Uma análise exegética do Salmo 25

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Parte 1: Introdução ao Salmo

O estudo do livro de Salmos revela de forma especial o relacionamento pessoal e responsivo de Israel para com o seu Deus. Não se trata de um envolvimento mecânico pré-estabelecido, mas de uma profunda reflexão da comunidade hebraica sobre o próprio Deus, que se interessa não apenas pela cura, mas também pelos sofrimentos e aflições de Seu povo.[1]

Diante das ações salvíficas de Yahweh, Israel não permaneceu emudecido, mas se dirigiu a Ele, louvando-o, consultando-o e expondo seu lamento pelos males que enfrentava. A razão para isso foi bem definida por von Rad: “É que Javé não havia escolhido para si um povo como objeto mudo da sua vontade histórica, mas para o diálogo”.[2] Tal diálogo ocorreu de forma poeticamente bela e artística, como um dom de Deus, que elevava o impacto das declarações dos salmistas e comunicava mais efetivamente os seus pensamentos do que uma dissertação escrita de forma maçante.[3]

A interpretação de uma obra literária demanda o conhecimento de aspectos introdutórios específicos dela. Portanto, este primeiro artigo (da série de três artigos sobre Salmos 25) visa a observar questões como a autoria do Salmo 25, o contexto de vida experimentado pelo salmista no momento da redação do texto, a estrutura, a Gattung[4] e a mensagem do salmo, bem como uma análise de sua relação com a adoração comunitária hebraica.[5]

1. Autoria

As palavras iniciais do Salmo trazem a expressão לְדָוִד (“De/Para Davi”).[6] A interpretação dos sobrescritos tem sido fonte de constante discussão. VanGemeren observa que os cabeçalhos dos salmos na LXX (Septuaginta) diferem do TM (Texto Massorético), gerando problemas no estudo da autoria deles, o que se deve, possivelmente, aos diferentes usos litúrgicos dos Salmos em Judá e na Diáspora.[7] Por exemplo, enquanto a LXX acrescenta o título τῷ Δαυείδ (“para Davi”) em textos como Salmo 33; 43; 71; 91; 93—99; 104; e 137,[8] o TM não apresenta esses sobrescritos. Por outro lado, o TM traz a expressão לְדָוִד nos Salmos 122 e 124, que está ausente em alguns manuscritos da LXX.[9]

Essa diferença de tradições é usada por Artur Weiser para defender o acréscimo dos cabeçalhos לְדָוִד como um processo que começou na época do Primeiro Templo e se estendeu ao período pós-exílico, até o século III a.C.[10] Weiser argumenta que originalmente a expressão era usada no culto do Templo de Salomão como direção do uso do salmo na adoração pública “para Davi”, isto é, a leitura pública desempenhada pelos monarcas da dinastia davídica, que desempenhavam o mesmo papel de seu antecessor no culto e eram recipientes das promessas feitas a Davi, bem como da realeza como dádiva divina (cf. “misericórdias de Davi” em Sl 18.50; 20.9; Jr 30.9,21).[11] Com o passar dos anos, no período pós-exílico, a expressão já não indicava mais uma direção de seu uso cultual, mas sim, aqueles salmos cuja origem era datada do período cúltico real pré-exílico. Assim, לְדָוִד era uma referência aos salmos da “tradição de Davi” do Primeiro Templo.[12] Ela seria uma polêmica contra os samaritanos e validaria Jerusalém como o local de adoração do povo judeu.[13]

A questão fundamental, reconhecida até por críticos como Robert Alter, está na definição do uso semântico da preposição לְ.[14] Esse vocábulo hebraico pode ser traduzido de diversas maneiras, como “para”, “de”, “concernente a”, “em relação a” ou “dedicado a”.[15] As possibilidades de entendimento da preposição foram resumidas, de forma geral, por LaSor, Hubbard e Bush:

(1) “de autoria de Davi”, cuja musicalidade é bem atestada (1Sm 16.17-23; 18.20; 1Sm 1.17-27; 3.33s.; 23.1-7; Am 6.5); (2) “em favor de Davi” (Sl 20, numa oração pelo rei davídico na véspera da batalha), ou (3) “pertencente a Davi”, parte de uma coleção real, talvez incluindo composições de Davi.[16]

Além das possíveis traduções indicadas acima, pode-se acrescentar o sentido de “dedicado a” Davi ou “ao [rei davídico]” (como a dedicação de um livro);[17] “ao estilo de” ou “segundo o padrão” de Davi.[18] Claus Westermann observou que os salmos davídicos são, predominantemente, salmos pessoais, especialmente lamentos.[19]

Não há espaço neste trabalho para a discussão sobre a credibilidade dos títulos dos Salmos fomentada pela crítica bíblica.[20] Este autor tem como pressuposto que os títulos são historicamente confiáveis, não produto de escribas judeus de um período posterior à época de produção do cânon. [21] A grande dificuldade recai sobre o sentido da preposição לְ do sobrescrito. Há salmos com indicadores claros de que foram compostos durante a vida do rei Davi (3; 7; 18; 34; 51; 52; 54; 56; 57; 59; 60; 63; 142), não deixando dúvida quanto a sua autoria.[22] Todavia, isso significaria que todos os salmos com a expressão לְדָוִד têm Davi como seu compositor? Alguns comentaristas defendem que sim,[23] mas este escritor não está totalmente convencido do fato. As razões são as seguintes: (1) as várias possibilidades do uso sintático da preposição לְ, como “de”, “para”, “com respeito a” “em favor de”;[24] (2) a semelhança de Gattungen dos salmos que fazem parte desse grupo, em que a maioria são Lamentos do Indivíduo, pode indicar uma coleção de salmos conforme o estilo davídico, não necessariamente que todos sejam de sua autoria (cf. Sl 3—7; 9; 11—13; 16—17; 35—36; 38—40; passim);[25] (3) há salmos que parecem ser uma oração em favor do rei, feita por um de seus súditos (cf. Sl 20).[26]

Portanto, a não ser que haja uma clara especificação histórica do próprio salmo de que fora escrito por Davi ou uma indicação neotestamentária da autoria davídica (cp. Mc 12.36 com 110.1; At 4.24,25 com Sl 2.1,2; At 1.20 com Sl 69; At 2.25-28 com Sl 16), não se pode argumentar com segurança que Davi, o importante músico e compositor de Israel, seja o autor dele, mesmo contendo a expressão לְדָוִד. Como R. K Harrison argumenta, a expressão tem origem, provavelmente, no importante papel que o monarca desempenhou para o desenvolvimento da poesia e musicalidade hebraica e, possivelmente, indique que o salmo foi inspirado por Davi, escrito conforme seu estilo ou dedicado ao governante de Israel.[27]

O salmo 25 não apresenta essa referência histórica em seu sobrescrito nem uma indicação da revelação posterior quanto a sua autoria. Vangemeren, Kidner e Leupold assumem a autoria davídica para o salmo devido às suas pressuposições de que a expressão לְדָוִד é um genitivo autoral.[28] Já autores mais críticos, datam o salmo da época do Exílio[29] ou do final do reino de Judá e próximo da destruição de Jerusalém, como faz Samuel L. Terrien. No versículo 22, ele vê o clamor final para que Yahweh redima Israel de suas tribulações como um desejo semelhante ao do profeta Jeremias diante da agonia do cerco babilônico e do Exílio (cf. Jr 31.11), e atribui o salmo a um autor de um círculo profético do início do século VI a.C.[30]

A terminologia geral do salmo dificulta a indicação de um autor específico e de uma data aproximada. As sugestões tanto da autoria davídica quanto de um escritor de outro período da história de Israel são plausíveis. Como Davi foi o responsável pelo estabelecimento de levitas com a função de conduzir o povo em sua adoração pública (cf. 1Cr 6.31-37; 23.5; 25.1ss), e esse padrão foi mantido mesmo em tempos pós-exílicos (cf. Ed 3.10-11; Ne 7.44),[31] a probabilidade é que o autor tenha vivido nesse espaço de tempo, não antes. Pois, apesar de ser um Lamento do Indivíduo, ele visa ao louvor comunitário, como as expressões plurais e didáticas dos versículos 3, 8-10, 12-14 indicam, bem como a súplica para que Deus redima Israel de suas aflições. Tanto um músico levita anônimo (como os da família de Asafe, Hemã ou Jedutum) quanto o próprio Davi parecem ser hipóteses prováveis para a autoria do salmo.[32]

2. O Sitz im Leben do Salmista e a Relação de sua Canção com o Culto

A situação de vida que marcou a redação do Salmo 25 é difícil de identificar. A maioria dos comentaristas concorda que a condição de pecado, inimigos e sofrimentos é descrita de forma muito geral.[33] O salmista expressa esse lamento ou oração de confiança[34] em um momento de tribulação real, causada por seus inimigos (cf. vv. 2,3,17-19), confiando esperançosamente no cuidado e direção de Deus (vv. 4,5,12-15,20,21). Apesar de não relacionar, diretamente, suas aflições com o pecado pessoal, há uma forte sugestão de que o salmista percebe a disciplina divina em seu sofrimento e clama pelo perdão de Deus com base em sua compaixão e seu amor leal (זְכֹר־רַחֲמֶיךָ יְהוָה וַחֲסָדֶיךָ, v. 6) e em seu próprio caráter (לְמַעַן־שִׁמְךָ, v. 11).

No entanto, o compositor do salmo não vê a disciplina como motivo para desespero (vv. 3,20), mas como oportunidade de ser guiado e instruído por Yahweh,[35] pois apesar de seus erros, ele teme a Deus (vv. 12,14), é humilde diante dele (עֲנָוִים, v. 9) e guarda a sua aliança e seus preceitos (לְנֹצְרֵי בְרִיתֹו וְעֵדֹתָיו, v. 10).[36]

Além disso, é necessário atentar para o fato de que o salmo é a voz de um indivíduo “cujas tribulações e esperanças são aquelas de todo o povo. Isso o leva a orar em solidariedade com todo o povo, bem como conduz a congregação a orar na unidade de uma identidade individual”.[37] Assim, o salmo foi composto para que a esperança do salmista, em meio ao sofrimento, encorajasse e reforçasse a confiança em Yahweh de todos os que cumprem os preceitos e aliança divinos e temem a Deus (vv. 10,12). A menção à herança da terra como dádiva divina reforça esse aspecto mais amplo da comunidade que o autor tem em vista (v. 13).[38] Como enfatizou VanGemeren: “As adversidades, as quais o salmista descreve nos vv. 15-21, são de uma natureza tão geral que funcionam como um Lamento Comunitário”.[39] Isso liga o salmo ao contexto cultual, como observou Artur Weiser, embora não haja a necessidade de se estabelecer o uso desse hino num festival de renovação da aliança como ele o faz.[40] A observação de Craig Broyles é pertinente e ressalta o uso cultual do salmo:

A questão retórica, “Quem, pois, é o homem que teme ao SENHOR?” (v. 12), possivelmente implique a presença de uma audiência durante a execução do salmo. Por combinar tanto petição em favor do orador individual quanto instrução a um grupo, ele pode funcionar como representativo ou litúrgico.[41]

Ao final do salmo, quando o escritor reivindica para Israel aquilo que pediu para si mesmo (v. 22), ele transforma uma petição pessoal em hino para a congregação inteira.[42] É provável que a redação do salmo ocorra em um momento de tragédia nacional e que a dor do salmista seja aquela experimentada por toda a nação, ou seja simultânea a ela.

O momento exato da história individual e nacional é impossível de se datar. A menção aos pecados e transgressões da juventude (חַטֹּאות נְעוּרַי וּפְשָׁעַי, v. 7) sugere um autor em idade senil.[43] Talvez um idoso rei Davi que sofria, juntamente com a nação, a disciplina divina pelos pecados passados e presentes.[44] Ou, quiçá, um profeta levita que clama pela salvação de Yahweh diante de momentos tempestuosos experimentados em sua história pessoal e na história de Judá, no período pré-exílico ou próximo à queda de Jerusalém.[45] Ambas as hipóteses são adequadas, mas não passam de conjectura.[46]

3. A Gattung do Salmo e sua Estrutura Literária

A análise da forma do Salmo 25 indica um Lamento do Indivíduo (LI),[47] ainda que um pouco distinto da estrutura padrão.[48] Isso não deve surpreender o exegeta, pois “não há um único [salmo] idêntico ao outro. As partes constituintes de um salmo variam à medida que cada um dos quase setenta lamentos pessoais é uma produção individual”.[49] O lamento do Salmo 25 apresenta a seguinte estrutura:

  1. O apelo inicial em que o salmista reconhece sua dependência de Yahweh e roga para que o livre da vergonha diante de seus inimigos (vv. 1-3);
  2. Uma petição para que Yahweh conceda orientação e perdão de pecados (vv. 4-7);
  3. A expressão de confiança de que Yahweh cuidará do salmista e o protegerá, bem como lhe dará direção, pois este é humilde, guarda a aliança e teme a Deus (vv. 8-14);
  4. A petição final do salmista para que Deus olhe para a sua situação e o liberte de suas tribulações, estendendo seu pedido a toda a nação (composto de duas estrofes) (vv. 15-22);

Diante da Gattung apresentada acima, percebe-se que há uma ênfase na expressão de confiança do indivíduo, enquanto o lamento propriamente dito, como descrição mais extensa sobre a crise experimentada pelo salmista, não aparece no texto.[50] Na estrofe que contém a confissão de confiança (vv. 8-15), destaca-se a influência sapiencial, característica dos salmos didáticos.[51] Tanto a ênfase na instrução e na orientação quanto a ênfase no “temor de Yahweh” revelam traços sapienciais (cf.  Sl 19.9; 34.7,9,11; 112).[52] Schöckel e Carniti destacam vocábulos comuns da literatura de sabedoria como o verbo no grau hifil דרך (“guiar”, “apontar”) e o substantivo דֶּרֶךְ (“caminho”, “conduta”) (vv. 4,5,8,9,12), o termo paralelo אֹרַח (“vereda”) (vv. 4,10), o verbo no piel למד (“ensinar”) (vv. 4,5,9) e o hifil de ידע (“conhecer”) (vv. 4,14).[53]

O Salmo 25 está organizado de forma acróstica, em que o alfabeto hebraico estabelece o arcabouço estrutural do texto. Poucas irregularidades podem ser vistas na sequência alfabética, como nos versículos 18 e 19, que começam ambos com a letra ר, na ausência das letras  קe  ו, e o último versículo começando com a letra פ.[54] Esses aspectos irregulares são comuns em salmos acrósticos, exceto no Salmo 119.[55] Na verdade, algumas dessas anomalias revelam relações literárias entre o Salmo 25 e 34, pois ambos não possuem o ו e acrescentam o פ ao final do texto, após o ת. Esses elementos literários, além das mesmas características sapienciais (cf. 25.12-15 e 34.11-17) e ênfases em vocábulos idênticos (como נַפְשִׁי em 25.1 com 34.3; e os עֲנָוִים em 25.9 com 34.2), indicam que os dois salmos formam um par literário singular.[56]

O salmo em análise, também, apresenta muitos paralelismos sinônimos (e.g., 25.1-2a,2b,3,4,9,14 et al) e sintéticos (e.g., 25.5b,6,8,11, et al). Poucos paralelismos antitéticos aparecem no texto (25.3,7a).

Este autor segue a proposta perspicaz de Terrien[57] e Schildenberger,[58] que dividem o salmo em cinco estrofes. A divisão tem por base o número simétrico de dísticos/trísticos das estrofes, que não deve ser acidental. As estrofes I (vv. 1-3) e II (vv. 4-7) são refletidas em IV (vv. 15-18) e V (vv. 19-21), enquanto a estrofe III (vv. 9-14) se subdivide em duas (8-10 e 12-14),[59] sendo o versículo 11, a descrição do clamor pelo perdão de Deus, o centro da estrofe e do salmo como um todo.[60] As estrofes I e V têm três dísticos/trísticos, as II e IV têm quatro, e as duas subestrofes da III possuem três cada uma.

A invocação final do versículo 22 em favor da nação israelita está perfeitamente de acordo com outras expressões comunitárias do salmo (“todo o que espera em ti”, v. 3; “pecadores”, v. 8; “humildes”, v. 9; “o homem que teme Yahweh”, v. 12), por isso, deve ser parte integrante do texto. Ela liga a súplica e a confiança individuais do salmista em Yahweh como perdoador, orientador e protetor à súplica e à confiança que se espera de toda a nação no mesmo Deus.[61]

Uma proposta de esboço exegético com base nessa estrutura literária pode ser estabelecida da seguinte forma:

  1. Apelo Inicial: O salmista expressa sua confiança em Yahweh e clama por livramento dos inimigos como alguém que espera em Deus (vv. 1-3).
  2. Petição: O salmista roga por orientação e instrução na lei de Yahweh e pelo perdão de seus pecados em apelo à fidelidade e amor leal divinos (vv. 4-7).
  3. A expressão de Confiança: O salmista clama pelo perdão divino e reconhece que Yahweh é um Guia Fiel e Gracioso que orienta pecadores humildes e tementes a Deus pelos seus justos caminhos, lhes concede prosperidade e permanência na terra Prometida e um relacionamento íntimo com ele (vv. 8-14).
  4. Petição Final (Parte 1): Em meio às aflições e sofrimentos crescentes, o salmista clama, continuamente, pela libertação e perdão de Yahweh (vv. 15-18).
  5. Petição Final (Parte 2): Em meio à oposição crescente e ódio intenso, o salmista se apega à sua íntegra retidão e confiança em Yahweh, a fim de pedir a Deus que o salve de seus inimigos, bem como resgate Israel de suas aflições  (vv. 19-22).

O esboço exegético do salmo 25 apresentado aqui pode ser resumido na seguinte mensagem: A confiança e a esperança do salmista em Yahweh como o Guia Fiel e Gracioso de pecadores humildes e tementes a ele levam-no a clamar por perdão de seus pecados, libertação e preservação das aflições causadas pelos inimigos e por orientação na obediência de seus justos preceitos.

Notas

[1]Craig C. BROYLES, Psalms (Massachusetts: Hendrickson, 1999), p. 32.

[2]Gerhard VON RAD, Teologia do Antigo Testamento, 2. ed. (São Paulo: ASTE, 2006), p. 345.

[3]Leland RYKEN, Words of delight: a literary introduction to the Bible (Grand Rapids: Baker, 1992), p. 187-188. “A poesia lírica se distingue de outras formas literárias no fato de ela ser uma forma mais concentrada de discurso com uso mais intencional de elementos artísticos” (Allen ROSS, “Psalms”, In: John F. WALVOORD; Roy B. ZUCK, The Bible Knowledge commentary (Wheaton: Victor Books, 1985), vol. 1, p. 780)

[4]Por Gattung entende-se a classificação do “tipo literário” de um salmo, que é identificado por “características formais, estilo, modo de composição, [e] terminologia” (James MUILENBURG, “Introduction”, in: Hermann GUNKEL, The Psalms: a form-critical introduction [Philadelphia: Fortress, 1967], p. v). Claus Westermann identifica sete principais Gattungen: salmo de lamento comunitário, salmo de lamento do indivíduo, salmo de louvor declarativo da comunidade, salmo de louvor declarativo do indivíduo, salmo de louvor descritivo, salmo litúrgico e salmo de sabedoria (Claus WESTERMANN, The Psalms: structure, content and message [Minneapolis: Augsburg, 1980], p. 25-8).

[5]O desenvolvimento da análise da Gattungen e do Sitz in Lebem cutual se devem ao renomado estudioso do Antigo Testamento Hermann Gunkel. Ver GUNKEL, The psalms: a form-critical introduction.

[6]A LXX acrescenta Ψαλμὸς (“salmo”/“cântico de louvor”) antes de τῷ Δαυείδ (“para Davi”), conforme observa H. Bardtke, editor de Salmos da BHS [Bíblia Hebraica Stuttgartensia] (ver K. ELLINGER; W. RUDOLPH, Biblia Hebraica Stuttgartensia, 5. ed. (Stuttgart: Deutsche Bibelgesellschaft, 1997), p. 1106.

[7]Willem A. VANGEMEREN, “Psalms”. In:  Frank E. GAEBELEIN, The expositor’s Bible commentary, vol. 5, p. 19.

[8]Aqui, utiliza-se a numeração do Texto Massorético.

[9]Mais especificamente, no Códice Alexandrino e nos Psalterium Graeco-Latinum Veronense e Turicense (ver H. B. Swete, The Old Testament in Greek: According to the Septuagint (Apparatus) [Cambridge: Cambridge University Press, 1909], vol. 2, p. 388, 389).

[10]Artur WEISER, The Psalms (Louisville: John Knox, 1962), p. 96-99.

[11]WEISER, The Psalms, p. 96. Cf. Derek KIDNER, Samos 1-72: introdução e comentário (São Paulo: Vida Nova, 1980), p. 47-48.

[12]WEISER, The Psalms, p. 96-98.

[13]WEISER, The Psalms, p. 98-99.

[14]Robert ALTER, “Salmos”, in: Robert ALTER; Frank KERMODE, Guia Literário da Bíblia (São Paulo: Unesp, 1997), p. 264; Michael D. GOULDER, The Psalms of the sons of Korah (Sheffield: JSOT, 1982), p. 2.

[15]L. KOEHLER,; W. BAUMGARTNER; M. E. J. RICHARDSON; J. J. STAMM, The Hebrew and Aramaic lexicon of the Old Testament (Leiden: 1994-2000), p. 507-510; F. BROWN, S. DRIVER, C. BRIGGS, The Brown-Driver-Briggs Hebrew and English lexicon (Peabody: Hendrickson, 2008), p. 510-517; VANGEMEREN, “Psalms”, p. 19; Edson F. FRANCISCO, Antigo Testamento Interlinear: os Escritos, vol. 4, Salmo 3.1: preposição lamed (no prelo);

[16]William S. LASOR, David A. HUBBARD, Frederic W. BUSH, Introdução ao Antigo Testamento (São Paulo: Vida Nova, 1999), p. 481.

[17]BROYLES, Psalms, p. 28.

[18]ALTER, “Salmos”, p. 264; Carlos Osvaldo PINTO, Foco e desenvolvimento no Antigo Testamento (São Paulo: Hagnos, 2006), p. 455.

[19]Claus WESTERMANN, Handbook to the Old Testament (Minneapolis: Augsburg, 1967), p. 214.

[20]Ver James Luther MAYS, Psalms (Louisville: John Knox, 1994), p. 11-14; BROYLES, Psalms, p. 29-31; WEISER, The Psalms, p. 96-99.

[21]Para uma argumentação e fundamentação completas e claras em favor da legitimidade e confiabilidade dos sobrescritos dos Salmos, ver Gleason ARCHER, Merece confiança o Antigo Testamento?, 3. ed. (São Paulo: Vida Nova, 1984), p. 390-397; PINTO, Foco e desenvolvimento no Antigo Testamento, p. 455; H. C. LEUPOLD,  Expositions of the Psalms (Grand Rapids: Baker, 1969), p. 5-7.

[22]KIDNER, Salmos, p. 57-61; Carlos Osvaldo PINTO, תְּהִלִּים, apostila não publicada da matéria de Salmos (Atibaia: SBPV, 2003), p. 6; Roland K. HARRISON, Introduction to the Old Testament (Peabody, Massachusetts: Hendrickson, 2004), p. 977-978.

[23]Thomas CONSTABLE, Notes on Psalms ([s.l.]: 2008), disponível em http://www.soniclight.com, acesso em junho de 2008, p. 1-3; VANGEMEREN, “Psalms”, p. 33-34; Derek KIDNER, Salmos, p. 46-48.

[24]BROWN; DRIVER; BRIGGS, The Brown-Driver-Briggs Hebrew and English lexicon, p. 510-517; J. W. GESENIUS, Hebrew and English lexicon of the Old Testament including the biblical Chaldee ([s.l.]: Andover, 1824), p. 322-323; J. W. GESENIUS, Gesenius’ Hebrew grammar (New York: D. Appleton, 1851), p. 218, 278. É importante observar que Gesenius, diferentemente do BDB, reconhece apenas a possibilidade do uso do genitivo autoral na expressão לְדָוִד.

[25]WESTERMANN, Handbook to the Old Testament, p. 214; BROWN; DRIVER; BRIGGS, The Brown-Driver-Briggs Hebrew and English lexicon, p. 513.

[26]LASOR; HUBBARD; BUSH, Introdução ao Antigo Testamento, p. 481.

[27]Ver a argumentação em HARRISON,  Introduction to the Old Testament, p. 982-983.

[28]VANGEMEREN, “Psalms”, p. 33-34, 226; KIDNER, Salmos, p. 46-48, 134; LEUPOLD,  Expositions of the Psalms, p. 5-7, 223.

[29]BROYLES, Psalms, p. 133; MAYS, Psalms, p. 125.

[30]Samuel TERRIEN, The Psalms: strophic structure and theological commentary (Grand Rapids: Eerdmans, 2003), p. 257-258.

[31]HARRISON, Introduction to the Old Testament, p. 979.

[32]HARRISON, Introduction to the Old Testament, p. 983.

[33]MAYS, Psalms, p. 125-126; VANGEMEREN, “Psalms”, p. 226; WEISER, The Psalms, p. 238; KIDNER, Salmos, p. 134; LEUPOLD,  Expositions of the Psalms, p. 223.

[34]Ver WESTERMANN, Handbook to the Old Testament, p. 219.

[35]VANGEMEREN, “Psalms”, p. 226.

[36]Johannes SCHILDENBERGER, “A estrutura temática e estrófica dos Salmos Alfabéticos”, in: J. SALVADOR, Atualidades Bíblicas (Petrópolis: Vozes, 1971), p. 214-219.

[37]MAYS, Psalms, p. 125.

[38]MAYS, Psalms, p. 125.

[39] VANGEMEREN, “Psalms”, p. 226.

[40]WEISER, The Psalms, p. 238.

[41]BROYLES, Psalms, p. 133.

[42] KIDNER, Salmos, p. 134.

[43]Geoffrey GROGAN, Psalms (Grand Rapids: Eerdmans, 2008), p. 77.

[44]Eugene Merrill data tanto a revolta de Absalão quanto o castigo do censo nos anos finais do reino de Davi. Cf. Eugene MERRIL, História de Israel no Antigo Testamento (Rio de Janeiro: CPAD, 2001), p. 283-284, 289-290. Ainda assim, relacionar esses eventos com o salmo é apenas uma sugestão especulativa deste autor.

[45]Terrien propõe a escrita do salmo no período próximo à queda de Jerusalém, c.a. 587 a.C. Ver TERRIEN, The Psalms, p. 287-288.

[46]TERRIEN, The Psalms, p. 287-288

[47]VANGEMEREN, “Psalms”, p. 226; MAYS, Psalms, p. 125.

[48]PINTO, תְּהִלִּים, p. 21-23; LASOR; HUBBARD; BUSH, Introdução ao Antigo Testamento, p. 473-474.

[49]WESTERMANN, Handbook to the Old Testament, p. 217.

[50]Esse fato é perfeitamente compreensível como atesta WESTERMANN, Handbook to the Old Testament, p. 217.

[51]Ver uma exposição sobre os Salmos de Sabedoria em Tiago Abdalla TEIXEIRA NETO, “Um ser humano em esplendor é como os animais que perecem”: uma análise exegética do salmo 49, dissertação de mestrado (São Bernardo do Campo: Universidade Metodista, 2018), p. 43-46.

[52]BROYLES, Psalms, p. 133.

[53]Luis Alonso SCHÖKEL; Cecília CARNITI, Salmos: tradução, introdução e comentário (São Paulo: Paulus, 1996), vol. 1, p. 399.

[54]Consultar o texto em ELLINGER; RUDOLPH, Biblia Hebraica Stuttgartensia, p. 1106-1107.

[55]GROGAN, Psalms, p. 30.

[56]Les D. MALONEY, “Intertextual links: part of the poetic artistry within the book 1 acrostic psalms”, Restoration Quarterly, vol. 49, n. 1 (2007), p. 17-18.

[57]TERRIEN, The Psalms, p. 253.

[58]SCHILDENBERGER, “A estrutura temática e estrófica dos Salmos Alfabéticos”, p. 214-218.

[59]TERRIEN, The Psalms: strophic structure and theological commentary, p. 253.

[60]SCHILDENBERGER, “A estrutura temática e estrófica dos Salmos Alfabéticos”, p. 216.

[61]MAYS, Psalms, p. 125-126; Johannes SCHILDENBERGER, “A estrutura temática e estrófica dos Salmos Alfabéticos”, p. 218.

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