A tentação do antissemitismo

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O livro De quem é a Terra Santa: o contínuo conflito entre Israel e a Palestina, de Colin Chapman (Viçosa, MG: Ultimato, 2017), apresenta-se como uma tentativa de oferecer uma interpretação “imparcial” do conflito entre israelenses e palestinos pela “Terra Santa”. O autor pretende oferecer as percepções dos dois lados do conflito, por meio de fartas citações dos principais personagens. Mas suas muitas e longas citações são altamente seletivas, e seu argumento se apoia em notórios oponentes do judaísmo, como Naim Ateek, Norman Finkelstein, David Hirst e Edward Said.

O autor tenta alertar para o perigo do antissemitismo e se concentra em algumas das dificuldades sofridas pelos judeus. Mas não distingue entre o antissemitismo religioso (tristemente propagado por alguns dos Pais da Igreja e Martinho Lutero) e o antissemitismo étnico (que foi dominante, nos séculos 19 e 20, na Rússia, na França e na Alemanha, onde se originou o Holocausto, quando 6 milhões de judeus foram mortos pela máquina de guerra nacional-socialista).

No entanto, seu argumento central é que a culpa do conflito seria das potências ocidentais (do Reino Unido, que fez promessas a judeus e árabes quando a terra era um protetorado britânico, sabendo que não poderia cumpri-las; e dos Estados Unidos, que supostamente coagiram outros membros das Nações Unidas a votar em favor do plano de divisão de 1947) e, sobretudo, dos sionistas, que teriam comprado a terra com dolo dos proprietários, os absenteístas, em meados do século 19.[1]

Mas o autor, em momento algum, coloca a história em contexto, deixando de retratar a situação desta parte do Império Otomano, neste momento-chave, que vai do fim do século 19 até o início do século 20.

Tomemos, por exemplo, a região do Vale de Hula, na Alta Galileia. Havia pouquíssimas aldeias sobrevivendo precariamente numa região pantanosa infestada de malária, em terrenos pertencentes a ricos latifundiários que moravam em Damasco e não ligavam para a população, vivendo num império corrupto e que ruiria ao fim da I Guerra Mundial. Chegaram grupos de judeus organizados da Europa, que compraram essas terras a bom preço dos latifundiários, que acreditavam que os judeus eram tolos por comprar pântanos que não serviriam para nada. Mas os judeus drenaram os pântanos, trabalharam duramente e transformaram o vale num paraíso. Isso se aplica de forma geral ao resto da região.

Como o rei Abdullah, da Jordânia, escreveu, a verdadeira história dos judeus que assumiram o controle de terras dos árabes é uma história de comércio, e não de roubo: “Os árabes são tão pródigos em vender suas terras quanto em […] chorar por elas”.

Portanto, qualquer pesquisa mais profunda do conflito na região precisa levar em conta o que era essa região do Império Otomano antes e depois dos sionistas, ou antes e depois da fundação de Israel – algo que o autor não faz.

Também se deve lembrar que cerca de 54 mil judeus, que chegaram à região entre 1880 e 1921, fugiram da onda de pogroms que varreu o sul da Rússia entre 1821 e 1906, escapando da pilhagem e morte.

Outro ponto problemático na obra refere-se à origem da identidade nacional dos palestinos. O debate, em linhas gerais, concentra-se na afirmação de alguns de que a identidade palestina teria começado a surgir após a I Guerra Mundial (quando a região passou a integrar o Reino Árabe da Síria e, depois, o Mandato Britânico da Palestina), como resposta ao sionismo. Outros sugerem que esta identidade teria nascido somente após a guerra de 1967, pois a Cisjordânia estava sob o controle da Jordânia, e os moradores da região não estavam fazendo protestos para ter seu próprio estado palestino independente da Jordânia. Somente em 1974 a Organização para a Libertação da Palestina (OLP) passou a reclamar um Estado palestino independente.[2] Em 1977, Zuheir Mohsen, membro executivo da OLP, disse ao jornal holandês Trouw que “não há diferenças entre jordanianos, palestinos, sírios e libaneses”, são todos parte de uma “nação árabe”, embora a identidade palestina fosse enfatizada por razões políticas: “Não existe ‘povo palestino’. A criação de um Estado palestino é apenas um meio para continuar a nossa luta contra o Estado de Israel”.[3]

Assim, a suposição de que haveria “palestinos” vivendo na terra, na altura da chegada dos judeus em fins do século 19, é uma compreensão anacrônica dependente do revisionismo islâmico, mas que parece ser endossada pelo autor.

Chapman não aborda o caráter defensivo das guerras travadas por Israel em 1948, 1967 e, especialmente, 1973 (iniciada no dia do Yom Kippur, quando o povo de Israel estava em sua maioria orando nas sinagogas), os repetidos apelos à aniquilação de Israel por parte dos líderes árabes e de seus meios de comunicação e, sobretudo, as políticas britânicas extremamente opressivas contra os refugiados judeus do Holocausto que queriam fugir para a região.

Não é surpresa que ele também não mencione em momento algum a associação do Grande Mufti árabe com os nacional-socialistas, seu encontro com Adolf Hitler e as intenções genocidas compartilhadas. Aliás, o Grande Mufti era um pioneiro no massacre de massas, depois de ter incitado multidões de árabes a linchar centenas de judeus nos tumultos de Jerusalém ocorridos em 1920, 1921, 1929 e 1936. E isso ocorreu com a complacência das forças de ocupação britânicas.

Ignora também que cerca de 25 mil muçulmanos se alistaram nas Waffen-SS e serviram no exército alemão, e estiveram envolvidos em crimes de guerra cometidos inclusive contra civis judeus nos Bálcãs, em 1944.

O autor também relativiza o papel do islamismo nas tensões entre Israel e os palestinos, afirmando que o islamismo não estaria na raiz do conflito e a ênfase no Islã seria apenas uma reação recente à opressão israelense; também sugere que Israel seria o responsável pela formação do Hamas, uma notória organização terrorista. Também é incapaz de discutir as tensões no Oriente Médio num contexto de terrorismo militante islâmico, após os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos.

Além disso, o autor assume a ideia de que Israel fez uma “limpeza étnica” nos territórios palestinos. Durante a guerra de 1948, cerca de 700.000 árabes que viviam nos territórios que se tornaram o Estado de Israel fugiram ou foram expulsos de suas casas. De outro lado, a pretexto da fundação do Estado de Israel, cerca de 900 mil judeus foram expulsos de países árabes, entre 1948 e 1970. O êxodo judaico dos países árabes não é mencionado em nenhum lugar da obra – uma omissão séria para uma obra que se propõe ser isenta.

No entanto, cerca de 20% dos cidadãos israelenses são árabes e cerca de 17% destes são muçulmanos (os judeus são 75% da população, e os cristãos 2%), um número próximo a 1.600.000 pessoas. A título de comparação, só restam, hoje, menos de 8.000 judeus em países árabes.

Na última contagem, os cidadãos árabes de Israel foram representados por 13 (de 120) membros no parlamento israelense, pertencentes a quatro partidos políticos: Balad, Hadash, Lista dos Árabes Unidos e Ta’al (enquanto isso não há nenhum parlamentar judeu em países árabes; na verdade, poucos países árabes tem sequer parlamento).[4]

A impressão oferecida é que o autor busca encontrar desculpas que irão apoiar a conclusão de que os judeus não tem o direito à terra, ainda que haja alguma disposição de permitir que vivam nela como concessão, pois ele defende a noção de “um estado, dois povos”, um Estado binacional (que levaria ao fim o caráter judaico do Estado de Israel), como possível solução para o conflito.[5]

A obra também pretende ser uma crítica ao pré-milenismo dispensacionalista. O livro cita uma declaração do Conselho de Igrejas do Oriente Médio que afirma que esta interpretação escatológica seria uma heresia para os cristãos do Oriente Médio. Me parece que Chapman cai na falácia do espantalho, porque ele critica o modelo escatológico dispensacional sem explicar direito qual modelo dispensacional é alvo de sua crítica (Darbiano, Clássico, Revisado ou Progressivo). Assim, o autor critica uma forma de dispensacionalismo que embora seja o modelo que mais conhecemos no Brasil, na academia teológica norte-americana é um modelo já ultrapassado, e poucos dispensacionalistas de renome hoje afirmam o modelo criticado pelo autor.[6]

Mas, como lembra Gerald McDermott, não é necessário apoiar uma corrente escatológica controversa para afirmar que tanto o povo quanto a terra de Israel continuam relevantes para o futuro da redenção.[7] Na Escritura há um “padrão [que] se move do particular para o universal. Deus usa o particular (uma pessoa ou um povo) para trazer a bênção ao universal (o mundo). No Antigo Testamento, Deus chama um homem em particular (Abraão) e seu povo (os judeus) para levar a bênção a seus semelhantes e ao mundo (o universal). O padrão é o mesmo no Novo Testamento. Deus usa um homem em particular (Jesus) e seu povo (o corpo de Jesus, a igreja) para levar a bênção ao mundo”.

E McDermott também diz: “Há muitas manchas e rugas [na história de Israel], e o povo e a terra atuais parecem estar distantes do cumprimento da promessa. No entanto, assim como no que diz respeito a nós mesmos e à igreja, há sinais claros de que Deus está em ação, que Deus colocou Israel onde ele está hoje. […] Deus mantém sua aliança com o povo judeu, […] ele os conduziu de volta à Terra Prometida por caminhos notáveis e […] ele tem um futuro para o povo e para a terra.”

Chapman rejeita corretamente toda noção de que “a cristandade ‘tomou o lugar de Israel’”: “Essa ideia, às vezes descrita como ‘supersessionismo’ e em outras como ‘teologia da substituição’, não encontra respaldo no Novo Testamento. Ainda que seja possível dizer que Jesus ‘substituiu’ o templo, não há justificativa para dizer que a igreja ‘substituiu’ Israel” (p. 307).

Mas, ainda assim, Chapman termina por ressignificar as profecias do Antigo Testamento que prometem um grande livramento ao Israel étnico, um retorno da nação ao Senhor e um final completo do exílio (Am 9.15; Jl 3.20; Is 49.6, 15-20, 22-23; 60; 62; Jr 23.7,8; 31.31-37; Ez 36.24-29; 37; Zc 12-14). A análise que o autor faz de Romanos 11.26, 28-29 é ambígua, mas termina por rejeitar “um grande projeto do futuro do povo judeu” (p. 313). Ao leitor recomendo a análise de Romanos 11 nos comentários de Romanos escritos por John Murray e C.E.B. Cranfield, que oferecem bom corretivo à posição de Chapman.

Assim, pode-se concluir, de acordo com Daniel Juster, que “a teologia de rejeição do Israel étnico é uma raiz importante do antissemitismo”. E, como Juster ainda afirma, “este é o caso das declarações de Colin Chapman, que considero antissemitas embora se diga que sejam apenas antissionistas”.[8]

E não há nenhum apelo ou desafio sobre a veracidade das cosmovisões dos grupos étnicos envolvidos, muito menos uma ênfase na pregação do evangelho do Príncipe da Paz, Jesus, o único Messias e redentor de todas as etnias, incluindo judeus e árabes. Em nenhum lugar isso chega a ser sequer discutido.

Parece que este é o primeiro livro lançado por uma editora evangélica no Brasil que faz uma defesa da causa dos árabes palestinos. Fica o receio de que os adeptos da esquerda “progressista cristã” usem este livro para promover uma onda antissemita entre os evangélicos, afirmando a narrativa pró-islã dos palestinos como “as verdadeiras vítimas do conflito”. Portanto, é preciso ler esta obra com cautela, pois, ao que parece, há nela nuances que revelam preconceito contra Israel – a única democracia verdadeira no Oriente Médio.

 Leituras sugeridas:

Barry Rubin & Wolfgang G. Schwanitz, Nazis, Islamists, and the Making of the Modern Middle East (New Haven: Yale University Press, 2014).

Gerald R. McDermott, A importância de Israel (São Paulo: Vida Nova, 2018).

Martin Gilbert, História de Israel (Lisboa: Edições 70, 2009).

Michael B. Oren, Seis dias de guerra: junho de 1967 e a formação do moderno Oriente Médio (Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2004).

Robert Irwin, Pelo amor ao saber: os orientalistas e seus inimigos (Rio de Janeiro: Record, 2008).

Sean McMeekin, O expresso Berlim-Badgá: o Império Otomano e a tentativa da Alemanha de conquistar o poder mundial 1898-1918 (São Paulo: Globo, 2011).

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[1] De acordo com Boris Johnson, ao considerarmos a promessa feita aos árabes em 1915, na forma da correspondência McMahon-Hussein, os termos do acordo secreto Sykes-Picot, de 1916, e a Declaração de Balfour, de 1917, é difícil não concluir que “não resta a menor dúvida: a Inglaterra tinha vendido o mesmo camelo três vezes”. Ele também diz: “Se você está entre os que consideram que a declaração de Balfour foi o maior erro da política externa britânica, então obviamente pensa que Churchill estava errado de colocá-la em prática. De outro modo, se julga que era correto dar aos judeus, após 2 mil anos de perseguição, uma pátria em uma terra que outrora haviam ocupado e que agora era esparsamente povoada, se você acha que foi uma ideia visionária esperar que os talentos dos judeus fariam o deserto florescer, se acha que não é uma má ideia ter pelo menos uma democracia, ainda que imperfeita, naquela parte do mundo, então talvez considere Churchill uma espécie de herói”. Cf. O fator Churchill: como um homem fez história (São Paulo: Planeta, 2015), p. 340-356.

[2] Curiosamente, o principal líder da OLP, Yasser Arafat, nasceu no Cairo, no Egito, em 24 de agosto de 1929.

[3] Para as conexões entre a OLP e a União Soviética, cf. George Jonas, A hora da vingança (Rio de Janeiro: Record, 2006), p. 378-379, 383: “As-Saiqa […], Setembro Negro, Al-Fatah, a Frente Democrática para a Libertação da Palestina, a Frente Popular para a Libertação do Comando Geral Palestino, Junho Negro, Juventude Árabe Nacional para a Libertação da Palestina etc. são todos grupos e dissidências de grupos dentro da estrutura complexa e sempre em mudança da Organização para a Libertação da Palestina. Até certo grau, todos são marxistas ou inspirados pelo marxismo, embora talvez não aceitem a interpretação do Kremlin de ‘socialismo científico’ em cada detalhe. Todos defendem alguma forma de terror como aceitável na luta contra Israel. […] É interessante que três dos mais ativos líderes terroristas palestinos, [George] Habash, [Wadi] Haddad e [Nayef] Hawatmeh não sejam muçulmanos [mas árabes cristãos]. Isso explica, provavelmente, por que todo os três extraíram sua inspiração do marxismo em vez do conceito religioso do Jihad ou Guerra Santa contra Israel”. Como observa Richard Pipes, um professor de história de Harvard, “sempre foi surpreendente para mim que estes grupos terroristas […] quase nunca atacaram alvos soviéticos. Isso é para mim evidência adicional de que os russos exerce[ra]m uma considerável influência controladora sobre estes movimentos”.

[4] Em 2016, um parlamentar cristão árabe, Basel Ghattas, do partido Balad, foi preso por usar sua imunidade para entregar telefones celulares e cartões SIM a terroristas na prisão de Ketziot, ao sul de Berseba. Após concordar em renunciar ao parlamento (Knesset) e fazer um acordo com os promotores, foi condenado a dois anos de prisão.

[5] Há outros erros e imprecisões graves na obra de Chapman, por exemplo: a afirmação de que na Guerra Árabe-Israelense de 1948, Transjordânia, Egito, Síria, Iraque, Líbano, Arábia Saudita e Iêmen não queriam destruir o recém-criado Estado de Israel (p. 31); o Hamas, notório grupo terrorista, é chamado de “movimento de resistência” e “grupo extremista” (p. 38, 40); coloca a culpa do fracasso do Acordo de Camp David em Israel, quando o príncipe saudita Bandar bin Sultan reconheceu publicamente a culpa de Yasser Arafat; a afirmação de que enquanto os foguetes lançados de Gaza por palestinos provocam “vítimas”, os ataques de Israel em resposta são “assassinatos” (p. 45); Israel é um país arrogante e colonialista (p. 386), um verdadeiro Estado de apartheid e culpado de não haver paz no Oriente Médio (p. 388). Devo estas observações ao prefácio de Valberth Veras, à ótima obra de Alan Dershowitz, Em defesa de Israel: a verdade por trás dos conflitos no Oriente Médio (Eusébio, CE: Peregrino, 2019), p. 10-13.

[6] Devo deixar claro ao leitor que defendo o que pode ser chamado de pactualismo modificado, seguindo John Murray, O. Palmer Robertson e Gerard van Groningen; e em escatologia, me enquadro como amilenista. Cf., por exemplo, Franklin Ferreira e Alan Myatt, Teologia Sistemática: uma análise histórica, bíblica e apologética para o contexto atual. 3. ed. (São Paulo: Edições Vida Nova, 2007), p. 1094-1173. Cedo muito me impactou a recomendação dos teólogos puritanos de se “orar pela propagação do evangelho e Reino de Cristo em todas as nações, pela conversão dos judeus [ao Messias], a plenitude dos gentios, a queda do Anticristo, e o apressar da segunda vinda de nosso Senhor”, antes da pregação do sermão dominical, no Diretório de Culto de Westminster. Em anos recentes, Wilhemus à Brakel, Charles Spurgeon, J. C. Ryle, Horatius Bonar e, sobretudo, Jonathan Edwards, me ajudaram a compreender o significado literal das profecias que previram o restabelecimento do Estado de Israel pelo povo judeu; assim também, Dietrich Bonhoeffer e Corrie Ten Boom solidificaram a compreensão da necessidade de se apoiar Israel.

[7] Cf. por exemplo, John Goldingay, Teologia bíblica: o Deus das Escrituras cristãs (Rio de Janeiro: Thomas Nelson, 2020, p. 179-180: “Em Genesis, mais explicitamente, especificar a bênção de Abrão em termos de expansão familiar e territorial se encaixa na natureza da atividade de Deus na criação. Em seu ato criativo, Deus já havia explicitado a natureza da bênção que intencionava ao ordenar o crescimento da humanidade e o preenchimento do território. Deus repete esse tema tríplice ao falar de bênção, crescimento e território para Abraão como aquele a quem a intenção da criação de Deus será assim cumprida – um modelo da intenção de Deus para a humanidade e para o mundo como um todo. […] O Novo Testamento faz pouca referência à ligação entre o povo judeu e sua terra. Os Evangelhos podem simplesmente dá-la por garantida. Se a terra está ligada à identidade de determinado povo, a importância contínua do povo judaico resultará na importância contínua da terra. Além disso, a localização geográfica dos acontecimentos relacionados a vida, morte e ressurreição de Jesus quer significar que a terra não pode perder sua importância. O fato de Paulo omitir referências à terra ao enumerar os privilégios de Israel (Rm 9.4; Ef 2.12-13) pode estar ligado à ideia de que ele escreve a judeus e gentios em Roma e na Turquia, para os quais a terra não tem importância tão direta quanto seria, por exemplo, para os cristãos da Judeia. Essa omissão também aponta para um ponto teológico. A família de Abraão foi escolhida como uma ponte para todas as nações do mundo, e agora todas as famílias da terra passam a compartilhar sua bênção. […] O reino de Deus não deve estar confinado à terra de Israel, mas à ocupação do mundo inteiro, embora isso não sugira que as nações e seu território desaparecerão.”

[8] Daniel Juster, Raízes judaicas: entendendo as origens da nossa fé (São Paulo: Impacto, 2018), p. 137. N.T Wright, de quem Chapman depende em sua compreensão de Romanos 11, também é criticado nessa obra, por sua aderência ao supersessionismo (p. 135-137). Cf. também R. Kendall Soulen, The God of Israel and Christian Theology (Minneapolis: Fortress, 1996), que sugeriu que há diferentes tipos de teologia da substituição na teologia cristã: (1) punitiva (Hipólito de Roma, Orígenes e Lutero), econômica (Justino Mártir e Agostinho) e estrutural (Marcião).

1 COMENTÁRIO

  1. Israel sempre foi e sempre será o.povo Santo, sacerdotal de Deus.. a igreja é apenas o.povo que não.conhecia a Deus e começou a chamar por Ele..Fomos feitos povo por amor ao Filho. Somos como um presente de Deus ao Filho que teve que sacrificar para ter seu presente. A luta dos árabes seja de qual nacionalidade for, tem a ver com Ismael, .. coisas espirituais… mas na própria Torah esta escrito os limites de Israel como território, mas sabemos que a coisa é muito mais além…confiemos no Deus vivo, ele NÃO perdei e nunca há de perder o CONTROLE.

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