Perseverança dos santos: a carreira cristã

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No livro “Sementes de Sabedoria”, há este pensamento: “O mundo não é dos espertos, mas dos persistentes”. Igualmente o céu, na afirmação do próprio Jesus, registrada em vários evangelhos: “Aquele, porém, que perseverar até o fim, esse será salvo” (Mt 24.13) – “Sereis odiados de todos por causa do meu nome; aquele, porém, que perseverar até ao fim, esse será salvo” (Mc 13.13) – “É na vossa perseverança que ganhareis a vossa alma’ (Lc 21.19).

A doutrina da perseverança dos santos é um dos pilares do edifício da nossa fé reformada. Doutrinariamente, o que é perseverança dos santos? Para nós, o mais simples e mais completo conceito sobre a doutrina é definido por Arthur Stone: “Perseverança dos santos é a total impossibilidade para o eleito de Deus, aquele que foi convencido de pecado pelo Espírito Santo e lavado no precioso sangue de Jesus, de se perder”. Diríamos nós: Uma vez eleito, eleito para sempre. Uma vez convertido, convertido para sempre. Uma vez justificado, justificado para sempre. Uma vez salvo, salvo para sempre.

Mas, a carreira cristã não é fácil, na luta do homem renovado contra as tendências do velho homem e contra as ciladas do tentador. A jornada é dura, difícil e desgastante. O cristão pode chegar cansado e ferido, mas alcança seu destino final, nos braços de Jesus. Individualizando: Três fatores concorrem para a perseverança do santo:

1. A FIDELIDADE DO SANTO
– Como dissemos, a vida cristã é de intensa luta contra as tentações e a inclinação para o mal do velho homem. Não é um caminho linear e plano, mas cheio de assaltos e sobressaltos, semelhante à do gráfico do eletrocardiograma, com subidas e descidas. Há quedas e fracassos, mas também, reerguimento e arrependimento. Essa luta é constante, e só termina com a morte, quando seremos, então, glorificados. Nesse embate, o cristão procura manter-se fiel até ao fim, a despeito dos percalços do caminho. Para isso, o santo precisa assumir uma postura que inclui três exercícios:

           1. ORAÇÃO – A oração é o combustível que nos fornece energia espiritual para enfrentar as dificuldades do caminho. Jesus recomendou: “… Orai, para que não entreis em tentação” (Lc 22.40). E Paulo recomenda, em 1 Ts 5.17: “Orai sem cessar”. É de joelhos que o crente se posta na escalada da fé. Vida sem oração é como veículo sem combustível – não chega a lugar algum.

           2. VIGILÂNCIA – Pedro recomenda: “Sede sóbrios e vigilantes. O diabo, vosso adversário, anda em derredor, como leão que ruge procurando alguém para devorar; resisti-lhe firmes na fé...” (1 Pe 5.8,9). E Jesus adverte: “Vigiai e orai para que não entreis em tentação; o espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca” (Mt 26.41). Parafraseando conhecido lema, podemos dizer: “O preço da fidelidade é a eterna vigilância” .

           3. SUBMISSÃO – A plena consciência da inteira dependência de Deus é o fator mais importante que nos leva a superar os obstáculos do caminho. Tiago recomenda: “Sujeitai-vos, portanto, a Deus; mas resisti ao diabo, e ele fugirá de vós” (Tg 4.7). Por nós mesmos não conseguiremos suplantar nem o velho homem que habita em nós nem a tentação.

O pai levou o filho pequeno para um passeio no campo. O menino foi pulando e, às vezes, rolando na grama. O homem deixou a criança livre até certo caminho mais perigoso, no qual pegou a mão do garoto, que a puxou, querendo ir sozinho. Quando o filho tropeçava, o pai oferecia a mão que era sempre recusada. Certo momento, o garoto tropeçou e caiu estatelado no chão. Nessa hora, ele se levantou chorando e se lançou nos braços do pai, que o levou seguro de volta à casa. Somente quando nos colocamos nas mãos de Deus, submissos, é que venceremos o caminho e chegaremos seguros ao nosso destino.

2. A COMUNHÃO DOS SANTOS – Quando Jesus subiu ao céu, deixou aqui 120 santos, que o seguiram até ao fim. A primeira providência do grupo foi ficar juntos. É assim que Lucas termina o seu evangelho: “Então, eles, adorando-o, voltaram para Jerusalém, tomados de grande júbilo; e estavam sempre no templo, louvando a Deus” (Lc 24.52,453). Depois, eles passaram a se reunir no cenáculo. E o mesmo Lucas diz a respeito desse grupo:, “Todos estes perseveravam unânimes em oração, com as mulheres, com Maria, mãe de Jesus, e com os irmãos dele” (At 1.14). Depois, então, com o acréscimo dos 5 mil no Pentecostes, continuavam a reunir-se. E é ainda Lucas que acrescenta, em Atos 2.42,44 “E perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações… Todos os que creram estavam juntos e tinham tudo em comum. Foi aí que começou a comunhão dos santos. Eles perseveravam juntos, para que cada um perseverasse na sua fé. Esse grupo se espalhou pela face da terra, mas a comunhão dos santos continuou nas igrejas que iam sendo organizadas.

Na carreira cristã, eu não vou sozinho. Estou caminhando com um grupo de santos, que passam pelos mesmos percalços que eu, que me dão a mão, que me confortam, me aconselham e, quando preciso, me exortam. Apesar de suas deficiências, a igreja ainda é o melhor ambiente para me ajudar a manter a minha fé e a minha fidelidade. A igreja precisa de mim. Mas, eu preciso muito mais dela. Sem mim, ela pode continuar. Sem ela, eu posso ficar pelo caminho.

Comparo a igreja a um hospital e a uma academia da fé. No hospital, estamos nos recuperando das sequelas do pecado. Na academia, estamos nos exercitando para manter a nossa higidez espiritual. A missão da Igreja é trazer o pecador a Jesus e mantê-lo junto a Ele. A Igreja é a casa de Deus e também a casa de pecadores arrependidos. É o lugar daqueles que procuram perseverar na sua fé. É importante a recomendação do autor da Epístola aos Hebreus, em Hb 10.25: “Não deixemos de congregar-nos, como é costume de alguns; antes, façamos admoestações e tanto mais quando vedes que o Dia se aproxima”.

A comunhão dos santos é fator preponderante para a perseverança dos santos.

3. A GRAÇA DO DEUS SANTO – Sabemos que a eleição é incondicional e que a graça é irresistível. Deus nos elegeu não porque viu méritos em nós, mas porque teve misericórdia de nós. E quando Ele nos chamou, pela Sua graça, nos habilitou a atendê-lo, mediante a obra do Espírito Santo, em nosso coração, implantando em nós a fé, para que crêssemos em Jesus como Salvador. Essa é a nossa interpretação de Efésios 2.8,9: “Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie”. Paulo diz, em Romanos 11.29: “… porque o dom e a vocação de Deus são irrevogáveis”. O que Deus efetuou em nós, ninguém, nem nós, nem o diabo, nem mesmo Deus poderá cancelar. E o apóstolo confirma, em Filipenses1.6: “Estou plenamente certo de que aquele que começou boa obra em vós há de completá-la até ao Dia de Jesus Cristo”. E diz mais ainda: “E aos que predestinou, a esses também chamou; e aos que chamou, a esses também justificou; e aos que justificou, a esses também glorificou” (Rm 8.30). Desde a chamada até à glorificação, Deus está conosco.

A perseverança dos santos depende da sua fidelidade e da comunhão dos santos, mas, efetivamente, tudo depende da graça de Deus. Nós chegaremos ao final, porque Deus nos elegeu desde toda a eternidade e nos tem acompanhado em toda a nossa caminhada até ao final, tomando-nos em Seus eternos braços e levando-nos à eternidade com Ele. Por isso, podemos dizer, como Paulo, em 2Timóteo 1.12: “...porque sei em quem tenho crido e estou certo que ele é poderoso para guardar o meu depósito até aquele Dia”. Pela graça, começamos nossa jornada terrena. Pela graça, chegaremos ao nosso destino final, como dizemos nesta poesia.:

Não é fácil, no mundo, ser cristão
e manter-se fiel até ao fim.
São quedas, lutas, dor e tentação
que vêm, a todo instante, sobre mim.

Eu procuro vencer pela oração.
e pela submissão a Deus, enfim.
E me deixo levar por Sua mão,
para chegar ao meu destino assim.
Sei em quem tenho crido, e estou bem certo
que irá me acompanhar sempre de perto,
pelo caminho que Ele mesmo traça.

Eu sei, que neste mundo tão revel,
eu sou fiel porque Deus é fiel.
É pela graça, irmão, só pela graça!

1 COMENTÁRIO

  1. Concordo em 100 do texto supra citado. Que Deus abençoe esse autor e que o mesmo seja sempre uma bênção para outros leitores, como foi para mim.
    Como cristãos precisamos estar atentos as ciladas do inimigo. Orando, vigiando e sendo submissos a Deus ‚ tudo de que precisamos para vencer esta batalha.
    Am‚m!!

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