A fé em cristo, mas sem obediência a ele, pode salvar alguém? – Uma análise de Tiago 2.14-26 – PARTE 1

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Neste trabalho, o autor realizará uma exegese do texto de Tiago 2.14-26, objetivando aplicá-lo à realidade da Igreja Evangélica de hoje. Será discorrido que o conceito de “obras”, neste texto de Tiago, se refere ao estado de obediência ao Senhor, por parte de Seu discípulo, já que esta obediência, segundo Tiago, é a comprovação da existência da verdadeira fé salvadora em Cristo. Além do mais, a inexistência da manifestação das obras que são esperadas na vida das pessoas, que alegam terem fé salvadora em Cristo, é a prova de que se trata de uma fé morta.

PALAVRAS-CHAVES
Fé; Obras; Obediência; Arrependimento; Conversão ao Evangelho.

1 INTRODUÇÃO 
Na maioria das igrejas evangélicas brasileiras da atualidade, tem se tornado comum a substituição do apelo evangelístico durante a realização dos cultos (quando o evangelho é pregado, apresentado ao visitante que ele é pecador, que necessita se arrepender de seus pecados e se sujeitar ao senhorio de Jesus Cristo), por convites para a participação das programações religiosas da igreja, cuja ênfase se concentra na obtenção da vitória, da prosperidade financeira e do desfrutar de altos padrões de vida social.

A impressão que se tem, ao visitar as igrejas ou ao assistir aos programas evangélicos pela TV ou Rádio, é que não é mais necessário ao pecador que ele se arrependa de seus pecados e entregue sua vida ao Senhor Jesus, restaurando assim um relacionamento quebrado pela Queda1 , de acordo com Gênesis 3.

Por sua vez, um conhecido pregador neopentecostal anunciou pelo programa transmitido pela TV, que a igreja estaria realizando a “campanha da vitória”, pela qual, muitos milagres e maravilhas seriam efetuados pelo Senhor e que bastaria que qualquer pessoa, seja ela católica, evangélica, espírita ou de outra religião (e mesmo a sem religião nenhuma), participar da campanha, que receberia de Deus muitas bênçãos e a solução para os problemas da sua vida.

Por causa desta nova postura por parte dos pregadores, diante daqueles que estão ouvindo sua mensagem, muitos que acreditam que são convertidos ao Jesus verdadeiro, estão enganados (ou se auto-enganando) quanto à sua verdadeira salvação, já que o seu viver diário é bastante deficiente no que se refere à obediência às Escrituras.2 

Neste tipo de “evangelização”, os visitantes das igrejas que adotam essas práticas, são ensinados que, para ser salvo, bastaria “ter fé em Jesus” e participar de suas campanhas (que geralmente envolvem doações de dízimos e ofertas)3 . Em outras palavras: basta simplesmente mudar da religião que façam parte, para a evangélica. 

Porque essas pessoas creram num Jesus estranho ao Novo Testamento (NT), elas não passaram pela indispensável experiência da transformação de vida que o Espírito produz e, com isso, estão impossibilitadas de terem um comportamento de vida (principalmente fora da igreja) que expresse as características de ser fiel àquilo que a Palavra de Deus determina para alguém nascido dEle (não satisfazer a sua natureza humana pecaminosa e produzir os frutos do Espírito Santo). 

O texto que será analisado (Tiago 2.14-26), apesar de ser mais conhecido como o que aborda o dilema da “Fé x Obras” (que alguns acreditam erroneamente que, para ser salvo, é necessário além de ter fé em Cristo, praticar boas obras), na realidade é uma poderosa advertência que Tiago dá acerca da necessidade daqueles que não estão produzindo no seu viver diário as obras de uma nova criatura em Jesus, para que se arrependam de seus pecados e se convertam verdadeiramente, por mais que creiam que já sejam convertidos ao Senhor.

São as obras praticadas pelo ser humano que revelam o tipo de natureza constituinte do seu interior: um coração regenerado pelo Espírito Santo ou não. Na verdade, este é um típico texto evangelístico, mas para os membros das igrejas!  

Antes, porém, far-se-á uma análise mais cuidadosa deste texto de Tiago, observando os princípios básicos de hermenêutica4  para que se entenda o que Tiago pretendia que os leitores originais de sua carta e os de hoje, compreendessem e obedecessem.

Para isso, é preciso permitir que o autor de Tiago “fale livremente”, sem lhe impor os pré-conceitos teológicos vigentes nas igrejas, mesmo que a sua mensagem confronte os interesses, as práticas e os valores da sociedade pós-moderna. 

2 QUESTÕES HERMENÊUTICAS INTRODUTÓRIAS 
Segundo os especialistas em hermenêutica, para se interpretar corretamente um texto bíblico é necessário então procurar entender primeiro o que ele diz, depois, o que quer dizer e, por fim, como se aplica aos leitores atuais . Para isso, deve-se então fazer algumas perguntas introdutórias, a fim de que as respostas forneçam instrumentos para que auxiliem na interpretação do texto:
a) autoria: quem escreveu a carta?

b) por quê?

c) para quem?

d) quando foi escrita?

e) qual é a sua estrutura de assuntos e, especificamente, qual a estrutura literária do texto que está sendo analisado (Tg 2.14-26)?  6

São perguntas aparentemente sem maior necessidade de serem respondidas, para aqueles que simplesmente desejam ler a Bíblia. Todavia, elas são ferramentas básicas, simples e que muito auxiliarão, com a ajuda do Espírito Santo, para uma melhor interpretação do texto. Exige um pouco de disciplina, mas que é bastante compensador, afinal, lê-se em Provérbios 2.4 e 4.7, da necessidade de algum esforço para se extrair as riquezas espirituais da Palavra de Deus!

2.1 Autoria: quem escreveu a carta?  
Apesar de logo no início da carta (Tg 1.1) já existir o nome do seu remetente, por incrível que pareça, não há unanimidade entre os eruditos do NT sobre quem é esse Tiago. Existem argumentos a favor e contra de que se trata de um Tiago desconhecido7 , de um autor desconhecido8 , de um primo de Jesus9  ou do irmão do Senhor 10. De todos os argumentos apresentados, os mais convincentes são os que fundamentam a teoria de que foi Tiago, irmão do Senhor que, pela inspiração do Espírito, escreveu esta carta.  

Sendo de fato este Tiago (irmão de Jesus), isso explica, em parte, porque a sua carta possui algumas características incomuns em comparação com outras epístolas do NT:

a) Ela é a que possui a maior proporção de imperativos por versículos em todo o NT grego (mais de 51,0%).

b) Ela não foi redigida como normalmente eram as cartas da época. Ela parece mais uma coletânea de exortações agrupadas sem muita dependência lógica. Foi Martinho Dibelius quem primeiro classificou a carta como sendo parenética . Para Songer , uma das características da organização parenética11 era de “colocar em frouxa organização uma série de exortações sem qualquer preocupação para desenvolver um tema ou linha de pensamento no decorrer de toda a obra.”

c) O seu autor fala, repreende, ordena, exorta com autoridade reconhecida, dando a entender que os seus leitores iriam obedecê-lo. Parece muito com a maneira como o Senhor Jesus se dirigia aos discípulos!  De fato, existe muita similaridade de pensamento entre ele e o Senhor , a ponto de certo autor afirmar: “Se João reclinou-se no colo do Salvador, Tiago sentou-se aos Seus pés.”

d) Esta carta é extremamente prática, objetiva e direta em suas colocações (“Sede praticantes da palavra”; ”Adúlteros, vocês não sabem que…”; “Não falem mal uns dos outros…”).

e) Ela é universal, ou seja, não foi escrita para uma igreja específica (como Efésios, por exemplo) ou para uma determinada pessoa (como Filemom).

f) Pela sua forte crítica a exploração econômica dos pobres, por parte dos ricos (na realidade ele e Jesus, em todo o NT, são os únicos que se pronunciam contra os ricos!)16 , alguns inclusive, comparam Tiago com o profeta Amós do Antigo Testamento (AT)! 17

Portanto, o texto de Tiago 2.14-26 necessita ser interpretado sendo observadas essas características de seu autor: era irmão do Senhor Jesus, tinha autoridade respeitada pela Igreja da época e proclamava a sua mensagem de modo muito parecido com o Senhor: direto, preciso e exortando ao arrependimento e mudança de vida, para a glória do Senhor.

2.2 Por quê?
Segundo Davids (1997, p. 28), o motivo pelo qual esta carta foi escrita era que:

a igreja de Tiago vivia no meio desse mundo [conturbado] que entrava em colapso (…) os crentes sentiam-se oprimidos. Em seu sofrimento, tinham a tendência de imitar o mundo e tentavam obter poder dentro da igreja (…) Tiago detecta um mundanismo generalizado, a despeito da boa freqüência aos cultos (…) e que ele procura corrigir com uma carta severa.

Já que a cultura da dissimulação, ou seja, o aparentar ser algo, apenas para se usufruir dos benefícios que a imagem virtuosa proporciona, era uma prática bastante comum na sociedade da época da igreja primitiva (ver as duras repreensões que Jesus fez contra essa prática, por parte dos escribas e fariseus, em Mateus 23.1-36), e Tiago, percebendo essa influência pecaminosa se infiltrando na igreja, adverte seus membros para não se enganem (Tg 1.22) e analisem se a fé que professam ter no Senhor Jesus, a mesma é comprovada através de uma vida em obediência as Escrituras. Se não, trata-se de uma “fé morta”!
   
2.3 Para quem?
“Às doze tribos dispersas entre as nações
” é o que diz também no primeiro versículo de Tiago 1. Mas, o que isso significa realmente? Novamente, apesar de parecer óbvia esta identificação, não há um consenso total entre os eruditos do assunto sobre quem eram essas tribos.
 
Na época de Tiago não existiam mais as doze tribos de Israel, conforme a sua divisão física encontrada no AT18 . Diante dos argumentos apresentados pelos comentaristas, a conclusão mais convincente é que se tratava inicialmente de judeus cristãos espalhados pelo mundo na época do autor, mas cuja aplicação deveria ser ampliada para as igrejas cristãs, em qualquer época e local, mesmo para as igrejas brasileiras no contexto da pós-modernidade19 .


2. 4 Quando foi escrita?
As evidências indicam que esta carta é o mais antigo documento do NT que se dispõe20 . Compilado mesmo antes dos evangelhos. Ela dá uma ideia de como era o mundo antigo e a igreja primitiva, que possuía muitas fraquezas 21. Possivelmente foi escrita em meados do 1o século da era cristã (entre os anos 50 e 60 d.C.). 

Talvez seja por isso que Tiago não faça nenhuma alusão a qualquer outro livro do NT , embora tenha bastante porções do AT .

Sendo assim, a teologia de Tiago acerca das características do que é ser uma nova criatura em Cristo, tema tão bem delineado na teologia de Paulo (2 Co 5.17; Gl 6.15; Ef 4.24; Cl 3.10), é bastante elementar (mas não inferior ou deficiente), devido, entre outros fatores, às circunstâncias de sua escrita.

Para Tiago, ser uma nova criatura em Cristo, é ter sido gerado pela palavra de Deus (1.18), por causa disso, o discípulo torna-se obediente a essa palavra (1.22); conseqüentemente, ele demonstra em seus relacionamentos interpessoais (3.13), as obras da sabedoria do alto (3.17-18)24 .
 
Por fim, quando todas essas características descritas acima por Tiago, estão presentes na vida daquele que diz que tem fé salvadora no Senhor, isso significa que é uma fé verdadeira (2.18) e que ela está sendo confirmada por meios dessas obras.

2.5 A Estrutura Literária
Tiago não possui uma estrutura, onde os assuntos tenham uma conexão e sequência lógicas para a cosmovisão moderna ocidental. Existem vários modelos criados pelos estudiosos. Logo, não existe um modelo de estrutura literária “única e verdadeira”. Entretanto, o esboço de John Stott (1996, p. 124-125) é relativamente coerente e que parece transmitir a essência da mensagem desta carta. 

Segundo Stott, na concepção de Tiago, os três pilares da vida cristã são (baseados em 1.26-27):

1) “Refrear a língua” – tratado no capítulo 3;

2) “Visitar os pobres e as viúvas nas suas dificuldades” – abordado no capítulo 2;

3) “Guardar-se incontaminado do mundo”- explanado nos capítulos 4 e 5.
                     
2.5.1 A estrutura literária do capítulo 2 
Uma outra característica interessante em Tiago é o choque que a sua mensagem produz entre aquilo que é com aquilo que deve ou não ser. Em várias partes da carta, o autor descreve o que estava sendo (ou acontecendo) na igreja e ordena aquilo que deve ou não ser (ou acontecer). Alguns exemplos:
a) Os leitores devem se alegrar nas tribulações, porque de fato não estavam se alegrando (1.2-4);

b) Quando forem tentados a pecar, não devem atribuir a causa da tentação a Deus, porque assim é que estavam fazendo (1.13-15);

c) Não devem fazer acepção de pessoas, porque assim estavam fazendo (2.6,9);

d) Devem ter uma fé verdadeira em Cristo25, que produziria neles um andar em novidade de vida (que incluía também o amor ao próximo), porque, na realidade, alguns estavam se enganando, achando que uma fé teórica (ou morta, sem obras, incluindo falta de amor para com o próximo) era suficiente para a salvação. Esse é um dos temas de “choque” de que trata o segundo capítulo de Tiago.

 

Continue lendo este artigo –  PARTE 2

 

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Notas:

1 A Queda é um conceito bíblico, no qual descreve que o primeiro casal (Adão e Eva) pecou contra o Senhor e, por causa disso, eles e os seus descendentes tiveram toda a sua natureza humana corrompida irremediavelmente pelo pecado, ocasionando a separação espiritual, entre eles e o Senhor.
2 Segundo o NT, não é a obediência que salva a pessoa da condenação eterna, mas a verdadeira fé em Cristo, que, por sua vez, através da regeneração do Espírito Santo, transformará e capacitará o pecador para que obedeça ao Senhor. É essa obediência às Escrituras, que os profetas Ezequiel (Ez 36.26-27) e Jeremias (Jr 31.33, 32.38-40) anunciaram que iria ocorrer com a vinda do Messias (Jesus). Como salientou GRUDEM, Wayne. Teologia sistemática. São Paulo: Vida Nova, 2000, p. 662-663: “Jesus alerta aqui [Jo 8.31-32] que uma prova da fé genuína é a perseverança na sua palavra, ou seja, continuar a crer naquilo que ele diz e levar uma vida de obediência aos seus mandamentos.”
3 “Na maior parte das igrejas (principalmente nas neopentecostais), de um modo geral, quando um membro regularmente assiste aos cultos e participa das campanhas ali desenvolvidas, ele se vê no direito de trocar o seu compromisso de obedecer às Escrituras pela participação destas programações religiosas, enganando-se porque ‘o obedecer é melhor do que o sacrificar’ (1 Sm 15.22). Ele é condicionado pelos líderes a crê que participar ativamente das campanhas da igreja é sinônimo de fidelidade às Escrituras.” Cf.: OLIVEIRA, Wanderson F. M. de. O uso dos dons espirituais e a sua influência no crescimento da igreja. João Pessoa: Seminário Teológico Evangélico do Betel Brasileiro, 2009 (Dissertação de Mestrado), p. 141.
4 Silva conceitua hermenêutica como “a disciplina que lida com os princípios de interpretação.” KAISER Jr, Walter C. & SILVA, Moises. Introdução à hermenêutica bíblica: como ouvir a palavra de Deus apesar dos ruídos de nossa época. São Paulo: Cultura Cristã, 2002, p. 13.
5 FEE, Gordon D. & STUART, Douglas. Entendes o que lê? São Paulo: Vida Nova, 1998, p. 11; ZUCK, Roy B. A Interpretação bíblica: meios de descobrir a verdade da Bíblica. São Paulo: Vida Nova, 1999, p. 10-11.
6 É importante e necessário discernir o tipo de estrutura literária do texto bíblico, para que a sua interpretação se processe de maneira adequada. É consensual entre os especialistas em hermenêutica, que a maneira de se interpretar as epístolas é diferente dos Salmos, do livro de Atos, do Apocalipse, etc. Para cada tipo literário, há a necessidade de princípios específicos de interpretação. Ver DYCK, Elmer. Ouvindo a Deus: uma abordagem multidisciplinar da leitura bíblica. São Paulo: Shedd Publicações, 2001, p. 16-17.
7 Assim pensa KÜMMEL, Werner G. Introdução ao Novo Testamento. 2. ed. São Paulo: Paulus, 1982, p. 541-542. Ver a nota de rodapé no 5 de CARSON, D. A.; MOO, Douglas J. & MORRIS, Leon. Introdução ao Novo Testamento. São Paulo: Vida Nova, 1998, p. 455, onde ele cita vários estudiosos que 8 LOHSE, Eduard. Introduccion al Nuevo Testamento. Madri: Ediciones Cristiandad, 1986, p. 216-217; Ver a nota de rodapé no 6 de Carson, Moo e Morris, Op. cit., p. 455, que contém uma relação de eruditos que igualmente acreditam nesta teoria.
9 É como afirma categoricamente BAXTER, J. Sidlow. Examinai as escrituras: Atos a Apocalipse. São Paulo: Vida Nova, 1989, vol. 6, p. 315.
10 Ver: BROWN, Raymond E. Introdução ao Novo Testamento. São Paulo: Paulinas, 2004, p. 946; Carson, Moo e Morris, Op. cit., p. 458; GUNDRY, Robert H. Panorama do Novo Testamento. 3. ed. rev. ampl. São Paulo: Vida Nova, 2008, p. 570-572; MOO, Douglas J. Tiago: introdução e comentário. São Paulo: Vida Nova, 1996, p. 28-29; TENNEY, Merrill C. O Novo Testamento: sua origem e análise. Revisado por Walter M. Dunnett. São Paulo: Shedd, 2008, p. 275-276.
11 Comentado por Moo, Op. cit., p. 37.
12 SONGER, Harold S. “Tiago”. In: ALLEN, Clifton J. (Ed.). Comentário bíblico Broadman.  3. ed. Rio de Janeiro: Juerp, 1990. v. 12, p. 123.
13 “Tiago disse menos a respeito do Mestre do que qualquer outro escritor do Novo Testamento, porém o seu modo de falar é mais parecido com o do Mestre do que qualquer outro escritor.” Citado por HARRISON, Everett. Introduccion al Nuevo Testamento. Grand Rapids, Michigan: W. B. Eerdman, 1987, p. 383 (tradução nossa).
14 Ver o quadro contendo uma lista comparativa de textos dos evangelhos e de Tiago em: STOTT, John. Homens com uma mensagem: uma introdução ao Novo Testamento e seus escritores.  Revisado por Stephen Motyer.  Campinas: Editora Cristã Unida, 1996, p. 125.
15 Stott, Op. cit., p. 123
16 É o que afirma DAVIDS, Peter H. Novo comentário bíblico contemporâneo: Tiago. São Paulo: Vida, 1997, p. 37.
17 Compare, por exemplo: Amós 2.6-9; 4.1-3; 5.11-12; 6.1-7; 8.4-7 com Tiago 1.10; 2.1-7; 4.13-17; 5.1-6. Pensa assim também: Stott , Op. cit., p. 122 e Harrison, Op. cit., p. 383.
18 Moo, Op. cit., p. 31-33 e 57-58.
19 Assim crêem todos os autores mencionados na nota de rodapé nº 10 acima.
20 Ver Baxter, Op. cit., p. 309.
21 A imagem que hoje muitos têm da igreja cristã de Atos 2.42-47, é a de como se ela tivesse permanecido com as características ali descritas por toda a sua história inicial. Contudo, isso não corresponde aos registros canônicos neotestamentários. A Igreja descrita em Atos 2, possuía aquelas características, mas naquele momento histórico. As epístolas foram escritas anos depois, em sua grande parte, para corrigir os muitos erros que viriam ocorrer.
22 Não obstante, Tiago 4.6-7 seja quase igual a 1 Pedro 5.5b-6, 8-9. Na realidade, estes textos de 1 Pedro provavelmente é que deverão ser um reflexo daquele de Tiago, tendo em vista que a data de composição de 1 Pedro ser, possivelmente, posterior. Cf. MUELLER, Ênio. I Pedro: introdução e comentário. São Paulo: Vida Nova e Mundo Cristão, 1991, p. 258 e 262.
23 Isaías 40.6-7; Levítico 19.18; Êxodo 20.13-14; Deuteronômio 5.17-18; Gênesis 21.1-14; 15.6; 2 Crônicas 20.7; Isaías 41.8 e Josué 2.1-21 são alguns exemplos de citações do AT presentes em Tiago.
24 Para Moo, Op. Cit., p. 134, aquilo que Tiago diz ser produzido pela sabedoria do alto, Paulo afirma ser fruto do Espírito em Gálatas 5.22-23. Portanto, são marcas impossíveis de serem produzidas pela natureza humana.
25 Nessa época já existiam os falsos mestres, com os falsos evangelhos e que, consequentemente, criavam uma falsa fé nos seus adeptos, mas, cujo destino final, verdadeiramente será o inferno (Ap 20.11-15). Ver por exemplo: Mateus 24.24; Atos 20.29-30; 2 Coríntios 11.12-15 e 1 João 2.18-19; 4.1-6.
26 CF. GINGRICH, F. Wilbur & DANKER, Frederick W. Léxico do Novo Testamento grego / português. São Paulo: Vida Nova, 1991, p. 152; RIENECKER, Fritz & ROGERS, Cleon. Chave lingüística do Novo Testamento grego. São Paulo: Vida Nova, 1997, p. 541.
27 No texto grego de 2.14, há uma curiosa combinação de tempos verbais. O tempo presente foi usado tanto para o verbo “dizer” (“… Alguém dizer que…”), como para ambos os casos do verbo “ter” (“…Tem fé, se não tem obras?”), só que neste primeiro “tem”, o modo é um “infinitivo contemporâneo ou concomitante”, Cf. Rega & Bergamann (2004, p. 296). Este trecho poderia ser assim expresso: “Ao mesmo tempo em que diz que tem fé, mas que não está tendo as suas respectivas obras?” Dando a entender que é uma impossibilidade real alguém ter uma fé verdadeira em Deus e não ter, ao mesmo tempo, as obras decorrentes desta fé. É interessante destacar que pela construção desta oração no grego, espera-se uma resposta negativa: “De que adianta alguém dizer… se não tem obras?” Resposta: “Não adianta nada!”
28 Quando ele diz “…Acaso a fé pode salvá-lo?”, no grego, esta “fé” se refere ao tipo de fé (morta, sem obras) citada neste versículo 2.14 e não a fé verdadeira de Efésios 2.8 ou de Romanos 5.1-2, por exemplo. Como bem destacou Moo (1996, p. 99-100), “[…] a palavra grega correspondente à fé (pistis) tem o artigo nesta oração e mostra que se refere à fé antes mencionada; fé que uma pessoa afirma possuir. Tiago não está dizendo que a fé não pode salvar; ele está afirmando que a fé que esta pessoa afirma ter, uma fé sem obras, não pode salvar.” É importante também observar que, pela construção deste versículo no grego, o autor espera uma dupla resposta negativa para ambas as perguntas (ver o comentário na nota de rodapé anterior).

3 COMENTÁRIOS

  1. Glória a Deus por este artigo, est  cada dia mais difícil encontrar homens comprometidos com a correta interpretação da Palavar de Deus.
    F‚ e obras, tem muitas igrejas dando suas próprias definiçäes e esquecem que ‚ a bíbilia que os define corretamente.
    PARABENS PROFESSOR!!! BOA SORTE EM SUA MISSÇO

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