Igreja emergente, a igreja do Pós-modernismo? – parte 2

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Uma avaliação provisória

Continuação da Parte 1

3. PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS
Carson afirma que a igreja emergente é essencialmente um movimento “de dentro” e se opõe à igreja evangélica tradicional característica das últimas décadas do século 20. Na visão dos líderes emergentes aquela forma de ser igreja é cativa dos conceitos do absolutismo da era moderna e o movimento emergente veio trazer a liberdade necessária para um cristianismo relevante na pós-modernidade. 37 Logo, uma das marcas principais do pensamento emergente é a aversão ao absolutismo, ou seja, a forma de pensar do modernismo, que admite o conceito de verdade absoluta com bases fundacionalistas. Consequentemente, esse movimento apresenta uma série de características comuns, algumas das quais são relacionadas abaixo.

3.1 Pluralismo
Como foi dito anteriormente, a questão central nesta discussão envolve categorias epistemológicas. A proposta emergente enfatiza os sentimentos e afeições sobre o pensamento linear e a racionalidade; a experiência em contraposição à verdade; a inclusão ao invés da exclusão; a participação em contrapartida ao individualismo. Essas seriam as bases para afastar a crença cristã na verdade “absoluta” e levar à autenticidade, ao “novo tipo de cristão”, pregado por McLaren. Assim, a característica dominante da igreja emergente é a não afirmação de absolutos e a aceitação das diferenças, a saber, a marca fundamental do pluralismo pós-moderno.

Grande parte das obras escritas pelos líderes emergentes demonstra o tipo de pluralismo desejado. O subtítulo do livro de McLaren, A Generous Orthodoxy, revela o espírito que projeta a sua teologia:

Por que sou um cristão missional, evangélico, pós-protestante, liberal-conservador, místico-poético, bíblico, carismático-contemplativo, fandamentalistacalvinista, anabatista-anglicano, metodista, católico, verde, encarnacional, deprimido-mas-esperançoso, emergente e inacabado.

Cada uma dessas expressões transforma-se em título de um dos capítulos do livro de McLaren, no qual ele aplica as categorias do que chama de “pensamento emergente”. Segundo ele, o relativismo e o pluralismo filosófico não permitem que o cristão permaneça fiel à Escritura. Por outro lado, o pensamento moderno está morto e as críticas ao absolutismo modernista são muito fortes, sem possibilidade de serem combatidas. A única saída, segundo ele, é o pensamento emergente da ortodoxia generosa, como citado anteriormente: “Pense em um corte transversal numa árvore. Cada anel representa, não a substituição dos anéis anteriores, não a sua rejeição, mas a sua adoção, a sua inclusão em algo maior”.

Nesse sentido, no pensamento emergente nunca se chega a um ponto final, mas emerge-se em algo novo, sempre plural, sempre inclusivo. Simon Hall, líder da comunidade Revive, em Leeds, Reino Unido, afirma:

Meu alvo para a comunidade não é ser “pós” tudo. Nós somos evangélicos e carismáticos e liberais e ortodoxos e contemplativos e ligados à justiça social e ao culto alternativo.

Essa postura ilustra claramente o tipo de pluralismo almejado nessas comunidades.

3.2 Protesto
A marca do pluralismo leva o movimento emergente a uma posição de protesto. Praticamente toda a sua liderança vem de dentro da base do cristianismo evangélico tradicional e fundamentalista e manifesta o seu descontentamento com a instituição de origem. Da mesma forma como vimos a respeito de Kimball e sua percepção descontente com a igreja tradicional, Mike Yaconelli editou Stories of Emergence: Moving from Absolute to Authentic (Histórias de emergência: movendo-se do absoluto para o autêntico). No livro, encontram-se narrativas de vários líderes emergentes que possuem um tom semelhante: a autenticidade não estava presente na igreja. O próprio nome da igreja de Kimball reflete essa ideia, pois Vintage significa algo genuíno, de qualidade, em oposição à igreja “enlatada” e supostamente não genuína do século 20. Para McLaren o que os evangélicos precisam é do novo cristão, de uma nova forma de seguir a Jesus que emerge dos escombros do cristianismo dividido por lutas teológicas, da negligência das responsabilidades sociais e da tirania do capitalismo conservador da modernidade. Para ele,

Cada um desses novos desafios [da pós-modernidade] requer que os líderes cristãos criem novas formas, novos métodos, novas estruturas – e requer deles que encontrem novo conteúdo, novas ideias, novas verdades e novo significado que sustente os novos desafios. As novas mensagens não são incompatíveis com o evangelho do reino que Jesus ensinou. Não, elas são inerentes a ele, mas previamente eram não descobertas, não expressas, talvez não imaginadas.

O conceito de uma cosmovisão integral com valores objetivos e absolutos é impossível de ser vivido de maneira coerente e relevante nos tempos da pós-modernidade. O protesto, então, é resultado da forma incoerente como vive o cristianismo que se diz bíblico. Esta inquietação é relatada quando McLaren diz que

Através desses anos [de ministério] um sentimento desconfortável começou a me mostrar que o retrato de Jesus que eu encontrei no Novo Testamento não se encaixava com a imagem do cristianismo projetada pelas instituições religiosas, tele-evangelistas carismáticos, representantes religiosos na mídia – e, às vezes, minha própria pregação.

Carson expõe o protesto do movimento emergente em três frentes: protesto contra a igreja evangélica tradicional, contra a forma como interpreta o modernismo e contra a igreja “seeker-sensitive”. Além dos três pontos observados por Carson, destaco o protesto contra os conceitos de autoridade e hierarquia. É comum encontrar nos relatos emergentes a noção de que as estruturas eclesiásticas do modernismo e suas hierarquias são antibíblicas. Em igrejas emergentes não se encontram pastores “efetivos” ou principais. Até mesmo na liderança do movimento encontra-se o constante debate. Quando Tony Jones foi apontado como diretor nacional do site emergent-US, houve grande debate e acusações de que o movimento estaria caminhando para aquilo que ele negava em sua essência: estruturas hierárquicas. Depois do debate o seu título foi mudado para “coordenador nacional” do movimento emergent-US.

Esse perfil de protesto marca o movimento como desconstrucionista. A igreja evangélica no final do século 20 precisa ser desconstruída para ser reconstruída, a começar dos conceitos de verdade absoluta que a mesma mantém. Para Kimball a igreja vive um momento de transição entre o modernismo e pós-modernismo e isto exige que as bases do cristianismo moderno sejam realinhadas para a geração pós-moderna. O cristianismo do modernismo é fundamentado no monoteísmo racional e na religião proposicional, com uma sistemática local e uma verdade individualista. Já na era pós-moderna o cristianismo se fundamentará no pluralismo experimental, na narrativa mística, fluida, global, e na preferência comunal/tribal. Quanto mais as gerações se afastam do modernismo, menos terão condições de compreender as propostas do cristianismo daquela época. Logo, afirmam Gibbs e Bolger:

As igrejas emergentes estão diante de uma tarefa formidável à medida que se esforçam para distinguir entre as partes da vida da igreja que tem as suas raízes na cultura moderna, a serem descartadas, e as partes que são evangelho e devem ser mantidas.

Esse protesto soma-se ao protesto contra a teologia sistemática. Segundo McLaren:

As teologias sistemáticas são construções maravilhosas do fim do período medieval-moderno; para mim, são como as catedrais do tempo medieval. Embora poucos de nós adoremos em catedrais, nós as valorizamos e sabemos que deveriam ser preservadas pela sua beleza. A simetria intelectual e a grande estrutura das teologias sistemáticas igualmente deveriam ser preservadas e admiradas. Mas o meu palpite (e esperança) é que não vamos viver de teologia sistemática somente, no futuro, mas vamos aprender como habitar a história bíblica… e aplicá-la em nossas vidas.

Logo, o protesto emerge em todas as frentes, desde as estruturas geradas pela teologia evangélica até a própria teologia per se e a base epistemológica sobre a qual ela está fundamentada.

3.3 Missional
O termo missional é frequente na literatura emergente. Quase todas as descrições feitas do movimento também apontam para esta como outra de suas principais características. Nesse contexto, um dos conceitos básicos de “ser missional” é ser autêntico. Gibbs e Bolger descrevem as igrejas emergentes como

comunidades que praticam o caminho de Jesus dentro das culturas pós-modernas. Essa definição envolve nove práticas. Igrejas emergentes: (1) identificam-se com a vida de Jesus, (2) transformam o ambiente secular e (3) vivem vidas comunitárias intensas. Por causa dessas três atividades, elas: (4) acolhem os estranhos, (5) servem com generosidade, (6) participam como produtoras, (7) criam como seres criados, (8) lideram como um corpo e (9) tomam parte nas atividades espirituais.

Na verdade, esse é um aspecto positivo do movimento, exatamente por demonstrar uma intensa preocupação com os incrédulos e uma considerável eficiência no alcance de não cristãos. Por outro lado, as ênfases tendem a levar os grupos a uma relação extremamente horizontal, na qual a pregação do

evangelho e a ação social, por exemplo, tornam-se indistintas e os discursos quase que se confundem, em nova embalagem, com os da teologia da libertação.

Assim sendo, a ação social, como ato de amor, já é pregação e pode dispensar a proclamação. Gibbs e Bolger afirmam que a única metanarrativa viável é a missio Dei, que “redime a nossa realidade material, acolhe os estranhos, compartilha generosamente, capacita, ouve, dá espaço e oferece a verdadeira liberdade”. Essa característica revelaria a natureza “encarnada” do cristianismo, da mesma forma que Jesus andou entre as pessoas pobres e rejeitadas e foi parte da sua transformação social. Essa confusão pode também ser percebida nos escritos de McLaren. Para ele:

… a fé cristã missional afirma que Jesus não veio tornar algumas pessoas salvas e outras condenadas. Jesus não veio ajudar algumas pessoas a serem corretas enquanto deixa todas as demais erradas. Jesus não veio para criar outra religião exclusiva – o judaísmo estando exclusivamente baseado na genética e o cristianismo estando baseado exclusivamente na crença (o que pode ser um requisito mais difícil do que a genética).

Nesse sentido, ser missional é ser absolutamente inclusivista. A base bíblica usada pelo autor é o chamado de Abrão, quando Deus prometeu abençoá-lo e fazer dele uma bênção para todas as nações. Tomar esta bênção e enfatizá-la em detrimento da segunda parte (em ti serão abençoadas todas as nações da terra) é não ser missional, nem generoso e nem ortodoxo, ou seja, receber a bênção implica em distribuí-la generosamente a todos, sem exigir nada de volta. A bênção, nesse sentido, não é simplesmente levar o evangelho de Cristo, mas agir como se todos os que estão à nossa volta já tivessem recebido a bênção. Em algumas dessas comunidades o princípio usado é de que nenhum aspecto das ações internas da comunidade deveria fazer com que um de seus membros tivesse vergonha de levar um amigo à reunião ou culto. Na igreja moderna a ordem seria crer e depois pertencer. No movimento emergente a ideia é primeiro pertencer e depois crer.

3.4 Linguagem, culto e pregação
Uma das características visíveis da igreja emergente está no seu uso da linguagem e na sua forma de manifestação de culto, que são prontamente observáveis nos sites e literatura. Kimball tem vários capítulos descritivos em seu livro e nesta seção utilizo bastante o seu material. Um dos argumentos fundamentais é que a comunicação para a mente pós-moderna não pode acontecer de forma linear. Para a geração que cresce nos tempos contemporâneos a comunicação precisa acontecer em forma de rede, como um site na internet, onde as possibilidades de continuidade são inúmeras e, na verdade, ninguém sabe onde ela vai terminar. Uma das propostas fundamentais na comunicação emergente é a criação de um culto experimental e multissensorial, numa atmosfera trabalhada por luzes, velas, símbolos, mensagens multimídia, arte estática e em movimento, espontânea e participativa, dando sempre lugar à experiência. Isto seria uma reação ao culto na igreja moderna que coloca os adoradores mais como expectadores e que exige muito pouco envolvimento no ato de adoração. Na “Liquid Church” (Igreja líquida), por exemplo, o culto é descrito como “Intenso e apaixonado. Sonhador e reflexivo”.

Os elementos de culto propostos por Kimball em Emerging church parecem ser sérios e ponderados. Há um incentivo ao uso da música sem permitir que a letra seja esquecida, bem como as leituras bíblicas feitas antes dos cânticos, as ofertas, a Santa Ceia, a leitura de credos e a oração. Além do mais, um capítulo inteiro do livro é dedicado à forma da pregação. Existem vários aspectos positivos nas declarações feitas por Kimball, como, por exemplo, o fato de que no ato de cantar não se deve ser apenas um observador, alheio ao que se está cantando. Em sua comunidade, os músicos costumam ficar ao fundo do auditório para não se tornarem o foco durante os cânticos e não darem a impressão de uma apresentação musical. Contudo, junto a tudo isto ocorrem várias práticas estranhas ao protestantismo histórico e que se associam mais ao catolicismo romano, algumas delas bem características do misticismo medieval e até pagãs. Um dos exemplos oferecidos pelo próprio autor do livro é a queima de incenso durante a experiência das ofertas, dando ao adorador a noção de que “as suas orações e ofertas estavam, na verdade, subindo a Deus como um aroma agradável”.

Várias das igrejas emergentes encontradas na internet também possuem as suas estações de oração nas quais os participantes circulam, dando “passos de oração”. Segundo Kimball, em um dos programas de sua igreja as estações representavam cada uma das disciplinas ou aspectos de uma vida cristã sadia. Encontravam-se nelas objetos relacionados ao seu tema. Em uma das estações, descreve Kimball, colocaram uma cruz feita de espelhos onde cada um poderia contemplar-se na cruz e ter uma noção de como Cristo havia levado os pecados nela. Todo o experimentalismo tem como objetivo atrair o jovem pós-moderno em busca de experiências sensoriais e levar-lhe a mensagem do evangelho.

Todavia, Kimball adverte contra o perigo das experiências chamarem mais atenção para si mesmas do que para Jesus. Existem, inclusive, sugestões de como o ambiente de culto pode ser preparado para oferecer uma atmosfera mais favorável ao culto multissensorial. Propõe-se a não linearidade dos assentos, mas a circularidade do ambiente e a presença de simbologia por todos os lados. Dentro de todo este contexto encontramos muito da busca de uma “nova espiritualidade” mística. A prática da “oração contemplativa”, em que a união mística com Deus é buscada através da meditação com a repetição de mantras, é incentivada por ministérios que têm sido formadores dentro do movimento, especialmente o Youth Specialties, fundado por Mike Yaconelli, que promove retiros contemplativos para jovens.

Lendo partes do capítulo sobre a pregação, poder-se-ia confundi-lo como o desafio de um pregador reformado que conclama ao retorno à pregação bíblica profunda. De fato, Kimball condena a superficialidade da pregação nas igrejas das últimas décadas e mostra a necessidade de voltar à exposição bíblica como forma de ensino para o povo de Deus. O problema aparece, no entanto, quando a proposta de pregação se volta para o estilo narrativo e são apresentadas as diferenças entre a pregação da igreja moderna e aquela a ser praticada na igreja emergente. Ele afirma que na igreja moderna o “sermão é o ponto focal do culto” enquanto que na igreja emergente “o sermão é uma parte da experiência do ajuntamento de culto”; “o pregador serve como um despenseiro das verdades bíblicas para ajudar a resolver problemas pessoais na vida moderna… [ele] ensina como a sabedoria antiga da Escritura se aplica à vivência do reino como um discípulo de Jesus”; “a mensagem bíblica é comunicada primariamente por palavras… [ela] é comunicada por um misto de palavras, elementos visuais, artes, silêncio, testemunho e história”. Nesse sentido, a pregação no culto cristão deixa de ser uma exposição objetiva da verdade para ser a experiência individual de uma espiritualidade impossível de ser definida. O conteúdo da pregação emergente, para ser relevante, vê a Bíblia como “uma narrativa viva que ilumina a nossa história e não como uma verdade proposicional que deve ser observada”.

4. AVALIAÇÃO PRELIMINAR
Como foi proposto no início, este artigo tem somente a intenção de oferecer uma avaliação preliminar, tendo em vista que muito do que ainda vamos entender por igreja emergente está por vir. Do que até agora se configura como tal, podemos destacar pontos positivos e negativos do movimento.

A busca da comunicação efetiva dentro da cultura é, com certeza, um ponto que deve levar a igreja à reflexão, e nisto o movimento emergente nos chama a atenção. O perigo de tornar-se irrelevante é sempre presente para a igreja em qualquer tempo e, com certeza, a igreja de “nosso tempo” deixa de falar efetivamente em muitas situações, principalmente pelo medo de expor-se e viver no mundo. Conforme a oração do Senhor em João 17, não somos do mundo, mas vivemos nele e nele temos que pregar o evangelho de Cristo.

Essa pregação precisa ser compreensível e relevante, e o uso de uma linguagem efetiva e compreensível ao homem dos dias de hoje é fundamental. O lado negativo desse aspecto, parece-me, é que o movimento emergente prega um tipo de “relevância a qualquer custo”. Para ser relevante, o movimento (ou aqueles que são reconhecidos como seus líderes) tem proposto a negação de fundamentos bíblicos essenciais, como a caracterização da verdade bíblica.

Alguns teólogos tem sido o referencial para o desenvolvimento desse tipo de pensamento, entre eles Stanley Grenz. Outro ponto importante é o desejo da chamada igreja emergente de ser missional. Se as comunidades emergentes tomarem o termo missional como o desejo de autenticidade, a negação da hipocrisia e do espírito farisaico e a vontade de não manter estruturas que facilitem esse estado de coisas, estarão, com certeza, mais próximas de apresentar o verdadeiro evangelho com impacto em meio à sua geração e cultura. Creio que algumas delas provavelmente o farão. O lado negativo, no entanto, está na adoção do conceito missional inclusivista. Essa proposta leva o movimento ao radicalismo do antirradicalismo, a ponto de propor que a mensagem do evangelho de Cristo não é radical, do tipo “quem não é por mim é contra mim”, mas uma mensagem condescendente, receptiva de diferenças e não condenatória. Afinal, nesse sistema de pensamento tudo o que se propõe como exclusivo é considerado preconceituoso. Outro aspecto positivo do desejo missional é o envolvimento das comunidades com ações de caráter social que, de fato, ajudam e tocam as classes menos favorecidas da sociedade, buscando a erradicação da fome e da pobreza. Todavia, como todo envolvimento da igreja em causas sociais, as comunidades emergentes correm o risco de fazerem da causa social tanto o seu fim último como a sua motivação primeira.

Em que pesem os aspectos positivos do movimento, a sua fundamentação filosófico-teológica nos faz avaliar a sua proposta geral como mais negativa do que positiva. A adoção da mentalidade pós-modernista e do pluralismo da verdade nega, no seu cerne, a proposta bíblica e seus absolutos. Entre os pensadores emergentes está clara a proposta do pluralismo da verdade, no qual “o conhecimento não mais é visto como verdade absoluta; ao contrário, o conhecimento é visto em termos de reorganizar informações em novos paradigmas”.

A crença em absolutos não é um marco ou privilégio da igreja moderna, mas é fruto da revelação objetiva de Deus através dos séculos. Outro grande perigo apresentado pelo movimento é a adoção de práticas pagãs na igreja. As práticas de meditação e contemplação propostas por muitos de seus líderes são contrárias aos ensinamentos da Escritura e se configuram como tentativas idólatras de alcançar a divindade. É preocupante ver os passos que estão sendo dados em nome de uma busca espiritual que desconsidera a Escritura como fonte de toda a verdade. Pode a igreja viver assim? Não creio. Uma igreja em que o fundamento básico, a verdade, está solapado, não poderá sobreviver, porque necessariamente deixará de ser igreja. Portanto, a igreja emergente, seja como movimento ou como igreja, deve passar, assim como já passaram muitos outros movimentos contemporâneos que começaram como “a resposta” para os problemas da igreja. A negação aberta das características de autoridade, convicções e expressão doutrinal clara apontam para a direção oposta do que as Escrituras afirmam e a igreja experimentou e comprovou durante toda a sua história.

ABSTRACT
This article attempts to make a preliminary analysis of the movement known as the “emergent church” and to identify the main influences it received. The first purpose of the article is to define the movement, however difficult this may seem due to its postmodern characteristics. After an initial definition, the author deals with the origins of the movement and its significance. He also addresses its main characteristics and analyzes its philosophy through the eyes of its main proponents. The most outstanding traits of the movement can be summarized in its attitudes of pluralism and protest as demonstrated by its mission definition, language, worship, and preaching.

KEYWORDS
Emmergent church; Postmodernism; Metanarrative; Pluralism; Culture; Inclusivism; Missional; Contemplative; Paganism.

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Notas
37 CARSON, Igreja emergente, p. 32-33.
38 McLAREN, A generous orthodoxy, p. 276-277.
39 Entrevista citada em GIBBS e BOLGER, Emerging churches, p. 38-39.
40 YACONELLI, Mike (ed.). Stories of emergence: moving from absolute to authentic. Grand Rapids: Zondervan, 2003.
41 McLAREN, Generous orthodoxy, p. 192-193.
42 McLAREN, Brian. The secret message of Jesus: uncovering the truth that could change everything. Nashville: W Publishing Group, 2006.
43 CARSON, Igreja emergente, p. 42-48.
44 Ibid., p. 42. O desconstrucionismo é o método de pensamento da pós-modernidade, que sempre parte da hermenêutica da suspeita.
45 KIMBALL, Emerging church, p. 58-61.
46 GIBBS e BOLGER, Emerging churches, p. 88.
47 McLaren, em comentário no livro de KIMBALL, Emerging churches, p. 177.
48 GIBBS e BOLGER, Emerging churches, p. 44-45.
49 Emerging churches, p. 46.
50 McLaren, Generous orthodoxy, p. 109-110.
51 Ibid., p. 110.
52 Liquid Church, Our Worship.
Em: http://liquidchurch.typepad.com/liquidchurch/06_our_worship_/index.html. Acesso em 7 abr. 2006.
53 KIMBALL, Emerging church, p. 161.
54 Ibid., p. 168.
55 Ibid., p. 249. No final do livro o autor chega a propor um esboço de planta para reuniões emergentes.
56 Ver os sites http://www.youthspecialties.com e a gama de eventos em http://ymsp.org/events/
index.html. Os direitos sobre as publicações de Yaconelli e do Youth Specialties foram adquiridos recentemente pela Editora Zondervan. Sobre a “oração contemplativa”, sua história e prática, ver o site Contemplative Outreach, http://www.centeringprayer.com/. Ver o que é recomendado por PERSCHON, Mike, em Contemplative Prayer Practices,
http://www.youthspecialties.com/articles/topics/spirituality/contemplative.php (acesso em 22 maio 2006). Entre as recomendações estão as práticas de respiraçãoprofunda, Lectio Divina, contemplação inaciana, labirintos, Taizé e Iona.
57 KIMBALL, Emerging churches, p. 175.
58 FROST, Pamela. The emerging church – the invasion of mysticism. Trabalho não publicado, apresentado na conferência Christian Witness for a Pagan Planet (Testemunho cristão para um planeta pagão), janeiro de 2006, Escondido, Califórnia.
59 Ver, GRENZ, Stanley, Renewing the center: evangelical theology in a post-theological era. Grand Rapids: Baker, 2000. Outros teólogos que tem servido à proposta pós-moderna são Roger Olson, Nancey Murphy e John Franke.
60 VEITH, Gene Edward Jr. Tempos pós-modernos. São Paulo, SP: Cultura Cristã, 1999, p.42 e 50.

 

 

 

 

 

 

 

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