Expiação limitada: a teologia da cruz

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Isaías 53; Colossenses 2.13-15
 
Expiação é o ato de expiar. Expiar significa purificar, lavar, cobrir, fazer reparação, dar satisfação, sofrendo uma penalidade ou um castigo, como no caso da expiação de um crime.
 
Teologicamente, expiação é a providência de Deus para isentar totalmente da culpa do pecado, herdada de Adão, aqueles que Ele elegeu, lançando-a sobre seu Filho, na cruz. Falando dessa providência, Paulo diz, em 2Co 5.21 : “Aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós; para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus”.
 
Daí dizermos que a doutrina da expiação é a teologia da cruz. A cruz é a síntese da doutrina da expiação. Neste estudo, procuraremos responder a três perguntas: Por que a cruz? De quem é a cruz? Em favor de quem é a cruz?
 
1. POR QUE A CRUZ? – Todos nós, inclusive os eleitos, herdamos a culpa do pecado de Adão e, com ela, a morte eterna. Como Deus não pode abdicar da sua justiça, que puniu o pecador com a separação eterna da Sua presença, essa é também a nossa situação diante do justo Juiz.
 
Mas, o amor de Deus pelos eleitos desejava livrá-los dessa pena. Como conciliar esses atributos absolutos de Deus? Ele não poderia deixar de punir o pecador, mas não queria que os eleitos sofressem o peso dessa pena. Na cruz, se encontram a justiça e amor de Deus. Somente a morte de um justo, em lugar do pecador, satisfaria plenamente a justiça de Deus ultrajada. E esse justo foi Jesus.
 
A cruz foi um projeto de Deus, porque era através dela que os crimes hediondos eram expiados. A figura profética de Isaías 53 mostra isso: “… mas o Senhor fez cair sobre ele a iniquidade de todos nós” – v.6; “Todavia, ao Senhor agradou moê-lo, fazendo-o enfermar” – v. 10.
 
Deus também sofreu com o Filho as dores da cruz. Paulo revela, em 2Co 5.18,19: “Ora, tudo provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por meio de Cristo… a saber, que Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo”.
 

O Pai experimentou com o Filho as mesmas dores da cruz. Primeiro, oferecendo-O em resgate pelos nossos pecados. E então, ao aplicar n’Ele a Sua justiça, ficando surdo à Sua oração, no Getsêmane, e ao Seu clamor, na cruz .
 
O rapaz foi levado ao tribunal para ser julgado quanto a um desfalque realizado por ele na firma em que trabalhava. Percebeu que o juiz era um velho amigo de seu pai, que o conhecia desde a infância e, por isso, pensou que estaria salvo. Mas, para surpresa sua, na sentença, o juiz deu-lhe o prazo de uma semana para quitar a dívida a fim de não ser preso.
 
O rapaz mostrou seu descontentamento quanto à sentença, quando foi chamado ao gabinete do juiz. E o magistrado respondeu: “No tribunal eu era o juiz e tinha de aplicar a lei. Aqui, agora, eu sou o amigo do seu pai, e seu amigo também”. Depois de o exortar, o juiz lhe deu um cheque para pagar a sua dívida e ficar livre da prisão. Dias depois, o rapaz trouxe-lhe o recibo de quitação, que o juiz apensou aos autos. O rapaz estava legalmente remido da sua dívida. Este fato nos lembra o texto de Paulo em Colossenses 2.13-15.
 
Resumindo: A cruz era o único meio pelo qual Deus salvaria o eleito da condenação eterna.
 
2. DE QUEM É A CRUZ? Tomaram eles, pois, a Jesus; e ele próprio, carregando a sua cruz, saiu para o lugar chamado Calvário, Gólgota em hebraico… – João 19.17 – “Mas longe esteja de mim o gloriar-me, senão na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo” – Gálatas 6.14.
 
O sangue derramado sobre a cruz é o símbolo da expiação de nossos pecados por Jesus – “sabendo que não foi mediante coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados do vosso fútil procedimento que vossos pais vos legaram, mas pelo precioso sangue, como de cordeiro sem defeito e sem mácula, o sangue de Cristo.– 1 Pe 1,18,19.
 
A cruz de Cristo foi mais que as dores físicas sofridas no duro madeiro, o que já seria um atroz sofrimento. Sua cruz foi ter assumido a natureza humana e vivido como qualquer homem, sentindo sede e fome, cansaço e calor. Sua cruz foi ter sido levado ao deserto, para ser provado pela dura tentação.

Sua cruz foi andar por este mundo cheio de misérias e dor, de sofrimento profundo. Sua cruz foi ter ensinado a amar, espalhando o amor e ser odiado como um malfeitor. Sua cruz foi, sendo infinito, definir-se na encarnação; sendo justo e perfeito, sofrer a crucificação; sendo divino e eterno, passar pelo vale sombrio da morte maldita e, como qualquer mortal, ser sepultado na tumba fria.
 
Sua cruz, foi sentir-se sozinho, entre a terra e os céus, abandonado dos seus, desamparado de Deus, levando sobre si todos os nossos pecados. Ele carregou sua cruz, não somente alguns momentos daquele dia de horror. Ele a levou durante toda a peregrinação terrena, dia a dia, hora a hora, por minha causa, pelos meus pecados, para deles me resgatar para toda a eternidade.
 

DE QUEM É A CRUZ?

Não sei se a cruz era de Cristo, ou era minha.
Por merecer a dura morte, a mim convinha.
Mas, por tê-la sofrido voluntariamente,
foi de Jesus, que a padeceu vicariamente.
O pecado era meu, mas Jesus o levou,
e a justiça de Deus sobre si suportou.
A culpa era só minha, mas Cristo a sofreu,
e tomou sobre si o fardo que era meu.
Foi Cristo que morreu na cruz, é fato certo.
mas eu é quem devia estar ali, decerto.
Dele foi toda a dor e todo o sacrifício.
Seu foi o mérito, mas meu, o benefício.
Hoje, posso dizer que a cruz foi do Senhor,
pois a tomou de minhas costas, por favor,
e levou sobre si a minha maldição,
pra me livrar da morte e dar-me a salvação.
 

3. EM FAVOR DE QUEM É A CRUZ? – Jesus Cristo realizou um sacrifício vicário, isto é, em lugar de outros. Nesse particular, sua obra expiatória foi limitada. Limitada, não quanto à sua eficácia, mas quanto à sua extensão. Em favor de quem Ele morreu na cruz?
 
Jesus diz, em Mateus 20.28: “Tal como o Filho do homem, que não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate de muitos”. Notemos que Cristo não disse que viera resgatar todos, mas muitos. E ainda, na oração ao Pai, em João 17.6: “Manifestei o teu nome aos homens que me deste do mundo. Eram teus, tu me confiaste, e eles têm guardado a tua palavra. Notemos aqui que Cristo revela que aqueles que eram de Deus, dentre os que estavam no mundo, foram confiados a Ele pelo Pai. Não foi o mundo todo. Só os que eram de Deus, que estavam no mundo.
 
E Paulo, falando sobre o casamento, diz, em Efésios 5.25: “Maridos, amai vossa mulher, como também Cristo amou a Igreja e a si mesmo se entregou por ela” . Pedro assim inicia a sua 1ª carta: “Pedro, apóstolo de Jesus Cristo, aos eleitos… eleitos segundo a presciência de Deus” – 1Pedro1.1,2. Logo a seguir, referindo-se aos destinatários de sua carta, ele afirma, em 1Pedro 2.18,19: “sabendo que não foi mediante coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados do vosso fútil procedimento que vossos pais vos legaram, mas pelo precioso sangue, como de cordeiro sem defeito e sem mácula, o sangue de Cristo…”
 
Concluímos que Jesus não morreu por todos os homens, mas pelos seus, que o Pai lhe confiara, por sua Igreja, isto é, pelos eleitos. Na expressão de um teólogo,: “ A obra vicária de Cristo é suficiente para salvar todos os homens, mas eficiente só para os eleitos”. Em outras palavras: os méritos de Jesus, alcançados na cruz, dariam para salvar toda a humanidade, mas só são aplicados aos eleitos, pela soberana vontade de Deus, que é justa, santa e perfeita.
 
Conclusão: a Expiação limitada é o projeto de Deus, pelo qual, mediante o sacrifício vicário de Seu Filho, na cruz, Ele alcança a libertação do eleito da condenação eterna.
 
Todo eleito pode dizer: CRISTO MORREU POR MIM, LIVRANDO-ME DA MORTE ETERNA. Ele morreu por mim, como ilustramos nesta poesia:
 

Rapaz solteiro, por amigo seu, casado,
à guerra foi, em seu lugar, e ali morreu.
O outro amigo ficou muito desolado,
com a perda tão triste do colega seu.
Após a guerra, procurou, por todo lado,
o corpo do finado, onde o revés se deu.
Depois de muito tempo, enfim, foi encontrado,
e o levou para a vila, onde o rapaz nasceu.
No cemitério, procurou pelo local,
e o preparou para um decente funeral,
em meio a muitas flores, num real jardim.
Na lápide, escreveu o nome do rapaz,
com o desejo de que descansasse em paz,
e a seguinte inscrição: ELE MORREU POR MIM.

 
Se você reconhece que Jesus morreu na cruz pelos seus pecados, tenha, também, essa inscrição gravada no seu coração: ELE MORREU POR MIM! E mostre-Lhe a sua gratidão, vivendo por Ele e para Ele. LOUVADO SEJA O NOME DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO!

1 COMENTÁRIO

  1. Estimado Rev. Thiago Rocha, obrigado por sua contribuição. Sempre ‚ um prazer lê-lo, o que faço desde minha adolescência, então, por meio das revistas de Escola Dominical que o Senhor escrevia. Deus o abençoe.
    Hermisten

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