O papel da esterilidade na história do patriarca Abraão e Sara

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"Deus e os anjos visitam Abraão" c. 1680-1685 (Arent de Gelder).

Introdução

O padrão bíblico é a “fertilidade e multiplicidade” (Gn 1.28; 9.1). Tal padrão está expresso em várias passagens das Sagradas Escrituras; como podemos ver: “Em tua casa, tua mulher será como a videira frutífera, e teus filhos, como brotos de oliveira ao redor da tua mesa. Assim será abençoado o homem que teme o SENHOR” (Sl 128.3, 4)[1]. Essa benção é prometida ao homem que teme e obedece ao Senhor e, ela focaliza fecundidade e abundância.

Ainda o Senhor promete abençoar seu povo fazendo-o frutificar, multiplicar e ser próspero, tanto homens, animais e terra/solo serão abençoados:

A debulha continuará até a colheita, e a colheita, até a semeadura. Comereis o vosso pão com fartura e habitareis seguros na vossa terra. Eu me voltarei para vós e vos farei frutificar, e vos multiplicarei, e confirmarei a minha aliança convosco. E comereis da colheita antiga, guardada por longo tempo, até que tenhais de removê-la para dar lugar à nova (Lv 26.5, 9, 10). Benditos serão o fruto do teu ventre, o fruto do teu solo, o fruto dos teus animais e as crias das tuas vacas e ovelhas. E o SENHOR multiplicará muito o fruto do teu ventre, o fruto dos teus animais e o fruto do teu solo, na terra que o SENHOR, com juramento, prometeu a teus pais que te daria (Dt 28.4, 11).

Em Êxodo 23.25, 26 e Deuteronômio 7.12-14 (a benção abrange a “ausência de esterilidade”):

Cultuareis o SENHOR vosso Deus, e ele abençoará o vosso pão e a vossa água; e eu tirarei do meio de vós as enfermidades. Na tua terra não haverá mulher que aborte, nem estéril. Completarei o número de dias da tua vida. Se ouvirdes estes preceitos, guardando-os e cumprindo-os, o SENHOR, teu Deus, manterá a aliança e a misericórdia que prometeu com juramento a teus pais; ele te amará, te abençoará e fará com que te multipliques; abençoará o fruto do teu ventre e o fruto da tua terra, o teu trigo, o teu vinho e o teu azeite, as crias das tuas vacas e das tuas ovelhas, na terra que prometeu com juramento a teus pais que te daria. Serás mais abençoado que todos os povos. Não haverá ninguém estéril entre ti, seja homem, seja mulher, nem entre os teus animais.

As bênçãos prometidas pelo Senhor são infalíveis e terão seus cumprimentos na vida daqueles (Israel) que obedecem os preceitos e os mandamentos do Senhor e atentam para guardar e praticá-los. Por outro lado, Deus promete trazer castigo e maldição caso Israel desobedeça à sua voz e não guarde seus mandamentos (Dt 28.15s).

Da mesma forma como a benção e a maldição descritas na Bíblia são opostas, a fertilidade e a infertilidade são também. Para Chwarts (2004, p. 21) “A Bíblia hebraica é inequívoca quanto ao postulado teológico de que toda esterilidade é criada por Deus e só pode ser redimida por Deus. Deus revela-se por meio e na esterilidade; como se criasse vida, tendo a morte como auxiliar”. Ainda ela apresentou as diferenças dos sentidos da esterilidade entre as línguas hebraica e semítica:

Steira — em grego — ou sterile — em latim — possuem o sentido específico de infértil, improdutivo, improfícuo. E esses sentidos resumem o seu campo semântico. Totalmente diverso é com as línguas semitas. O radical hebraico ‘qr (estéril), ao contrário, engloba um amplo conjunto de sentidos. O significado mais antigo de ‘qr é raiz; ‘qr significa, na esfera agrícola, desenraizar, arrancar pela raiz. Na esfera humana, possui o sentido de infecundo, sem filhos. Na esfera animal, significa aleijar um touro ou cavalo, cortando o tendão na parte posterior do joelho; em sentido figurativo: diminuir sua potência sexual e sua força vital, equivalendo a uma castração. Na esfera da genealogia, ‘qr significa descendente, e na esfera das ideias ‘qr retorna a seu sentido original de raiz e significa núcleo, fundamento (CHWARTS, 2004. p. 13).

A palavra hebraica ‘aqarah traduzida por “estéril”, qualifica as três matriarcas de Israel: Sara[2], Rebeca e Raquel. Pode-se perguntar: “por que as matriarcas de Israel são estéreis?” A resposta dos pesquisadores a essa pergunta suscita três conclusões:

1) As matriarcas são estéreis para depois poderem gerar heróis. 2) As matriarcas são estéreis para enaltecer as origens de Israel, cujos ancestrais são gerados com a intervenção divina. 3) As matriarcas são estéreis porque sua esterilidade faz parte da história dos obstáculos ao cumprimento da promessa de Deus a Abraão (CHWARTS, 2004. p. 14).

O caráter restrito apresentado como o propósito da esterilidade das matriarcas para enaltecer os filhos nascidos não leva em consideração o sentido mais amplo do termo estéril. Dois termos caracterizam os patriarcas e as matriarcas de Israel, pois todos os patriarcas — apesar de receberem as promessas de Deus da terra — eram peregrinos em terras estranhas. Por outro lado, as matriarcas de Israel eram infecundas, sem filhos. A condição delas como errantes e estéreis foi em contramão com as promessas e bênçãos divinas de “crescer e multiplicar” (Gn 1.28; 9.7; CHWARTS, 2004).

Reconhecemos a abrangência desse assunto da esterilidade no ciclo histórico patriarcal; no entanto, o presente trabalho bibliográfico analisará apenas o papel da esterilidade na história do patriarca Abraão e Sara (Gn 11.30 a 21.5). Procurar compreender a esterilidade de Sara, as tentativas humanas de sanar o problema, enfatizando a promessa de Deus a Abraão e o cumprimento divino; também procuraremos entender a esterilidade no contexto atual.

1. A esterilidade da Sara (Gn 11.29, 30)

O texto de Gênesis 11 introduz pela primeira vez o tema da esterilidade de Sara (v. 30) com poucas palavras no contexto da genealogia de Terá (v. 27-32) — não constam detalhes sobre Sara, ela foi simplesmente mencionada como a mulher de Abraão e estéril. “Abrão e Nacor se casaram: a mulher de Abrão chamava-se Sarai […] Ora, Sarai era estéril, não tinha filhos” (Gn 11.29, 30).

O termo עֲקָרָה aqarah שָׂרַי Saray[3], no feminino construto e traduzido por “estéril[4], infecundo”, o mesmo termo foi usado para descrever a esterilidade de Rebeca (Gn 25.21); de Raquel (29.31); e em outros casos (Êx 23.26; Dt 7.14; Jz 13.2s; 1Sm 2.5; Is 54.1). Aqarah também pode ter sentido de “arrancar, desarraigar” (Ec 3.2) (SCHOKEL, 1997. p. 13, 14).

A omissão da informação da identidade de Sara significa que ela, “antes de se transformar em esposa de Abraão, não tem identidade”. No entanto, Sara é designada por dois motivos: “1. A omissão de sua ascendência, sua referência de parentesco e origem; 2. Sua inabilidade de produzir descendência ou futuro[5]” (CHWARTS, 2004. p. 38).

Dois temas são introduzidos na história dos patriarcas: sua genealogia e seu deslocamento (a ordem de abandonar a terra natal, Ur; para ir à Canaã). Os temas inseridos em Gênesis 11 recebem um caráter teológico nos capítulos 12 e 15, onde a saída de Abraão ordenada por Deus é seguida da promessa da benção pela obediência à ordem, e a infertilidade da Sara como propósito divino.

Em Gênesis 12, Abraão é ordenado por Deus a sair e ir a uma terra desconhecida (v. 1). Somente mais tarde ele conhece a terra quando Deus lhe disse: “…darei esta terra à tua descendência…” (v. 7) — ainda o Senhor promete transformá-lo em um grande povo e abençoar a sua descendência. Lembramos que todas essas promessas foram dadas a um homem desenraizado, casado com uma mulher estéril. Como seria possível o cumprimento da promessa sendo ele um homem desenraizado e ela uma mulher estéril? Ele não tem terra, não possui raízes, e ela é infecunda, incapaz de gerar? Para Abraão e Sara não foi fácil compreender os mistérios do Senhor; por isso, toda promessa requeria a confiança deles em Deus poderoso para cumprir a sua Palavra.

O termo hebraico walad é traduzido por “filho; cria; embrião, feto” (Gn 11.30 – BHS). Suzana Chwarts (2004) assegurou que a tradução de feto para walad faz todo sentido, porque ela tem como propósito realçar a percepção da ausência e do vazio do ventre de Sara, de sua incapacidade biológica de gerar um feto devido a sua idade avançada. Tal ausência de feto é uma marca distintiva da esterilidade de Sara, matriarca ancestral de Israel. Dessa forma, ela inaugura a esterilidade humana.

Podemos perceber que até então procriar era algo natural: conforme a ordem divina expressa em Gênesis 1.28 e 9.1, o homem devia frutificar, multiplicar e dominar a terra. No entanto, a esterilidade de Sara e Abraão quebra involuntariamente o padrão da fertilidade e introduz um novo conceito da procriação em que a concepção procede da ação divina que atua livremente sobre mulheres e homens.

A temática da esterilidade de Sara introduzida em Gênesis 11.30 dá origem às muitas narrativas em Gênesis 12-25 (respectivamente os capítulos 15 a 18), que culminam com o nascimento de Isaque em 21.1-7 quando o próprio Deus, em sua sabedoria e soberania, removeu a esterilidade da Sara e abriu seu útero, fazendo-a gerar um filho na velhice. Isso é maravilhoso! Passaremos então a analisar alguns trechos dessas passagens que se referem a Sara como estéril, começando com Gênesis 12 (chamado de Abraão).

2. O chamado de Abraão (Gn 12.1-9)

O início desta segunda seção[6] do livro de Gênesis foi marcado pelo chamado de Abraão[7]. Nessa ocasião, Deus fez várias promessas ao patriarca: dar-lhe-ia inúmeros descendentes, faria dele uma grande nação, ele receberia a terra, seria abençoado (recipiente da benção) e seria benção (transmissor das bênçãos de Deus aos outros, 12.1-3).

A ordem de Deus a Abraão foi de sair para “a terra que te mostrarei” (12.1; cf. 11.28, 31; 15.7; At 7.3, 4) — lugar desconhecido e talvez menos desenvolvido na época, Canaã (atual Israel/Palestina). Abraão revelou sua maior confiança em Deus ao obedecer e deixar (isto é, separar-se definitivamente) a “cosmopolitana cidade de Ur” para ir ao lugar que não conhecia e nem tinha muitos detalhes a respeito [12.4, 5; cf. At 7.3; Hb 11.8; (Gn 24.7); Js 24.3; Ne 9.7].

Algumas implicações desse chamado: Deus promete-lhe descendência e fazer dele uma grande nação (biológica: Israel; espiritual: todos aqueles que creem em Cristo); também promete dar-lhe a terra, Canaã (Gn 12.1; cf. 12.7; Ne 9.7,8).

A eleição e a bênção incondicional de Abraão têm como fundamento a soberania e a sabedoria divina; a promessa da terra e descendência (v. 1, 2) estão subordinadas ao objetivo maior, na promessa de que, em Abraão, todas as famílias serão abençoadas (12.3; 18.18; 22.18; 26.4; 28.14; At 3.25; Gl 3.8; Gn 27.29; Êx 23.22; Jo 4.22; Hb 6.14). As palavras “abençoar e “bênção” se sobressaem em Gn 12.1-3; na verdade, elas ocorreram cinco vezes em Gênesis 1-11; agora, nos três primeiros versículos de Gênesis 12, ocorrem também cinco vezes (WALTKE, 2010).

O patriarca enfrentou muitos obstáculos que poderiam impossibilitar o cumprimento das promessas: fome em Canaã (Gn 12.10-20). Não confiou e mentiu (Gn 13). Conflito com Ló, mas confiou no Senhor e deixou Ló escolher a terra que quiser (Gn 18). Esterilidade da Sara (11.30), embora não confiou e tentou lançar mão de meios comuns no antigo oriente próximo de adotar um servo e de ter filho com a concubina, essas tentativas fracassaram porque Deus não aprovou tais práticas e mostra Sua graça quando confirmou e anunciou o fiel cumprimento da promessa (Gn 15, 17, 18).

Na velhice do casal o Senhor fez cumprir a sua palavra, provando assim que Isaque (o descendente) era uma dádiva divina. O patriarca passou por duras provas de fé, quando Deus lhe pediu que sacrificasse seu único filho (o filho da promessa, pedido esse que poderia anular o objetivo da promessa). No entanto, ele foi aprovado no teste pela obediência, demonstrando que confiou plenamente no Deus da promessa (Gn 22) (DILLARD, 2006).

3. O método alternativo de ter filho/herdeiro (Gn 15, 16)

Ao olhar para o costume social do período patriarcal, podemos entender porque os patriarcas agiram como agiram ou porque fizeram o que fizeram. Os estudiosos de Nuzi[8] nos fornecem paralelos importantíssimos que nos ajudarão a compreender melhor as ações e atitudes dos patriarcas em suas épocas. Entre vários costumes, vale salientar duas práticas:

3.1. Adoção de um servo como herdeiro (Gn 15.1-6)

Em Gênesis 15, quando Deus reafirma a sua promessa com Abraão e Sara de lhes dar um filho, o patriarca, em um primeiro instante, duvidou do cumprimento da promessa: “Então disse Abrão: Senhor JEOVÁ [Adonai[9] JHVH], que me hás de dar, pois ando sem filhos, e o mordomo da minha casa é o damasceno Eliézer? Disse mais Abrão: Eis que me não tens dado semente, e eis que um nascido na minha casa será o meu herdeiro” (15.2, 3 – BHS).

O termo hebraico עֲרִירִי – ariri (15.2 – BHS), traduzido por “sem filhos” neste contexto e nos outros, é importantíssimo para compreensão do povo israelita. A esterilidade de Abraão (seu estado de desenraizado, infértil e infecundo) é resumida na expressão holekh ariri, isto é, “ando sem filhos” (BHS).

O questionamento de Abraão a Deus em Gênesis 15 “… Senhor JEOVÁ, [Adonai JHVH] que me hás de dar, pois ando sem filhos?” (v. 2 – BHS) descreve a sua condição de um desarraigado, desprovido e errante em terras estranhas — sua vida é descrita como uma “jornada” (cf. 12.1, 4, 5, 9; 13.3); apesar de receber a promessa de uma terra, ele ainda continua desenraizado. O termo ariri como estéril e sem filho, também em Jeremias 22.30, confirmado em Levítico 20.20, 21, foi explicado por Abraão em Gênesis 15.3 quando diz: “Tu não me deste filhos[10]; um servo nascido na minha casa será o meu herdeiro[11]”.

Esse pequeno relato revela-nos a prática aceitável na sociedade de Nuzi na época de Abraão, pois, quando um casal não tinha filhos, podia adotar um servo de sua casa que seria o guardião e responsável para cuidar deles na velhice e sepultá-los após a morte e o servo adotado como filho herdaria todos os bens do casal (LONGMAN III, 2009).

Deus, contudo, reprovou essa tentativa de Abraão: Eliézer não é herdeiro, pois Deus tinha um plano maior para o casal. Assim, Deus reafirmou a promessa de dar-lhe um herdeiro que sairá das “entranhas” do próprio Abraão. “E eis que veio a palavra do SENHOR a ele, dizendo: “Este (Eliézer) não será o teu herdeiro; mas aquele que de tuas entranhas sair, esse será o teu herdeiro” (v. 4 – BHS).

O herdeiro prometido não é o servo nascido na casa nem o filho ilegítimo de Abraão com Hagar, mas o descendente será o filho do patriarca com a esposa legítima, a matriarca Sara — sua fertilidade é uma benção[12] e é o presente recebido no tempo determinado por Deus.

Nessa narrativa fica evidente a disposição soberana de Deus da eleição. Dos dois filhos de Abraão, o Senhor escolheu firmar sua aliança perpétua com Isaque, descendente prometido ao patriarca desenraizado e à matriarca estéril, Abraão e Sara. Conforme Chwarts (2004, p. 77) afirmou, “a esterilidade de Sara e Abraão preserva a qualidade teológica de mistério do favor e desfavor divino, que não tem conexão com a estrutura de julgamento humana em termos de mérito e culpa”.

O desfecho final desse diálogo de Abraão com Deus foi enfático: “Então o levou para fora e disse: Olha agora para o céu e conta as estrelas, se é que consegues contá-las; e acrescentou: Assim será a tua descendência (v. 5 cf. Êx 32.13; Dt 10.22; Rm 4.18; Hb 11.12; Gn 13.16; 17.2). E Abraão creu no SENHOR; e o SENHOR atribuiu-lhe isso como justiça” (v. 6 cf. Rm 4.3, 9, 18, 22; Gl 3.6; Tg 2.23; Ne 9.8). A descendência como as estrelas dos céus, areia do mar e pó da terra que ninguém podia contar era garantia do poder e soberania de Deus no cumprimento das promessas (cf. 22.17; 26.4; 13.16; 28.14; 32.12). Abraão confiou nas promessas do Deus verdadeiro.

O escritor de Gênesis relata-nos os fatos da aliança progressiva de Deus com Abraão e seus descendentes de fazer dele uma grande nação que abençoará outras nações. Assim, todo fundamento dessa aliança procede da soberana graça de DEUS (Gn 12.1-3; 17; 26.3,4; 28.13-15; 35.11,12).

Visto que Abraão confiou no Senhor e foi justificado (Gn 15.6), isso serve como fundamento para a doutrina da justificação pela fé (Gl 3.6-14). Embora sendo pecador, Abraão creu na promessa de um herdeiro (Rm 4.17-21; Hb 11.11, 12). Nós somos igualmente justificados pela confiança (fé) na morte e ressurreição de Jesus Cristo (Rm 4.22-25). A vida do patriarca mostra-nos verdades de fé como cristãos. Dessa forma, aquele que crê em Jesus torna-se recipiente das bênçãos espirituais e redentoras ligadas a Abraão (WALTKE, 2010).

Pela confiança e em obediência ao Senhor, ele não adotou Eliezer como filho, no entanto, o relato do capítulo 16 mostra que o casal recorreu ao outro método para ter filho.

3.2. Casamento com a serva para gerar filho – poligamia (Gn 16.1-6)

Na época do patriarca Abraão era costume social em Nuzi uma mulher estéril dar ao esposo a serva em casamento (LONGMAN III, 2009).

Apesar de todos os sinais e promessas que Abraão recebeu como segurança para cumprimento da promessa (do filho e da terra — Gn 15s), ele ainda demonstra dúvidas. A idade avançada do casal parece ser um grande obstáculo para não confiar na capacidade divina de cumprir a promessa. Dez anos passaram que o casal vivia em Canaã (16.3) e parece que Deus havia esquecido a promessa de abençoá-los e de lhes dar um filho. Muitas vezes, o silêncio de Deus ou até mesmo uma aparente demora de uma resposta a certo pedido de oração pode ser para testar nossa paciência, perseverança e confiança no Senhor.

Em meio a essas nuvens de dúvidas e incertezas, Sara propõe o uso de costume social para solucionar o problema. Abraão aceitou a proposta de Sara de ter uma segunda mulher ou a concubina (poligamia) conhecida como Hagar (serva da Sara — 16.1-4; cf. Gl 4.22) com quem concebeu Ismael (Gn 16). Abraão agiu com insensatez[13] (Gn 16; 30), deixou de confiar em Deus e foi guiado pela “razão” a ponto de obedecer aos conselhos e aceitar a proposta de Sara ao invés de confiar e esperar no Senhor (cf. At 5.29). Portanto, eles fizeram o que qualquer casal de sua época faria naturalmente, sem pensar duas vezes, pois era comum. Mais uma vez Nuzi nos oferece um paralelo dessa prática patriarcal (LONGMAN III, 2009).

Com base nesse pano de fundo dos costumes da época do patriarca, compreendemos que Abraão deixou de confiar em Deus quando procurou solucionar o problema de herdeiro utilizando os recursos ou métodos de costume social dos seus conterrâneos e, como verificado na sociedade de Nuzi, adotar escravo como filho ou casar com a serva para gerar filhos. Mesmo com a incredulidade ou a infidelidade do patriarca Abraão e a matriarca Sara de esperar o cumprimento divino da promessa, o Senhor permaneceu fiel: “se somos infiéis, ele permanece fiel; pois não pode negar a si mesmo” (2Tm 2.13).

Paulatinamente a fé de Abraão no Senhor se amadurece até atingir seu clímax (cf. Gn 22). Ele foi apresentado no quadro da galeria da fé no livro de Hebreus e o autor dedica um total de doze versículos para descrever esse herói de fé (Hb 11.8-19). Abraão é pai de todas as nações e de todos os que creem no único Deus (Rm 4.16-18).

A nossa maturidade espiritual depende do nosso relacionamento pessoal com o Senhor, essa comunhão fortalece a ligação vertical com Deus através de uma caminhada de fé e obediência às ordens e orientação divina. Os relatos das falhas e dos pecados do patriarca e da matriarca assim como das suas virtudes servem como lição para nós. O Deus que servimos não pinta a história dos heróis com uma imagem de super-homem, mas trabalha o caráter do pecador como Abraão e usa-o na sua obra para alcançar e abençoar muitas vidas. Nós estamos sendo aperfeiçoados até alcançarmos a estatura de seu filho Jesus Cristo (Ef 4.13).

4. O cumprimento da promessa divina (Gn 21.1-7)

“E o SENHOR visitou a Sara, como tinha dito; e fez o SENHOR a Sara como tinha falado. E concebeu Sara, e deu a Abraão um filho na sua velhice, ao tempo determinado, que Deus lhe tinha dito” (Gn 21.1, 2 – BHS).

O Senhor foi gracioso com Sara e fez-lhe no tempo determinado o que havia prometido. De acordo com Chwarts (2004, p. 106), alguns elementos da teologia bíblica podem ser apontados: “grande ênfase no termo ‘palavra’ (’amar, bibber); certeza do cumprimento do conteúdo da anunciação; pontualidade de toda operação dentro de um tempo divino (mo‘ed)”.

Ainda permanece a pergunta: por que as matriarcas eram estéreis? Por que o cumprimento da promessa de um filho e da terra demoram tanto tempo? Sara concebeu Isaque em idade avançada e Abraão também era velho. Qual foi o propósito de Deus em retardar o misterioso cumprimento da promessa? “Abraão foi mantido sem filho até a idade em que ele era tão bom quanto morto, a fim de que a onipotência divina pudesse ser evidente como a fonte do nascimento de Isaque” (21.1-7; Rm 4.19-21; Hb 11.11; Is 51.2) (ZUCK, 2010. p. 106).

Deus, pela sua imensa graça e soberania, removeu a esterilidade da Sara (11.30), ela engravidou e gerou um filho com idade avançada (cf. 17.17, 24; 18.11-14). Abraão permaneceu fiel à aliança quando chamou o filho de Isaque (21.3; cf. 17.9) e o circuncidou (21.4; cf. 17.10); Sara louvou ao Senhor Deus que foi gracioso para com ela (21.6; cf. 17.17-19; 18.12-15).

A promessa de um filho se cumpriu (21.1, 2; cf. 17.1-6; 18.1-15). No entanto, a promessa de uma grande nação ou um numeroso povo se cumpriu mais tarde. “A benção de grande população ocorreu não em Canaã, mas no Egito” (ZUCK, 2010. p. 42). Foi para o Egito um total de setenta pessoas e elas se multiplicaram até se tornarem um povo numeroso a ponto de serem ameaças para faraó (Êx 1.1-7, 9, 12, 20).

O Senhor ordenou Abraão a oferecer seu único[14] filho Isaque em sacrifício, mas sacrificar Isaque anularia a promessa de Deus, como também a esperança da redenção do homem se tornaria inválida. O cumprimento da promessa corre risco de se tornar inútil, pois o patriarca foi submetido a uma difícil prova de fé com o propósito de testar o quanto confiava e estava disposto a obedecer ao Senhor (MERRILL, 2009).

5. A esterilidade na atualidade

Embora muitos casais na sociedade pós-moderna (principalmente as classes média e alta) optem por não ter filhos por várias razões, a esterilidade ainda continua sendo um problema que atinge e aflige diversos casais e famílias. Pelo avanço da medicina, atualmente existem diferentes métodos disponíveis para solucionar o problema, entre eles a inseminação artificial[15]. A igreja e/ou os pastores e líderes precisam analisar esse assunto à luz da teologia bíblica a fim de instruir os fiéis a procederem em conformidade com as Escrituras Sagradas.

A esterilidade no ciclo de Abraão e Sara, Isaque e Rebeca, Jacó e Raquel, Elcana e Ana (1Sm 1.10-16) foram casos excepcionais, pois o próprio Deus, o dono da vida, interveio a favor desses casais e concedeu-lhes filhos para a glória dele. Na sua sabedoria e soberana vontade ele pode conceder ou não conceder filhos a um casal.

Se, por acaso, mesmo depois de um casal estéril orar e Deus não lhe conceder filhos, isso pode ter um motivo, talvez desconhecido. Por isso, o casal deve procurar ajuda médica. Mesmo assim, pode ser que Deus tenha um propósito maior para o casal, quem sabe para poupá-los de grandes tristezas, sofrimentos ou angústias.

Em Salmo 127.3-5 lemos que os filhos são presentes do Senhor. Porém, a ausência deles não quer dizer que o casal foi amaldiçoado por Deus. Segundo O´Donovan (1999), Deus pode não conceder filhos a um casal porque sabe que a esposa pode morrer no parto ou o filho pode nascer com deficiência, doença mortal ou outras razões. Ele quer proteger ou poupar seus filhos de sofrimentos desnecessários.

Também a esterilidade pode ter outra finalidade: talvez Deus queira que o casal adote e cuide de crianças “órfãs” (cf. Dt 14.29; 24.19-21). Portanto, o casal cristão com dificuldade de ter filhos deve buscar orientação e direção do Senhor quanto ao que deve ou não fazer. A opção de adoção é uma alternativa eficaz. Ainda o casal estéril deve ser aconselhado e ensinado sobre o propósito de Deus ao instituir matrimônio.

Em Gênesis 2.18 e 20, lemos: “Disse mais o SENHOR Deus: Não é bom que o homem esteja só; eu lhe farei uma ajudadora que lhe seja adequada […], mas não se achava uma ajudadora adequada para o homem” (solidão e parcialidade). Ainda o Senhor diz “…Frutificai e multiplicai-vos; enchei a terra e sujeitai-a…” (multiplicação e perpetuação da espécie — Gn 1.28). De acordo com os versículos acima, podemos destacar quatro motivos para Deus instituir matrimônio: a intimidade, a complementariedade, a propagação e a perpetuação da raça humana. Portanto, o casamento é muito mais que multiplicação da espécie.

Interessante é o fato de que a ordem foi estabelecida naturalmente por Deus de acordo com a importância, suprindo primeiro a necessidade interior (o homem estava só e incompleto porque era necessário atender à sua solidão e incompletude) e, em segundo lugar, suprir a necessidade exterior (multiplicação da espécie).

Portanto, em caso de Deus negar a um casal cristão (ou não cristão) o privilégio de serem pais (mesmo depois de fazer todo o tratamento médico), eles devem estar bem lúcidos, sabendo que tudo está dentro do plano, controle e da soberania divina. E assim louvar a Deus que lhes supriu a necessidade de companheirismo e da completude.

6. Considerações finais e aplicação

Ao longo desta pesquisa, alguns temas bíblico-teológicos vieram à tona e serviram para revelar a natureza do Senhor que aparecera a Abraão, assim como a intimidade no relacionamento entre o Senhor e o patriarca. Também parece evidente que as matriarcas de Israel eram estéreis para que a vontade e o propósito de Deus fossem cumpridos nelas sobrenaturalmente. Assim, todo mérito e glória pertencem exclusivamente ao Senhor que promete e cumpre a promessa, removendo a esterilidade da matriarca. Sara, por exemplo, mesmo em “idade avançada”, foi agraciada e concebeu um filho/herdeiro, apontando, assim, para o verdadeiro descendente/herdeiro de Abraão que cumpriria plenamente a ordem de ser bênção para todas as nações. Recordamos então de alguns temas bíblico-teológicos:

Bênção: As bênçãos terrenas apenas chamam a atenção para o bem maior, que é o próprio Deus. Os patriarcas mostram que a bênção é o próprio Deus (cf. Sl 16; cp. Hb 11.9) e a comunhão com ele (cf. Sl 73; cp. Jo 17.3). É o que o Novo Testamento se refere como “bênçãos nos céus” (Ef 1.3).

Eleição e as promessas de Deus: A escolha de Abraão foi incondicional: com ele, Deus criou uma nação com o objetivo que todas as nações fossem abençoadas. Essa nação foi representada por um homem, descendente de Abraão, o Messias, Jesus Cristo (cp. Jo 4.22). Através dele, a bênção da salvação se tornou disponível e acessível a todas as nações (cf. Gl 3). Hoje podemos ver a plenitude do cumprimento da promessa em Cristo.

Fé e justiça: Na história de Abraão, a atenção maior foi dada à questão da promessa de um descendente, ou seja, a respeito de um filho/herdeiro. Desde o início o Senhor requer a fé de Abraão (Gn 12.1). A sua obediência pela fé foi descrita de forma tão sucinta e simples quanto possível (12.4; 15.6). O autor bíblico continua labutando com a questão a respeito da natureza da fé e sua relação com a justiça, e isso é mostrado em 15.6. Essa fé atinge seu clímax no capítulo 22 com o “sacrifício” de Isaque. Como mostra Gênesis 15.6, a justiça de Abraão consiste no fato de ele acreditar na promessa de Deus. Portanto, é necessário reconhecer que o homem é justificado diante de Deus quando se chega a ele pela fé (cf. Rm 1.16s; Gl 3.6-9).

Aliança: Deus fez uma aliança com Abraão (Gn 15 e 17). A ideia da aliança é fundamental para toda a Bíblia. Na antiguidade, uma relação ou um acordo era fixado por meio de uma aliança. A palavra “aliança” ocorre pela primeira vez em Gênesis 6.18, quando Deus anuncia a Noé, apesar da destruição pelo dilúvio, que haverá uma continuidade da raça humana (remanescente). A aliança feita com Noé e todos os seres vivos, tem como “sinal” o arco-íris (Gn 9.9-17).

No capítulo 15, em um ato símbolico, Deus se sujeita a uma maldição para assegurar a Abraão a certeza e a confiabilidade de sua promessa. Deus assume o juramento e o compromisso com a aliança cumprido plenamente em Cristo. Ele “estabelecerá a aliança”, “faz a aliança” (Gn 6.18; 9.9, 11, 17; 17.2, 7, 19, 21 etc.). Exige-se de Abraão apenas a circuncisão (Gn 17) como “sinal” da aliança. E, no entanto, com este sinal, está ligado à reivindicação total de Deus sobre Abraão (17.7; cp. Dt 5.6-10). A mesma aliança se estende a Isaque (17.19), a Jacó (35.11-12) e a todos os de Israel (Êx 6.2-8). Em Cristo, Deus estabeleceu a nova aliança (Jr 31.31-34) selada com o próprio sangue de Jesus.

Portanto, podemos entender o papel da esterilidade na história do patriarca Abraão e Sara (Gn 11.30 a 21.5) como mérito exclusivo de Deus, que pode fechar ou abrir o útero e a madre de uma mulher. Deus é quem promete e, mesmo com a infidelidade do homem, sendo ele infalível, assume toda a responsabilidade de cumprir a sua Palavra. A esse Deus soberano rendemos toda honra e glória para sempre. “Porque todas as coisas são dele, por ele e para ele. A ele seja a glória eternamente! Amém” (Rm 11.36).

Referências

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CHWARTS, Suzana. Uma visão da esterilidade na Bíblia Hebraica. São Paulo: Associação Editorial Humanitas, 2004.

CHWARTS, S. Ensaio sobre fertilidade e esterilidade na Bíblia hebraica. In LEWIN, H., coord. Judaísmo e modernidade: suas múltiplas inter-relações [online]. Rio de Janeiro: Centro Edelstein de Pesquisas Sociais, 2009. pp. 457-466. ISBN: 978-85-7982-016-8. Available from SCIELO Books http://books.scielo.org. Acesso em 29 de outubro de 2014.

DILLARD, Raymond B. e Tremper Longman III. “Gênesis”. Introdução ao Antigo Testamento. São Paulo: Vida Nova, 2005.

DUCAL, Martinho Fazenda. A aliança matrimonial. Disponível em: http://crowlingingod.blogspot.com.br/2013/08/a-alianca-matrimonial.html. Acesso em 6 de novembro de 2014.

HARRIS, R. Laird; (et. al.). Dicionário Internacional de Teologia do Antigo Testamento. Tradução de Márcio Loureiro Redondo (et. al.). São Paulo: Vida Nova, 1998.

KIDNER, Derek. Gênesis: introdução e comentário. Série Cultura Bíblica. São Paulo: Vida Nova, 1979.

LASOR, William S. e.o. Introdução ao Antigo Testamento. São Paulo: Vida Nova, 1999.

LONGMAN III, Tremper Longman. Como ler Gênesis. São Paulo: Vida Nova, 2009.

MERRILL, Eugene H. Teologia do Antigo Testamento. São Paulo: Shedd Publicações, 2009.

O´DONOVAN Jr., Wilbur. O Cristianismo Bíblico da Perspectiva Africana. Tradução de Hans Udo Funchs. São Paulo: Vida Nova, 1999.

SCHÖKEL, Luis Alonso. Dicionário Bíblico Hebraico-Português. Trad. Ivo Storniolo e José

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ZUCK, Roy B. Teologia do Antigo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2010.

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[1] Todas as citações do texto bíblico são da Bíblia Sagrada Almeida século 21 em CD-Rom. Edições Vida Nova, 2010, exceto quando indicado de outra forma.

[2] Utilizaremos os nomes Sara e Abraão para se referir os personagens do nosso estudo.

[3] 11.30 – BHS – Bíblia Hebraica Stuttgartensia — disponível em http://www.hebraico.pro.br/biblia/quadros.asp.

[4] “como que extirpado nos órgãos genitais — macho ou fêmea” (BEPC-HG – Bíblia de Estudo Palavras-Chave Hebraico e Grego, 2012. p.  1852).

[5] 11.30 – “Sarai era estéril, não tinha filhos” e 16.1 “A mulher de Abrão, Sarai, não lhe dera filho”. A característica dada a ela é da mulher que não deu filho ao marido.

[6] A primeira seção começa “da criação até Babel” (Gn 1-11) e a segunda inicia com o “chamado de Abraão e vai até a morte de José” (Gn 12-50). No entanto, nessa última parte ocorre outra subdivisão entre a história patriarcal (Abraão, Isaque e Jacó – Gn 12-36, 38) e a história de José (Gn 37, 39-50).

[7] Os ascendentes de Abraão eram politeístas (Js 24.2-3; cf. também Js 24.14; Gn 31.19-35.53; 35.2). Sobre a pessoa de Abraão nada se sabe a não ser a curta informação genealógica e o esboço das relações familiares (Gn 11.26-32). Ele foi separado do meio dos povos para um novo começo de Deus com o próprio povo. Textos veterotestamentários expressam essa ideia de forma diversificada: Deus “tirou/tomou Abraão” (Gn 24.7; Js 24.3), ele o “chamou” (Is 51.2), ele o “conheceu/escolheu” (Gn 18.19; Ne 9.7).

[8] Era o nome antigo do sítio Yorgham que fica ao nordeste de Iraque. Nuzi era uma cidade provincial do reino de Arrafa e os textos descobertos ali desempenharam importantíssimo papel nos estudos do período patriarcal (LONGMAN III, 2009).

[9] O nome próprio ’adonay significa “meu Senhor” (Gn 18.3) e é usado com o nome “Deus” para reforçar a noção da incomparabilidade de Deus (cf. Ez 20.3; Am 7.6)

[10] Deus não deu זָרַע – zåra (sêmen, semente) a Abraão.

[11] Ben – filho (como um “edificador do nome da família”). Esse substantivo ocorreu quase “5.000 vezes no AT. Pode ser traduzido por “filho, descendente direto masculino de pais humanos” (Gn 4.25; 27.32; Is 49.15); também denota filho adotado (Êx 2.10) e, no geral, inclui macho e fêmea (Gn 3.16; 21.7; Êx 21.5). No aramaico significa “criança, filho, jovem”. A proposta de Abraão era adotar Eliézer como filho, pois era aceitável na cultura da época. (BEPCHG, 2012. p. 1559).

[12] “Porque eu a hei de abençoar, e te hei de dar a ti dela um filho; e a abençoarei, e será mãe das nações; reis de povos sairão dela… Na verdade, Sara tua mulher te dará um filho, e chamarás o seu nome Isaque, e com ele estabelecerei o meu conserto, por conserto perpétuo para a sua semente depois dele” (Gn 17.16, 19 – BHS).

[13] Foram imensas as consequências dessa precipitação de Abraão e Sara de não confiar e esperar no Senhor ao utilizar métodos profanos para solucionar o problema da esterilidade. A família do patriarca foi desestruturada e caracterizada por sucessivos conflitos e separação (Gn 16.7-16; 21.8-21). O apóstolo Paulo, ao escrever aos gálatas, compara o filho de Hagar, Ismael, nascido “segundo a carne” com os resultados dos esforços humanos em detrimento da religião e que são constantemente incompatíveis com os do Espírito (Gl 4.21-31) (KIDNER, 1979).

[14] Apesar de Ismael ter nascido, Isaque era considerado o único filho de Abraão porque ele foi escolhido por Deus para ser o único herdeiro da promessa da aliança (Gn 17.18, 19).

[15] No presente trabalho não temos a intenção de analisar as questões éticas que envolvem tal prática, não porque não é importante, mas porque exigirá outra metodologia de avaliação e pesquisa.

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