A palavra que prende e liberta

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A palavra liberta exatamente porque “prende” a determinados sentidos. Uma das críticas que Paulo lança contra o falar em línguas é justamente a falta da clareza que permitiria compreensão ao referido dom (1Co 14.9). Como ilustração, ele o compara ao efeito do som incerto de uma trombeta (v. 8). Em nosso contexto poderíamos falar do semáforo num cruzamento: a luz de uma cor prende o trânsito justamente para libertar o da outra direção.

Jesus aborda o fato de que é a palavra que tanto prende como liberta, em João 8.31-36. Ele nos apresenta um triângulo no mínimo curioso. Os três lados são: palavra-discípulo, verdade-libertação e filho-ser livre. O caminho para o discipulado e o conhecimento é a palavra. A libertação, por sua vez, surge da verdade contida na palavra e conhecida na comunhão com aquele que a proferiu. Para evitar dúvidas, Jesus insiste em que o homem será livre quando o Filho o libertar. É óbvio que para Jesus a verdade tem parâmetros. Ela é limitada pela compreensão que a própria linguagem possibilita. Em termos religiosos e teológicos, ela é limitada à palavra dEle. Estando no singular, logos engloba a totalidade da revelação trazida por Jesus.

Por extensão, a palavra de Jesus inclui a sua explicitação pelos apóstolos no NT e sua base veterotestamentária. Isto se vê, primeiro, na maneira pela qual Ele citava o AT. Em segundo lugar, há a passagem preciosa de Lucas 24.27 onde Ele citava referências de Si mesmo em todo o AT. Quanto ao NT ser uma explicitação do logos de Jesus, o Concílio Vaticano II adota uma posição semelhante. Seguindo os estudos preliminares de Geiselmann, os bispos do Concílio rejeitaram a interpretação tradicional de Trento que falava em duas fontes paralelas: uma escrita e outra oral. Assim a Constituição dogmática sobre a Revelação Divina (7-10) fala de uma só fonte, Jesus Cristo, e que Este entregou a revelação aos apóstolos, os quais, por sua vez, passaram-na à Igreja, ora de forma escrita, ora de forma oral. Mas a revelação é uma só, a palavra de Cristo.

A palavra de Cristo liberta porque prende. Ela nos livra das vicissitudes culturais que tendem para o sincretismo, o que deforma a fé revelada. Ela o faz prendendo o intérprete a um determinado conteúdo. Logo, a compreensão da verdade que liberta depende de dois momentos distintos na apreensão da palavra de Cristo. O primeiro é a fidedignidade do texto que veicula esta oalavra. O segundo é uma hermenêutica adequada para elucidar a verdade que liberta. Este artigo limitar-se-á ao primeiro destes dois momentos.

A RELEVÂNCIA DA BÍBLIA PARA A TEOLOGIA
Hoje há uma crescente tendência por parte dos teólogos de minimizar o papel da Bíblia na elaboração da teologia. Isto quando ela não é deixada inteiramente de lado ou usada apenas para ilustrar conceitos provenientes de outras fontes.
Hugo Assmann, por exemplo, insiste em que o “texto original” da teologia da libertação seja “a nossa realidade e a nossa prática”. Após rejeitar tanto os resultados dos exegetas como os paradigmas bíblicos do fundamentalismo da esquerda, volta a insistir em que o ponto de referência básico e primário é “nossa situação”.1  O livro Como fazer teologia, de Alszeghy e Flick, é a seu próprio modo uma espécie de expansão deste princípio que fundamenta a obra de Assmann. Os autores levam-no às consequências práticas.2

Embora a teologia da libertação tenha várias formas, todas elas esquivam-se de afirmar a autoridade do texto bíblico em seu sentido histórico-gramatical. Aliás, Juan Luís Segundo declara abertamente que uma teologia baseada em uma interpretação literal do texto bíblico leva inexoravelmente à teologia tradicional da Igreja.3  Por isso insiste em seu círculo hermenêutico como único meio de escapar disto. Nem Carlos Mesters nem José Severino Croatto, os dois que analisam mais a fundo o problema hermenêutico, fogem dessa regra.4

A linha desenvolvida pela Fraternidade Teológica Latino-Americana (FTLA) tende a seguir o caminho aberto por Paul Tillich, a saber, a “correlação”. No caso de Tillich é a filosofia que levanta as questões cruciais, ao passo que a fé bíblica as responde.5 Já na fraternidade teológica os teólogos procuram uma base equilibrada que leve a sério tanto a Bíblia quanto a realidade. Acontece, porém, que partem da problemática da realidade latino-americana para descobrir a resposta bíblica. Mas a própria ideologia que informa a pergunta acaba dirigindo a resposta bíblica. Assim a Bíblia pode vir a ocupar um lugar apenas confirmador de posições já adotadas ou fornecer paradigmas para práticas hodiernas. De qualquer maneira, são os problemas atuais de nossa realidade que controlam a interpretação. A revelação bíblica fica tolhida às questões de relevância. Mas, relevância, por sua vez, não passa de uma ótica destacada por um determinado grupo dentro da realidade. Não é necessariamente uma visão comum a todos os participantes da comunidade.

A revista Vox Scripturae pretende afastar-se das tendências relativistas que põem a Bíblia em segundo plano no ato de fazer teologia. Por isso adota a seguinte base doutrinária:

Aceitamos a Bíblia como a palavra de Deus, verbal e plenamente inspirada pelo Espírito Santo, sem erro nos escritos originais, e como a revelação proposicional de Deus.

É a fidedignidade da revelação como autoridade última que norteará os editores da revista em sua escolha de artigos a serem nela publicados.

Vox Scripturae pretende levar a Bíblia a sério como norma de fé e prática. As frases na declaração acima destacam-se por sua expressão tradicional. Nisto Vox Scripturae parte da fé revelada na Bíblia como foi fielmente interpretada nos primeiros credos universais da Igreja. Mas levar a Bíblia a sério não é apenas dar uma olhada no retrovisor da história. É bem mais do que isso. É uma aplicação das Escrituras à vida da comunidade presente no que diz respeito a seus ensinos e práticas. É uma análise crítica das teologias das Igrejas tanto “oficial” quanto “popular”. Enfim, é a procura da verdade divina, sempre relevante, mesmo quando não é assim percebida.

Pretendemos ainda apresentar mais uma palavra introdutória. Todos concordam que a Bíblia é a palavra de Deus. Há diferenças de opinião quanto à maneira em que ela foi inspirada. Para uns, basta admitir o fato sem delongar-se sobre o “como” da inspiração. Mas convém reconhecer que as pressuposições de cada teoria de inspiração levam inevitavelmente a atitudes divergentes na hora de interpretar o texto. Não é, portanto, um simples exercício acadêmico o meditar sobre a maneira em que a Bíblia foi inspirada. Nem tampouco é um exercício sem importância a tarefa de fazer teologia. Voltaremos a esta questão.


A TEORIA E A PRÁTICA DE FAZER TEOLOGIA NO BRASIL

Há uma distância grande entre o que se afirma e o que se pratica em nosso meio. Se de um lado há um respeito evidente pela Bíblia como palavra de Deus, há do outro um sentimentalismo que pouca atenção dá ao que o texto de fato diz. O resultado é uma tendência de usar as Escrituras como uma espécie de adorno para “demonstrar” conceitos cuja origem está em uma ideologia diversa e incompatível com a revelação.

Gaba-se de contextualização, da necessidade de se produzir uma teologia que seja “nossa”. Esquece-se, porém, que quanto mais bíblica for uma teologia, mais universal ela será em seus conceitos. Pior ainda, esquece-se que uma luta travada entre a “nossa” e a “importada” parte de uma colocação falsa do problema. O que é denominada “nossa” é na realidade uma variante da teologia europeia. Como Míguez-Bonino bem reconhece, quem lê a teologia da libertação percebe claramente a voz de Barth, Bonhoeffer, Moltmann, etc. Ele sugere, entretanto, que o produto final é latino-americano.6 É e não é. Registro aqui apenas a observação de Malachi Martin em The Jesuits. Ele afirma que a essência do que veio a ser a teologia da libertação já estava desenvolvida na Europa, aguardando apenas um lugar para ser posta em prática.7 Todos os “pais” católicos dessa teologia latino-americana formaram-se na Europa.

Desde a publicação de Teologia da libertação de Gustavo Gutiérrez (1971), os pensadores deste movimento proclamam que a teologia deve se basear na práxis. Ela deve partir da própria comunidade dos oprimidos. No entanto, a literatura produzida por estes teólogos nos anos 70 mostra que o novo não surgiu de uma análise da práxis da comunidade oprimida. Muito pelo contrário, a teologia da libertação surge da opção por uma ideologia. A demonstração desta afirmação se vê de dois lados. Primeiro, a leitura dos livros, inclusive as citações em que se baseiam, tornará clara a origem das ideias. Em segundo lugar, Juan L. Segundo escreve um interessante artigo no qual divide a história da teologia da libertação em duas partes: até 1984, um período de grande produção literária. Após este ano, os teólogos pararam para ouvir as bases, para levar a sério o que proclamavam.8 Insistem com Pablo Richard que a Bíblia é a “memória dos pobres” e, portanto, apenas os oprimidos podem interpretá-la.9 Desta forma uma razão extra-bíblica torna-se a chave para o conhecimento da revelação. O fato é, entretanto, que as linhas mestras desta teologia mudaram muito pouco desde que foram lançadas na década de setenta com base na análise marxista.

Outro elemento que abriu caminho para esvaziar o sentido do Texto foi o conceito barthiano de revelação: Deus revelou-Se, mas não comunicou nenhum conteúdo. Tal conceito tomou duas formas no Brasil: a tese de Wright em seu livro O Deus que age é que Deus nada falou, Ele agiu e a Bíblia incorpora a reflexão humana a partir de seus atos,10  e a tese de Von Rad, em sua obra Teologia do Antigo Testamento, que é mais sofisticada, mas apresenta sempre o mesmo resultado. Não pode se prender ao significado de qualquer passagem particular. No entanto, é possível confiar que apenas as linhas mestras que se repetem ao longo das Escrituras sejam os veículos de revelação.11 Os conceitos de Wright e Von Rad são suscetíveis a várias críticas. É óbvio que não era assim que Jesus e os apóstolos interpretavam o AT. Por exemplo, compare a exegese de Jesus em Mateus 22.31-32 ou de Paulo em Gálatas 3.16.

Em segundo lugar, também é evidente que a escolha e a interpretação das “linhas mestras” obedecem a uma pré-escolha baseada em pressuposições ideológicas. Logo, a mensagem da Bíblia é tolhida por elementos culturais, mesmo quando se procura o essencial da palavra. Há apenas uma maneira de escapar deste subjetivismo: determinar quais sejam as reais linhas mestras a partir do próprio texto através de uma análise do significado literal de todas as suas partes. Em uma palavra, é deixar o texto falar sem que se imponham questões de “relevância”.

A prática de partir para o sentimento é muito comum em nosso meio. Embora seja quase o oposto das abordagens acadêmicas anotadas acima, a leitura do texto que visa tão somente o que ele diz “para mim” acaba caindo no mesmo erro. Tende-se a ignorar o que a Bíblia diz. Focaliza-se uma mensagem que trate de necessidades reconhecidas. Ao invés de ser revelação normativa, ela vira um garimpo no qual o leitor procura “pepitas” que satisfaçam as necessidades impostas pelo contexto. As interpretações teológicas que assim surgem não passam de uma expressão dos anseios profundos do pregador e/ou da comunidade. Tais interpretações são importantes, mas não necessariamente bíblicas.

CONCEITOS INADEQUADOS
Vox Scripturae
afasta-se das maneiras acima esboçadas: da teologia da libertação, da fraternidade teológica latino-americana e da prática espiritualista. Procura deixar a palavra de Deus exercer sua ação dupla de libertar e prender. Para poder atingir este propósito parte do pressuposto de que a Bíblia é inspirada verbal e plenamente pelo Espírito Santo no sentido histórico destes termos.

O conceito de “inspiração plenário-verbal” rejeita as tentativas que, para evitar as dificuldades que este traz em si, assumem soluções que comprometem a inspiração completa da Bíblia. Rejeita também as que eliminam o aspecto humano da produção e da forma final da revelação. Primeiro, a teoria dinâmica da inspiração assevera que os escritores receberam as ideias do Espírito Santo, mas são eles os responsáveis pelo texto bíblico. Isto explicaria estilos diferentes, contradições aparentes, citações imprecisas do AT, etc. Esta maneira de resolver estas dificuldades é falha por duas razões: uma é linguística, a outra, teológica. Quanto à primeira, não há ideias sem verbalização. O homem só adquire um conceito compreensível quando este é explicitado em palavras. Logo, dizer que o Espírito deu as ideias e os autores humanos as vestiam de palavras é absurdo. A segunda razão é que o conceito de que a contribuição do Espírito Santo é reduzida a ideias nebulosas torna as Escrituras um livro eminentemente humano. Seu elemento divino é escondido, para não dizer perdido.

A teoria de testemunha, em segundo lugar, torna a Bíblia ainda mais um simples livro humano. Deus agiu e, nas palavras de Wright, os homens refletiram sobre o evento. O texto bíblico seria o produto dessa reflexão. A teologia da libertação afasta-se ainda mais da inspiração divina. O AT é reduzido à memória dos pobres por Pablo Richard.12  Croatto, em sua análise do Êxodo, diz claramente que Deus nem sequer agiu. O povo libertou-se do Egito e, posteriormente, colocou Deus na história.13  Nem as ideias nem as palavras são dadas pelo Espírito. Deus age, mas não fala. O homem interpreta. Ficamos com um livro no qual não há garantias de que as interpretações humanas estejam certas, nem tampouco que correspondam às intenções divinas. As Escrituras tornam-se uma obra totalmente humana, embora creia-se que Deus a tenha escolhido para Se revelar aos homens.

Em terceiro lugar, rejeita-se o conceito de que as Escrituras foram ditadas pelo Espírito de Deus. Não há autor sério que defenda a ideia de que as Escrituras foram psicografadas ao estilo dos livros de Chico Xavier. Mesmo assim, muito crente simples entende que a Bíblia foi inspirada desta maneira e que o elemento humano limita-se aos pecados relatados no texto. Mais absurda ainda é a atitude dos que nos acusam de defender a ideia de que o Espírito ditou o texto bíblico. Acham que, quando expomos a inspiração plenário-verbal, cremos que os autores foram simples instrumentos (como uma caneta) na mão de Deus, sem nenhuma contribuição individual ou humana.

Como foi indicado acima, não conheço nenhum autor da atualidade que defenda a teoria de que as Escrituras foram ditadas pelo Espírito. Segundo esta teoria não haveria maneira convincente de resolver as dificuldades que ela levanta. Dificilmente um texto realmente psicografado pelo mesmo Espírito divino mostraria as diferenças de estilo e vocabulário apresentadas pela Bíblia entre um autor e outro. Nem tampouco deixaria registrar as contradições aparentes como existem na cronologia dos reis do AT. Como explicaria as diferenças entre o que é registrado sobre o que Jesus disse em um evangelho e sua passagem paralela no outro? Compare, por exemplo, Mateus 3.17 com Lucas 3.22. Além disso, lembre-se das diferenças nas citações do AT quando feitas pelo NT. Se o mesmo Espírito ditou as duas passagens, como explicar as diferenças? E, para pôr fim a esta breve lista de dificuldades, como explicar leituras textuais divergentes nos manuscritos antigos? O mesmo Espírito que tomou o cuidado de ditar o texto não teve o mesmo cuidado no processo de copiá-lo?

INSPIRAÇÃO PLENÁRIO-VERBAL
De um lado, há o testemunho das próprias Escrituras a respeito de sua própria inspiração. A título de exemplo: Paulo faz referência ao AT em 2Timóteo 3.14-17. E Pedro, quanto aos escritos de Paulo, em 2Pedro 3.14-16. João registra uma palavra de Jesus quanto ao valor permanente do AT, em João 10.35. Do outro lado, há o testemunho subjetivo da Bíblia no coração e na vida de quem a lê. Foi justamente este o argumento de Calvino contra a Igreja Católica. Esta insistia em que a autoridade das Escrituras dependia da Igreja. Calvino rejeitou esta afirmação, demonstrando que a Bíblia autentica a si mesma.14

Ao afirmar que a Bíblia é a Palavra de Deus, verbal e plenamente inspirada pelo Espírito Santo, Vox Scripturae afirma que a inspiração alcança todas as partes da Bíblia (desde Gn 1 até Ap 22), bem como as próprias palavras em que a Bíblia foi redigida nas línguas originais. Isso quer dizer que as ideias a serem escritas foram suscitadas pelo Espírito já verbalizadas no estilo e linguagem dos próprios escritores bíblicos. Duas observações para ajudar a evitar a psicografia e o relativismo: entende-se primeiro que quando o Espírito ajudou os autores a verbalizar a revelação, respeitou a realidade deles, a saber: cultura, vocabulário, estilo, etc. E, em segundo lugar, o Espírito guardou-os de erro ao mesmo tempo que lhes permitia a expressão individual.

CONCLUSÃO
As Escrituras, portanto, estão firmemente inseridas em uma determinada cultura, tomando dela seu vocabulário, ilustrações e até práticas. Mas a Bíblia é muito mais do que um livro que traz a história de culturas há muito desaparecidas. Ela continua a falar por ser um livro divino, transmitindo nessa roupagem humana a palavra que prende e liberta. Ela é ao mesmo tempo divina em sua origem e humana em sua apresentação. Cabe-lhe a mesma relação que há entre as duas naturezas de Jesus Cristo.

Há duas implicações deste fato que precisam ser verbalizadas. A primeira: como Jesus não teve pecado (Hb 4.15), assim também a Bíblia é isenta de erros nos manuscritos originais. É verdade que não os temos. Mas os milhares de manuscritos que temos são suficientes para nos dar confiança. O texto original não pode ser muito diferente do que este testemunho global. E mais! O que parece erro ou contradição deve ser analisado com cuidado para não cairmos em interpretações simplistas que erram por não conhecer o próprio texto.

A segunda implicação a ser levantada tem a ver com a natureza da mensagem divina. Sendo verbalizada sob os cuidados do Espírito Santo, a revelação registrada nas Escrituras é de natureza proposicional. Apesar de todos os problemas linguísticos, inclusive o de ser inadequada para as verdades absolutas, é pela linguagem humana que Deus escolheu Se revelar. Há declarações bíblicas insondáveis, entre as quais está “Deus é amor”. Mas por serem insondáveis, nem por isto são “equívocas” (Barth). Caminhamos em seu significado real sem, entretanto, esgotar seu significado.

A Bíblia revela a mensagem divina para o homem em palavras compreensíveis, embora encarnada em outra cultura. Revela o que Deus quer que este saiba e faça. Portanto, a questão de contextualização e relevância é importante, mas pode acabar pondo a perder a revelação no desejo de se achar o que a Bíblia diz para nós hoje. O que Deus diz sempre é revelante, mesmo quando o leitor assim não o considera. Por isso convém que estejamos sempre atentos ao que proclamam as Escrituras.

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  1Hugo Assmann, Theology for a Nomad Church, trad. por Paul Burns (Nova Iorque: Orbis, 1976) 105-106. Tradução do original Teologia desde la práxis de Ia libertação. (Salamanca: Sígueme, 1973).
  2 Zoltan Alszeghy e Maurizo Flick, Como fazer teologia, trad. por Isabel Fontes Ferreira (São Paulo: Paulinas, 1979). Verifique cap. 2 em particular.
  3Juan Luis Segundo, Libertação da teologia, trad. por Benno Brod (São Paulo: Loyola, 1978) 11.
  4Cf. Carlos Mesters, Por trás das palavras (Petrópolis: Vozes, 1974) e José Severino Croatto, Êxodo: uma hermenêutica da liberdade, trad. por J. Américo de Assis Coutinho (São Paulo: Paulinas, 1981).
  5 Paul Tillich, Teologia Sistemática, trad. por Gertúlio Bertelli (São Paulo: Paulinas, s.d.) 37-42.
  6 José Mígues-Bonino, Doing Theology in a Revolutionary Situation (Filadélfia: Fortress, 1975) 77-78.
  7Malachi Martin, The Jesuits: The Society of Jesus and the Betrayal of the Roman Catholic Church (Nova Iorque: Simon and Schuster, 1987) 52-60.
  8 Segundo, Juan Luis, “El cambio dentro de la teologia latino-americana (dos etapas)”, Cuademos de Teologia (Buenos Aires: ISEDET) 4:4 (1985) 7-20.
  9 Pablo Richard, “Biblia e a memória histórica dos pobres”, CEDI 8 (Rio de Janeiro, 1981) 29-35.
 10 George Wright, O Deus que age (São Paulo: ASTE, 1967).
 11 Gerhard•Von Rad, Teologia do Antigo Testamento (São Paulo: ASTE, 1957), I:113-136.
 12Richard, 29-35.
 13 Croatto, 63-66.
 14João Calvino, Institutas da Religião Cristã (São Paulo: Casa Editora Presbiteriana, s.d.), 1.7.

2 COMENTÁRIOS

  1. Achei o texto elucidativo,claro e firme. O meu problema,creio ser de outros, ‚ a interpretação e pr tica que os atuais pregadores dão. H  + de 40 anos ouvindo sofismas retiradas das Escrituras e no momento estou em fase de reciclagem mental da bíblia.Com um atraço do tito from brasília,df.

  2. Esse sem dúvida ‚ um assunto instigante e muito relevante. A igreja brasileira precisa trazê-lo a memória num momento em que, por v rios inimígos, a autoridade das Escrituras vem sendo atacada.

    Defender corretamente a inspiração do Espírito ‚ o ponto de partida sem o qual não se poder  refutar os argumetos que visam tirar da Bíblia seu revestimento divino, isto ‚, sua sacralidade.

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