A arquitetura do novo Êxodo: a influência de Isaías sobre a estrutura e teologia dos Evangelhos Sinóticos

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Introdução

Uma das tendências mais interessantes da hermenêutica bíblica atualmente é como o Novo Testamento (NT) usa o Antigo Testamento (AT). Dentro desse campo de pesquisa, o uso do livro de Isaías, especialmente em seu tema do novo Êxodo, tem ganhado muita atenção em pesquisas recentes. Um dos mais antigos e extensos é o livro de Rikki E. Watts sobre o novo Êxodo de Isaías em Marcos, publicado em 1997.[1] Segue-se a ele, ainda que de forma não tão programática, o livro de Richard Beaton sobre Mateus, de 2002.[2] Fortemente influenciado por Watts, David Pao publicou sobre o novo Êxodo de Isaías em Atos, em 2000.[3] Sobre essa temática em João, temos o estudo de Daniel Brendsel de 2014.[4] Já em 2005, Steve Moyise e Maaten J. J. Menken editaram um volume todo dedicado ao uso de Isaías em todo o NT.[5] Esses são apenas alguns exemplos de obras fundantes. A bibliografia especializada sobre o uso de Isaías no NT hoje está muito maior (especialmente o “isaiânico” novo Êxodo, doravante, INE).[6]

Sobre o quesito de quantificação, das 21 passagens de Isaías citadas nos 4 Evangelhos,[7] 13 delas se encontram em Mateus, 7 em Marcos, 5 em Lucas e 4 em João. A tabela abaixo ilustra bem essas citações:[8]

 

Isaías Mateus Marcos Lucas João
6.9 8.10
6.9-10 13.14-15 4.12
6.10 12.40
7.14 1.23a
8.8, 10 1.23b
9.1-2 4.15-16
13.10 24.29 13.24
29.13 15.8-9 7.6-7
34.4 24.29 13.25
40.3 3.3 1.3  1.23
40.3-5 3.4-6
42.1-3 12.18-20
42.4 12.21
45.21 12.32
53.1 12.38
53.4 8.17
53.12 22.37
54.13 6.45
56.7 21.13 11.17 19.46
61.1-2 4.18-19
62.11 21.5

 

Por mais valioso que seja o levantamento acima, ele não consegue exaurir a importância de Isaías para os Evangelhos. Não levamos em conta alusões, ecos e outras formas de intertextualidade. Nossa análise estará para além dos níveis morfológicos e sintáticos (ainda que se valendo deles), a fim de olharmos para esses textos como um todo, tentando discernir as “macro-influências” de Isaías sobre esses textos.

  1. INE em Marcos

Ao tratar da pesquisa de Watts, iremos necessariamente focar nos seus insights para a estrutura geral de Marcos. Tendo argumentado que o uso de Isaías 40 no início de Marcos 1, passagem esta que anuncia o novo Êxodo (doravante NE), Watts observa que dois conjuntos de textos de Isaías são usados para falar sobre a cegueira judicial e o endurecimento dos oficiais religiosos judeus que desafiam Jesus, primeiro em Marcos 4.12, onde Isaías 6.9-10 é citado, e depois em Marcos 7.6-7, que se baseia em Isaías 29.13.[9] Isaías é usado não apenas para transmitir as “boas notícias”, mas também as “más notícias”.

Voltando ao prólogo de Marcos, Watts demonstra a intertextualidade presente em Marcos 1.1-3 e sua importância para a estrutura desse Evangelho como um todo:

Princípio do evangelho de Jesus Cristo, o Filho de Deus. “Conforme está escrito no profeta Isaías: Estou enviando à tua frente meu mensageiro, que preparará teu caminho;” 3 voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor, endireitai suas veredas (Mc 1,1-3; A21).

Basicamente nessa introdução marcana temos 3 citações do AT unidas:

Isaías 40. 3: “Voz do que clama: Preparai o caminho do Senhor no deserto; endireitai ali uma estrada para o nosso Deus.”

Malaquias 3.1: “Enviarei o meu mensageiro, que preparará o caminho diante de mim; e de repente o Senhor, a quem buscais, o mensageiro da aliança, a quem desejais, virá ao seu templo. E ele vem, diz o Senhor dos Exércitos.”

Êxodo 23.20-33: “Eu envio um anjo à tua frente para guardar-te pelo caminho e conduzir-te ao lugar que preparei para ti.”

Watts analisa profundamente o contexto de cada uma dessas passagens, mostrando também a co-dependência entre elas (Isaías se baseia no Êxodo, Malaquias usa Êxodo e Isaías — além de todas estarem vinculadas pelo verbo “preparar”).

O tema do futuro NE em Isaías, ao ser citado logo nas linhas iniciais de Marcos, parece moldar a estrutura tripartite básica desse Evangelho. Watts (p. 135), ao resumir a teologia do NE em Isaías, mostra que a mensagem de libertação do profeta pressupõe tanto o momento fundador da redenção de Israel quanto um esquema subjacente do Êxodo de três partes:

  1. A) a libertação poderosa de Yahweh de seu povo exilado do poder da Babilônia e seus ídolos;
  2. B) uma jornada ao longo do “caminho”, em que Yahweh conduz seu povo do exílio para Jerusalém;
  3. C) a chegada a Jerusalém, onde Yahweh é entronizado em uma Sião gloriosamente restaurada. Em suma, o profeta apresenta a visão de Yahweh que depois de esmagar os poderes do caos e abrir caminho no deserto, gentilmente conduz seu rebanho para Sião.

Quais são as implicações para o Evangelho de Marcos? Normalmente Marcos é dividido em três grandes partes, cada uma delas seguindo de perto a teologia de Isaías. Na primeira parte, Jesus é descrito como o poderoso Filho de Deus (Mc 1.16-8.26), curando enfermos, expulsando demônios, perdoando pecados, acalmando tempestades etc. Como o cumprimento sempre sobrepuja a profecia, Jesus, como Yhwh encarnado, está libertando seu povo de poderes muito maiores e piores que a Babilônia. A segunda parte de Marcos é frequentemente chamada de seção do “caminho”, onde Jesus prediz sua morte várias vezes (Mc 8.27-10.52). A implicação é que o “caminho” do NE é necessariamente o caminho da cruz, único meio de libertação e salvação. A terceira e última parte de Marcos mostra Jesus como o servo sofredor (de Is 53!) que vai para Jerusalém morrer e ressuscitar (11.1-16.8(20)). Assim, a categoria do servo sofredor de Isaías reconfigura a categoria messiânica de Filho (de Deus), e a categoria de poder é ressignificada à luz do caminho da salvação que é a cruz.

1.1. Implicações cristológicas

As implicações cristológicas do uso de Isaías em Marcos são imensas, porque tudo o mais que se diga sobre Jesus deve ser interpretado dentro desse quadro referencial maior do NE. Mas a principal pontuação que podemos esboçar é que Jesus é Yhwh em carne, o guerreiro Divino que luta pelo seu povo, vence seus inimigos (o pecado, o Diabo, a morte) e traz a salvação escatológica prometida no AT.

  1. INE em Mateus

O Evangelho de Mateus é considerado o mais “judaico” do NT e naturalmente aquele que contém mais referências explícitas ao AT (duas vezes mais citações do que nos demais Evangelhos). Ao compor seu texto, Mateus se valeu de uma cosmovisão completamente fundamentada no imaginário teológico da Bíblia Hebraica, com referências a vários livros, especialmente Jeremias, Zacarias, Ezequiel, Salmos e Isaías (sendo este último extremamente importante para o livro como um todo).[10] Ao todo, podemos contar 60 referências ao AT e muitas alusões.[11]

Ainda que nosso propósito seja analisar apenas o impacto de Isaías, especialmente o tema do novo Êxodo sobre a estrutura e teologia de Mateus como um todo, uma visão geral das principais citações do AT pode ser útil ao leitor.

2.1. Uma visão geral das principais citações do AT em Mateus

  1. Isaías 7.14 (Mt 1.22–23) predisse que o Messias nasceria de uma virgem.
  2. Miqueias 5.2 (Mt 2.6) predisse que o Messias nasceria em Belém.
  3. Oséias 11.1 (Mt 2.15) predisse que o Messias seria chamado para fora do Egito.
  4. Jeremias 31.15 (Mt 2.18) predisse o massacre das crianças.
  5. Isaías 40.3 (Mt 3.3) predisse que um profeta no deserto prepararia para a vinda do Senhor.
  6. Isaías 9.1-2 (Mt 4.14-16) predisse que o Messias viria para a Galileia dos gentios.
  7. Isaías 53.4 (Mt 8.17) predisse que o Messias tomaria nossas doenças e carregaria nossas enfermidades como um cordeiro sacrificial.
  8. Miqueias 7.6 (Mt 10.35-36) predisse que o Messias colocaria os membros da família uns contra os outros.
  9. Isaías 26.19; 29.18; 35.5; 42.18; e 61.1 (Mt 11.5; 15.31) predisse que o Messias daria vista aos cegos, faria os coxos andarem, faria os surdos ouvirem, ressuscitaria os mortos e pregaria boas novas aos pobres.
  10. Êxodo 23.20 e Malaquias 3.1 (Mt 11.10) predisseram que um mensageiro precederia a vinda do Messias.
  11. Isaías 42.1-4 (Mt 12.18–21) previu que o Messias não seria barulhento ou pretensioso.
  12. Isaías 6.9-10 (Mt 13.14-15) previu que os ensinamentos do Messias seriam mal compreendidos.
  13. O Salmo 78.2 (Mt 13.35) previu que o Messias ensinaria por parábolas.
  14. Isaías 29.13 (Mateus 15.8-9) predisse que o povo de Deus se rebelaria contra ele e ensinaria coisas falsas.
  15. Malaquias 4.5 (Mt 17.10-13) previu que a vinda do Messias seria precedida pela chegada de uma figura semelhante a Elias.
  16. Isaías 62.11 e Zacarias 9.9 (Mt 21.5) previram a entrada triunfal do Messias em Jerusalém.
  17. Zacarias 13.7 (Mt 26.31) previu que os discípulos do Messias o abandonariam.
  18. Zacarias 11.13 (Mt 27.9) previu que o Messias seria traído por trinta moedas de prata.
  19. Salmos 22.1-2,6-8,18 (Mt 27.35, 43, 46) predisse que as pessoas iriam apostar pelas vestes do Messias e zombariam dele e que o Pai o abandonaria durante seu sofrimento na cruz.[12]

2.2. A estrutura do Evangelho de Mateus

Há várias propostas diferentes para a estruturação de Mateus, mas as duas principais giram em torno de marcadores linguísticos importantes ao longo do livro.

A primeira forma foca em organizar o material em torno dos cinco grandes discursos de Jesus nesse Evangelho, a saber:

(1) o Sermão da Montanha: caps. 5—7

(2) diretrizes da missão aos Doze: cap. 10

(3) parábolas do reino: cap. 13

(4) discipulado e disciplina: cap. 18

(5) escatologia: caps. 24—25

Com esse fundamento estrutural, a forma de organizar o material anterior e posterior a cada discurso varia muito e não é nosso propósito detalhar esse ponto. Entretanto, essa estruturação é inteiramente legítima, pois o próprio autor marca o final de cada discurso com uma frase parecida: Καὶ ἐγένετο ὅτε ἐτέλεσεν ὁ Ἰησοῦς τοὺς λόγους τούτους[13] (Ao concluir Jesus esse discurso…; Mt 7.28; A21). Alguns tentaram vincular cada discurso com um livro do meguilot (Rute, Ester, Eclesiastes, Cântico dos Cânticos, Lamentações), mas se sucesso. O mais provável é que esse refrão estrutural que se repete no final de cada grande discurso é uma alusão ao texto grego de Dt 32.45: καὶ συνετέλεσεν Μωυσῆς λαλῶν παντὶ Ισραηλ[14] (“E, acabando Moisés de falar todas essas palavras a todo o Israel…” (A21)).

A segunda característica estruturante mais comum é talvez a mais amplamente aceita, apesar de ser menos útil para explicar agrupamentos menores de ensino ou tradições narrativas. Essa segunda forma de estruturar Mateus foca em dois “pontos centrais” marcados pela frase “desde então começou Jesus…” (4.17; 16.21). Estas duas ocorrências da frase separam o Evangelho em três seções:

(1) a pessoa do Messias: 1.1-4.16

(2) a proclamação do Messias: 4.17-16.20

(3) a paixão do Messias: 16.21-28.20

O principal problema em identificá-los como marcadores estruturais deliberados é que eles não podem ser claramente separados dos poucos versículos que os precedem imediatamente, de modo que não agem realmente como frases de “título” para as novas seções. Entretanto, independe do modo de pensarmos o todo de Mateus, é inegável que o livro de Isaías desempenha uma função importantíssima em quase cada bloco de conteúdo desse Evangelho.

2.3. Um breve panorama do uso de Isaías em Mateus

Apresento aqui, de forma suscinta, as citações explícitas de Isaías em Mateus (não estão inclusos, portanto, as alusões e os ecos):

1) 1.1-2.23 – ‘A virgem dará à luz um filho’ [Mt 1.23 = Is 7.14]

2) 3.1-4.11 – ‘O caminho do Senhor no deserto’ [Mt 3.3 = Is 40.3]

3) 4.12-7.29 – ‘Uma grande luz na Galileia’ [Mt 4.15-16 = Is 9.1-2]

4) 8.1-10.42 – ‘Ele levou embora as nossas doenças’ [Mt 8.17 = Is 53.4]

5) 11.1-12.45 – ‘Caniços quebrados e julgamento gentio’ [Mt 12.17-21 = Is 42.1-4]

6) 12.46-13.58 – ‘Ouvir e compreender’ [Mt 13.14-15 = Is 6.9-10]

7) 14.1-16.12 – ‘Ensinando as tradições dos homens’ [Mt 15.8-9 = Is 29.13]

8) 16.13-21.11 – ‘O Rei vindo a Sião, gentil’ [Mt 21.5 = Is 62.11 e Zacarias 9.9]

9) 21.12-25.46 – ‘Casa de oração’ ou ‘covil dos ladrões’ [Mt 21.13 = Is 56.7 e Jr 7.11]

10) 26.1-28.20 – ‘Pastor e ovelhas’ (e Galileia) [Mt 26.31 = Zacarias 13.7 e Is 53.4-6]

Analisar cada citação está muito além dos limites desse artigo. Entretanto, pontuaremos como o tema do novo Êxodo aparece nessas citações e como influenciam o texto mateano.

2.4. O novo Êxodo de Isaías em Mateus

Nessa seção, devido ao grande número de passagens envolvidas, evitarei intencionalmente a superlotação de citações de comentários sobre Mateus. Ainda que em diálogo com essas obras de referência, manterei minha própria e breve interpretação das passagens em questão, para fins de clareza e brevidade (seguindo o princípio brevitas et claritas (ou facilitas) da hermenêutica de Calvino).

2.4.1 A nova criação através do novo Êxodo realizado pelo Rei davídico

A tese de doutorado de Todd Kinde sobre o uso de Isaías em Mateus 1-4 demonstra que, as quatro citações explícitas do AT nessa seção inicial de Mateus, a primeira e a última são de Isaías. Portanto, “esta colocação proeminente de referências a Isaías sugere a importância de Isaías no desenvolvimento estrutural e teológico desse Evangelho”[15].

Os primeiros capítulos de Mateus citam Isaías 7.14, 40.3 e 9.1-2. Na seção de Isaías 7-11, a figura central do cap. 7 (o menino Emanuel), é o mesmo do capítulo 9 (o menino, filho de Davi, que recebe nomes divinos e se assenta no trono eternamente) que volta a aparecer no cap. 11 (o Messias, filho de Davi, que reina capacitado pelo Espírito). Enquanto o rei Acaz (de Judá) temia Rezim (rei da Síria) e Peca (rei de Israel) e queria se proteger fazendo uma aliança com o rei da Assíria, Deus ordena que Acaz confie em Deus para livramento da ameaça desses dois reis (Is 7.1-9). O sinal da presença de Deus sobre Judá seria o nascimento de um menino chamado Emanuel (Is 7. 16). Confiar na Assíria seria trazer um julgamento divino sobre si, que é descrito aludindo ao Egito na ocasião das 10 pragas no livro do Êxodo (Is 7.17-19). Mesmo em meio desse caos de desobediência e punição, Deus promete um novo Êxodo no futuro, brilhando sua luz em meio às trevas, por meio de um filho de Davi com atributos divinos e um reinado pacífico e eterno (Is 9.1-7). Esse novo Êxodo já é implicitamente misturado com o tema da nova Criação através da alusão de luz e trevas em Isaías 9.1-2. O Messias que, pelo Espírito, estabelece a nova criação através de um novo Êxodo é o tema do cap. 11 de Isaías. Essa grande narrativa escatológica perpassa todo o livro de Isaías, especialmente os caps. 40—66. O cap. 40 começa mostrando o mensageiro de boas-novas (evangelho!) preparando o caminho do Senhor para o novo Êxodo. Lembrando o sinal prometido (O Deus conosco) a Acaz em 7.14, o mensageiro anuncia a presença redentora de Deus: aqui está o vosso Deus (Is 40. 9). O livramento agora não é da Síria, Assíria ou Israel, mas da Babilônia. O retorno de Judá da Babilônia não terá um mar abrindo — como foi a saída do Egito — mas de modo análogo terá seus vales e montanhas nivelados para o retorno do povo de Deus (Is 40.4). Assim, como argumentou Bo H. Lim, se Isaías for lido como uma unidade, então o líder do novo Êxodo pode ser visto como um rei, o rei davídico em particular.[16]

Na leitura mateana, Jesus é esse Messias, filho de Davi, que tanto no seu nascimento-infância, como no seu ministério público, anunciado por João Batista, cumpre essas promessas isaiânicas. Cumpre, mas de modo escatológico, ou seja, o cativeiro que Jesus nos liberta, não é a Assíria ou a Babilônia, mas ele nos salva dos nossos próprios pecados (Mt 1.21) e derrota, não reis humanos, mas o próprio Diabo no deserto (Mt 4.1-11). Portanto, o novo Êxodo escatologicamente inaugurado por Jesus é soteriológico e não político, espiritual e não terreno.

2.4.2. O novo Êxodo através do servo sofredor

Em uma seção concentrada com atos miraculosos de Jesus (Mt 8—9),[17] logo após o primeiro grande discurso do livro (Mt 5—7), a citação de Isaías 53.4 em Mt 8.17 fundamenta essa seção que, por sua vez, fundamenta o próximo grande discurso sobre a missão dos doze (Mt 10), seguindo o paradigma da missão de Jesus apresentada nesses caps. 8—9.

A citação seguinte, Isaías 42. 1-4 em Mateus 12.17-21 continua o tema do servo sofredor. Em uma passagem marcada pelos conflitos contra os fariseus, a citação de Isaías 42 introduz o tema da salvação dos gentios e antecipa a citação de Isaías 6.9-10 em Mateus 13.14-15 (3º discurso) sobre o endurecimento do coração que impossibilita ouvir e entender as palavras de Jesus.

Nessas duas passagens de Isaías, dentro do contexto de Isaías 40—55, mostram que o exílio físico e espiritual de Israel (representados em Mateus pelos líderes e fariseus) terminará. O NE será efetuado pela morte do servo sofredor, que morre no lugar do povo. Essa morte vicária é o NE que traz a nova criação, trazendo cura espiritual e física, salvando até mesmo os gentios (para outras passagens em Isaías mostrando o poder de cura física do novo Êxodo, ver Is 29. 18, 32.3-4 e 35. 5-6).

A próxima citação é de Isaías 29.13 em Mateus 15.8-9, continuando o tema da cegueira espiritual introduzido pela citação anterior de Isaías 6. O contexto de Isaías 29 retoma o êxodo e aponta para o novo Êxodo. Em uma teofania de juízo contra Judá que alude à teofania do Sinai (Is 29.6), devido ao pecado do povo que estava lhes causando cegueira espiritual, cegueira esta que os impedia de ler o Livro da Lei de forma adequada (29.11-13). O livramento futuro é descrito com a linguagem do êxodo (29. 17-24). Por isso, é inútil confiar no Egito (cap. 30), pois a salvação vem apenas de Deus (cap. 31), que através do seu Rei justo, derrama o Espírito e renova a criação (cap. 32).

Os exemplos até aqui examinados são suficientes para demonstrar a importância colossal do INE em Mateus. As demais citações continuam no mesmo tom, mesmo as compostas. Por exemplo, Zacarias 9—10 e Jeremias 7 estão fundamentados também no tema do êxodo e novo Êxodo.

2.5. Conclusão

Todas as citações examinadas neste breve tópico desempenham um papel significativo na narrativa mateana, servindo para validar, moldar e infundir conteúdo na apresentação da vida e do significado de Jesus para a comunidade primitiva de seus seguidores.[18] Embora possa parecer que servem principalmente para reforçar o ponto de vista do autor, para Mateus, elas oferecem a perspectiva de Deus sobre os acontecimentos retratados no drama evangélico. Embora poucos discordem da noção de que as citações com fórmulas são completamente cristológicas, validando a apresentação de Jesus por Mateus como o tão esperado Messias dos judeus, elas também situam Jesus e a sua geração firmemente no centro do continuum da história da salvação, um momento significativo no calendário escatológico.[19]

Nas citações de Isaías encontramos uma riqueza de temas que resumem elementos centrais do evangelho. A cristologia, a escatologia, o problema da rejeição judaica, a inclusão dos gentios, a crítica à religião judaica estabelecida e a renovação final são todas encontradas nas citações de Isaías.[20]

Assim, duas obras recentes sobre Cristologia Mateana, a do Charles L. Quarles[21] e do Patrick Schreiner,[22] enfatizam corretamente uma tipologia positiva entre Moisés e Jesus em Mateus, e a implicação é: Jesus como novo Moisés efetua/inaugura o NE através da sua morte na cruz. Portanto, é evidente a influência fundante de Isaías não apenas sobre a teologia/cristologia de Mateus, mas também sobre a estruturação do texto como um todo, inserindo citações isaiânicas em momentos chave da narrativa (a própria conclusão do livro com a grande Comissão forma um inclusio com a citação inicial de Isaías sobre o Emanuel — o Deus conosco encarnado estará conosco todos os dias!)

  1. INE em Lucas (com breves menções a Atos)

O Evangelho de Lucas é claramente influenciado pelo tema do êxodo e pelo tema do novo Êxodo de Isaías[23] ao descrever a vida de Jesus.[24] Lucas se esforça muito para desenvolver uma conexão positiva entre Moisés e Jesus.[25] Ele também apresenta Jesus como o libertador que dará início ao novo Êxodo escatológico.[26]

Há quatro citações explícitas de Isaías no evangelho de Lucas. Duas delas também ocorrem em Marcos e Mateus (Is 40.3-5; Is 56.7), embora Lucas acrescente substancialmente à citação de Isaías 40. 3-5 em Lucas 3.4-6. Ao tratar dessas passagens nos concentraremos nos elementos lucanos. Duas citações são encontradas apenas no evangelho de Lucas: Isaías 61.1-2 (com uma inserção de 58.6) em Lucas 4.18-19 e Isaías 53. 12 em Lucas 22.37. Há cinco citações explícitas em Atos: Isaías 66.1-2a (7. 49-50); Isaías 53. 7-8c (8. 32-33); Isaías 55.3 (13. 34); Isaías 49.6 (13. 47) e Isaías 6. 9-11a (28. 26-27).

Embora Lucas use menos citações de Isaías do que de Mateus, isso não indica que Isaías seja menos importante para ele. Não é simplesmente a quantidade de citações que é importante, mas a qualidade delas. Lucas posiciona Isaías estreitamente próximo da estrutura de sua obra dupla, citando-o em lugares importantes na narrativa.[27] É notável que Lucas use citações ou alusões de Isaías em passagens onde aparecem personagens importantes.[28] Quando João Batista, Jesus e Estêvão aparecem, Lucas introduz uma citação de Isaías. Lucas atribui a Paulo na cena final de Atos uma citação a Isaías. Isso indica que Isaías é uma chave fundamental para a compreensão de Lucas-Atos como um todo.[29]

3.1. Desenvolvimentos recentes na leitura do INE em Lucas-Atos

Como estamos vendo, o tema do novo Êxodo é massivo em Isaías. Para fins de traçar sua influência em Lucas, os principais elementos deste tema podem ser definidos da seguinte forma: um “caminho” é preparado para o Senhor no deserto (Is 40.3-5; 43.19); Deus virá como guerreiro para derrotar os opressores de Israel (40.10; 42.13; 49.24-25); o Senhor tirará o seu povo do cativeiro e os pastoreará ao longo do “caminho” (51,12-16; 52,11-12; 40,11); Deus derramará seu Espírito sobre eles e os ensinará (44.3; 48.17); e finalmente Deus será entronizado em uma Sião/Jerusalém restaurada (40.9; 52.1-10).[30]

Na academia, embora Jervell tenha sido o primeiro a enfatizar o tema da restauração do Israel cativo e a vinda do reino de Deus,[31] foi apenas nos anos de 1990 que N. T. Wright começou a enfatizar essa restauração como um novo Êxodo.[32] Nos estudos lucanos, Mark Strauss e Max Turner desenvolveram esse tema. Strauss argumentou que o principal paradigma bíblico que está por trás da narrativa de viagem no Evangelho de Lucas é o novo Êxodo escatológico retratado em Isaías 40-55[33].

O estudo de Turner oferece uma investigação detalhada sobre a compreensão do Espírito por Lucas, com foco nos textos do Espírito em Lucas 1—4 e Atos 2. Ele sugere que o conceito unificador por trás de Lucas 1—4 é o anúncio da libertação de Israel no novo Êxodo.[34]

A investigação mais completa do uso que Lucas faz do tema do NE, entretanto, é a monografia de David Pao. Ele argumenta que o programa do novo Êxodo de Isaías fornece tanto o quadro estrutural para a narrativa quanto os motivos controladores dentro desta estrutura.[35] Lucas usa esta história bíblica de uma maneira eclesiológica para desenvolver a identidade do movimento cristão primitivo como o verdadeiro povo de Deus em face de reivindicações concorrentes.[36]

3.2. Impactos estruturais e teológicos do INE em Lucas

Como o impacto do INE em Lucas-Atos já foi amplamente dissertado (o leitor pode consultar a bibliografia referenciada nas notas), iremos apenas pontuar e resumir alguns dados importantes.

Pao defende a importância crucial de Isaías 40.3-5 na narrativa (Lc 3.4-6; cf. 1. 17,76; 2.30; At 28.28) como “uma lente hermenêutica sem a qual todo o programa lucano não pode ser adequadamente compreendido”.[37] Ele sugere que no judaísmo do Segundo Templo esta passagem foi interpretada como prevendo a chegada iminente da era escatológica de salvação e evocou o programa mais amplo do NE de Isaías 40—55.[38] Num movimento interpretativo significativo, Pao afirma que “o caminho” (Is 40.3) se refere não apenas ao evento salvífico quando Yahweh vem para redimir o seu povo, mas também como um termo que redefine o verdadeiro povo de Deus (At 9.2; 19.9, 23; 22.4; 24.14)[39]. Para Pao, é esse segundo sentido que é determinante em Atos. Portanto, o termo não se refere principalmente a Jesus, mas antes à comunidade cristã como “a verdadeira herdeira das tradições ancestrais”.[40]

Após a tentação no deserto, o começo do ministério público de Jesus em Lucas é marcado pela leitura pública, na sinagoga, de Isaías 61. 1-2 (com uma inserção de 58.6) em Lucas 4.18-19. Isaías 61 contém muitas alusões bíblicas, especialmente de Êxodo e Levítico (e do próprio material anterior de Isaías, como o cap. 11, p. ex.).[41] Isaías 61, avançando o argumento do cap. 58 (talvez por isso unidos em Lucas 4), ao se apropriar e reaplicar o material isaiânico anterior e o Pentateuco, serve como uma ponte para a “teologização” do exílio em livros como Jeremias, Ezequiel, Esdras-Neemias, etc.[42] Essa “teologização” do exílio significa que ele se estende para além do cativeiro babilônico (e suas dimensões geográficas e políticas), mas que Deus iria lidar com isso de forma definitiva num futuro NE, trazendo a nova criação como resultado desse processo de libertação escatológica. Para Lucas, Jesus é quem já cumpre essa passagem.

A próxima citação, Isaías 56.7 em Lucas 19.45-47, está dentro do contexto dessa nova marcação na macro-estrutura de Lucas, a saber, a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém (Lc 19.28-40). Desde Lucas 9.51 (virada mais importante na narrativa do livro), Jesus passa de seu ministério inicial na Galileia para uma firme resolução de ir para Jerusalém (para morrer e ressuscitar). Toda essa seção de “viagem” de Jesus e seus seguidores é fortemente fundamentada na teologia de Isaías. Inclusive, Lucas é o único evangelista a relevar o conteúdo da conversa entre Jesus, Moisés e Elias no monte da transfiguração, i.e., estavam falando sobre o “êxodo” (ἔξοδος) de Jesus (Lc 9. 28-36). O contexto de Isaías 56 mostra que o NE que se manifestará no futuro, ao Deus salvar (56.1) e reunir seu povo Israel (56.8), ele também salvaria os gentios. A inclusão dos gentios no NE abre as portas do Templo, para ser uma casa de oração para todos os povos. Unir Isaías 56 com Jeremias 7.11 é significativo, pois no contexto do juízo sobre o templo por causa dos pecados do povo em Jeremias 7, Deus através do profeta usa a narrativa do Êxodo para exortar seu povo (Jr 7.21-26).

Lucas 22.37 carrega a última citação de Isaías (53.12) no livro. No clímax da narrativa, no próprio ambiente que antecede a crucificação, a citação do servo sofredor é pujante. É ainda mais significativa se levarmos em conta que o relato da crucificação em Lucas é considerado o que contém menos explicações teológicas nos quatro Evangelhos. Toda a história do cumprimento do NE de Isaías culmina aqui: é o servo que morre na cruz o meio pelo qual Deus traria essa salvação escatológica para todos os que confessam Jesus, quer sejam judeus ou gentios

3.3. Conclusão

Como nosso recorte se limita aos Evangelhos Sinóticos, não analisaremos Atos, embora Isaías também seja proeminente para a estrutura e teologia desse segundo volume de Lucas (as citações estão na introdução dessa seção). Nossa análise de Lucas mostrou-se promissora e em consonância dos Mateus e Marcos, ainda que Lucas tenha suas próprias peculiaridades e propósitos.

  1. Conclusão: INE nos Sinóticos e suas implicações literárias e teológicas

O presente estudo pode servir como uma janela a mais para pensarmos o problema sinótico, ou seja, a relação literária entre Mateus, Marcos e Lucas. Cada um dos evangelistas estruturou seu texto de forma diferente, com públicos-alvo e propósitos específicos diferentes, ainda que sigam uma mesma linha narrativa do nascimento, vida/ministério, morte e ressurreição de Jesus.

Nessa unidade e diversidade dos Sinóticos, o livro de Isaías se mostrou proeminente, sendo citado em momentos chave de cada Evangelho, como se o tema do NE compusesse a própria arquitetura literária desses livros (e suas “colunas” teológicas).

Entretanto, a influência de Isaías, para além do literário, é determinante também no aspecto teológico. À luz de toda literatura citada, não podemos mais dizer, de forma leiga, que apenas em João vemos a divindade de Cristo de forma clara. Muito pelo contrário, a divindade de Cristo está presente de forma inequívoca no começo, meio e fim de cada um dos Sinóticos, assim como em João. Jesus é Yhwh em carne, cujo caminho fora preparado por João Batista. Yhwh voltou a Sião como prometera, trazendo a salvação final do NE. Esse êxodo, para o qual os anteriores apontavam, foi realizado de forma inesperada — mas ainda sim predita — pela morte do servo sofredor. O resultado do novo Êxodo é a nova criação. Vemos lampejos da criação renovada através das curas e milagres do ministério de Jesus, mas ela foi finalmente inaugurada com a ressurreição física dentre os mortos, a saber, com a ressurreição do próprio Cristo. Assim, divindade e humanidade se unem em uma só pessoa, não dentro de uma mera abstração filosófica, mas dentro de uma grande, maravilha e antiga narrativa — Evangelho!

____________________

1Watts, Rikki E. Isaiah’s New Exodus in Mark, WUNT 2/88 (Tübingen: Mohr Siebeck, 1997).

2Beaton, Richard. Isaiah’s Christ in Matthew’s Gospel, SNTSMS 123 (Cambridge: Cambridge University Press, 2002).

3Pao, David W. Acts and the Isaianic New Exodus, WUNT 2/130 (Tübingen: Mohr Siebeck, 2000). Para uma crítica à exegese de Pao, ver o apêndice G de WITHERINGTON III, Ben, Isaiah old and new: exegesis, intertextuality, and hermeneutics (Minneapolis: Fortress Press, 2017).

4Brendsel, Daniel J. “Isaiah Saw His Glory”: The Use of Isaiah 52–53 in John 12, BZNW 208 (Berlin: de Gruyter, 2014).

5Moyise, Steve; Menken, Maaten J. J., orgs.. Isaiah in the New Testament: The New Testament and the Scriptures of Israel (London and New York: T & T Clark, 2005).

6O mais fluido para o português seria novo Êxodo isaiânico, que poderíamos abreviar para “NEI”. Entretanto, para manter uma continuidade com a literatura inglesa, que já consolidou a abreviação “INE” (isaianic new exodus), manteremos a abreviação “INE” também em português.

7João será incluído apenas nessa parte do artigo.

8Essa tabela é uma compilação dos dados encontrados na UBS5, “INDEX OF ALLUSIONS AND VERBAL PARALLELS,” p. 864-83 e no “LOCI CITATI VEL ALLEGATI,” Nestle-Aland Novum Testamentum Graece (NA28) (Stuttgart: Deutsche Bibelgesellschaft, 2012), p. 836-78.

9Veja a discussão em Watts, Isaiah’s New Exodus, p. 183-4.

10Há muitas monografias sobre o uso do AT em Mateus. Exemplos das mais representativas são: Menken, M. J. J., Matthew’s Bible: the Old Testament text of the evangelist. BETL 173; (Leuven: Leuven University Press/Peeters, 2004); Beaton, R. Isaiah’s Christ in Matthew’s Gospel, SNTSMS 123; (Cambridge: Cambridge University Press, 2002); Miller, J. Les citations d’acomplissement dans I’Evangile de Matthieu: Quand Dieu se rend present en toute humanite. AnBib 140; (Rome: Editrice Pontificio Istituto Biblico, 1999); Mcconnell, R.S., Law and prophecy in Matthew’s Gospel: the authority and use of the Old Testament in the Gospel of St. Matthew (Basel: Friedrich Reinhardt, 1969); Stendahl, K., The school of St. Matthew and its use of the Old Testament (Philadelphia: Fortress Press, 1968 [1954]); Gundry, R.H. The use of the Old Testament in St. Matthew’s Gospel: with special reference to the messianic hope. NovTSup 18; (Leiden: Brill, 1967).

11Nolland, John. The Gospel of Matthew: a commentary on the Greek text, New International Greek Testament Commentary (Grand Rapids; Carlisle: W.B. Eerdmans; Paternoster Press, 2005), p. 29.

12Quarles, Charles L. A Theology of Matthew: Jesus revealed as deliverer, king, and incarnate creator, org., Robert A. Peterson. Explorations in Biblical Theology (Phillipsburg: P&R Publishing, 2013), p. 28-9.

13Aland, Kurt et al. Novum Testamentum Graece, 28th Edition (Stuttgart: Deutsche Bibelgesellschaft, 2012), Mateus 7.28.

14Septuaginta: with morphology, electronic ed. (Stuttgart: Deutsche Bibelgesellschaft, 1979), Deuteronômio 32.45.

15Kinde, T. M. The influence of Isaiah in Matthew 1-4 (dissertação de doutorado) (University of Chester, United Kingdom, 2019), p. 185.

16Lim, Bo H. The “Way of the Lord” in the Book of Isaiah, Library of Hebrew Bible/OT Studies 522 (New York: T&T Clark, 2010), p. 161. Aqui, Lim está seguindo de perto Strauss e Watts.

17Para um estudo detalhado sobre a influência de Isaías em Mateus 8—9, ver Theophilos, Michael, Jesus as new Moses in Matthew 8—9: Jewish typology in first century Greek literature (Perspectives on philosophy and religious thought, USA: Gorgias Press, 2013).

18Beaton, Richard. Isaiah in Matthew’s Gospel. In: Moyise, Steve; Menken, Maaten J. J., orgs., Isaiah in the New Testament: The New Testament and the Scriptures of Israel (London and New York: T & T Clark, 2005), p. 75.

19Ibidem.

20Ibidem, p. 78.

21Quarles, Charles L. A theology of Matthew: Jesus revealed as deliverer, King, and incarnate creator, org., Robert A. Peterson, Explorations in Biblical Theology (Phillipsburg: P&R Publishing, 2013), p. 33-69.

22Schreiner, Patrick. Matthew, disciple and scribe: the first gospel and its portrait of Jesus (Grand Rapids: Baker Academic, 2019), p. 131-68.

23O novo Êxodo e o servo sofredor são os dois temas mais influentes de Isaías em Lucas.

24Estelle, Bryan. Echoes of exodus: tracing a biblical motif (InterVarsity Press: Downers Grove, 2018), p. 236.

25Mánek, Jindrich, “The New Exodus in the Books of Luke,” Novum Testamentum (January 1957): 8-23. Veja também Richardson, Alan. An Introduction to the Theology of the New Testament (New York: Harper & Row, 1958), p. 181-5.

26Cf. Strauss, Mark L. The Davidic Messiah in Luke–Acts: the promise and its fulfillment in Lukan

christology, JSNTSup 110 (Sheffield: Sheffield Academic Press, 1995), p. 301. LIM, Bo H. The “Way of

the Lord” in the Book of Isaiah, Library of Hebrew Bible/OT Studies 522. New York: T&T Clark,

2010; Davis, Carl Judson. The name and way of the Lord: Old Testament themes, New Testament christology, JSNTSup 129 (Sheffield: Sheffield Academic Press, 1996).

27Koet, Bart J. Isaiah in Luke-Acts, in: Moyise, Steve; Menken, Maaten J. J. org. Isaiah in the New Testament: the New Testament and the Scriptures of Israel (London and New York: T & T Clark, 2005), p. 80.

28Cf. Steyn, G J. Septuagint Quotations in the Petrine and Pauline Speeches of the Acta Apostolorum, CBET 12; Kampen: Kok, 1995.

29Cf. Mallen, Peter. The reading and transformation of Isaiah in Luke-Acts (Library of New Testament Studies 367. NY: T&T Clark International, 2008).

30Turner, M. Power from on high: the Spirit in Israel’s restoration and witness in Luke-Acts. JPTSup, 9; (Sheffield: Sheffield Academic Press, 1996), p. 247

31Jervell, J., Luke and the people of God: a new look at Luke-Acts (Minneapolis: Augsburg, 1972), p. 41-3, 52-6.

32Cf. Wright, N. T. The New Testament and the people of God (London: SPCK, 1992), p. 268-79; e idem, Jesus and the victory of God (London: SPCK, 1996), p. 126-8, 209, 243.

33Strauss, M. L. The davidic Messiah in Luke-Acts: the promise and its fulfilment in Lukan Christology. JSNTSup, 110 (Sheffield: Sheffield Academic Press, 1995), p. 285-305.

34Turner, M. Power from on high: the Spirit in Israel’s restoration and witness in Luke-Acts. JPTSup, 9 (Sheffield: Sheffield Academic Press, 1996), p. 244-50, 266.

35Pao, D. W., Acts and the Isaianic new Exodus. WUNT, 2/130 (Tubingen: Mohr Siebeck, 2000), p. 249-50.

36Ibidem, p. 5, 250.

37Ibiem, p. 37.

38 Ibiem, p. 41-5.

39 Ibiem, p. 58, 65-8.

40Ibidem, p. 68.

41Para o uso do material bíblico em Isaías 61, veja Sweeney, Marvin. “The Reconceptualization of the Davidic Covenant in Isaiah”. In Studies in the Book of Isaiah (Leuven: Leuven University Press, 1997), 53-7.

42Para uma análise mais profunda da intertextualidade bíblica em Isaías 61, veja Gregory, Bradley C. “The Postexilic Exile in Third Isaiah: Isaiah 61:1-3 in Light of Second Temple Hermeneutics”. Journal of Biblical Literature, vol. 126, n. 3 (Fall, 2007), p. 475-96.­

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