Uma resposta cristã à decisão recente do STF

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1Co 10.31; Sl 24; 2Co 10.4-5; 1Pe 3.15

O STF fez mais uma vez. Caminhando na trilha das decisões iníquas – porque contrariam a Lei de Deus (o padrão para todas as leis humanas) –, os ministros decidiram que é aceitável, se não “recomendável”, uma mulher assassinar uma criança em seu ventre pelo fato de haver um (ou mais) diagnóstico(s) afirmando a anencefalia do ser humano intrauterino.

Muitos usam o termo batalha espiritual para outros contextos, eu, porém, acredito que aqui é um lugar adequado para a nomenclatura, como 2Coríntios 10.5 indica. Refutar falsos argumentos e levar todo pensamento cativo a Jesus é tarefa do soldado cristão. Outro nome dado a esta empreitada é o termo apologética – normalmente conhecido como a defesa da fé. Aqui podemos pensar em um sentido mais abrangente do termo, que se traduz não apenas como defesa das doutrinas cristãs, mas também a afirmação do Senhorio de Jesus sobre todas as áreas da vida.

Existem muitos caminhos para discutir o ponto, mas pretendo seguir apenas um deles, e destacar percepções cristãs que nos edificarão no anúncio e defesa do ensino bíblico, diante de uma cultura e grupos de pressão social que tentam forçar a aceitação da mentalidade abortista. Acredito que a forma de pensarmos a questão será mais útil aos cristãos nas mais diversas áreas da sociedade, não exigindo conhecimentos técnicos e científicos, mas trabalhando no âmbito das pressuposições e identificação das mentiras abortistas, proclamando a verdade bíblica.

Caminhando desta maneira, podemos pontuar algumas questões importantes para o momento.

1. A estratégia semântica
Percebam a minha utilização de palavras algumas linhas acima. Chamei o conteúdo da decisão do STF de “assassinar uma criança no ventre”. Por que tal nomenclatura “pesada”? Porque existe uma estratégia sendo utilizada para nomear a prática do aborto e torná-la menos forte, e, consequentemente, adorná-la linguisticamente para soar mais aceitável. Os ministros do Supremo Tribunal fizeram isso algumas vezes. Substituíram o termo “aborto de anencéfalos” pela adocicada expressão “interrupção terapêutica da gravidez”. A estratégia, portanto, consiste em uma técnica orwelliana de estabelecer um tipo de novilíngua que descreva um fenômeno ruim de modo tão sutil que ele pareça bom, e assim seja aceito socialmente.

A estratégia é eficaz quanto às percepções subjetivas da sociedade sobre a questão, mas, da mesma maneira que chamar um cemitério de “casa de repouso subterrâneo estendido” não o torna algo diferente, chamar o aborto de interrupção terapêutica não altera a realidade do que está sendo praticado.

Clamemos, então por uma honestidade linguística. Chamar as coisas pelo que são, e não pelo que pretendemos que pareçam ser. Como se chama a interrupção de uma vida por outra pessoa? Assassinato. Como se chama um “feto” que respira e reage dentro do ventre? Criança, ou pessoa. Como se chama a interrupção da vida de um feto? Assassinato de uma criança ou pessoa.

Mas alguém poderia caminhar afirmando que eu presumo alguns pontos sem defendê-los no parágrafo acima. Presumo que existe vida no ventre, e em decorrência disso coloco o ser intrauterino na categoria de pessoa. Os ativistas, e alguns do STF trabalham a partir de pressupostos contrários – não há vida (ou pelo menos não se definiu a questão), e assim o ser deve ser chamado de feto, e não de pessoa.

Quais os problemas a serem encarados nessa questão?

2. O domínio da ciência como fonte de conhecimento verdadeiro (cosmovisão cientificista e naturalista)
Sim, eu pressupus haver vida dentro do ventre materno e não escondo meus pressupostos (diferente de alguns, mas chegaremos lá). E talvez o grande problema aqui seja a eleição de quem tem autoridade para dizer se há vida ou não intrauterina. Alguém escolheu a ciência, e agora todos esperam que os cientistas resolvam a questão – a palavra final está atrás de microscópios e maquinários, de jalecos brancos e máscaras, de óculos de proteção e luvas de borracha.

Obviamente eu faço uma caricatura, mas sem distorcer de todo o ponto. O processo mais complexo se dá a partir de uma mentalidade promovida pela “idade da razão”, que inverteu o processo de conhecimento, estabelecendo a ciência como o critério último de verdade. Os “iluminados”, tão estupefatos com o próprio conhecimento, determinaram a razão como o elemento definitivo de aceitação do real. Deste modo, a ciência e suas explicações bem formatadas para a cabeça humana eram a melhor pedida. O crescimento desta perspectiva faz nascer uma visão de mundo chamada de naturalismo. Entre suas nuances, fundamentalmente está a percepção da realidade como composta apenas por fenômenos naturais – excluindo-se, assim, o sobrenatural.

Exclui-se o sobrenatural e quem sai do jogo? Deus. É a origem da conversa fiada sobre laicismo e a exclusão da religião no debate público. Partindo da fé na ciência, estes crentes excluíram os crentes em Deus do campo do conhecimento. Aliado a isto, a ciência foi elevada ao estágio máximo da instrumentalidade para conhecer, e a visão de mundo chamada cientificismo entra em cena para compor o quadro. Somente a razão, somente fenômenos naturais, e somente a ciência – estes são os solas da modernidade “iluminada”. Talvez seja importante lembrar aqui que a reforma protestante tinha seus próprios solas: sola fide, sola Scriptura, sola gratia, solus Christus, soli Deo gloria.

A pergunta é: qual a razão para definir a razão como elemento fundamental do conhecimento? Qual a prova científica de que a ciência possui a palavra final sobre todas as questões? Estas perguntas não podem ser respondidas pelos meios da razão e da ciência, porque trabalham a partir de compromissos de fé – pressupostos muitas vezes não avaliados, e assim desonestamente presumidos na fala de ativistas e ministros.

Como a razão e a ciência não conseguem se estabelecer por si mesmas, precisamos considerar outras pressuposições e axiomas (princípios últimos desses compromissos de fé) que norteiam o pensamento e a prática das pessoas. E é exatamente aqui que percebemos a Bíblia e Deus como elementos fundamentais. Não me refiro a qualquer Deus, nem a qualquer livro religioso, mas ao Deus cristão. Abrir para a “religiosidade” também não resolverá o problema, apenas multiplicará as discussões sobre as propostas de conhecimento – não que discutir isso seja ruim em si –, mas as demais “alternativas religiosas” ora escondem seus pressupostos, ora demonstram a fraqueza dos mesmos, assim como a razão e a ciência não passam no próprio teste.

3. O problema da neutralidade
Há quem fique irado, clamando a tal “neutralidade”. Defendem-na das mais variadas formas, ou com as mais diferentes maquiagens e máscaras, como queiram. Falam da laicidade do Estado, ou da neutralidade científica, ou da necessidade de afastar a religião das discussões públicas. Todas estas reivindicações partem da realidade de que é possível fazer afirmações religiosamente neutras. Se pensarmos em religião apenas como a adesão a um grupo religioso específico, é possível falar algo sem me declarar batista, testemunha de Jeová, budista, ou satanista. Mas se pensarmos em religião em sua perspectiva mais ampla – a dimensão de fé experimentada pelo coração humano, não há uma declaração humana isenta.

Como vimos, por exemplo, a ciência parte de compromissos de fé, e assim a razão. Isto já é suficiente para afirmar que as declarações supostamente neutras dos grupos de pressão para o assassinato de crianças intrauterinas, e dos ministros do STF são religiosas por excelência. Deste modo, em vez de descartar a religião, em nome da honestidade do debate público, dever-se-ia assumir que perspectiva religiosa se está adotando. Um cientista faria suas afirmações consciente de que acredita que a ciência possui as respostas últimas da vida humana, e um ministro daria o seu voto afirmando a sua crença na razão humana como critério último de definição da moral e da justiça. Da mesma maneira, se ouviria um cristão que apresenta a sua proposta a partir de sua fé em Jesus.

O grande problema é que soa mal reconhecer seus compromissos de fé. E assim somente os cristãos parecem agir com honestidade no debate público. Eles não têm vergonha de afirmar seus pressupostos e deles derivar suas reivindicações. Não existe terreno neutro nas declarações humanas, e as tentativas de afirmar isto são estratégias de afastar os cristãos das discussões sociais e criar “pensadores de segunda categoria”, que intencionalmente, quer como resultado do autoengano.

4. As respostas cristãs à vida humana
Finalmente, acreditamos que assim caem as mentiras linguísticas, as falsas cosmovisões que não se sustentam nas próprias pernas, como o racionalismo, o cientificismo e o naturalismo, e também cai a mentira da neutralidade das afirmações no espaço público. O cristão afirma tudo isso porque sabe que cada homem têm a revelação de Deus no íntimo do seu coração e na natureza, de modo que vive lutando contra a tensão de estar no mundo de Deus, tentando suprimir as evidências da existência de Deus (Rm 1.18).

Tendo desmascarado estas mentiras, e reafirmado seus pressupostos que são a existência de Deus e a veracidade da Bíblia, os cristãos discutem a decisão do STF apresentando o ensino de Deus sobre a questão. Vários pontos norteiam nossa compreensão, e assim podemos afirmar sem medo que o STF errou em sua decisão.

i. Deus anuncia a criação do homem à sua imagem e semelhança, de modo que cada ser humano é dotado de valor intrínseco, independente do tempo de vida que tenha, ou terá (Gn 1.27);

ii. Deus afirma que dentro do ventre humano existe vida,  portanto, uma pessoa (Sl 58.3; Lc 1.41; Jr 1.5);

iii. Deus condena a prática do assassinato, independentemente do sentimento do assassino ou da duração de vida da vítima (Gn 9.6; Êx 20.13; Êx 21.22);

Com base nestes três princípios (tratados não exaustivamente, são apenas exemplificativos), temos recursos suficientes para valorizar a vida humana de tal modo que causar a morte de alguém, com exceção das hipóteses previstas por Deus, constitui-se grave falha, e pecado contra o Senhor de toda a Terra. Ao votar contra a vida – mesmo que sob o discurso de “a favor da mãe”, a Corte Constitucional brasileira não apenas abriu o caminho para o estabelecimento do aborto sem justificativas – talvez o próximo passo – como se colocou acima da justiça divina, fazendo-se Lei para si e para os outros (sem discutirmos aqui se o STF tem ou não competência legislativa – o sentido de minha declaração é mais amplo). Ao votar pelo assassinato, o Supremo manifestou sua rebeldia contra o SUPREMO. Mas estes juízes prestarão contas à Corte Eterna.

Bibliografia

Para seguir estudando temas relacionados ao assunto, confira BAHNSEN, Greg L. Van Til’s apologetic: readings and analysis. Phillipsburg, New Jersey: P&R Publishing, 1998; CRAIG, William Lane; MORELAND, J. P. Filosofia e cosmovisão cristã. São Paulo: Vida Nova, 2005; DOOYEWEERD, Herman. No crepúsculo do pensamento ocidental. São Paulo: Hagnos, 2010; FRAME, John. Apologética para a glória de Deus: uma introdução. São Paulo: Cultura Cristã, 2010; KELLER, Timothy. A fé na era do ceticismo: como a razão explica as crenças divinas. Rio de Janeiro: Elsevier, 2008. NASH, Ronald. Questões últimas da vida: uma introdução à filosofia. São Paulo: Cultura Cristã, 2008; PEARCEY, Nancy; THAXTON, Charles B. A alma da ciência: fé cristã e filosofia natural. São Paulo: Cultura Cristã, 2005; SENNET, James F. (ed.) The Analytic Theist: an Alvin Plantinga Reader. Grand Rapids, Michigan: Eerdmans, 1998; VAN TIL, Cornelius. An Introduction to Systematic Theology. Phillipsburg, New Jersey: P&R Publishing, 1974.

13 COMENTÁRIOS

  1. Excelente texto! A razão tem sido considerada como juiz neutro e soberano para as questäes mais diversas, mas mesmo ela parte de pressupostos que dificilmente são reconhecidos pelos que a defendem exaustivamente. A Bíblia mais uma vez se mostra coerente e eficiente quanto …s questäes sociais, embora muitos ainda a tratem como ultrapassada, partindo de pressupostos racionalistas e secularistas.

  2. Clamemos, então por uma honestidade linguística. Chamar as coisas pelo que são, e não pelo que pretendemos que pareçam ser.

    Isso para muitos ‚ ir contra a mar‚… deve haver at‚ treinamentos PNL para você conseguir isso … est  cada vez mais comum eu fingir que faço algo e o outro fingir que acredita no que eu finjo fazer… ‚ assim em Brasília, ‚ assim aqui no Maranhão e nossos doutores que ao assumir cargos políticos recebem via transcendental conhecimento, educação, ‚tica, moral e muitas outras coisas que fazem com que os mesmos sejam Grandes e por isso podem resolver as mais diversas questäes de nós, pequenos, que somos incapazes de entender a necessidade de um 18º sal rio para poder ajudar os necessitados…
    Só servem aos seus próprios ventres. E pensar que no meio cristão alguns ousam usar tais estrat‚gias para, de fato e verdade, enganar o povo.
    Allen, que outros se levantem e clamem por Justiça como est s fazendo agora!

  3. Muito bom. Vale salientar que a decisão do STF se dar também pelo fato do homem querer, desde Adão, ser Deus, ter a decisão nas suas mãos. também pelo tendência fundamental de auto-preservação, ou seja, querem preservar o seu bolso, pois criaças deficientes geram gastos públicos, dinheiro que poderia est  servindo para o bem est  dos políticos.

  4. Excelente Coment rio!
    Como igreja, não podemos nos calar diante de situaçäes execr veis como o aborto.
    Lembremo-nos das palavras dos Apóstolos Pedro e João Julgai entre vós se importa obedecer a Deus ou aos homens.
    Que o Senhor da Igreja nos auxilie em toda boa obra.

  5. Os tempos só se sofisticam para fazer que o mal seja tomado como bem. Daqui decorre a recomendação bíblica de Ai dos que ao mal chamam bem e ao bem, mal que fazem da escuridade luz e da luz, escuridade päem o amargo por doce e o doce, por amargo Isaías 5.20. Não foi assim quando o nazismo declarou a superioridade ariana dando lugar ao terror que no s‚culo passado viveu a humanidade? Hoje ‚ a ciência e os seus representantes travestidos de autoridade legal que determinan que os inferiores e não dignos de viver são os que ainda não nasceram e que supostamente nem seres humanos são porque não viram a luz dos que os condenam … morte. Nenhuma definição científica, ou tida como tal, e nem mesmo jurídica ‚ capaz de determinar quem não ou quem si pode viver ou morrer, mesmo antes de nascer, ou determinar quando se ‚ um ser humano ou não. Dizem: a ciência e as leis humanas são suficentes para nortear a vida de todos. Nenhum Deus, nenhuma Norma. O homem ‚ a medida de tudo e para todo!

  6. Muito bom artigo. Boa resposta. Hoje em dia as pessoas são tão difíceis de lidar que mesmo com uma argumentação como esta, elas não conseguem entender.
    As pessoas perderam o senso da realidade, só uma obra de DEUS para livra-las deste precipício em que se meteram.

  7. É um bom texto, que acaba retirando a crosta e a casca que obstrui o bom pensamento ou mesmo a liberdade que qualquer Cristão tenha de defender aquilo que acredita. Tanto faz se você ‚ contra ou favor da decisão do STF, o que ficou claro ‚ que o discurso da pseudo neutralidade ‚ uma balela que sucumbe a necessidade real das pessoas assumirem suas posiçäes e suas crenças, ainda que não seja em Cristo Jesus – o que lamento profundamente – mas que saibam, darão conta delas no grande dia.

  8. Minha esposa, m‚dica cristã, pediatra, como duas de suas irmãs, j  viram v rios anenc‚falos na sua vivência m‚dica. Elas dizem que ‚ uma experiência cruel e dolorosa. São corpos humanos desprovidos de c‚rebro, que tem a parte superior do crânio algumas vezes exposta a cavidade sem nada dentro. Nenhum sobrevive, por que ‚ fisiologicamente impossível. O STF não obrigou nenhuma mãe de feto anenc‚falo a abortar, apenas não proibiu aquela que optar por esta via. Extrapolar essa permissão para qualquer caso de mal-formação seria eugenia. Então, est  com a mãe. A ‚tica cristã não pode ser imposta pela lei. Mães cristãs tem suas consciências antes da lei. Mas, eu creio, só Deus poder  julg -las nesse caso.

  9. Excelente artigo! A ciência não ‚ neutra e nunca ser  pelo simples fato de que o cientista ‚ um homem, e nenhum homem ‚ neutro. Pois todos os homens tem suas crenças e seus pressupostos. além do mais, a ciência ao longo dos s‚culos tem cometidos erros sobre erros. Logo, algo ‚ verdade em ciência at‚ que no futuro se mostre que estava errado, ou seja, a verdade do passando estava provada cientificamente e por isso não deveria ser questionada. Entretanto, no futuro prova-se novamente cientificamente que se estava errado no passado. Assim, criado-se um círculo vicioso. Como, então, vou crer que essa prova científica ‚ definitiva? J  que no passado dizia-se que algo estava provado cientificamente, e agora isso cai por terra com base em outras pesquisas. A razão disso ‚ simples: a ciência ‚ feito com base em premissas que ela assume por f‚, são premissas que não podem em si serem provadas pelo m‚todo científico. Concluo: as palavras m gicas est  provado cientificamente são dogmas.

  10. É um posicionamento corajoso. Infelizmente, o artigo não traz também o parecer de pessoas cristãs como m‚dicos e mulheres com experiência como mães de anenc‚falos . Temos aqui apenas um posicionamento como resposta a toda essa dor que pesa sobre todos, cristãos e não cristãos.
    Publicar esse artigo também foi mais um ato de coragem que qualquer outra coisa.
    E que Deus nos dê coragem e sabedoria para nos aprofundarmos sobre o assunto. E ainda, que nos ajude com essas difíceis questäes.

  11. Corajoso artigo. Acredito que os cristãos precisam se aprofundar mais em v rios princípios bíblicos e chegarmos a respostas não iguais a ciência, ao senso comum. Tivemos uma caso com uma irmã próxima e posso afirmar que foi muito doloroso para todos nós. Deus foi soberano na questão.

  12. Texto brilhante. Bom dominio de conteudo, principalmente sobre a episteme. Argumentos solidos e convincentes. Colocaçäes pertinentes e contundentes. Passagens hil rias sem demasiada caricatura. Trocadilhos inteligentissimos. Voz prof‚tica que clama do deserto!!! Parabens pelo texto e grato por oportunizar uma excelente leitura!

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