de se admirar a preocupação dos líderes romanos com Jesus, pois este falava que o Reino de Deus havia chegado. Isso era uma palavra de afronta ao Império Romano. Afinal o império se forma conquistando o reino, por herança.

Se as igrejas locais devem colocar em prática o que Jesus fez, elas precisam considerar como os membros que as compõem estão vivendo. Nesse caso, faz-se necessário uma avaliação da situação econômica dos membros e do contexto social, onde estão inseridos, para a igreja entender como deve agir. No Brasil, não é difícil encontrar membros nas igrejas locais que não têm acesso à educação, saúde, lazer, alimentação de qualidade. Assim, da mesma forma que Jesus deixou claro que a liderança romana e a religiosa corrupta estavam sob o julgamento de Deus, a Igreja atual, por meio das igrejas locais, também precisa anunciar que os nossos líderes responsáveis pela educação, saúde, alimentação do Brasil também não escaparão de Deus.

Enquanto as pregações das igrejas atuais são verticais, ou seja, ensinam — quando ensinam — o ser humano a desenvolver um relacionamento com Deus, os membros das igrejas precisam aprender a como desenvolver um relacionamento com o próximo, pois só assim haverá a mutualidade entre os membros e os que são de fora da igreja. Jesus não falava só de céu. Fuellenbach (2006, p. 25) afirma que “Jesus não divisava o Reino pregado por Ele como algo que pertence, total e exclusivamente, ao mundo vindouro. Sua visão de Reino deixa espaço para compreendê-lo como Reino que diz respeito a este mundo, bem como para proclamar um futuro impossível de deduzir das circunstâncias da história presente”. Esse autor ainda lembra que, no sonho de Deus, “o primeiro paraíso são dois indivíduos num jardim, e o segundo paraíso é comunitário e urbano — a Nova Jerusalém, a cidade de Deus” (FUELLENBACH, 2006, p. 26).

As igrejas locais precisam lembrar que o foco de Jesus estava voltado para a visão social, ou seja, justiça e compaixão, como os profetas já tinham exigido no passado. Não se pode fazer uma separação da ação de Deus entre Antigo e Novo Testamentos, pois notamos que em ambos os Testamentos o reino foi entendido “principalmente como a sabedoria ou o governo real de Deus (…) Jamais deveríamos separar o Reino da Igreja, visto que a Igreja é o instrumento escolhido por Deus com vistas ao Reino de Deus aqui na terra” (FUELLENBACH, 2006, p. 138).

Fuellenbach (2006, p. 139) também entende que “uma sociedade perfeita não é possível neste mundo. Mas a Igreja pode oferecer, de uma ‘maneira inicial e antecipatória’, a realização do destino social da humanidade, pois o Reino de Deus já irrompeu neste mundo e indica a direção na qual toda a história deve mover-se e transformar-se”. O que ocorre, infelizmente, é que “a própria Igreja, enquanto realidade na história, facilmente se torna vítima da consciência de classe, pretendendo, não obstante, ser neutra”.

Para entendermos a missão de Jesus nas igrejas, sugerimos, neste artigo, uma igreja local hipotética. Nessa igreja local hipotética, pode haver pessoas necessitadas e não existir mutualidade entre os membros. Isso ocorre se a oferta que entra para ela, por meio de dízimos e ofertas, for aplicada em bens materiais e não em pessoas. Essa situação torna-se mais grave se a verba da igreja ficar centralizada apenas em um ou dois líderes da mesma, permitindo que estes desfrutem do bom e do melhor, enquanto muitos membros dessa igreja passam por necessidade. Tal perfil de liderança assemelha-se à liderança de Jerusalém que, para desfrutar do melhor que havia na região, vivia do Templo que era sustentado pelos dízimos, pelas ofertas e pelo imposto do Templo.

Se o pastor ou liderança dessa igreja local hipotética enriquecer-se com dinheiro da mesma, desconsidera a conexão existente entre poder e riqueza. Foster, (1988, p. 02) diz que o “poder é usado com frequência para manipular riqueza, e riqueza é usada com igual frequência para comprar poder”. Nesse caso, seria necessária a ética cristã para que os membros compreendessem o que é uma vida cristã. Percebemos nas palavras de Foster como mesmo ocorreu na história.

Do ponto de vista histórico, parece que os reavivamentos espirituais têm sido acompanhados por uma confrontação clara e audaciosa das questões dinheiro, sexo e poder. Isso é um fato, quer pensemos no movimento beneditino, no movimento franciscano, no movimento cisterciense, no movimento reformador, no movimento metodista, no moderno movimento missionário, ou em quaisquer outros grupos. Quando esses reavivamentos ocorrem em uma cultura, vêm acompanhados de uma renovação tanto da experiência devocional quanto da vida ética. Precisamos, nos dias de hoje, de uma renovação da experiência espiritual que seja eticamente poderosa. A dimensão social do dinheiro é ‘negócio’ (…) do poder, é ‘governo (…) Negócio refere-se à tarefa de apresentar os bens de serviço a terra para abençoar ou oprimir a humanidade (…) Governo refere-se ao empreendimento de organização humana que pode conduzir à liberdade ou à tirania (FOSTER, 1988, p. 02).

Voltando para a igreja local hipotética, se o(s) líder(es) se utilizar de uma boa pregação, ensinando que Jesus ama a todos, recorrendo a uma ótima retórica e desconsiderar a ética cristã, sua pregação é vã, por mais que essa igreja permaneça cheia. Afinal, igreja cheia não é sinônimo de ação da igreja na sociedade. 

 

Vendrame (1981, p. 211) entende que essa injustiça, “que lança o homem contra seu irmão, teve origem na ruptura do homem com seu Criador, no início dos tempos”. Além disso, afirma que as profecias na Bíblia são “invectivas contra a ganância, a exploração, a opressão, a injustiça e a violência, que levam à escravidão”. Se uma igreja optar por essas discrepâncias salariais entre líderes religiosos e funcionários, ambos sustentados por ela, ela está permitindo a exclusão social. Sella (2002, p. 13) entende que esse é o fruto amargo da sociedade atual, apesar de tanta tecnologia. Não é apenas uma exclusão do trabalho. Na igreja hipotética mencionada, os funcionários estão empregados, mas não têm acesso a outros “bens básicos: a saúde, a educação, a alimentação, a moradia, a terra, o lazer etc. Trata-se de exclusão da dignidade humana, criando uma enorme massa de descartáveis, os sem-nada”.

Vivemos numa sociedade em que há fartura de mão de obra. Se um faxineiro não aceitar trabalhar por um salário mínimo, não é problema, pois é só demiti-lo e admitir outro, pois há vários desempregados. É assim que os salários continuam sendo baixo para essas pessoas, mas, na verdade, isso é injusto e é aproveitar-se da situação difícil em que se encontra um grande número de pessoas neste país. Se a igreja hipotética mencionada optar por esse modelo, está apenas repetindo o que o mundo está fazendo, sem se preocupar com o Evangelho. E isso, Deus abomina. Nas palavras de Foster.

A idolatria de hoje é a idolatria do poder (…) Hoje, de um modo geral, líderes políticos despendem mais energia manobrando para conquistar uma posição do que servindo ao bem público; os executivos do mundo dos negócios importam-se mais em permanecer no topo do que em produzir um produto útil; professores universitários buscam sofisticação mais do que a verdade; e líderes religiosos preocupam-se mais com a sua imagem do que com evangelho. E, em meio a essa sociedade enlouquecida pelo poder, muitos cristãos perguntam-se como é viver com integridade (FOSTER, 1988, p. 9).

Jesus é contra a riqueza? Não. É contra a riqueza de forma ilícita, principalmente quando conquistada com uma roupagem religiosa. Por isso que o jovem de Marcos 10.17 recebeu tal resposta de Jesus. A pergunta que ele faz para Jesus é o que ele deveria fazer para herdar a vida eterna. Jesus responde com as seguintes palavras: “não matarás, não adulterarás, não furtarás, não dirás falso testemunho, não defraudarás ninguém, honra a teu pai e tua mãe” (Mc 10.19). A resposta dele está pronta: “Mestre, tudo isso tenho observado desde a minha juventude” (Mc 10.20). Nesse momento, Jesus pede-lhe algo mais: “Só uma coisa te falta: Vai, vende tudo o que tens, dá-o aos pobres e terás um tesouro no céu; então, vem e segue-me” (Mc 10.21). Jesus tinha algo contra o fato de aquele jovem possuir propriedades? Não. O problema é que um judeu rico, naquela região, provavelmente tenha se enriquecido de forma ilícita, como Zaqueu, por exemplo. Por esse motivo, Jesus quer saber qual é a intenção desse rapaz pedindo algo que ele não aceitou: “ele, porém, contrariado com esta palavra, retirou-se triste, porque era dono de muitas propriedades” (Mc 10.22). Malina (2004, p. 102) reforça essa ideia com as seguintes palavras: “há razão para acreditar que no Mediterrâneo oriental, nos tempos do Novo Testamento, ‘rico’ ou ‘abastado’ via de regra, significava povo ‘avarento e ganancioso’, enquanto ‘pobre’ referia-se a pessoas raramente capazes de manter sua honra ou dignidade”.

 

O dinheiro traz poder. Com o dinheiro podemos comprar, não só bens, mas pessoas também. Foster (1988, p. 11) diz que o dinheiro tem o seu lado bom, pois ele “pode enriquecer a vida humana de maneiras maravilhosas. Alimentação, casa, educação — estas são coisas que o dinheiro pode ajudar-nos a adquirir (…) O poder pode ser usado por indivíduos com legítima autoridade espiritual para abençoar e liberar virtualmente todos os que os cercam.” Por outro lado “o poder, infestado pelo orgulho, certamente promoverá o crescimento da egomania” (FOSTER, 1988, p. 11) e megalomania. Foster (1988, p. 11) continua dizendo que “dinheiro, sexo e poder são coisas muito sedutoras, e, mesmo em roupagens religiosas, as tentações de manipular e controlar, de suprimir e oprimir são enormes”.

 Não reconhecer os necessitados na igreja local é algo muito sério. Sella (2003, p. 5) afirma que “infelizmente, a maior penalização não é a penitenciária, mas a condenação feita pela miséria, pela fome e pela concentração de renda (…) O juiz decreta penas educativas mediante a reclusão, enquanto o poderoso assina a pena de morte por intermédio da fome e da concentração do lucro”.

Percebemos assim que realizar a missão de Jesus é estar inserido na sociedade para entender as necessidades das pessoas, assim como Jesus visitava as aldeias e entendia as necessidades daquelas pessoas. Deixar de fazer isso é cometer injustiça social, ou melhor, pecado social. Fiquemos com as palavras de Sella (2003, p. 5) que diz: “em suma, a pior injustiça não é a jurídica, mas a social. Na primeira cabe o direito de recurso e de resgate, na segunda é a condenação cotidiana e maciça ao sofrimento e ao massacre”.
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Bibliografia
FOSTER, Richard J. Dinheiro, Sexo & Poder: o desafio da disciplina cristã. São Paulo, Mundo Cristão, 1988.
FUELLENBACH, John. Igreja: comunidade para o Reino. São Paulo, Paulinas, 2006.
MALINA, Bruce J. O evangelho social de Jesus: o reino de Deus em perspectiva mediterrânea. São Paulo, Paulus, 2004.
SELLA, Adriano. Ética da justiça. São Paulo, Paulus, 2003.
SELLA, Adriano. Globalização neoliberal e exclusão social. São Paulo, Paulus, 2002.
VENDRAME, Calisto. A escravidão na Bíblia. São Paulo, Ática, 1981.

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