Introdução à Cosmovisão reformada: Anotações quase aleatórias (11)

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    5. Culto Espiritual, com arte, inteligência e submissão

“Uma firme posição doutrinária é, para uma Igreja, a condição obrigatória para toda manifestação de arte cristã” ‒ Paul Romane Musculus.1 

“Quando Ele [Deus] nos concede talentos, incluindo o talento musical, Ele nos concede, não para que se transforme em ídolo, mas para ser usado para Sua glória” – Frank E. Gaebelein.2 

“Porque o Calvinismo preferiu a adoração de Deus em espírito e verdade à riqueza sacerdotal, ele foi acusado por Roma de ser destituído de uma apreciação pela arte” ‒ Abraham Kuyper.3

A) MÚSICA: IMPORTÂNCIA E LIMITES
A música, quer instrumental, quer vocal ou de ambas as formas, sempre esteve presente em todas as expressões de cultura humana, estando, associada, pelo menos em Israel, a todos os aspectos da vida.4  “Não há povo antigo no qual não se encontrem manifestações musicais. (…) Não existe linguagem mais instintiva, mais espontânea do que a música”.5  Por sua vez, a música sempre fez parte dos cultos pagãos (Dn 3.4-7).6  Entendia-se que os deuses gostavam de música, havendo, portanto, uma conexão entre a adoração e a música.7  A flauta era um dos instrumentos populares, inclusive nos cultos.8  Sendo facilmente confeccionada, a flauta estando associada, em geral, à alegria (Jó 21.12; 30.31; Sl 149.3; 150.4; Is 30.29; Mt 11.17; Lc 7.32; Ap 18.22),9  ainda que não especificamente (Mt 9.23).10  

Durante os quarenta dias em que Moisés e Josué estiveram no monte Horebe o povo de Israel se corrompeu, financiando a confecção de um bezerro (touro ainda jovem?) de ouro para que se transformasse em seu deus; vemos aqui a tentativa humana, desesperada, de criar os seus próprios deuses, atribuindo-lhes virtudes e poder (Êx 32.1-4). Ainda que Arão tentasse impiamente associar a adoração pagã com a genuína adoração ao Senhor, havia elementos distintos (Êx 32.5-8). Quando Moisés e Josué descem do monte Horebe, ouvem cantos; ambos não souberam identificar. Se Moisés não soube, muito menos Josué. Este até sugeriu tratar-se de alarido de guerra, certamente que algum elemento no ritmo parecia como de guerra. Moisés, porém, mais experiente, retrucou: não é cântico de vencedores nem de vencidos; é alarido dos que cantam. O que exatamente era, eles não sabiam, mas era algo diferente (Êx 32.17-20). Notemos que a música por eles entoada não era algo que se harmonizasse com o cântico religioso de Israel e mesmo com o cântico conhecido (Moisés certamente conhecia bem os ritmos egípcios e judeus (At 7.22); havia algo de estranho naquilo tudo. E quando eles chegaram ao local, o povo estava adorando ao bezerro de ouro com muita alegria, leia-se: orgia (Êx 32.6,19, 25; At 7.41).  Observemos que há uma diferença fundamental na forma como cantavam, pois Moisés poderia falar: olhe, isso parece com música de Igreja – cometendo aqui um anacronismo –, não dá para entender a letra por causa da distância, mas é um cântico de Igreja. O cântico sacro é facilmente identificável. No entanto, nada fora identificado por ambos. Josué até pensou tratar-se de canto de guerra. Suponho que deveria ser algo alegre, ritmado, pois para guerra canta-se algo que impulsione, estimule para uma batalha. Além disso, a descrição reflete uma reunião festiva com comida, bebida, danças, gritos e diversão  (Êx 32.6,17-19).

Recordo-me do testemunho do guitarrista Jimi Hendrix (1942-1970), na década de 60, na revista Life (03/10/69), falando sobre o efeito hipnotizante do rock. A batida era constante para que facultasse o sujeito ser hipnotizado por aquilo, e quando ele é dominado por aquela batida fica mais fácil assimilar a mensagem. No rock, a força está na batida. Notemos que dentro da perspectiva Reformada você evita elementos externos estranhos ao culto para supostamente aplicar a mensagem. É claro, você usa dos recursos bíblicos que Deus lhe dá, mas, é o Espírito quem age. Então, todo recurso para fixar a mensagem deve obedecer a padrões bíblicos e estar adequadamente harmonizado ao culto. Emoção que não é produzida pela Palavra, não se harmoniza com o culto porque na realidade, não é produzida por Deus.

No Novo Testamento, Estevão, interpretando de modo inspirado a história de seu povo, diz que Israel durante os quarenta anos no deserto jamais aprendeu a adorar a Deus ainda que usasse o seu nome: “A quem nossos pais não quiseram obedecer; antes, o repeliram e, no seu coração, voltaram para o Egito, dizendo a Arão: Faze-nos deuses que vão adiante de nós; porque, quanto a este Moisés, que nos tirou da terra do Egito, não sabemos o que lhe aconteceu. Naqueles dias, fizeram um bezerro e ofereceram sacrifício ao ídolo, alegrando-se com as obras das suas mãos. Mas Deus se afastou e os entregou ao culto da milícia celestial, como está escrito no Livro dos Profetas: Ó casa de Israel, porventura, me oferecestes vítimas e sacrifícios no deserto, pelo espaço de quarenta anos, e, acaso, não levantastes o tabernáculo de Moloque e a estrela do deus Renfã, figuras que fizestes para as adorar? Por isso, vos desterrarei para além da Babilônia” (At 7.39-43).

Agostinho (354-430), comentando de forma belíssima o salmo 148, diz:

“Sabeis o que é hino? É um cântico com louvor a Deus. Se louvas a Deus sem canto, não é hino. Se cantas e não louvas a Deus, não é hino; se louvas outra coisa não pertencente ao louvor de Deus, apesar de cantares louvores, não é um hino. O hino, pois, consta de três coisas: canto (canticum), louvor (laudem), de Deus. Portanto, louvor a Deus com cântico chama-se hino”.12

No culto a música deve ser entendida não simplesmente como meio de impressão – que age em nosso corpo, emoções e intelecto –, mas, também, e principalmente, de expressão, como veículo para o texto.13 Portanto, mais do que um agente de preparação para o culto, ela é também uma oferta que deve ser apresentada com fé.14

 
B) O ESPÍRITO E O CULTO COM INTEGRIDADE E DISCERNIMENTO
Paulo nos mostra que o cântico é uma expressão da adoração cristã marcada pela plenitude do Espírito Santo. Mais: A genuína adoração é operada pelo Espírito Santo em nós. O mesmo Espírito que falou por intermédio de Davi, inspirando-o a escrever, é o que nos ilumina na adoração a Deus (At 4.25):15  “E não vos embriagueis com vinho, no qual há dissolução, mas enchei-vos do Espírito, falando entre vós com salmos (yalmo/j),16  entoando e louvando de coração ao Senhor, com hinos (u(/mnoj)17  e cânticos (%)dh)18  espirituais” (Ef 5.18-19).
 
Essas três palavras empregadas também conjuntamente em Colossenses 3.16 é difícil, senão impossível de se determinar com precisão a diferença entre elas e estabelecer a sua distinção na adoração cristã,19  considerando inclusive que elas também eram empregadas no culto pagão.20  Segundo nos parece o que estabelece o contraste da adoração cristã neste texto, é que esta é promovida pelo Espírito Santo, com coração sincero e, como não poderia deixar de ser, de modo espiritual. Portanto, os três termos parecem resumir a variedade e harmonia dos cânticos cristãos sob o impulso e direção do Espírito em fidelidade à Palavra revelada de Deus.
 
Em Efésios 5.18, Paulo faz um contraste entre a embriaguez, ainda que “religiosa”21 – comportamento habitual entre os pagãos e ainda sobrevivente em alguns círculos da Igreja (Cf. 1Co 11.21) –, que gera a dissolução de todos os bons costumes, devassidão e libertinagem (a)swti/a),22  e o enchimento do Espírito. Portanto, ao invés dos homens procurarem a excitação desenfreada da bebida,23  ou a embriaguez como recurso para fugirem de seus problemas por meio do entorpecimento de suas mentes, devem buscar o discernimento do Espírito para compreender a vontade de Deus, que deve ser o grande objetivo de nossa existência: “….Vede prudentemente como andais, não como néscios, e, sim, como sábios, remindo o tempo, porque os dias são maus. Por esta razão não vos torneis insensatos, mas procurai compreender (Suni/hmi)24  qual a vontade (Qe/lhma) do Senhor” (Ef 5.15-17).
 
O enchimento do Espírito exige consciência, não a perda do controle por meio do exacerbamento da emoção em detrimento da razão. O ato de cantar infindavelmente pode se tornar num meio de excessivo estímulo emocional que nos conduziria à embriaguez mental e emocional, tornando-nos presas fáceis de manipulações.  Lamentavelmente a música tem sido usada com muita frequência com este propósito.25  MacArthur conclui acertadamente: “O sentimentalismo irracional, estimulado geralmente pela repetição e ‘liberação’, se aproxima  mais do paganismo dos gentios (ver Mt 6.7) do que de alguma forma de adoração bíblica”.26

Para que o contraste ficasse bem claro, Paulo não usa para o enchimento do Espírito o verbo “embriagar” – que envolve a diminuição da consciência e dos reflexos, além de ser uma expressão que baratearia por demais a sua mensagem e também, imprópria para se referir à terceira Pessoa da Trindade 27–, antes nos fala de um enchimento consciente e santamente voluntário. A expressão do Espírito conduz-nos à emoções santas; a emoção mundana limita toda a sua vida ao corpo, substituindo a alegria do Espírito pela intoxicação alcoólica.28  O médico e pastor Lloyd-Jones, comenta: “A bebida não é um estimulante, é um agente de depressão. Deprime antes de tudo os núcleos mais elevados do cérebro. Estes são os primeiros a serem influenciados e afetados pela bebida. Eles controlam tudo que dá ao homem o domínio próprio, a sabedoria, o entendimento, a discriminação, o juízo, o equilíbrio, a capacidade de avaliar tudo; noutras palavras, controlam tudo que faz o homem comportar-se no nível máximo e melhor”.29 À frente:  “Apanhem algum livro de farmacologia, vejam ‘álcool’, e sempre verão que ele vem classificado entre os depressivos. Não é um estímulo. ‘Bem’, vocês dirão, ‘por que as pessoas tomam álcool em busca de estímulo?’ (…) Eis o que o álcool faz: ele abate os centros mais elevados e, assim, os elementos mais primitivos do cérebro vêm à tona e assumem o controle; e o homem se sente melhor, temporariamente. Perde o seu senso de temor, perde sua capacidade de discriminação, perde sua capacidade de avaliação. O álcool simplesmente abate os seus centros mais elevados e libera os elementos instintivos, mais primitivos; mas o homem acredita que está sendo estimulado. O que realmente é verdade a respeito dele é que ele se tornou mais animalesco; seu controle sobre si mesmo diminuiu”.30 O cristão, ao contrário, busca o sentido da plenitude da sua existência, na plenitude do Espírito. É pelo Espírito que nos tornamos verdadeiros seres humanos no emprego correto e intenso de nossa capacidade. “Sendo assim cheios com o Espírito, os crentes não somente serão esclarecidos e alegrados, mas também darão jubilosa expressão a seu vivificante conhecimento da vontade de Deus”.31  Sob o Espírito não perdemos o controle, antes o ganhamos.32 O Espírito não nos aliena, antes conduz-nos à percepção mais aprimorada e intensa da Palavra de Cristo que habita ricamente em nós. O Espírito nos estimula e capacita espiritual e intelectualmente a entender e obedecer a Palavra de Deus. Ele nos ilumina, concedendo discernimento para compreender a mente de Deus expressa em Sua Palavra.33  Este enchimento, portanto, é dinâmico estando associado ao Espírito, à Palavra e à obediência. “O Espírito Santo estimula a mente. Ele é um estímulo direto para o intelecto. Ele realmente desperta as faculdades da pessoa e as desenvolve. Ele não reproduz sobre eles o efeito que o álcool e outras drogas produzem. É o oposto exato disso; é um estímulo verdadeiro”.34
 
Erroll Hulse comenta:

“O Espírito Santo opera diferentemente. Não exige uma mente vazia; ao contrário, enche e controla a mente. Traz ordem e profundidade ao conhecimento, às afeições e às emoções. (…) O álcool é destruidor dos sentidos, mas o Espírito Santo é construtivo”.35

“O enchimento do Espírito Santo leva ao aprimoramento e alargamento dos poderes do intelecto e ao discernimento, à melhoria da memória, eficiência na execução do trabalho, ao aquecimento das afeições, ao aumento do zelo, e ao aumento geral do fruto do Espírito, descrito em Gálatas 5.22”.36

O enchimento do Espírito pressupõe o selo e o batismo definitivos do Espírito; por isso mesmo, não se confunde com eles (Ef 1.13; 4.30; 1Co 12.13).37  O batismo e o selo do Espírito são realidades efetivas para todos os crentes em Cristo;38  já o enchimento é um dever de cada cristão que reconhece a sua eleição eterna para a salvação em santificação (Ef 1.4/2Ts 2.13). 
   
A ideia expressa em  Efésios 5.18, é a de ter o Espírito em todas as áreas da nossa vida, de forma plena e abundante. Aqui, quatro observações devem ser feitas:39

a) O Verbo “encher” (plhro/w) está no modo imperativo; portanto, o enchimento” não é algo facultativo ao crente – podendo ou não realizá-lo –, antes, é uma ordem expressa de Deus, consistindo em desobediência voluntária o não esforçar-se por fazê-lo;

b) O verbo está no tempo presente, expressando uma ordem imperativa e, também, indicando uma experiência que se renova num processo permanente, contínuo, por meio do qual vamos, cada vez mais, sendo dominados por Ele, passando a ter a nossa mente, o nosso coração e a nossa vontade – o homem integral –, submetidos ao Espírito.40 Por isso, podemos interpretar o texto de Efésios 5.18, como que Paulo dizendo: “Sede constantemente, momento após momento, controlados pelo Espírito”.  Hoekema (1913-1988) observa que, “o imperativo presente ensina-nos que ninguém pode, jamais, reivindicar ter sido cheio do Espírito de uma vez por todas. Estar sendo continuamente cheio do Espírito é, de fato, o desafio de uma vida toda e o desafio de cada dia”.41

c) O verbo está no plural, logo, esta ordem é para todos os cristãos, não apenas para os líderes; todos nós sem exceção devemos ser enchidos do Espírito. Aqui temos um mandamento explícito para toda a Igreja  – “enchei-vos do Espírito” –,  não uma opção de vida cristã para alguns, que pode ser seguida ou não. A ordem bíblica é categórica e para todos os crentes em Cristo.42

d) O verbo está na voz passiva, indicando que o sujeito da ação é passivo; Deus é o autor do enchimento. Notemos, contudo, que nesta progressividade espiritual, haverá sempre a participação voluntária do crente que, consciente de suas necessidades espirituais, procurará cada vez mais intensamente submeter-se à influência do Espírito, recorrendo aos recursos fornecidos pelo próprio Deus para o nosso aperfeiçoamento piedoso (2Pe 1.3-4).43

“O Espírito Santo nos coloca em um relacionamento correto com Deus e as pessoas”.44  A sequência  do texto de Efésios nos mostra os frutos práticos e concretos desse “enchimento”. Paulo, portanto, nos diz que a solução para qualquer problema em nossa vida passa pelo enchimento do Espírito; aqui temos um princípio universal para todo e qualquer problema particular: Enchei-vos do Espírito!45  Este enchimento nunca será definitivo nesta existência, daí a ordem contínua  para todos os crentes, que deve ser uma experiência renovada: Enchei-vos do Espírito! A vida cristã tem algo a dizer sobre qualquer área de nossa existência; o Cristianismo não é uma religião das brechas, mas de todas as facetas da vida. Uma vida autenticamente cristã produz seus reflexos em todas as áreas da vida e da sociedade. Contudo, limitar-nos-emos a falar sobre os cânticos como expressão de uma vida cheia do Espírito.46  Paulo nos fala num primeiro momento da comunhão santa e do louvor sincero (Ef 5.19). (Ver: Cl 3.16).

A nossa comunhão não é partidária: contra ou a favor do pastor, do Conselho, ou dos Diáconos. É antes, gerada pelo Espírito, manifestando-se numa conversa santa que produz a edificação mútua (Cl 3.16/Ef 4.29; Tt 2.8/Sl 141.3/Cl 3.8). “Quando o Espírito de Deus está presente, os crentes amam-se uns aos outros e não há lutas entre nós, a não ser a luta que cada um tem, por desejar amar cada vez mais”, acentua Spurgeon (1834-1892).47
 
“Louvando de coração ao Senhor, com hinos e cânticos espirituais” (Ef 5.19). O enchimento do Espírito evidencia-se no louvor a Deus com cânticos, os quais expressam a integridade e biblicidade  da nossa fé. Lembremos mais uma vez o contraste feito por Paulo entre a embriaguez dissoluta e a integridade da alegria produzida pelo Espírito, que nos conduz ao conhecimento da vontade de Deus na Palavra. “O conhecimento de Deus não está posto em fria especulação, mas lhe traz consigo o culto”.48 Portanto, se o conhecimento de Deus nos conduz ao culto, não podemos adorar e servir a um Deus desconhecido: “a menos que haja  conhecimento, não é a Deus a quem adoramos, mas um fantasma ou ídolo.
Todas as boas intenções, como  são chamadas, são golpeadas por esta sentença, como por um  raio; disto nós aprendemos que, os homens nada podem fazer senão errar, quando são guiados pela sua própria opinião sem a palavra ou mandamento de  Deus”.49 À frente Calvino continua: “Se nós desejamos que nossa religião seja aprovada por Deus, ela tem que descansar no conhecimento obtido de Sua Palavra”.50  A piedade não pode estar dissociada da fé que confessa que Deus é o autor de todo o bem. Portanto, podemos nEle descansar sendo conduzidos pela Sua Palavra.51 

A “Palavra de Cristo” deve nos guiar também em nossa adoração (Cl 3.16). Isto só se torna possível pelo enchimento do Espírito em nós: O enchimento do Espírito não é nada mais do que a Palavra de Cristo no centro de nossa vida, apontando de forma vibrante para a obediência a Cristo.  Portanto, o nosso cântico não visa ser simplesmente agradável e, de modo algum, ter um tom de alegria jovial e frívola, antes deve estar repleto de sentimento espiritual, orientado pelo Espírito na Palavra de Cristo.

C) CULTO NA LIBERDADE DO ESPÍRITO, CONFORME A PALAVRA
A criatividade humana, que é um dos reflexos da imagem de Deus em nós,52  deve estar submissa à instituição divina, pois, o Deus  Trino que é adorado, estabelece os princípios e as normas para este ato; deste modo, o que determina a forma do culto, não pode ser um critério puramente estético ou sentimental;53  mas  sim,  espiritual, teológico e racional; todos subordinados à Revelação: O Culto cristão deverá ser sempre na liberdade do Espírito, dentro dos parâmetros da Palavra e na integridade de nosso ser 54 (Jo 4.23-24; Fp 3.3).55 
 
O Espírito que inspirou as Escrituras (2Tm 3.16; 2Pe 1.21)56 é o mesmo Espírito que nos selou e nos “enche”. Não há contradição no Espírito; por isso, os limites da nossa experiência espiritual estarão sempre dentro da amplitude da revelação bíblica. O que queremos dizer é que: Toda experiência subjetiva com o Espírito tem a sua objetividade na Sua Palavra escrita; ninguém em nome do Espírito pode contrariar a Palavra, que é do Espírito (1Co 12.3).

Nossas experiências não servem de fundamento sólido para a nossa fé. Antes, elas devem ser examinadas à luz das Escrituras. A Palavra de Deus é o firme fundamento de nossa fé. A Palavra deve ser a intérprete, norteadora e corretora do que experimentamos. Quando priorizamos a experiência, caímos na armadilha de tornar a Palavra algo secundário e, por isso mesmo, nós temos uma fé frágil, inconstante, sendo movidos ao sabor das nossas paixões e interesses circunstanciais. Alguém pode então indagar: e a experiência não tem valor algum? Claro que sim. A vida cristã é fundamentalmente experimentável.57
 
O louvor a Deus deve ser sempre dentro dos princípios da revelação bíblica, praticado com o coração sincero (Am 5.21-23). 58 A verdadeira ortodoxia é bíblica e é corretamente vivida: a vida cristã não pode excluir a doutrina nem esta pode perdurar sem aquela. A Palavra de Deus é viva e altamente discernidora, estimulante e cativante. Conforme acentuou Horton: “A ortodoxia fria é o resultado da absorção da doutrina sem gratidão. O emocionalismo59  é o resultado da gratidão sem a doutrina. Precisamos tanto da doutrina quanto da resposta. A primeira tendência conduz a uma obsessão pelos dados intelectuais sem expressão no amor, humildade, caridade, boas obras, e adoração genuína. A última é como dizer ‘obrigado’ 142 vezes, sem saber exatamente a razão”.60  O remédio para ambos equívocos está no apego ao ensino de Jesus Cristo: adorar a Deus no Espírito por meio da verdade.

Podemos – e certamente o fazemos devido a nossa limitação –, apresentar a Deus um culto imperfeito, contudo, não podemos oferecer-Lhe um culto distante da Palavra e da integralidade de nosso ser. Não existe culto “em verdade” divorciado das Escrituras, a qual prescreve a forma, o conteúdo e a integridade de nossa adoração a Deus. Kuyper comenta:  “….Quando este ministério de sombras cumpriu os propósitos do Senhor, Cristo vem para profetizar a hora quando Deus não mais será adorado no monumental templo em Jerusalém, pelo contrário, será adorado em espírito e em verdade. E em conformidade com esta profecia vocês não encontram nenhum vestígio ou sombra de arte com propósito de adoração em toda literatura apostólica. O sacerdócio visível de Arão dá lugar ao sumo sacerdócio invisível segundo a ordem de Melquisedeque no céu. O puramente espiritual abre caminho através da neblina do simbólico”.61  O culto espiritual é estabelecido por Deus mesmo.62  Portanto, a genuína adoração é submissa à autorrevelação de Deus, tanto quanto à forma como quanto ao espírito. Não podemos separar o Espírito da Palavra. O Espírito honra exclusivamente a Sua Palavra, não a nossa. Calvino  comentando o Livro de Isaías, escreve: “Da mesma forma, ‘a Palavra’ não pode ser separada ‘do Espírito’, como imaginam os fanáticos, que, desprezando a palavra, ufanam-se do nome do Espírito, e incrementam coisas, como confidenciais, em suas próprias imaginações. É o espírito de Satanás que é separado da palavra, a qual o Espírito de Deus está continuamente unido”.63  

Por mais impressionante que seja a adoração planejada pelo homem, se ela não for dirigida por Deus, por intermédio do Seu Espírito, não será aceita; não passará de uma tentativa de boa obra humana no afã de conseguir o favor divino. O culto ao Senhor não pode ser a nosso bel-prazer, como quis Jeroboão e, também, de certa forma  Uzias, pois  Deus o rejeita (1Rs 12.33-13.5; 2Cr 26.16-21).64  “Do Seu caminho estão bem longe aqueles que pensam que podem agradar-lhe com observâncias formuladas ao bel-prazer dos homens”.65 Se quisermos agradar ao Senhor por meio do Culto somente a Ele devido, devemos procurar saber por intermédio da Sua Palavra como Ele deseja ser cultuado.

Na Antiguidade, o filósofo Sócrates (469-399 a.C.), ainda que dentro de um referencial pagão, fez uma pergunta, que revela uma percepção correta: “Haverá culto mais sublime e piedoso que o que prescreve a própria divindade?”.66

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1Paul Romane Musculus, La Prière dês Mains: L’Église Réformée et L’Art, Paris: Editions « Je Sers » 1938, p. 191.
2Frank E. Gaebelein, The Christian and Music. In: Leland Raken, ed., The Christian Imagination: essays on literature and the arts, 2. ed. Grand Rapids, Michigan: Baker Book House, 1986, p. 443.
3Abraham Kuyper, Calvinismo, São Paulo: Cultura Cristã, 2002, p. 152.
4Cf. H.M. Best; D. Huttar, Música, Instrumentos Musicais: In: Merrill C. Tenney,  org. ger., Enciclopédia da Bíblia, São Paulo: Cultura Cristã, 2008, Vol. 4, p. 410-411.
5Domingos Alaleona, História da Música, São Paulo: Ricordi, (1972), edição revista e atualizada pelo tradutor, João C. Caldeira Filho, 1984, p. 38. Isso não significa que concordemos com o autor em sua proposição de que “a lin-guagem musical, em forma rudimentar, precedeu a linguagem propriamente dita” (p. 38). Na realidade, as Escrituras nos dizem que após Deus criar o homem e o colocar no jardim do Éden para cultivá-lo e guardá-lo (Gn 2.15), incumbiu-lhe de dar nome aos animais (Gn 2.19-20).
64Nisto, o arauto apregoava em alta voz: Ordena-se a vós outros, ó povos, nações e homens de todas as línguas:  5 no momento em que ouvirdes o som da trombeta, do pífaro, da harpa, da cítara, do saltério, da gaita de foles e de toda sorte de música, vos prostrareis e adorareis a imagem de ouro que o rei Nabucodonosor levantou.  6 Qualquer que se não prostrar e não a adorar será, no mesmo instante, lançado na fornalha de fogo ardente.  7 Portanto, quando todos os povos ouviram o som da trombeta, do pífaro, da harpa, da cítara, do saltério e de toda sorte de música, se prostraram os povos, nações e homens de todas as línguas e adoraram a imagem de ouro que o rei Nabucodonosor tinha levantado” (Dn 3.4-7).
7Veja-se: Johannes Quasten, Music & Worship in Pagan & Christian Antiquity, Washington, D.C.: National Association of Pastoral Musicans, 1983, p. 1ss. e Parcival Módolo, “Impressão” ou “Expressão” O Papel da Música na Missa Romana Medieval e no Culto Reformado: In: Teologia e Vida, São Paulo: Seminário Presbiteriano Rev. José Manoel da Conceição, 1/1 (2005), p. 114.
8Cf. Johannes Quasten, Music & Worship in Pagan & Christian Antiquity, p. 2ss.
9“Visto que as flautas eram muito fáceis de se fazer, e podiam ser construídas de uma variedade de mate-riais – juncos, canas, ossos, etc. – elas eram muitos populares. Segundo os quadros da Antiguidade o reve-lam, tais flautistas eram amiúde acompanhados de palmas” (William Hendriksen, Mateus, São Paulo: Cultura Cristã, 2001, Vol. 1, (Mt 9.23), p. 612).
10Tendo Jesus chegado à casa do chefe e vendo os tocadores de flauta e o povo em alvoroço, disse: Retirai-vos, porque não está morta a menina, mas dorme….” (Mt 9.23-24).
116No dia seguinte, madrugaram, e ofereceram holocaustos, e trouxeram ofertas pacíficas; e o povo assentou-se para comer e beber e levantou-se para divertir-se. (…) 19Logo que se aproximou do arraial, viu ele o bezerro e as danças; então, acendendo-se-lhe a ira, arrojou das mãos as tábuas e quebrou-as ao pé do monte; (…) 25Vendo Moisés que o povo estava desenfreado, pois Arão o deixara à solta para vergonha no meio dos seus inimigos” (Ex 32.6,19,25). “41Naqueles dias, fizeram um bezerro e ofereceram sacrifício ao ídolo, alegrando-se com as obras das suas mãos. 42Mas Deus se afastou e os entregou ao culto da milícia celestial, como está escrito no Livro dos Profetas: Ó casa de Israel, porventura, me oferecestes vítimas e sacrifícios no deserto, pelo espaço de quarenta anos, 43e, acaso, não levantastes o tabernáculo de Moloque e a estrela do deus Renfã, figuras que fizestes para as adorar? Por isso, vos desterrarei para além da Babilônia” (At 7.41-43).
12Agostinho, Comentário aos Salmos, Vol. III, (Sl 148.17), p. 1142.
13Ver: Parcival Módolo, “Impressão” ou “Expressão” O Papel da Música na Missa Romana Medieval e no Culto Reformado: In: Teologia e Vida, São Paulo: Seminário Presbiteriano Rev. José Manoel da Conceição, 1/1 (2005), p. 120-125.
14Cf. Harold M. Best, Christian Responsability in Music. In: Leland Raken, ed., The Christian Imagination: essays on literature and the arts, 2. ed. Grand Rapids, Michigan: Baker Book House, 1986, p. 407.
15“Que disseste por intermédio do Espírito Santo, por boca de Davi, nosso pai, teu servo: Por que se enfureceram os gentios, e os povos imaginaram coisas vãs?” (At 4.25).
16yalmo/j (* Lc 20.42; 24.44; At 1.20;13.33; 1Co 14.26; Ef 5.19; Cl 3.16) (Cântico de louvor, salmo). A palavra é usada para referir-se ao Livro de Salmos ou a algum Salmo específico (Cf. Lc 20.42; 24.44; At 1.20; 13.33), contudo em outras referências não são especificações daquele, parecendo indicar com isso, que além dos Salmos canônicos outros “salmos” (hinos cristãos) eram cantados na Igreja. Os salmos eram empregados apenas para hinos de louvor. O verbo ya/llw (* Rm 15.9; 1Co 14.15; Ef 5.19; Tg 5.13), cujo sentido primário é de “tocar, sentir”; depois, “tanger” (uma corda) e, finalmente, “tocar” um instrumento, tem o sentido básico de cantar, cantar louvores. Outra palavra da mesma raiz usada no NT. é yhlafa/w (* Lc 24.39; At 17.27; Hb 12.18; 1Jo 1.1), que tem o sentido de “mão” ou ato de tocar, apalpar. Parece-nos, portanto, que o louvor a Deus aqui caracterizado, envolvia o emprego de algum instrumento que fosse tocado com as mãos, “cantar com acompanhamento de uma  harpa”. Curiosamente encontrei posteriormente esta definição de yalmo/j em Isidro: “ação de sacudir as cordas de um instrumento” (Isidro Pereira, Dicionário Grego-Português e Português-Grego, 7. ed. Braga: Livraria Apostolado da Imprensa, (1990), p. 636). Na literatura clássica o verbo parece estar associado ao ato de tanger as cordas de um instrumento musical. Agostinho comentando o Salmo 66.2, diz: “Salmodiar é tomar um instrumento chamado saltério, e fazer a voz concordar com o toque e o movimento das mãos” (Agostinho, Comentário aos Salmos, São Paulo: Paulus, 1997, Vol. II, (Sl (66) 67.3), p. 336). Em outro lugar: “…. salmos seriam as composições acompanhadas ao saltério” (Agostinho, Comentário aos Salmos, São Paulo: Paulus, 1997, Vol. I, (Sl  4), p. 40).
Inclino-me a crer que os salmos aludidos por Paulo eram canções de adoração feitas por compositores cristãos, que eram cantadas, ainda que não estritamente, com acompanhamento musical; o seu estilo se assemelhava e se inspirava no Saltério e, outras vezes, ao invés de composições contemporâneas, fosse o próprio Saltério cantado. Aqui, talvez tenhamos a força da herança judaica na adoração cristã modelada pelo Espírito Santo.
17u(/mnoj (* Ef 5.19; Cl 3.16)(Uma canção, hino de louvor a Deus (Sl 40.3; Is 42.10), “hino festivo de louvor”). O verbo é u(mne/w (* Mt 26.30; Mc 14.26; At 16.25; Hb 2.12) (Cantar o louvor de, cantar um hino, celebrar (Sl 22.22)). No Novo Testamento, ambas as palavras estão associadas a cânticos a Deus. A origem da palavra é incerta, sendo aplicada no grego clássico desde Homero englobando uma gama variada de formas poéticas, sendo aplicada à poesia cantada e recitada, referindo-se geralmente aos hinos cantados em honra a alguma divindade ou a heróis (Veja-se: Platão, A República, 607a. p. 475).
18%)dh (* Ef 5.19; Cl 3.16; Ap. 5.9; 14.3 (2 vezes); 15.3) (“Ode”, “canção”, “hino”). O verbo é ᾄ)dwh (* Ef 5.19; Cl 3.16; Ap 5.9; 14.3; 15.3) (“Cantar”). Em Ap 15.3 o verbo e o substantivo ocorrem conjuntamente referindo-se ao cântico de Moisés (Cf. Ex 15.1; Sl 145.7) e ao cântico do Cordeiro. %)dh é uma contração de ἀοιd (arte de cantar, canto), proveniente de ᾄ)είdw, do verbo ᾄ)dw (cantar, celebrar, elogiar). Das três, esta é a palavra mais genérica; a %)dh pode ser de lamentação, queixa ou alegria. A palavra na literatura grega secular não estava limitada ao “cântico” do ser humano, podendo referir-se a todo tipo de sons: ao coaxar do sapo, ao som de um instrumento (harpa), o silvo produzido pelo vento nas árvores ou de uma pedra. Talvez “hinos” e “cânticos” descritos por Paulo refiram-se principal-mente aos cânticos neotestamentários, estando refletido neles elementos da herança grega – considerando que mui-tos dos cristãos tinham esta formação –, no entanto, sob a direção do Espírito, tendo como elemento aferidor a Palavra de Cristo (Cl 3.16).
19Vejam-se por exemplo: %)dh: In: Horst Balz; Gerhard Schneider, eds. Exegetical Dictionary of New Testament, Grand Rapids, Michigan: Eerdmans, 1994 (Reprinted), Vol. III, p. 505-506; M. Rutenfranz, u(/mnoj: In: Horst Balz; Gerhard Schneider, eds. Exegetical Dictionary of New Testament, Grand Rapids, Vol. III, p. 392-393; H.M. Best; D. Huttar, Música, Instrumentos Musicais: In: Merrill C. Tenney,  org. ger., Enciclopédia da Bíblia, São Paulo: Cultura Cristã, 2008, Vol. 4, p. 415-416; K.H. Bartels, Cântico: In: Colin Brown, ed. ger. O Novo Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento, São Paulo: Vida Nova, 1981, Vol. I, p. 346-351; G. Delling, u(/mnoj, etc.: In: Gerhard Kittel; G. Friedrich, eds. Theological Dictionary of the New Testament, 8. ed. (reprinted) Grand Rapids, Michigan: WM. B. Eerdmans Publishing Co., 1982, Vol. VIII, p. 489-503; H. Schlier, a)/dw, ᾄ)dw, ὅdh : In:  Gerhard Kittel; G. Friedrich, eds. Theological Dictionary of the New Testament,  Vol. I, p. 163-165; R.P. Martin, Hinos, Fragmentos de Hinos, etc.: In: Gerald F. Hawthorne, et. al. eds. Dicionário de Paulo e Suas Cartas, São Paulo: Vida Nova/Paulus/Loyola, 2008, p. 630; Ralph P. Martin, Adoração na Igreja Primitiva,  São Paulo: Vida Nova, 1982, p. 55
20Calvino admitindo a dificuldade de se estabelecer a distinção (João Calvino, Efésios, (Ef 5.19), p. 165), apresenta a forma usual: salmo é o que é cantado com acompanhamento de algum instrumento musical; o hino é uma canção de louvor sem acompanhamento de instrumento; a ode além de louvor, contém exortações e outras matérias (Cf. John Calvin, Epistle to the Colossians, Grand Rapids, Michigan: Baker Book House, (Calvin’s Commentaries, Vol. XXI), 1996 (Reprinted), (Cl 3.16), p. 217). Veja-se também: John F. MacArthur Jr., Rocha Firme? O que a Bíblia diz sobre a Música de Adoração Contemporânea: In: John F. MacArthur Jr., ed. O Ouro de Tolo? Discernindo a Verdade e uma  Época de Erro, São José dos Campos, SP.: Fiel, 2006, p. 127-129.
21No paganismo a relação entre o excesso de bebida e a prática religiosa era comum, especialmente nos serviços ao deus Dionísio (Διόνυσος) – (= Baco (Βάκχος), filho de Zeus (= Júpiter, na sua forma latina) –, na bacanália, estando a embriaguez também associada à nudez, danças eróticas e prostituição (Ver: Ap 17.2). Segundo a mitologia grega Baco fazia uso do vinho para embriagar pessoas a fim de que estas realizassem os seus desejos, inclusive de conquista. Paulo Matos Peixoto resume algumas características das festividades em homenagem a Baco: “As festas báquicas foram as primeiras representações teatrais, ainda inconscientes do sentido que continham. Baco, o deus boêmio, precisava de movimento, de alegria, de tumulto, de máscaras, de paixões. Seus adeptos, guiados pelos seus sacerdotes, organizam festas ao ar livre, com baile, vinho, mulheres, a fim de proclamar-se o delírio, atributo do deus da alegria desenfreada. Entre interjeições de alegria, sons de flautas, cantos confusos, a multidão representava a corte de Baco, o seu legendário reino de prazeres e uma forma de vida que era a sua característica” (Paulo Matos Peixoto em Introdução à obra: Teatro Grego, São Paulo: Paumape, 1993, p. 10-11. Mais detalhes sobre as bacanálias podem ser encontrados em Jocelyn Santos, Deuses Antigos, Rio de Janeiro: Livros do Mundo Inteiro, 1970, p. 91-92). “O culto a Dionísio, com sua ênfase sobre a embriaguez religiosa, era conhecido em Corinto e em outros lugares, e é razoável ver dentro destes textos das Epístolas do NT a preocupação no sentido de traçar uma linha divisória entre todos esses cultos helenísticos, e a vida do cristão no Espírito” (J.P. Budd, Sóbrio: In: Colin Brown, ed. ger. O Novo Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento, São Paulo: Vida Nova, 1983, Vol. IV, p. 518). (Veja-se: também: Augustus N. Lopes, Cheios do Espírito, São Paulo: Os Puritanos/Editora Cultura Cristã, 1998, p. 17). As festas em homenagem a Baco eram tão promíscuas que o Senado romano as proibiu por decreto; no entanto, o costume estava tão arraigado no povo que a lei foi ineficaz. (Cf. P. Commelin, Mitologia Greco-Romana, p. 72; Jocelyn Santos, Deuses Antigos, p. 91). Baco, na mitologia esteve associado à musica e ao teatro: “Afirma-se que foi Baco o primeiro a estabelecer uma escola de Música; as primeiras representações teatrais foram feitas em sua homenagem” (P. Commelin, Mitologia Greco-Romana, p. 69). Ele foi sagrado protetor das belas-artes, especialmente do teatro (Ver: Baco: Dicionário de Mitologia Greco-Romana, São Paulo: Abril Cultural, 1973, p. 21). Devido à elaboração musical e ao embelezamento do culto oferecido ao deus Apolo, ele foi escolhido como o patrono dos cantores e poetas. (Cf. Johannes Quasten, Music & Worship in Pagan & Christian Antiquity, p. 3). (Quanto à origem etimológica dos nomes “Dionísio” e “Baco”, ver: Junito de Souza Brandão, Mitologia Grega, 2. ed., Petrópolis, RJ.: Vozes, 1988, Vol. 2, p. 113).
22a)swti/a é constituída de duas palavras: α = “não” & σώζω = “libertar”, “salvar”, “curar”. O sentido literal da palavra é de alguém que não consegue poupar, economizar; é, portanto, perdulário, dissoluto. (* Ef 5.18; Tt 1.6; 1Pe 4.4. (Veja-se: LXX: Pv 28.7)). A forma adverbial ἀσώτος (dissolutamente), é empregada em sua única aparição no Novo Testamento, para se referir ao modo de vida do filho pródigo longe de sua casa (Lc 15.13). (Veja-se: Richard C. Trench, Synonyms of the New Testament, Grand Rapids, Michigan: Eerdmans, 1985 (Esta edição reproduz a 9ª, de 1880), p. 53-58). Portanto, a palavra está geralmente associada ao modo devasso e libertino de viver. Ela descreve a condição da mente e do corpo que foram arrastados a uma situação vil sendo decorrente daí uma total insensibilidade espiritual. (Veja-se: R.C.H. Lenski, St. Paul´s Epistle To the Ephesians, Peabody, Massachusetts: Hendrickson Publishers, (Commentary on the New Testament), 1998, (Ef 5.18), p. 618). C. S. Lewis faz um oportuno contraste: “Precisamos divertir-nos. Mas nossa alegria deve ser aquela (aliás, a maior de todas) que existe entre pessoas que sempre se levaram a sério – sem leviandade, sem superioridade, sem presunção (…) a leviandade parodia a alegria” (C.S. Lewis, Peso de Glória, 2. ed. São Paulo: Vida Nova, 1993, p. 23). Há alguns anos (julho de 2005) vimos um caso ilustrativo. A torcida de um grande time da cidade de São Paulo, alegre com a conquista do tricampeonato da “Taça Libertadores da América”, externou sua euforia depredando na Avenida Paulista – a mais famosa e cara da capital paulistana –, lojas, carros, bancas de revista, etc. O prejuízo foi de centenas de milhares de reais. Fica a pergunta: E se o seu time tivesse perdido o título, como seria a manifestação de tristeza e frustração?
23Calvino comenta: “(Paulo) quer dizer, pois, que os beberrões logo perdem a modéstia e não mais conse-guem conter-se pelo pudor: que onde o vinho reina, o desregramento prevalecerá: e, consequentemente, que todos aqueles que cultivam algum respeito pela moderação ou decência, devem fugir e abominar a bebedice” (João Calvino, Efésios, (Ef 5.18), p. 164). Em outro contexto, Calvino escreve: “Beber com excesso não é só indecoroso num pastor, mas geralmente resulta em muitas coisas ainda piores, tais como rixas, atitudes néscias, ausência de castidade e outras que não carecem de menção” (João Calvino, As Pastorais, (1Tm 3.3), p. 88).
24Suni/hmi, cujo sentido primário, empregado por Homero, é de “congregar”, metaforicamente, envolve a ideia de reu-nir as coisas, analisá-las, tentando chegar a uma conclusão por meio de uma conexão das partes. (* Mt 13.13,14,15,19,23,51; 15.10; 16.12; 17.13; Mc 4.12; 6.52; 7.14; 8.17,21; Lc 2.50; 8.10; 18.34; 24.45; At 7. 25 (duas vezes); 28.26,27; Rm 3.11; 15.21; 2Co 10.12; Ef 5.17).  
25Ver D.M. Lloyd-Jones, Cantando ao Senhor, São Paulo: Publicações Evangélicas Selecionadas, 2003, p. 47ss.
26John F. MacArthur Jr., et. al. Ouro de Tolo? Discernindo a Verdade em uma Época de Erro, São José dos Campos, SP.: Fiel, 2006, p. 137.
27Por isso considero inadequada a analogia feita por Horton, chamando a direção do Espírito em nossa vida de “graça embriagante” (Michael Horton, As Doutrinas da Maravilhosa Graça, São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2003, p. 137ss.). Parece-me oportuno recordar a orientação de Calvino emitida em outro contexto:  “Se, pois,  um dia pretendermos adentrar os eternos conselhos de Deus, pela instrumentalidade de um discurso, que o façamos moderando nossa linguagem e mesmo nossa maneira de pensar, de modo que nossa argumentação seja sóbria e respeite os limites da Palavra de Deus, e cuja conclusão seja repassada e saturada daquela expressão de assombro. Indubitavelmente, não devemos nos sentir constrangidos caso nossa sabedoria não exceda a daquele que uma vez foi arrebatado até ao terceiro céu, donde ouviu e contemplou mistérios que aos homens não lhe fora possível relatar (2Co 12.4). Todavia, ele não encontrou nenhuma outra saída, aqui, senão humilhar-se como o fez”  (João Calvino, Romanos, 2. ed. São Paulo: Parakletos, 2001, (Rm 11.33), p. 426).
28Veja-se: William Hendriksen, Exposição de Efésios, São Paulo: Casa Editora Presbiteriana, 1992, (Ef. 5.18), p. 297.
29D.M. Lloyd-Jones, Vida No Espírito: No Casamento, no Lar e no Trabalho, São Paulo: Publicações Evangélicas Selecionadas, 1991, (Ef 5.18), p. 12. Em outro contexto, Lloyd-Jones escreveu: “O álcool não é um estimulante, é um depressivo – esta é uma declaração farmacológica, um fato científico. O álcool libera o que há de mais primitivo em você, eliminando seus mais elevados centros de controle. Essa é só uma ilustração, porém é a pura verdade com relação ao pecado em todo o setor e departamento” (D.M. Lloyd-Jones, O Caminho de Deus não o nosso, São Paulo, Publicações Evangélicas Selecionadas, 2003, p. 93).
30D.M. Lloyd-Jones, Vida No Espírito, p. 16.
31William Hendriksen, Exposição de Efésios, (Ef. 5.18), p. 299. “Para fazer os corações dos santos rejubilar-se, o favor divino é o único sobejamente suficiente” (João Calvino, O Livro dos Salmos, Vol. 2, (Sl 48.2), p. 355).
32Cf. John R.W. Stott, A Mensagem de Efésios, São Paulo: ABU Editora, 1986, p. 152.
33“O Espírito é o nosso holofote, que ilumina a mente de Deus para nós. Ele é quem ilumina o espiritualmente ignorante. (…) Se desejamos conhecer e compreender a mente divina, necessitamos da assistência do Espírito Santo” (R.C. Sproul, A Alma em Busca de Deus: satisfazendo a fome espiritual pela comunhão com Deus.  São Paulo: Eclésia, 1998, p. 69).
34D.M. Lloyd-Jones, Vida No Espírito, p. 16.
35Erroll Hulse, O Batismo do Espírito Santo, São José dos Campos, SP.: Fiel, 1995, p. 113.
36Erroll Hulse, O Batismo do Espírito Santo, p. 114.
37Em quem também vós, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação, tendo nele também crido, fostes selados com o Santo Espírito da promessa”  (Ef 1.13).  “E não entristeçais o Espírito de Deus, no qual fostes selados para o dia da redenção” (Ef 4.30). “Pois, em um só Espírito, todos nós fomos batizados em um corpo, quer judeus, quer gregos, quer escravos, quer livres. E a todos nós foi dado beber de um só Espírito” (1Co 12.13).
38“A essência do cristianismo é que o Espírito Santo nos é dado, está em nós, quer tenhamos consciência dele quer não” (D. Martyn Lloyd-Jones, O Combate Cristão, São Paulo: Publicações Evangélicas Selecionadas, 1991, p. 123).
39Vejam-se: Kenneth S. Wuest, Joias do Novo Testamento Grego, São Paulo: Imprensa Batista Regular, 1979, p. 29-32; A.A. Hoekema, Salvos pela Graça, São Paulo: Cultura Cristã, 1997, p. 58-59; John R.W. Stott, Batismo e Plenitude do Espírito Santo, 2. ed. ampl. São Paulo: Vida Nova, 1986, p. 44-45; Wayne A. Grudem, Teologia Sistemática, São Paulo: Vida Nova, 1999, p. 650.
40“O Espírito Santo preenche a vida controlada por Sua Palavra. Isso dá ênfase ao fato de que o preen-chimento do Espírito não é algo estático ou uma experiência emocional, mas um firme controle de vida por meio da obediência à verdade da Palavra de Deus” (John F. MacArthur, Colossenses e Filemon, São Paulo: Cultura Cristã, 2011, p. 56).
41A.A. Hoekema, Salvos pela Graça, p. 58.
42Veja-se: A.A. Hoekema, Salvos pela Graça, p. 58.
433Visto como, pelo seu divino poder, nos têm sido doadas todas as coisas que conduzem à vida e à piedade, pelo conhecimento completo daquele que nos chamou para a sua própria glória e virtude,  4 pelas quais nos têm sido doadas as suas preciosas e mui grandes promessas, para que por elas vos torneis co-participantes da natureza divina, livrando-vos da corrupção das paixões que há no mundo” (2Pe 1.3-4).
44John R.W. Stott, Batismo e Plenitude do Espírito Santo, p. 44.
45D.M. Lloyd-Jones, Vida no Espírito, São Paulo: Publicações Evangélicas Selecionadas, 1991, p. 22.
46Um estudo mais detalhado deste assunto pode ser encontrado In: Hermisten M.P. Costa, A Plenitude do Espírito e as Suas Implicações na Vida Cotidiana do Crente, São Paulo: 1998 e Hermisten M.P. Costa, Uma Família Cheia do Espírito Santo, São Paulo: 2001.
47C.H. Spurgeon, Firmes na Verdade, Lisboa: Peregrino, 1987, p. 77.
48João Calvino, As Institutas, I.12.1.
49John Calvin, Calvin’s Commentaries, Grand Rapids, Michigan: Baker Book House Company, 1981, Vol. XVII, (Jo 4.22), p. 159
50John Calvin, Calvin’s Commentaries, Vol. XVII, (Jo 4.22), p. 160-161.
51Cf. John Calvin, Calvin’s Commentaries, Grand Rapids, Michigan: Baker Book House Company, 1996 (Reprinted), Vol. II/1, (Dt 6.16), p. 422.
52Cf. Harold M. Best, Christian Responsability in Music. In: Leland Raken, ed., The Christian Imagination: essays on literature and the arts, 2. ed. Grand Rapids, Michigan: Baker Book House, 1986, p. 403.
53“O culto cristão contemporâneo é motivado e julgado por padrões diversos: seu valor de entretenimento, seu suposto apelo evangélico, sua fascinação estética, até mesmo, talvez, seu rendimento econômico. A herança litúrgica da Reforma nos recorda a convicção de que, acima de tudo, o culto deve servir para o louvor do Deus vivo” (Tymothy George, Teologia dos Reformadores, São Paulo: Vida Nova, 1994, p. 317).
54“Porque Deus é espírito, a adoração deve também ser praticada com integridade em relação à fideli-dade para com a revelação própria de Deus, porque ela deve ser ‘em verdade’” (Terry L. Johnson, Adoração Reformada: A adoração que é de acordo com as Escrituras, p. 29).
55Mas vem a hora e já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque são estes que o Pai procura para seus adoradores. Deus é espírito; e importa que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade” (Jo 4.23-24). “….nós é que somos a circuncisão, nós que adoramos a Deus no Espírito, e nos gloriamos em Cristo Jesus, e não confiamos na carne” (Fp 3.3).
56Sobre a Inspiração da Bíblia, Veja-se: Hermisten M.P. Costa, A Inspiração e Inerrância das Escrituras: Uma Perspectiva Reformada, 2. ed. São Paulo: Cultura Cristã, 2008.
57Veja-se: Hermisten M.P. Costa, A Tua Palavra é a Verdade,  Brasília, DF.: Monergismo, 2010, p. 146. “Pessoas que simplesmente andam na montanha russa da experiência emocional estão roubando de si mesmas uma fé cristã mais rica e profunda ao negligenciar o lado intelectual dessa fé” (William L. Craig,  A Verdade da Fé Cristã, São Paulo: Vida Nova, 2004. p. 14).
5821Aborreço, desprezo as vossas festas e com as vossas assembleias solenes não tenho nenhum prazer.  22 E, ainda que me ofereçais holocaustos e vossas ofertas de manjares, não me agradarei deles, nem atentarei para as ofertas pacíficas de vossos animais cevados.  23 Afasta de mim o estrépito dos teus cânticos, porque não ouvirei as melodias das tuas liras” (Am 5.21-23)
59“É nosso dever denunciar sempre o emocionalismo, mas que Deus não permita que descartemos a emoção” (D.M. Lloyd-Jones, Deus o Espírito Santo, São Paulo: Publicações Evangélicas Selecionadas, 1998, p. 191).
60Michael Horton, As Doutrinas da Maravilhosa Graça, p.87.
61Abraham Kuyper, Calvinismo, p. 155.
62Veja-se: João Calvino, As Institutas, II.8.17.
63John Calvin, Commentary on the Book of the Prophet Isaiah, Grand Rapids, Michigan: Baker Book House Company, (Calvin’s Commentaries), 1996, Vol. VIII/4, (Is 59.21), p. 271. “Nunca devemos separá-los (O Espírito e a Palavra), e, se fizermos isso, perderemos o rumo” (David Martyn Lloyd-Jones, Cristianismo Autêntico: Sermões nos Atos dos Apóstolos, São Paulo: Publicações Evangélicas Selecionadas, 2006, Vol. 2, p. 260). “À parte do Espírito, a Palavra está morta, ao passo que, à parte da Palavra, o Espírito é desconhecido” (John Stott, Eu Creio na Pregação, São Paulo: Editora Vida, 2003, p. 108).
64“No décimo quinto dia do oitavo mês, escolhido a seu bel-prazer, subiu ele ao altar que fizera em Betel e ordenou uma festa para os filhos de Israel; subiu para queimar incenso. Eis que, por ordem do SENHOR, veio de Judá a Betel um homem de Deus; e Jeroboão estava junto ao altar, para queimar incenso. Clamou o profeta contra o altar, por ordem do SENHOR, e disse: Altar, altar! Assim diz o SENHOR: Eis que um filho nascerá à casa de Davi, cujo nome será Josias, o qual sacrificará sobre ti os sacerdotes dos altos que queimam sobre ti incenso, e ossos humanos se queimarão sobre ti. Deu, naquele mesmo dia, um sinal, dizendo: Este é o sinal de que o SENHOR falou: Eis que o altar se fenderá, e se derramará a cinza que há sobre ele. Tendo o rei ouvido as palavras do homem de Deus, que clamara contra o altar de Betel, Jeroboão estendeu a mão de sobre o altar, dizendo: Prendei-o! Mas a mão que estendera contra o homem de Deus secou, e não a podia recolher. O altar se fendeu, e a cinza se derramou do altar, segundo o sinal que o homem de Deus apontara por ordem do SENHOR” (1Rs 12.33-13.5). “Mas, havendo-se já fortificado, exaltou-se o seu coração para a sua própria ruína, e cometeu transgressões contra o SENHOR, seu Deus, porque entrou no templo do SENHOR para queimar incenso no altar do incenso. Porém o sacerdote Azarias entrou após ele, com oitenta sacerdotes do SENHOR, homens da maior firmeza; e resistiram ao rei Uzias e lhe disseram: A ti, Uzias, não compete queimar incenso perante o SENHOR, mas aos sacerdotes, filhos de Arão, que são consagrados para este mister; sai do santuário, porque transgrediste; nem será isso para honra tua da parte do SENHOR Deus. Então, Uzias se indignou; tinha o incensário na mão para queimar incenso; indignando-se ele, pois, contra os sacerdotes, a lepra lhe saiu na testa perante os sacerdotes, na Casa do SENHOR, junto ao altar do incenso. Então, o sumo sacerdote Azarias e todos os sacerdotes voltaram-se para ele, e eis que estava leproso na testa, e apressadamente o lançaram fora; até ele mesmo se deu pressa em sair, visto que o SENHOR o ferira. Assim, ficou leproso o rei Uzias até ao dia da sua morte; e morou, por ser leproso, numa casa separada, porque foi excluído da Casa do SENHOR; e Jotão, seu filho, tinha a seu cargo a casa do rei, julgando o povo da terra” (2Cr 26.16-21).
65João Calvino, As Institutas da Religião Cristã: edição especial com notas para estudo e pesquisa, São Paulo: Cultura Cristã, 2006, Vol. 4,  (IV.15), p. 136.
66Xenofonte, Ditos e Feitos Memoráveis de Sócrates, São Paulo: Abril Cultural, (Os Pensadores, Vol. II), 1972, IV.3.16. p. 149.

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