Uma proposta de abordagem hermenêutica para a compreensão do uso do Antigo Testamento no Novo Testamento

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Antes do século XVI, a predominância do latim e o uso da Vulgata como texto oficial da igreja católica romana dificultaram o desenvolvimento de estudos que analisassem os tipos textuais do AT usados pelos autores do NT e o modo como estes lidaram com o texto sagrado em suas citações.2  A igreja antiga praticamente abordava o AT por meio da tipologia e alegoria ou como texto prova para combater hereges e confirmar o valor da fé cristã.3  Porém, a partir do período da Reforma, esta questão hermenêutica passou a ser observada com considerável atenção, como demonstram os vários comentários exegéticos de João Calvino (1509-1564 A.D.)4

Na análise sobre a passagem de Atos 7.14, por exemplo, Calvino discute a diferença entre o número de pessoas da família de Jacó que descera ao Egito apresentada pelo TM (Texto Massorético) e pela LXX (Septuaginta) nos textos de Gênesis 46.27 e Êxodo 1.5. Ele chega à conclusão de que Lucas preferiu seguir a LXX em um ponto “de pouca importância”, ainda que errônea em sua tradução, a fim de não gerar confusão na mente de seus leitores acostumados com o texto grego.5

Várias propostas de abordagens do uso do AT pelo NT têm surgido dentro das alas conservadora e liberal do protestantismo bem como dentro do catolicismo romano, especialmente a partir do século XVIII.6  Mais recentemente, houve uma explosão de artigos e livros sobre o tema, merecendo destaque a perspectiva católica sobre o sensus plenior que influenciou até mesmo escolas hermenêuticas dentro do evangelicalismo.7  A teoria do sensus plenior nasceu no final da década de 1920, proposta pelo frade Andrea Fernández8  e influenciada por outros estudiosos como M. J. Lagrange9  e R. Cornely.10  Ela foi resumida da seguinte forma por Raymond E. Brown:

Deus pretendeu expressar um significado mais profundo do que aquele que os escritores sagrados entenderam e pretenderam. Todavia, este significado oculto não é completamente diferente do sentido literal, mas um completo desenvolvimento dele.11

Do lado protestante, estudiosos como Krister Stendahl e E. Earle Ellis propuseram, em meados do século passado, uma abordagem que destacava a influência da metodologia interpretativa do judaísmo da época de Jesus sobre os escritores do NT, fosse por parte dos sectários do Qumran ou das escolas rabínicas.12  Ellis enfatizou mais o estudo do sentido das citações do que a dinâmica do processo interpretativo,13  enquanto Stendahl defendeu o uso da abordagem pesher, comum na seita de Qumran, na produção do evangelho de Mateus, mediante as fórmulas das citações que demonstravam uma consciência do cumprimento escatológico do AT nos eventos da vida de Jesus.14

Nos últimos cinquenta anos, várias abordagens do uso do AT pelo NT surgiram dentro dos círculos acadêmicos evangélicos e formaram grupos em torno de suas propostas. Quatro abordagens predominam no cenário atual e serão estudadas neste capítulo juntamente com outras perspectivas que floresceram em resposta a elas, possibilitando assim uma proposta inicial de metodologia para a compreensão hermenêutica da questão. Tal análise abrirá caminho para o exame, nos capítulos seguintes, do uso que o escritor de Hebreus fez das citações de Deuteronômio e Ageu em seu discurso paranético-escatológico de 12.14-29.

Carlos Osvaldo Pinto e Darrel L. Bock traçaram quatro grupos básicos de estudiosos evangélicos que se distinguem qualitativamente na compreensão do uso das citações do AT feito pelos autores do NT.15  Nenhum destes grupos buscou formar uma “escola hermenêutica”, mas os traços característicos de cada um ajudam a entender as várias nuances e as diferenças de perspectivas da questão em pauta. Essas abordagens podem ser classificadas como: “Abordagem da Única Intenção Autoral”, “Abordagem Canônica”, “Abordagem do Referentiae Plenior” e a “Abordagem da Hermenêutica Judaica”. Em reação a elas, novas propostas surgiram com o objetivo de oferecer respostas mais satisfatórias para a problemática em questão, como a “Abordagem da Aplicação Inspirada do Sensus Plenior” e a “Abordagem do Cumprimento Análogo”.

1.    Abordagem da Única Intenção Autoral
Walter Kaiser e Douglas Stuart são dois expoentes importantes desta abordagem. Eles defendem que profetas do AT, incluindo os salmistas, “possuíam uma compreensão do que estavam escrevendo, que era suficientemente adequada para perceberem as implicações e os resultados daquilo que estavam dizendo”.16  Tal frase implica que “eles não pregaram palavras totalmente ou parcialmente sem sentido para si mesmos”.17  Ao mesmo tempo, há o esclarecimento de que eles não “entendiam exatamente como e quando Deus realizaria as promessas feitas para o futuro de Israel além do nível de detalhes que os seus próprios oráculos continham”.18  A diferença entre os profetas que anunciaram os acontecimentos futuros e os cristãos que vivem após o seu cumprimento é ilustrada mediante o exemplo de dois homens que escutam a descrição de um determinado lugar: um deles esteve no local e consegue compreender melhor os detalhes da exposição do que aquele que ainda não esteve, mas ambos entendem o que é comunicado.19

 A “Abordagem da Única Intenção Autoral” rejeita a presença de “significados múltiplos” ou “duplo sentido” nas passagens proféticas, afirmando a existência de “cumprimentos múltiplos” dentro do único significado de uma passagem.20  W. Kaiser escreve: “Muitas profecias têm um desdobramento de aplicações ou cumprimentos como forma de assegurar que a palavra seja mantida viva enquanto aguarda pelo cumprimento final, mas todos esses desdobramentos compartilham de um mesmo sentido”.21  A ideia básica é que a intenção autoral humana em sua profecia coincidia com a intenção divina, não havendo um significado oculto tencionado por Deus mediante as palavras do profeta, que o próprio portador da mensagem não soubesse.22

Diante da passagem de 1 Pedro 1.10-12, que afirma que os profetas investigavam “atentamente, qual a ocasião ou quais as circunstâncias oportunas, indicadas pelo Espírito de Cristo … ao dar de antemão testemunho sobre os sofrimentos referentes a Cristo…”, Kaiser apresenta uma análise sintática da estrutura do texto e demonstra que a indagação dos escritores do AT “não era uma busca pelo sentido do que eles escreveram; era uma inquirição sobre os aspectos temporais do assunto, o qual ia além do que eles escreveram”.23  Ele prossegue em seu argumento: “… os escritores poderiam e tinham de fato um adequado entendimento do tema sobre o que escreveram, ainda que isso não fosse um controle compreensivo de todos os particulares e partes pertencentes ao assunto”.24

Douglas Stuart apresenta as seguintes evidências que, de sua perspectiva, confirmam a compreensão do quadro geral que os autores humanos tinham de seus oráculos, ainda que não soubessem exatamente o momento do cumprimento de cada evento: (1) os profetas possuíam aguçada consciência sobre o resultado de suas mensagens (Jn 4.3); (2) as orações intercessoras assumidas por eles demonstravam sua compreensão das implicações de sua revelação (Am 7.1-6; Jr 7.16; 11.14); (3) a natureza específica da maioria das profecias, dando direção específica para circunstâncias particulares, implica que os profetas sabiam o que Deus estava falando por meio deles (Is 37.33-35; Jr 50); (4) os oráculos proféticos foram tão cuidadosamente compostos, fosse por meio de poesias complexas ou representações dramáticas, que torna bem improvável a falta de compreensão deles por seus autores humanos (Is 5.1-30; Os 4.1-19; Ez 4.1ss.).25

Uma chave dentro da herança hermenêutica patrística é proposta por Kaiser, que vê na theoria da escola de Antioquia uma explicação para o múltiplo cumprimento, mas não para a diversidade de sentido. A ideia é composta por três aspectos: (1) “A palavra de previsão que antecede o acontecimento para o qual ele aponta”; (2) o meio histórico, pelo qual Deus mantém viva a palavra de previsão durante as sucessivas gerações, dando demonstrações parciais que estão ligadas à palavra proclamada com seu cumprimento final; (3) o cumprimento final da palavra na era do NT, no primeiro advento ou nos dias do segundo advento.26

Apesar da tentativa bíblica de demonstrar a compreensão total que os profetas tinham de seus oráculos e da base histórica encontrada na escola de Antioquia, a “Abordagem da Única Intenção Autoral” não responde satisfatoriamente a textos que indicam fortemente a ausência de entendimento completo por parte dos próprios portadores das mensagens proféticas do AT (ver Dn 7.15-16, 19-20; 8.15-16; 12.8-9; Zc 4.5; Jo 11.49-50).27

Será que Davi tinha consciência que escrevia sobre Judas, quando mencionou a traição de um amigo íntimo (Sl 41.9 com Mt 26.24; Mc 14.21)? Ou Asafe compreendia que se referia ao ensino de Jesus quando disse que ele próprio falava por parábolas (Sl 78.2 com Mt 13.35)? Oséias pensava em Cristo quando disse que Deus chamou seu filho do Egito (Os 11.1 com Mt 2.15)? Ou Zacarias tinha em mente Jesus Cristo sendo punido pelo Pai por nossos pecados na cruz, quando disse “fere o pastor e as ovelhas ficarão dispersas” (Zc 13.7 com Mt 26.31)? É bem improvável que o profeta e sua audiência entenderam tais nuances do significado de sua mensagem, que foram esclarecidas pelos autores do NT.28  Como observou Roy B. Zuck:

Parece que os autores humanos das Escrituras não compreendiam totalmente o significado do que escreviam. Com certeza Deus tinha em mente desdobramentos que se concretizariam no Novo Testamento, aplicações do Antigo a situações ou verdades neotestamentárias e/ou a expansão daquelas passagens de maneira que fizessem referência a Cristo.29

Por fim, como Elliot Johnson observou, o argumento de Kaiser de que os profetas eram ignorantes apenas quanto ao tempo em que suas profecias se cumpririam, leva-o a um “golpe fatal” se aspectos temporais fizerem parte da mensagem de suas predições. Este é o caso da profecia de Daniel 9.24-27, em que o profeta especifica o tempo da “vinda do Príncipe” em termos numéricos.30  “Os próprios profetas esperavam encontrar uma notação de tempo em suas profecias. Este é um exemplo de uma implicação de referência anunciada por eles que eles não sabiam”.31

2.    Abordagem Canônica

A abordagem canônica recebe importante peso por ter sido proposta e defendida pelo teólogo Bruce Waltke, além de contar com o apoio de outros exegetas de destaque.32  Ela reflete a migração de Waltke do sistema dispensacionalista para uma perspectiva amilenista.33  Dois textos importantes ajudam a compreender melhor essa abordagem hermenêutica: “A Canonical Process Approach to the Psalms” e “Is it right to read the New Testament into the Old?”.34

O enfoque canônico propõe que o sentido de uma profecia escriturística deve ser apreendido dentro de seu contexto canônico maior e que o significado de uma determinada passagem se torna mais claro de acordo com o progresso da revelação. “A ênfase parece repousar sobre o processo pelo qual o público leitor em constante mudança passa a perceber como a nova revelação afetou a significância das Escrituras anteriores”.35

Waltke defende uma única intenção autoral entre o autor divino e os autores humanos, rejeitando o conceito de duplo sentido e afirmando que os escritores bíblicos anunciaram seus oráculos numa linguagem ideal, de acordo com os parâmetros do reino físico na terra prometida que tinham diante de si, mas cujo sentido era o de um reino espiritual.

Se o Senhor Jesus Cristo e sua igreja cumprem as promessas do Antigo Testamento, como o Novo Testamento afirma (ver At 3.24-25), então aquelas promessas expressas em termos apropriados para a forma terrena do reino de Deus na antiga dispensação encontram seu cumprimento literal na forma espiritual do reino na nova dispensação. Portanto, se o Salmo 2.7 se refere a Jesus Cristo em sua primeira vinda, da mesma forma a referência ao Salmo 2.6 e ao Monte Sião não se refere a um local na Palestina; mas ao Monte Sião celestial e à tomada de posse de Cristo sobre as nações.36

Diante disso, o sentido único “desembrulhado” pelo progresso da revelação para a compreensão das profecias e dos salmos do AT deve ser encontrado no NT, fazendo com que o significado da expressão original seja superado e redefinido pelo NT.37  A posição de Waltke afirma que “obviamente um salmo foi dado em um contexto literário em expansão dentro de um cânon em desenvolvimento. O todo é maior do que suas partes, assim uma exegese reconhecida deveria interpretar um salmo dentro de sua moldura canônica”.38

Alguns problemas básicos podem ser encontrados nesta proposta. Primeiramente, o sentido progressivamente mais claro das profecias ou de textos do saltério torna desnecessária qualquer preocupação com a compreensão do contexto que envolveu o autor e os leitores iniciais de seu texto, já que o sentido ou referência dados pelo NT são os únicos possíveis.39  De certo modo, perde-se a preocupação com a exegese histórico-gramatical da passagem do AT.

A abordagem de Waltke viola os princípios histórico-gramaticais que declaram que o sentido de um texto é descoberto com base no contexto histórico original e nas regras gramaticais. A interpretação literal não pressupõe que os leitores originais foram excluídos da compreensão do significado de um texto que viria à luz apenas depois de séculos de espera.40

Em segundo lugar, a visão de que “a abordagem canônica conscientemente reconhece e representa os distintos estágios de ganho de uma significância mais clara e profunda dos textos antigos”,41  tende a focalizar o sentido da passagem no leitor (autores do NT) em lugar de colocá-lo no próprio texto em si.42

Isto posto, outras considerações precisam ser feitas sobre tal modelo, pois, assim como a abordagem do referentiae plenior passou por modificações e refinamento (ver o subponto seguinte), do mesmo modo outros estudiosos têm retrabalhado aspectos da abordagem canônica e proporcionado importantes contribuições para a discussão presente, não tocando, necessariamente, no debate dispensacionalista-aliancista. Como Elliot Johnson reconheceu: “há uma válida aplicação da ‘Abordagem do Processo Canônico aos Salmos’ desenvolvido por Bruce Waltke”.43

O ensaio hermenêutico de Douglas Moo apresenta insights interessantes e esclarecedores para esta abordagem.44  Ele expõe os seguintes argumentos em favor do enfoque canônico: (1) a abordagem canônica é construída sobre uma base escriturística sólida de uma estrutura histórico-redentora em que Cristo é o objetivo final e aquele que completa as antecipações e prefigurações do AT, de uma forma que o próprio AT seria incapaz de fazer (cf. Mt 5.17; 11.13; At 3.18; Rm 10.4); (2) a abordagem canônica dos autores do NT tem seus antecedentes na própria maneira em que o AT trata a revelação anterior, como o êxodo que ganha maior significância como modelo do futuro tratamento de Deus com o seu povo ou como a significância do rei Davi em termos de antecipação do rei messiânico, que se torna mais clara e mais específica conforme o AT se revela; (3) a divisão entre a intenção do autor humano e a do autor divino é atenuada pela abordagem canônica, já que o apelo não é feito a um sentido do autor divino que está oculto ao autor humano, mas ao sentido do próprio texto que recebe uma significância mais profunda conforme o plano de Deus se revela; (4) na abordagem canônica, o “sentido mais completo” descoberto por Jesus e pelos apóstolos se encontra, em alguma medida, aberto à verificação, pois quando se lê o AT à luz de seu cumprimento e como um todo, pode-se demonstrar a validade do “sentido adicional” encontrado nos textos.45

Os dois pontos iniciais destacados por Moo são completamente pertinentes e corroborados pelo próprio texto bíblico, que continuamente mostra o cumprimento de “Moisés, dos Profetas e dos Salmos” na autorrevelação de Jesus (Lc 24.27, 44; Jo 5.39; Rm 10.4).46  Não há dúvida, também, que há um progresso na revelação que proporciona uma significância maior para eventos ou temas importantes da história da salvação, como é o caso dos exemplos destacados por Moo.47  No ponto 3, ele tem razão em afirmar que o “sentido do próprio texto … recebe uma significância mais profunda enquanto o plano de Deus se desenrola”,48  mas ao mesmo tempo, sua preocupação em deslocar totalmente a discussão das intenções dos autores humano-divino para o progresso da revelação no cânon é desnecessária,49  pois não há como escapar do fato de que há significâncias ou referentes que nem sempre são percebidos e tencionados pelo escritor humano dentro do sentido de seu texto no momento em que ele foi registrado na Escritura.50

Por fim, o quarto ponto requer certa atenção, pois Douglas Moo é culpado da mesma negligência que Carlos Osvaldo Pinto observa nos textos de Bruce Waltke, quando se usa os termos “significado” e “significância”,51  faltando uma linguagem mais acurada no ensaio de Moo. Em um momento, ele afirma, em referência ao AT, que o apelo é feito “não a um sentido do autor divino que de alguma forma é deliberadamente escondido do autor humano no processo de inspiração … mas ao sentido do próprio texto que recebe uma significância mais profunda enquanto o plano de Deus se desenrola”;52  já em outra parte ele diz que o que está envolvido na leitura que os autores do NT fazem do AT “não é apenas a significância última de um texto ou suas múltiplas aplicações válidas, mas o sentido do texto não compreendido plenamente pelo autor humano”.53  Essa confusão terminológica é realçada quando se compara outras partes do mesmo ensaio: “Uma vez mais, então, nós encontramos um verso no Antigo Testamento ao qual é dado uma profundidade adicional, uma nova riqueza e uma significância mais precisa à luz da ‘revelação da justiça de Deus’”;54  “O significado ‘último’ e cristológico discernido pelos autores do Novo Testamento em passagem após passagem do Antigo Testamento frequentemente se estende além, mas está sempre baseado no sentido tencionado pelo autor humano”.55

Além disso, a falta de critério na distinção das duas palavras dá espaço para se dizer que a audiência original do texto do AT não compreendeu plenamente o sentido da mensagem, desde que o seu sentido final só fora revelado pelos autores do NT.56  Certamente, ninguém “contestaria a realidade de um conjunto diferente de implicações ou percepções, ou significâncias, para estágios diferentes da história da interpretação, mas a aplicação da palavra ‘sentido’ para descrevê-las é, na melhor das hipóteses, infeliz”.57  O alerta de Elliot Johnson para a abordagem canônica se aplica a esta situação:

O intérprete não deve confundir seu conhecimento maior de um tema com a interpretação do sentido de um autor […] quando aspectos adicionais do tema são mencionados no progresso da revelação, é possível que implicações que não são antecipadas possam ser lidas de volta no sentido textual do Antigo Testamento. O escopo da intenção do Autor/autor não deve ser separado das afirmações no texto.58

Outras contribuições dentro da abordagem canônica têm surgido e proporcionado novas percepções ou reforçado observações anteriores, ainda que mantendo algumas fraquezas já destacadas neste capítulo.59  Esta metodologia está de acordo com a “escola do Referentiae Plenior” de que há no NT “referências ampliadas ou aplicações de um princípio que é inerente ao texto do AT”60  e que, portanto, “permanecem dentro dos limites conceituais do significado contextual do AT”.61  Além disso, a observação de que a interpretação que os autores do NT fazem do AT tem o cânon como fator controlador, enquanto Deus desvenda seu plano redentor no progresso da revelação, é por demais pertinente,62  como observou Donald Carson:

Os escritores do Novo Testamento insistem que o Antigo Testamento só pode ser interpretado de modo correto se toda a revelação for mantida em perspectiva à medida que é estendida historicamente (e.g. Gl 3.6-14). Do ponto de vista hermenêutico, isto não é uma inovação. Os escritores do Antigo Testamento extraem lições da história da salvação anterior, lições essas difíceis de serem percebidas enquanto essa história estava sendo vivida, mas lições que o olhar em retrospectiva pode esclarecer.63

Assim, Douglas Moo estava certo quando afirmou que não há no texto do AT um sensus occultus, “sentido oculto”, que o autor divino “deliberadamente ocultou do autor humano no processo da inspiração”, mas uma “significância mais profunda enquanto o plano de Deus se desenrola”.64  Conforme Jared Compton, a “abordagem canônica” tem o mérito de destacar a ampliação do horizonte do texto do AT, seja pela “identificação histórica de um conhecido/desconhecido (mais pleno) referente, [pelo] cumprimento histórico de uma promessa anterior ou [pela] concretização histórica de um tipo ou sombra agora identificados” mediante “novos eventos [que] eram necessários antes que uma revelação mais clara fosse possível”.65 

O problema com a abordagem canônica permanece na sua insistência em falar de um “sentido mais pleno” ou “mais amplo” do texto do AT percebido ao longo do progresso histórico da revelação, em lugar de tratar de novas significâncias ou novos referentes.66  A implicação perigosa de tal insistência pode ser vista em conclusões como a de Hulitt Gloer: “Os escritores do NT estavam convencidos que o verdadeiro significado do AT é Jesus Cristo e que apenas Ele provê o modo de entendê-lo. A verdadeira interpretação do AT é alcançada pela leitura de passagens ou incidentes do AT à luz do evento de Cristo”.67  Fica-se com a impressão de que o povo de Deus, durante boa parte da história de redenção, interpretou erroneamente parte do texto sagrado, pois eram incapazes de alcançar o “significado verdadeiro” revelado posteriormente. Portanto, a abordagem do referentiae plenior, que será analisada no próximo artigo, parece oferecer uma solução mais adequada para a compreensão do sentido do texto, sem negar à audiência original a possibilidade de compreensão.

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___________________________
1Este é o primeiro texto da série de três artigos adaptados do Capítulo 1 da dissertação do autor: O uso do Tanakh no discurso parenético-escatológico de Hebreus: um estudo de caso das alusões e citações de Deuteronômio e de Ageu em Hebreus 12.14-29. Atibaia: SBPV, 2012.
2Carlos Osvaldo PINTO, The Contribution of the Isaiah quotations to Paul’s argument in Romans 9 – 11, p. 6.
3Jack WEIR, “Analogous fulfillment: the use of the Old Testament in the New Testament”, p. 65; Philip SCHAFF, History of Christian church, v. 3, cap. IX (versão eletrônica Logos Bible Software 4).
4Ver o comentário das citações do AT em Mateus 2.23 e Hebreus 10.5 em John CALVIN, Commentary on Matthew, Mark and Luke, v. 1, p. 151-152; Idem, The commentaries on the epistle of Paul the apostle to the Hebrews, p. 199-200.
5
John CALVIN, Commentary on the Acts of the apostles, p. 215-216. Ver também Timothy GEORGE, Teologia dos reformadores, p. 194-195.
6Ver um breve resumo em Carlos Osvaldo PINTO, Op. cit., p. 6-9;
7Ver Darrel L. BOCK, “Evangelicals and the use of the Old Testament in the New”, 212-215.
8A. FERNÁNDEZ, “Hermeneutica”. In: Institutiones biblicae scholis accomodatae, p. 306.
9M. J. LAGRANGE, “L’interpretátion de la Sainte Écriture par l’Église”, p. 141-142.
10R. CORNELY, Introductio Generalis, p. 527-30.
11Raymond E. BROWN, “The history and the development of the theory of a sensus plenior”, p. 142.
12Krister STENDAHL, The School of St. Matthew and Its Use of the Old Testament; E. Earle ELLIS, Paul’s Use of the Old Testament; Cf. Jack WEIR, “Analogous fulfillment: the use of the Old Testament in the New Testament”, p. 67-68.
13Carlos Osvaldo PINTO, The Contribution of the Isaiah quotations to Paul’s argument in Romans 9 – 11, p. 10-11.
14Krister STENDAHL, Op. cit., p. 35.
15Carlos Osvaldo PINTO, Op cit. p. 16-38; Darrel L. BOCK, “Evangelicals and the use of the Old Testament in the New”, p. 210-220.
16Walter C. KAISER, “E quanto ao futuro?: o significado da profecia”. In: Walter C. KAISER, Moisés SILVA, Introdução à hermenêutica bíblica: como ouvir a Palavra de Deus em nossa época, p. 142.
17Douglas STUART, “The Old Testament prophet’s self-understanding of their prophecy”, p. 12.
18Idem, ibidem.
19Walter C. KAISER, “The single intent of Scripture”. In: Roy B. ZUCK (ed.). Rightly divided: readings in biblical hermeneutics, p. 161.
20Walter C. KAISER, “E quanto ao futuro?: o significado da profecia”, p. 152-153.
21Idem, p. 152.
22Darrel L. BOCK, “Evangelicals and the use of the Old Testament in the New”, p. 211.
23Walter C. KAISER, The uses of the Old Testament in the New, p. 20-21 (itálico do original).
24Idem, p. 21 (itálico do original).
25STUART, Douglas, “The Old Testament prophet’s self-understanding of their prophecy”, p. 13-14.
26Walter C. KAISER, “E quanto ao futuro?: o significado da profecia”. In: Walter C. KAISER, Moisés SILVA, Introdução à hermenêutica bíblica: como ouvir a Palavra de Deus em nossa época, p. 154.
27Robert L. THOMAS, “The New Testament use of the Old Testament”, p. 90; John GOLDINGAY, “The Old Testament and Christian faith: Jesus and the Old Testament in Matthew 1 – 5, Parte 1”, p. 7-8.
28Paul S. KARLEEN, The handbook to Bible study, p. 130-131.
29Roy B. ZUCK, A interpretação bíblica, p. 313.
30Elliot E. JOHNSON, “Dual authorship and the single meaning of Scripture”, p. 219.
31Elliott E. JOHNSON, Expository Hermeneutics: an introduction, p. 184-185.
32Ver o artigo-resenha de G. K. Beale, no qual ele sustenta uma abordagem semelhante à de Waltke chamando-a de “abordagem bíblico-teológica”: “os autores do Novo Testamento podem ter usado uma abordagem bíblico-teológico que poderia ser descrita como uma abordagem contextual canônica. Esta abordagem não é tecnicamente histórico-gramatical, mas faz uso de contextos bíblicos mais amplos do que meramente daquele que está sendo citado, ainda que não seja inconsistente com o contexto citado” (G. K. BEALE, “Did Jesus and the apostles preach the right doctrines from the wrong texts?: revisiting the debate seventeen years later in the light of Peter Enns Inspiration and Encarnation”, p. 21). Outro exegeta importante que abraça o modelo canônico, mas apresenta uma perspectiva mais equilibrada que Waltke e aplica a abordagem especialmente ao uso do AT pelo NT é Douglas Moo: “O uso do Antigo Testamento no Novo não pode ser entendido sem situá-lo na moldura do cânon como testemunha da história da salvação. Esta ‘abordagem canônica’ … é um elemento básico e essencial na resposta ao problema que estamos considerando” (Douglas J. MOO, “The problem of sensus plenior”, p. 209).
33Carlos Osvaldo PINTO, The Contribution of the Isaiah quotations to Paul’s argument in Romans 9 – 11, p. 19.
34Bruce K. WALTKE. “Is It Right to Read the New Testament into the Old?”. In: Christianity Today, v. 27, no. 2 September, 1983; Idem. “A Canonical Process Approach to the Psalms”. In: John S. FEINBERG, Paul D. FEINBERG. Tradition and Testament.
35Carlos Osvaldo PINTO, Op. cit., p. 20.
36Bruce K. WALTKE, “Is It Right to Read the New Testament into the Old?”, p. 77 (itálico do original).
37Darrel L. BOCK, “Evangelicals and the use of the Old Testament in the New”, p. 220.
38Bruce K. WALTKE, James HOUSTON, The Psalms as Christian worship: a historical commentary, p. 100.
39Carlos Osvaldo PINTO, The Contribution of the Isaiah quotations to Paul’s argument in Romans 9 – 11, p. 23.
40Robert L. THOMAS, “The New Testament use of the Old Testament”, p. 89.
41Bruce K. WALTKE, “A Canonical Process Approach to the Psalms”. In: John S. FEINBERG, Paul D. FEINBERG. Tradition and Testament, p. 8-9.
42Carlos Osvaldo PINTO, Op. cit., p. 20-22.
43Elliot E. JOHNSON, Expository Hermeneutics: an introduction, p. 183.
44Douglas J. MOO, “The problem of sensus plenior”. In: Donald A. CARSON, John D. WOODBRDIGE,  Hermeneutics, authority and canon. p. 179-211. Vale lembrar que o artigo de Douglas Moo, apesar de ter sido republicado pela Baker em 1995, é antigo (1986) e, portanto, não lida com aspectos da abordagem do Referentiae Plenior desenvolvido por Elliot Johnson em seu livro Expository Hermeneutics: an introduction. O ensaio também concentra sua crítica principalmente sobre a proposta dos círculos católico-romanos, interagindo pouquíssimo com a perspectiva evangélica do sensus plenior.
45Douglas J. MOO, Op. cit., p. 204-206.
46Esse tratamento das Escrituras pode ser chamado de “hermenêutica cristotélica”, não sendo uma tentativa de ler Cristo em cada passagem do AT, mas sim, uma compreensão de que o objetivo de todo o AT é apontar para a revelação de Cristo (Ver G. K. BEALE, “Did Jesus and the apostles preach the right doctrines from the wrong texts?: revisiting the debate seventeen years later in the light of Peter Enns Inspiration and Encarnation”, p. 219). Ver também Augustus Nicodemus LOPES, A Bíblia e seus intérpretes, p. 116-117.
47Vale notar esta ampliação da significância, por exemplo, no livro de Naum, em que termos específicos para retratar a misericórdia e justiça de Deus no contexto da aliança do Sinai (אֶ֤רֶךְ אַפַּ֨יִם, “paciente”; וְנַקֵּ֖ה לֹ֣א יְנַקֶּ֑ה, “jamais inocenta o culpado”) (Êx 34.6-7) são ampliados para um contexto universal como introdução do oráculo de juízo contra o império assírio (Na 1.3). Deus não é apenas o suserano da aliança com Israel, ele é o suserano do universo que, apesar de ser paciente, não inocenta os que quebram suas leis e desprezam sua justiça.
48Douglas J. MOO, “The problem of sensus plenior”, p. 206.
49Essa mesma preocupação é ecoada no artigo de Jared M. Compton (Ver Jared M. COMPTON, “Shared Intentions? Reflections on Inspiration and interpretation in light of Scripture’s dual authorship”, p. 23-33).
50Ver Darrel BOCK, “Evangelicals and the use of the Old Testament in the New: Part 2”, p. 308-309. Observe que o próprio Moo reconhece que “por uma direta e inspirada apreensão, os autores do Novo Testamento percebem o sentido num texto posto ali por Deus, mas desconhecido ao autor humano” (Douglas J. MOO, Op. cit., p. 210).
51Carlos Osvaldo C. PINTO, The Contribution of the Isaiah quotations to Paul’s argument in Romans 9 – 11, p. 21-22.
52Douglas J. MOO, Op. cit., p. 206.
53Idem, p. 210.
54Idem, p. 209.
55Douglas J. MOO, “The problem of sensus plenior”, p. 211.
56Ver Idem, p. 210-211.
57Carlos Osvaldo PINTO, The Contribution of the Isaiah quotations to Paul’s argument in Romans 9 – 11, p. 22.
58Elliot E. JOHNSON, Expository Hermeneutics: an introduction, p. 183.
59Ver G. K. BEALE, “Did Jesus and the apostles preach the right doctrines from the wrong texts?: revisiting the debate seventeen years later in the light of Peter Enns Inspiration and Encarnation”, p. 18-43; Idem, “Did Jesus and the apostles preach the right doctrines from the wrong texts?: an examination of the presuppositions of Jesus’ and the apostles’ exegetical method”, p. 91-96; D.A. CARSON,  O comentário de Mateus, p. 46-48, 119-122; Jared M. COMPTON, “Shared Intentions? Reflections on Inspiration and interpretation in light of Scripture’s dual authorship”, p. 23-33.
60G. K. BEALE, “Did Jesus and the apostles preach the right doctrines from the wrong texts?: an examination of the presuppositions of Jesus’ and the apostles’ exegetical method”, p. 92.
61Idem, Ibidem.
62Ver Jared M. COMPTON, Op. cit., p. 30-31.
63D. A. CARSON, O comentário de Mateus, p. 121.
64Douglas J. MOO, “The problem of sensus plenior”, p. 206 (itálico acrescentado).
65Jared M. COMPTON, “Shared Intentions? Reflections on Inspiration and interpretation in light of Scripture’s dual authorship”, p. 31.
66Ver D.A. CARSON, Op. cit., p. 121-122; G. K. BEALE, “Did Jesus and the apostles preach the right doctrines from the wrong texts?: an examination of the presuppositions of Jesus’ and the apostles’ exegetical method”, p. 93; Jared M. COMPTON, Op. cit., p. 31, 33.
67Hulitt GLOER, “Old Testament quotations in the New Testament”. In:  BRAND, Chad Owen, et al (ed). Holman Illustrated Bible Dictionary, p. 1218 (itálico acrescentado).

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