A fé em cristo, mas sem obediência a ele, pode salvar alguém? – Uma análise de Tiago 2.14-26 – PARTE 2

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3 O QUE DIZ E O QUE QUER DIZER O TEXTO DE TIAGO 2.14-26?
No versículo 2.14, Tiago faz uma pergunta que revela a sua teologia acerca da verdadeira fé: “De que adianta…?” (grego ofelos, “qual o lucro”, “qual a vantagem”, “qual o benefício”, “qual o proveito”) 26, dando a entender que esse tipo de fé (sem obras) é teórica, abstrata, imaginária ou inexistente . Para Tiago é um absurdo alguém dizer que tem fé e ao mesmo tempo não tem as obras derivadas desta fé27 .
 
É interessante o paralelo de ideias entre Tiago e o Senhor Jesus em Mateus 7.21-23, onde Ele também alerta àqueles que o ouviam, que não tem proveito algum (para o seu presumido discípulo) chamá-Lo de “Senhor”, se não tiver existindo uma obediência correspondente a Ele29 . Tiago não está exortando os seus leitores para acrescentarem à fé (que alegam possuir) boas obras, para então serem salvos. Neste versículo, ele está chamando a atenção para eles se auto-analisarem, se a vida cristã do dia-a-dia estava revelando as características de serem uma nova vida em Cristo. Sendo afirmativa a resposta, então eles possuíam a fé verdadeira. Se não, então que se arrependessem e se convertessem verdadeiramente ao Senhor Jesus! 30

Dos versículos 2.15 a 17, a dedução é obvia: da mesma forma como meras palavras aparentemente piedosas, contudo, desacompanhadas de atitudes piedosas, não têm nenhum proveito para uma pessoa necessitada, assim também, uma fé em Deus que não está sendo traduzida em atitudes de obediência a Ele, significa que é uma fé morta e que não trás nenhum benefício para aquele que a possui!31  A tensão aqui é entre aquilo que se declara ser e aquilo que de fato está sendo. Comentando acerca deste tipo de fé, Songer diz: “Fé, aqui, é usada para dar a entender o tipo de crença em Deus que uma profissão sem obras acarreta.” (1990, p. 141). A diferença aqui não é entre fé e obras, mas entre fé “com obras” e fé “sem obras.” 32

Nos versículos 2.18 a 19, ele continua reforçando o que já disse sobre a verdadeira fé.33  O autor desafia para que se tente mostrar34 a ele uma fé sem (no grego, chôris, “à parte de”, “separadamente”,) as obras, querendo dá a entender de se trata de uma possibilidade concreta impossível.

Tiago também chega a “pegar pesado” quando utiliza a ilustração dos demônios. Eles crêem em Deus, mas não Lhe obedecem voluntariamente (não têm obras). Ou seja: Tiago diz que mostra  que a sua fé em Deus é verdadeira, pelas obras de obediência a Ele.35

No trecho de 2.20-25, ele cita dois conhecidos exemplos bíblicos entre os judeus para ilustrar o seu ensino. A tônica é a mesma: a fé que Abraão e Raabe possuíam no Senhor foi comprovada (a sua existência) pela obediência a Ele em seus respectivos contextos.36  Comentando o versículo 22, Fritz Rienecker & Cleon Roger (1997, p. 542) cita o texto em que Bengel diz “A fé mesma é ‘aperfeiçoada’, isto é, é demonstrada verdadeira, pelas obras.” Ou seja, a fé que eles possuíam no Senhor foi aperfeiçoada (demonstrada como realmente existindo) pela obediência a Ele naquilo em que a mesma foi exigida.

Na realidade, no versículo 2.20 Tiago dá o seu “puxão de orelha” mais forte no leitor, que alegava que tinha fé em Deus e achava que era salvo, embora não estivesse produzindo as obras de um verdadeiro filho de Deus. Ele o chama de “insensato” (grego kenos, “vazio”, “sem base”, “tolo”, “vão”).37  Não se trata de erro intelectual, mas moral.38  

Comentando sobre esse leitor insensato, Moo (1996, p. 106) diz: “É provável que indique uma compreensão deficiente e perversidade moral”. Parece que para Tiago não adianta alguém ter conhecimento teórico sobre Deus (fazer confissões de fé ou crer em determinada declaração doutrinária, por exemplo) 39 e possuir uma conduta de vida moral e eticamente contrária aos ensinos das Escrituras. Se isso está ocorrendo, alerta Tiago, como já foi dito, deixe a insensatez, arrependa-se e creia verdadeiramente no evangelho de Jesus Cristo, para que seja regenerado pelo Espírito Santo (Tt 3.5) e produza os Seus frutos na vida cristã (Gl 5.22-23)!
 
No versículo 2.26, ele então finaliza40 o seu argumento, reforçando o que vem dizendo desde o versículo 2.14, ao utilizar uma analogia interessante:

• Corpo sem Espírito = Corpo Morto
• Fé (em Jesus Cristo) sem Obras (sem obediência a Deus) = Fé Morta
  A conclusão para Tiago é categórica: assim como é impossível existir um corpo vivo sem o seu espírito, assim também é impossível existir uma fé viva sem as suas obras decorrentes, ou seja: submissão ao Senhorio de Cristo, demonstrada através da obediência aos mandamentos das Escrituras.

4 COMO ESTE TEXTO SE APLICA À IGREJA HOJE?
No versículo 1.22, Tiago exorta para que seus leitores sejam regularmente41  praticantes das Escrituras e não apenas ouvintes. E isso se refere ao trecho que foi analisado. 

Para que seja praticada corretamente (ou aplicada) a Palavra de Deus, é necessário que antes de sua prática, ela seja interpretada corretamente. Quanto à interpretação do texto, isso foi realizado no capítulo anterior. Agora será elaborada a aplicação desse texto.

 a) Tiago alerta para evitar o auto-engano: por toda a história do ser humano registrada na Bíblia, o Senhor tem freqüentemente chamado à atenção, seja do povo de Israel (Jz 2.1-5; 6.8-10; 10.11-16; 1 Sm 7.2-4; Is 58; Jr 3.11-18; Jl 2.12-17), das nações vizinhas (Jr 43.8-13; 47; 48; 49; 50), de Sua igreja (Tg 4.7-10; Ro 12.1-2; Ap 2.5, 16, 21, 22; 3.3, 19) ou mesmo dos não convertidos ao evangelho (Mt 4.17; Mc 1.15; At 2.38; 3.19; 17.30; 26.20), da suprema necessidade do arrependimento de pecados e da obediência a Ele, conforme os mandamentos das Escrituras.

Tiago faz eco desta prática divina (chamar ao arrependimento) ao sacolejar e despertar seus leitores para que estes não se enganem, pensando que estão salvos da condenação eterna, por crerem em Deus teoricamente ou mesmo em várias verdades bíblicas acerca Dele, embora continuem a viver a vida do dia-a-dia como a sua natureza humana pecaminosa se dispõe. 42 Ele chama este tipo de fé de “morta”, “sem proveito” ou “inútil” para o seu possuidor. 

Segundo Tiago, a “fé em Deus” não pode ser utilizada para que a pessoa se esconda de Deus atrás dela e a use como instrumento camuflador de sua vida de pecado.

Como bem comentou Ulrich Parzany:  43

O novo modelo de religião disfarçado de cristianismo [o cristianismo nominal] é uma imunização contra a fé verdadeira. Religião é o caminho mais forte para proteger o homem de Deus […]. Muitos simplesmente adotam uma religião para se sentirem bem e tirar Deus de suas costas. Esse tipo de cristianismo é uma ameaça muito mais forte para a igreja do que o ateísmo.

Para o ser humano, não existem atalhos nem caminhos alternativos para o arrependimento e sujeição a Cristo como Senhor. Está mais que explícito, em toda a Escritura, que o homem é pecador (Gn 6.5; Sl 51.5; Ro 3.10-18), desobediente a Lei do Senhor, rebelde para com Ele (Ro 1.28-31) e sujeito ao maligno (Ef 2.2; 1 Jo 5.19). O seu destino final será o inferno (Ap 20.15), caso não se arrependa de seus pecados e se converta a Jesus Cristo.

Todas as pessoas, mesmo as que vivem hoje na pós-modernidade, herdaram de Adão e Eva a natureza pecaminosa e que, por causa disso, são separadas do Deus Santo.   O problema da inimizade permanente do ser humano para com Deus, por causa do seu pecado, não será resolvido da forma que seja agradável a pessoa, mas do modo como o Senhor estabelece em Sua Palavra.

Por isso, quando alguém que foi eleito por Deus, se arrepende de seus pecados, crê verdadeiramente em Jesus Cristo como Senhor e Salvador, se sujeitando integralmente a Ele, acontece o seguinte (não necessariamente nessa ordem):
a) os seus pecados são perdoados (Cl 2.15; 1 Jo 1.9; 2.12);

b) tem paz com Deus e é justificada pelo Senhor (Ro 5.1);

c) o Espírito Santo passa a morar nela e a transforma numa nova criatura, à imagem moral de Jesus; o coração de pedra do ser humano é transformado para um de carne, obediente ao Senhor (Ez 36.26-27; Ro 8.29; 2 Co 3.17-18; 5.17; Tt 3.4-6);

d) é liberto do poder do império das trevas (Cl 1.13-14) e do poder do seu pecado (Ro 6.14, 22; Ap 1.5);

e) o seu nome é escrito no livro da vida (Ap 20.15; 21.27);

f) passa a amar o seu próximo (Gl 5. 22-23; 1 Jo 3.14; 4.7-8);

g) porque o seu caráter está sendo transformado gradativamente pelo Espírito Santo (2 Co 3.17-18), ele passa ter uma prática de vida social diferente para melhor (Ef 4.17-24; Cl 3.5-10; 1 Pe 1.13-16).

h) tem como maior aspiração da vida o negar-se a si mesmo e seguir fielmente a Jesus (Mt 16.24-25), fazendo a vontade do Senhor em cada momento de sua vida (Jo 4.34; 6.38) e isso inclui, inexoravelmente, se reunir regularmente com outros discípulos, em um mesmo local (igreja), para adorá-lo e obedecer a sua vontade (At 2.42-47);

i) procura conduzir a sua vida em santidade (1 Ts 4.3-8), evita amoldar a sua mentalidade àquela que é padrão no mundo alheio aos valores do Reino de Deus (Ro 12.1-2) e é zeloso em praticar boas obras (Ef 2.10; Tt 2.14).
   
O que está descrito nas alíneas de “a” a “i” acima é o se tornar uma nova criatura, conforme Paulo ensina em 2 Coríntios 5.17 e, de acordo com Tiago 2.14-26, é a comprovação concreta e objetiva, que a pessoa teve a verdadeira fé salvadora em Cristo.

No NT, ser uma nova criatura, regenerada pelo Espírito Santo, nunca é sinônimo de uma simples mudança de religião (sair do “judaísmo” para a religião “cristã”), nem muito menos do descrente no evangelho, passar a participar das atividades religiosas das igrejas (cultos, campanhas, celebrações, shows ou espetáculos), mas sim, trata-se de um encontro com Deus, onde o pecador reconhece o seu pecado, se arrepende do mesmo e se submete ao senhorio de Jesus Cristo por toda a sua vida.
 
O se tornar uma nova criatura em Jesus Cristo, é uma transformação radical produzida pelo Espírito Santo e que o homem não convertido ao Evangelho nem deseja, nem pode realizar por força própria. Biblicamente, as atitudes, comportamentos, crenças, valores, cosmovisões e práticas de vida, de natureza regenerada, só podem ser oriundas de uma natureza humana regenerada pelo Senhor (Dt 30.6; 1 Sm 10.6; Is 59.21; Jr 24.7; Ez 11. 19-20; 36.26-27; Mt 7.15-20; 12.33-35).

 

CONCLUSÃO
Se o versículo 2.14 fosse parafraseado e estendido às várias aplicações na realidade das igrejas evangélicas da atualidade, poder-se-ia perguntar:

a) Que adianta alguém dizer que “entregou a sua vida a Jesus”, mas continua na prática costumeira de pecados tais como: mentira, desonestidade, impontualidade nos compromissos (principalmente nos cultos), consumismo, exploração econômica do próximo, “colar” nas provas escolares, falar mal e julgar os outros; tem mais prazer e interesse nas coisas do mundo (consumismo, programas de TV, videogames, filmes, festas, jogos de futebol, etc.) do que no Reino de Deus?44

b) Que adianta alguém dizer que crê que a Bíblia é inspirada plenária e verbalmente por Deus, se ele pouco a lê, estuda ou a obedece?

c) Que adianta alguém dizer que crê que Jesus é o Filho de Deus, se continua existindo no seu coração ódio racial ou étnico contra negros, judeus, nordestinos, imigrantes, pobres ou contra quem quer que seja?

d) Que adianta alguém dizer no louvor, que ama a Deus e ao próximo, mas possui grandes latifúndios de terras, cercados de famílias vivendo em precárias condições de vida, sem lhes prestar nenhum tipo de ajuda humanitária? 45

e) Que adianta alguém dizer que crê que Deus é o Senhor do impossível, mas não intercede regularmente a Ele e procura desenvolver ações concretas (dentro de suas possibilidades) pelos enfermos nos hospitais, pelos desabrigados vítimas dos fenômenos da natureza (enchentes, terremotos, secas, etc.), pelos que estão carentes em suas necessidades básicas de sobrevivência (comida, roupa, habitação, etc.) e pelos principais problemas sócio-político-econômicos do país?

f) Que adianta o político que afirma que creu em Jesus como seu Senhor, porém, na sua prática política diária, demonstra atos de desonestidade, corrupção e falta de ética?

g) Que adianta o funcionário público que diz ser “crente em Jesus”, mas que, no seu desempenho profissional, continua com os muitos vícios da conhecida cultura de empresa pública brasileira (impontualidade, absenteísmo, abuso de licença médica, morosidade e baixa produtividade, baixa qualidade no atendimento ao público, apadrinhamento com políticos, etc.), prejudicando aos interesses da população de um modo geral?

h) Que adianta o presidente de uma das maiores denominações evangélicas do país dizer que é homem de Deus, por ter crido no Senhor, entretanto, pratica uma série de irregularidades éticas, administrativas e financeiras (declaração de imposto de renda  que não corresponde à realidade, registro das entradas de dízimos e ofertas diferentes do que realmente ocorre, transporte de valores sem a autorização das autoridades legais, envolvimento escuso com partidos políticos, não paga salários justos aos empregados da igreja, etc.)?

i) Que adianta, na realização dos mega-shows evangélicos, aonde se apresentam cantores, grupos musicais e pregadores famosos, com o uso de toda sorte de recursos tecnológicos para promoção do entretenimento, se na vida de todos eles (cantores, integrantes dos grupos musicais, pregadores, promotores dos shows, componentes das equipes que dão sustentação aos eventos e os que vão assistir aos shows), não estiverem existindo as obras ocasionadas pela fé no Senhor, que Tiago adverte em 2.14-26? Esses shows têm algum proveito?46

j) Que adianta alguém dizer que crer que Deus é justo e santo, todavia, na sua vida não estão presentes as obras que são caracterizadas por esses atributos divinos, ou seja, por exemplo, compra regularmente DVDs, CDs e softwares piratas?

k) Que adianta a pessoa dizer que crer que Deus sempre cumpre as Suas promessas, no entanto, essa pessoa não honra seus compromissos financeiros assumidos?

E a lista certamente continuaria por mais alguns tópicos. Se a exortação de Tiago foi severa para os seus leitores da época, ela deve ser também para os atuais.
  
Como Tiago mesmo disse em 1.16 e 22, os membros das igrejas devem se auto-avaliar e verificar se a sua prática de vida está de acordo com a fé em Cristo que professam. Se não, cabe então a eles, que reajam com humildade, arrependimento, fé e obediência diante do Senhor, já que:

3 Sabemos que o conhecemos, se obedecemos aos seus mandamentos. 4 Aquele que diz: “Eu o conheço”, mas não obedece aos seus mandamentos, é mentiroso, e a verdade não está nele. 5 Mas, se alguém obedece à sua palavra, nele verdadeiramente o amor de Deus está aperfeiçoado.  Desta forma sabemos que estamos nele: 6 aquele que afirma que permanece nele, deve andar como ele andou. (1 João 2.3-6-NVI).

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Notas

29 Em Mateus 7.21-23, também ocorre uma construção gramatical no grego parecido com a de Tiago. Tanto o verbo “dizer” (Mt 7.21, “…Nem todo aquele que me diz…”), como o “fazer” (Mt 7.21, “Aquele que faz a vontade…”), é um particípio presente. Ou seja: quando alguém declara que Jesus é o Senhor da sua vida, se essa declaração for verdadeira, a prova disso é que ele ao mesmo tempo também estará obedecendo ao Senhor em cada área de sua vida. É necessário também ressaltar que o contexto de Mateus 7.21-23, se inicia no versículo 7.15 (que pelos frutos maus, os falsos mestres serão conhecidos) e conclui no 7.27, quando Ele aborda sobre o praticar a Sua Palavra. A grande questão não é simplesmente produzir fruto, mas o tipo de fruto produzido, porque sempre serão produzidos. Mas apenas os bons (a obediência à Palavra) é que revelam se a árvore é boa (um coração que foi transformado pelo evangelho).
30 Pode-se objetar aqui que Tiago não iria exortar para se converter, alguém que ele chamou de irmão (versículo 2.14). Porém, o fato de alguém ser chamado de irmão no NT, não significa, necessariamente, que ele seja de fato um crente em Jesus. O termo pode ter um sentido mais amplo. Por exemplo, em Atos 2.37, após ouvir o sermão de Pedro, os judeus perguntaram a ele: “Irmãos, que faremos?” Pedro, então, no versículo 2.38, prega para que se arrependam e sejam batizados.
31 No versículo 2.17, no original grego (como na tradução em português da NVI), a palavra fé vem acompanhada com o artigo definido, especificando assim que se refere à fé já mencionada anteriormente no versículo 2.14. Ver a nota de rodapé nº 28 acima.
32 Moo, Op. cit., p. 103.
33 Quando Tiago diz no versículo 2.18 “…A minha fé pelas obras” , a preposição “pelas” (no grego ek), rege o substantivo no caso genitivo. A idéia da oração é essa: “A minha fé [de dentro das] obras.” Teologicamente, o que ele está afirmando é o seguinte: de dentro de sua vida cristã transformada, ele extrai a fé real que a produziu. Para a análise desta preposição, ver: GREENLEE, J. Harold. Gramática exegética abreviada do grego neotestamentário. Rio de Janeiro: Juerp, 1973, p. 59-79.
34 O verbo que Tiago usou que foi traduzido por “mostrar” (grego, deiknymi) foi utilizado 32 vezes no NT, sempre com o significado de “apresentar (ou visualizar) algo concreto para os olhos humanos”.
35 Produzir “obras” em Tiago equivale, teologicamente, a produzir um novo modo de viver, por ser uma “nova criatura” em Cristo (2 Co 5.17), segundo Paulo, já que obras = obediência em Romanos 1.5 (NVI). Obras em Tiago não se limita a “obras de caridade”. A palavra grega (ergon) traduzida por “obra” foi utilizada 169 vezes e está presente em todos os livros do NT. Paulo a emprega diversas vezes se referindo a “prática de vida cristã”, “procedimento”, “comportamento”, “obediência” e “ser uma nova criatura”, por exemplo. Os textos de Romanos 2.6, 1 Coríntios 3. 13-15, Gálatas 5.19, Colossenses 1.10; 3.17, 2 Timóteo 2.21; 3.17, Tito 2.7, 14; 3.1 e 8 são alguns exemplos de como Paulo utilizou a palavra ergon. Ver o conceito do vocábulo “obra” em VINE, W. E..; UNGER, Merril F. e WHITE. JR, Willian. Dicionário Vine: o significado exegético e expositivo das palavras do Antigo e do Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2002, p.827-828.
36 Há um enorme debate teológico acerca do significado de Abraão e Raabe terem sido justificados pelas obras, conforme os versículos 2.21 e 25 parecem indicar, bem como o porquê de Tiago ter usado esses dois exemplos contrastantes (um homem considerado herói para o povo judeu e uma prostituta, e ambos sendo gentios). Ver as explicações esclarecedoras em Moo, Op. cit., p. 107-116; Songer, Op. cit., p. 142-143.
37 GINGRICH, F. & DANKER, Frederick W, Op. cit., p. 115.
38 DAVIDS, Peter H. Novo comentário bíblico contemporâneo: Tiago. São Paulo: Vida, 1997, p. 91.
39 Quando ele diz no versículo 2.19: “Você crê que existe um só Deus?”, ele não está perguntando: “Você crê em Deus?”. Há uma diferença sutil, mas importante. No primeiro caso, trata-se, possivelmente, de uma crença numa confissão de fé do judaísmo e do cristianismo primitivo, que para a época de hoje, equivaleria à declaração doutrinária de uma igreja. Já no segundo caso, trata-se realmente de uma profissão de fé em Deus. Ver Davids, Op. cit., p. 102.
40 No original grego, este versículo inicia com duas conjunções hôsper gar (“assim, pois”), finalizando um assunto tratado no contexto imediatamente anterior.
41 O tempo presente dos verbos gregos ginesthe e poiêtês, que a NVI traduziu como “sejam praticantes”, transmite a idéia de uma prática regular. Para RIENECKER, Fritz & ROGERS, Cleon, p. 538: ”O tempo presente indicado ação contínua e pede um hábito de vida”.
42 Aquilo que Paulo chama de “vivendo na carne” em Romanos 8.5-8 e Gálatas 5.17, 19-21.
43 Revista Ultimato, nov./1989, p. 19.
44 Observe que está dito “mais prazer”. Não existe problema em assistir um bom filme, porém, quando alguém que afirma que é discípulo de Jesus, tem mais interesse e fervor nisto do que, por exemplo, ir a uma reunião de oração, ele demonstra que está com as prioridades alteradas no seu coração.
45 Geralmente, no Brasil, os donos das empresas alegam que não pagam um salário melhor aos seus empregados em virtude da insuficiência de recursos financeiros por parte da organização. Porém, estes mesmos proprietários, junto com a sua família, desfrutam de um padrão sócio-econômico alto, aonde possuem carros importados, roupas de grife, imóveis luxuosos, viajam para o exterior, etc.. Ou seja: eles não têm recursos para pagar um bom salário para os seus empregados, mas têm para gastar consigo mesmo (de maneira luxuosa) e com os seus familiares. É o mesmo procedimento dos donos dos antigos engenhos de cana de açúcar e das fazendas de café. Estes donos de empresas, por ser uma nova criatura em Cristo, deveriam inserir nas relações Capital x Trabalho uma nova maneira de gerenciar essa relação, sob a ótica da justiça do Reino de Deus, que inclui, certamente, uma justa distribuição da riqueza gerada pelos componentes de quem a produziu (os empregados).
46 Evidentemente que tem proveito sim, mas de natureza financeira e para os promotores desses eventos.

1 COMENTÁRIO

  1. Gloria a Deus!! essa conclusão, uffa, não tem como não ser tocado pelo o Espírito Santo, palavras claro de cobrança, concerto, melhoras e … Que o Espírito Santo nos ajude a cada dia, reconhecer nosso pecados e abandon -los.

    PROF. CONTINUA FIRMA NESSA SUA MISSÇO.

  2. É uma alegria e privil‚gio conhecê-lo, Professor Wanderson. Minha oração ‚ a de que o Senhor de Toda Glória continue a instruí-lo pelo Espírito Santo, e que suas contribuiçäes acadêmicas sejam utilizadas por todos nós, não só no Semin rio, mas no cotidiano. também desejo ser estimulado a seguir adiante.

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