A relação entre o aperfeiçoamento da fé e o conhecimento de Deus

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Quando se pensa na importância do conhecimento quase sempre se pensa na dedicação ao estudo e na busca pela erudição. O que de fato é verdade! O estudo e o preparo acadêmico são fundamentais para o crescimento no conhecimento. Principalmente no conhecimento das Escrituras, é necessário que o leitor do texto sagrado se empenhe no conhecimento do texto, do cotexto e do contexto bíblico a fim de que haja uma compreensão sadia da Bíblia.

Contudo, essa pesquisa deve ser acompanhada de uma formação integral que visa à apreensão do ensino divino na vida daquele que busca o conhecimento divino. Por se tratar do conhecimento de Deus, é necessário que o leitor submeta o texto lido em seu “texto vida”, ou seja, o estudo da Bíblia requer que o homem passe pelo texto, mas também que o texto passe pelo homem. Sem isso, corre-se risco de se reproduzir uma fala ou ensino desassociados da vida.  

O apóstolo Pedro enfatiza a necessidade de sermos dedicados ao conhecimento de Deus para sermos conduzidos “[…] à vida e à piedade pelo conhecimento completo […]” (2Pe. 1.3). Assim, aqueles que desejam crescer no conhecimento de Deus necessitam acrescentar alguns elementos à sua fé a fim de não se tornar “[…] inativos, nem infrutuosos no pleno conhecimento de nosso Senhor Jesus Cristo” (2Pe. 1.8) Dessa forma, o conhecimento e o aperfeiçoamento da fé são duas coisas que caminham juntas. E para que isso aconteça é necessário um coração suscetível ao conhecimento de Deus.

Para sermos formados no conhecimento, o texto de 2Pedro 1.5-7 lista alguns elementos necessários à fé: “[…] associais a vossa fé a virtude; com a virtude, o conhecimento, com conhecimento o domínio próprio; com o domínio próprio, a perseverança; com a perseverança, a piedade; com a piedade, a fraternidade; com a fraternidade, o amor […]” Façamos algumas reflexões a respeito dessa verdade:

1. É preciso abastecer a fé com virtude. A virtude diz respeito a um elemento inerente à pessoa. Assim, ser virtuoso significa juntar forças para o enfrentamento dos desafios da vida. No caso do cristão, trata-se da excelência de ter a vida de Jesus na vida do homem. Isso é possível porque Jesus infunde força para a aquele que se vê desprovido de virtude.

2. É preciso acrescentar o conhecimento à virtude. É o conhecimento de Jesus que dá segurança ao cristão, pois Jesus é a verdade. Quem quer crescer no conhecimento de Deus deve buscar ser como Jesus.

3. É preciso acrescentar o domínio próprio ao conhecimento. O verdadeiro conhecimento conduz o cristão ao domínio próprio. À luz do livro de Provérbios, é mais forte do que o valente aquele que governa a si mesmo (Pv. 16.32). Assim, o domínio próprio “é a submissão ao controle do Cristo que habita no crente […]” (Michael Green, 1983)

4. É preciso paciência. A paciência provém da fé em Jesus e pressupõe o conhecimento de Jesus e da sua força. Somente aquele que conhece a Cristo, que suportou o sofrimento, é capaz de permanecer firme nos propósitos divinos para a vida. Trata-se de uma disposição mental que “não é abalada pela dificuldade e pela aflição […] (Michael Green, 1983)

5. É preciso piedade e amor fraternal. O cristão piedoso é aquele que anda com Deus, que se alegra na relação de amizade com Jesus. Andar com Deus significa desfrutar de uma amizade transformadora e assemelhar-se a Jesus. Além disso, Pedro acrescenta o amor fraternal. Amar é mais do que gostar. A despeito das afinidades entre os homens, o cristão deve o amor a seu irmão.

Concluindo, ressaltamos que é preciso olhar para Jesus de onde vêm todas essas virtudes. Para conhecer a Deus é preciso fé – uma fé operosa edificada em Jesus, o autor e consumador dessa fé. Esta é a segurança do cristão: trilhar um caminho no conhecimento de Deus que foi inaugurado por Jesus e também por ele consumado.  

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