Paulo e o embargante: um estudo exegético e pastoral

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O Apóstolo São Paulo, de Claude Vignon

Introdução

Este artigo se proporá ao exame de uma das mais importantes e intrincadas passagens das Sagradas Escrituras: 2 Tessalonicenses 2.1-17. Nela encontra-se a mensagem de Paulo para anular os efeitos de um falso anúncio de que “o dia do Senhor” já havia chegado: “ὡ ὅτι ἐνέστηκεν ἡ ἡμέρα τοῦ κυρίου”- (como se tivesse chegado o dia do Senhor).[1]Elian Cuvillier observou que em 1 Tessalonicenses (4.13-18) os crentes estão vivendo a crise da esperança, mas em 2 Tessalonicenses (2.1-12)  enfrentam uma crise entusiasta.[2] Esse  desequilíbrio dos leitores é destacado por Paulo quando emprega o verbo grego “Σαλεύω”.[3] No grego secular esse verbo era usado para descrever a “agitação do mar” o “tremor produzido por um terremoto” e a “ incerteza terrena.  Σαλεύω  transmite uma clara visão do desassossego mental experimentado pelos leitores originais da epístola. Diante desse quadro apresentado pelos leitores era de se esperar que Paulo procurasse orientá-los, e foi o que ele fez, no entanto seu ensino orientador constitui-se em uma das peças literárias mais complexas do Novo Testamento, com muitos termos intrincados como, por exemplo: “τὸ κατέχον” “aquilo que detém” e “ ὁ κατέχων[4] “o que detém”. Esses termos enigmáticos serão investigados nesta pesquisa no intuito de se saber quais as suas possibilidades identitárias. Além desse, buscar-se-á compreender outros aspectos do ensino paulino nessa passagem.[5]

Sintaxe complexa

Uma das grandes dificuldades para o intérprete de 2 Tessalonicenses 2 é lidar com a sintaxe complexa do grego dessa passagem, como veremos a seguir.

O verbo οἲδατε

Se não bastasse o enquadramento apocalíptico do ensino, a sintaxe usada pelo apóstolo Paulo nessa passagem é de difícil compreensão e levanta muitas dúvidas. Como, por exemplo, se os destinatários da carta realmente sabiam a identidade de “τὸ κατέχον” apenas pelo uso paulino do verbo “οἲδατε” (conheceis) na passagem. Esse verbo no perfeito do indicativo (voz ativa da segunda pessoa plural) de είδω é usado apenas em tempos passados e nessa passagem possui uma sintaxe complicada.[6]Não é fácil saber se ele se refere ao conhecimento recebido.[7]E muito menos se ele está se referindo à identificação do “τὸ κατέχον”, pois se estivesse a boa gramática grega pediria a formulação “τί τὸ κατέχον [εστιν].[8] Além disso, é possível que “οἴδατε” possa estar nesse contexto se referindo particularmente ao conhecimento da experiência e não a uma mera identificação.[9]

O advérbio “νῦν”

Além da dificuldade de se estabelecer a correta sintaxe do verbo οἲδατε, a passagem também não oferece uma fácil solução para a correta posição de “νῦν” (ora, agora). Esse advérbio tem seu sentido temporal completo de acordo com a ênfase no contexto sobre o funcionamento vigente do poder da iniqüidade (V.7), no entanto não pode ser simplesmente tomado pertencente a “τὸ κατέχον”.[10] Qual é a sua posição sintática então? “Νῦν” deve ser colocado em oposição ao que o precede “ἔτι ὢν” (ainda estando) ou em contraste com o que segue “ἀποκαλυφθῆναι αὐτὸν ἐν τῷ ἑαυτοῦ καιρῷ” (ser ele revelado em seu próprio tempo)?[11] Estaria “νῦν” introduzindo um novo ponto do argumento?[12]É difícil responder: os giros lingüísticos do apóstolo na passagem são desconcertantes, ele comunica sua mensagem dando a entender que ela atravessa três momentos verbais ao mesmo tempo: nos versos 3b e 4 com a frase:  “ ὅτι   ἐὰν μὴ ἔλθῃ”- “porque se não vier” ele dá a entender que está falando do que está por vir (futuro);  nos versos 6-7 com a locução: “καὶ νῦν”- “e agora” – chama a atenção para o que está acontecendo no presente; mas no verso 8 com a expressão “ καὶ τότε”-  “e então” temos a passagem do momento de fala do apóstolo para o futuro.[13]

Muitos autores argumentam que à medida que avançam na compreensão da relação de sintática do advérbio “νῦν” com outros vocábulos da passagem o sentido do texto torna-se mais complexo. Por exemplo, se “νῦν” estiver contrastando com o “ἔτι” (no verso 5) pode-se deduzir que os crentes tessalonicenses não sabiam exatamente o que Paulo tinha em mente quando usou as frases: τὸ κατέχον/ ὁ κατεχων.[14] Eis como o impasse sintático se impõe:[15]

Se “καὶ νῦν” for com “οἴδατε” o significado é “não se lembram de que quando eu estava com vocês costumava lhes falar estas coisas”? […] Agora se “καὶ νῦν” estiver conectado com “τὸ κατέχον” o sentido passa a ser “sabem que há uma coisa a impedir que isto aconteça por agora”. Ou seja, o que Paulo ensinou no passado (v.5) serve de base para que eles saibam o que estava detendo ou impedindo a ação do Perverso.

O advérbio “ἄρτι”

Muitos intérpretes estão cientes que o grande problema da perícope de 2 Tessalonicenses 2 é o impasse do “agora” de Paulo. Sabem que depois do difícil parecer sobre a posição sintática “νῦν” o próximo passo é estabelecer a posição sintática do advérbio “ἄρτι” (agora). Esse advérbio de tempo que pode indicar: (a) passado imediato; (b) presente imediato[16]é embaraçoso nessa passagem. Não necessariamente em relação ao seu sentido, mas porque Paulo o colocou em relação com o particípio masculino “ὁ κατέχων” o que sugere que “ὁ κατέχων” é similar a “τὸ κατέχον” mesmo que não temos um “τὸ νῦν κατέχον” ou um “τὸ κατέχον νῦν”.[17]Isso leva alguns autores a perguntar: será possível que o apóstolo depois de haver distinguido esses particípios pelo uso dos artigos no neutro (τὸ) e no masculino (ὁ) estivesse na verdade se referindo à mesma coisa?[18] Poderia ele estar apresentando seus argumentos iniciais de forma geral vindo mais à frente caracterizá-los?[19]

Será que “aquilo que detém” é diferente do “aquele” que detém? Ou será que Paulo falou inicialmente de forma geral e neutra – como também costumamos fazer em um caso desses – sobre o que detém para somente mais tarde caracterizá-lo mais precisamente como pessoa, como “aquele que detém agora”? Acima de tudo: a que ou a quem Paulo se referia concretamente com esse “que detém”?

A sintaxe de εἰς τὸ

Um grande obstáculo para a resolução dos impasses textuais na passagem de 2 Tessalonicenses 2 deve-se também ao fato de não haver em outros textos paulinos qualquer precedente daquilo que ele escreveu ali. Isso é verdadeiro, sobretudo em relação a certas construções, como, por exemplo, “εἰς τὸ” (para o). A suposição de que essa cláusula depende do “κατέχον” tem sérias dificuldades:[20] visto não haver um precedente paulino para relacioná-la a uma construção similar: preposição εἰς + artigo τὸ + infinitivo ἀποκαλυφθῆναι com um substantivo, ou melhor, com o particípio substantivado “κατέχον”.[21]Ao contrário, sempre que Paulo usa uma construção semelhante (preposição + artigo) ela depende sempre de um verbo mais próximo, é assim, por exemplo, em 2 Tessalonicenses 1.5; 2.1; 2.10; 2.11; 3.9.[22]Dessa maneira, e considerando o modo regular do uso paulino dessa cláusula, pode-se supor que “εἰς τὸ” depende não de “κατέχον”, mas do verbo “οἴδατε”.[23] Essa interpretação é possível, no entanto as imprecisões gramaticais da passagem não permitem uma opinião conclusiva aqui.[24]

A sintaxe das elipses

Um tipo de imprecisão comum na perícope de 2 Tessalonicenses 2 é a elipse: uma ideia incompleta que exige que o leitor acrescente o elemento omitido.[25] Como exemplo de elipse na perícope pode-se citar a frase “ὅτι ἐάν μή ἔλθῃ” – (porque se não vier). Nessa frase a apódase é perdida de vista em razão do comprimento da prótase.[26] No entanto o sentido aqui parece ser: “porque a parúsia do Senhor não ocorrerá a menos que venha primeiro a apostasia”.[27]

A sintaxe dos Anacolutos

No mesmo nível de dificuldade interpretativa das elipses estão os anacolutos, isto é, frases nas quais o pensamento do autor é incompleto. Um exemplo de anacoluto na perícope de 2 Tessalonicenses 2 é a frase do verso 7: “τὸ γὰρ (….).”[28] Outro exemplo de frase estranha na passagem é: “ὥστε αὐτόν καθισαι”– “a ponto de ele assentar-se.”Embora seja muito provável que seu tema deriva de Isaías 14.13 e aponte para as investidas do rei da Babilônia (Is. 14.13); e de Ezequiel 28: o príncipe de Tiro, no contexto da perícope não é possível saber muita coisa.[29]

Como ficou demonstrado acima a perícope de 2 Tessalonicenses 2 apresenta muitas imprecisões gramaticais e construções sintáticas difícies de entender.[30]Provavelmente essa passagem seja a que apresenta a mais complexa sintaxe grega dos textos paulinos.[31] Por tudo isso, a busca pela identidade do Embargante a partir dessa passagem é uma das tarefas mais complicadas para os estudiosos da escatologia do Novo Testamento.[32] Não é sem razão que ela contém um dos mais duradouros problemas interpretativos do corpus paulino.[33] E mesmo quando se emprega muito esforço para solucioná-lo não se pode ter certeza que o pensamento de Paulo na passagem foi encontrado.[34] Talvez o pensamento do apóstolo nessa passagem não fosse estranho somente aos leitores originais:[35]como alguns conceitos na passagem parecem confirmar.[36]Diante desses fatos surge a pergunta: porque o apóstolo em vez de transmitir sua advertência de forma clara e definitiva preferiu encarná-la num misterioso quadro apocalíptico que não tem paralelos em outros de seus escritos?[37]

As frases participiais

As frases τὸ κατέχον/ὁ κατέχων são um dos grandes mistérios de Paulo.  O particípio neutro “κατέχον” e o masculino “κατέχων” são um dos problemas mais desconcertantes do Novo Testamento e da escatologia.[38]Defini-los semântica e exegeticamente é uma tarefa hercúlea. Os particípios “κατέχον” e “κατέχων” estão no tempo presente da voz ativa de “κατέχω”.[39]Um verbo preposicionado: “kat£” + “έχω”,[40] onde “kat£” ocorre como um intensivo de “έχω”.[41] O significado de “έχω” pode ser bem explorado na bíblia e em outros documentos.[42] Por isso, alguns intérpretes não tiveram dificuldade em encontrar a tradução mais apropriada para “κατέχω” no contexto de 2 Ts 2.[43]

Os significados de κατέχω fora da Bíblia

Gerhard Krodel apresentou alguns dos significados para o verbo “κατέχω” em documentos antigos. Ele afirmou que esse verbo era usado ao se fazer uma reivindicação legal ou imprópria sobre uma pessoa ou propriedade como: tomar posse, prender, confiscar.[44] E que era também usado com respeito à prisão por não pagamento de dívida e também no sentido de oprimir como em 1 Macabeus 6.27; no sentido de dificultar como em Gn 24.56; e no sentido de deter como em Juízes 13.15. O autor também destacou que “κατέχω” pode ser sinônimo de “κρατειν”. Além disso, Krodel observou que em Isaías 40.22 descreve Deus como o “ὁ κατέχων.”[45]

Κατέχω na mitologia

Dibelius encontrou uma explicação para o verbo “κατέχων” na mitologia egípcia. Ele afirmou que esse verbo é encontrado em uma oração egípcia em que Horus é invocado como “κατέχων δρακοντα” (aquele que restringe o dragão); afirmou também que em um texto de um óstracos havia os seguintes dizeres: “Cronos, você que refreia (ὁ κατέχων)”.[46] No entanto das 16 ocorrências desse verbo no Novo Testamento apenas em dois casos ele tem o sentido de “restringir”: Lucas 4.21 e em Filemon 13.[47] Mesmo assim “restringir” tem sido o sentido defendido em muitos léxicos e dicionários de termos gregos do Novo Testamento.

A tradução “restringir” encontra apoio em Gerhard Kittel e Gerhard Friedrich,[48] e também em Johannes P. Louw e Eugene A. Nida.[49]Edward Robinson destacou que “κατέχω” é provavelmente a tradução que a Septuaginta faz de  אחר em Gn 24.56.[50]

Kατέχον / κατέχων na perspectiva de Peerbolte

L.J. Lietaert Peerbolte acredita que a solução identitária de κατέχον / κατέχων surja à medida que o intérprete assuma uma nova perspectiva ao lidar com a perícope de 2 Tessalonicenses 2.[51]Para esse autor a dificuldade interpretativa desses particípios se deve ao fato de se acreditar que eles estejam se referindo a alguma “coisa” ou a um “ser identificável.”Para o autor, a mudança desse ponto de vista poderia tornar a leitura dessa passagem menos embaraçosa. Ele propõe uma leitura do “κατέχον” / “κατέχων” a partir da perspectiva de 2 Tessalonicenses como uma carta deutero-paulina. Dessa maneira ele acredita ser possível argumentar que a imprecisão dos termos “κατέχον” / “κατέχων” fosse intencional, isto é, Paulo não estava querendo se referir a um objeto: “aquilo”, ou a um ser: “aquele” que pudesse ser identificável. Por isso, Peerbolte adverte: “todos os que ainda estão procurando identificar o κατέχον / κατέχων estão sendo enganados pelo autor de 2 Tessalonicenses.”[52]

A interpretação

Percebeu-se nesta pesquisa que embora a perícope de 2 Tessalonicenses 2 apresente importantes informações escatológicas, esse não é o único ponto no ensino paulino na passagem. Alguns autores defendem inclusive que as questões de natureza escatológica da passagem teriam sido suscitadas simplesmente por estarem em conexão com o falso ensinamento que os leitores receberam e que Paulo deveria rebater. O que o apóstolo faz em uma perspectiva pastoral e não estritamente escatológica. Dessa maneira, a passagem não pretende fazer conjecturas sobre o curso dos acontecimentos do tempo final, nem muito menos apresentar uma contagem regressiva para os últimos dias.[53]O que Paulo desejava era confortar os fracos de coração que haviam sido assaltados em suas consciências por um falso ensino sobre “o Dia do Senhor”:[54]

Ainda quando aborda assuntos específicos do falso ensino escatológico e conduta indevida de alguns crentes (que deixaram de trabalhar e viviam na dependência da comunidade) a preocupação que Paulo tem presente desde os dias que se separou dos tessalonicenses permanecia constante: animá-los a permanecer fiéis a sua dedicação inicial ao Evangelho.

Portanto ao estudar essa perícope o intérprete deve se proteger de ficar tão envolvido em dar explicações detalhadas sobre “ὁ ἄνθρωπος τῆς ἀνομίας”, “ἡ ἀποστασία”, e “κατέχον/κατέχων” a ponto de ignorar ou perder de vista a maior preocupação da passagem como um todo.[55]

Delimitação da perícope

O belo ensino poimênico confortador na perícope pode ser perdido de vista quando não se delimita corretamente o seu perímetro sintático. Por isso é importante conhecer o início e o fim do pensamento do apóstolo na passagem. Nesse caso parece correto afirmar que o pensamento do apóstolo se inicia com o vocábulo “Ἐρωτῶμεν”[56]– “pedimos” (2.1). Uma palavra usada ao se fazer um apelo ou pedido (ver:1 Ts 4.1. 5.12; Fl 4.3); e o seu final é marcado pela expressão “τὸ λοιπὸν” “(n) o mais” (3.1). Além disso, parece estar muito claro que passagem tem três seções importantes:

A primeira se inicia no verso 1 e vai até o verso 6. Ela desenvolve quatro temas principais, quais sejam, a parúsia do Senhor (παρουσίας τοῦ κυρίου); a apostasia (ἡ ἀποστασία); e a revelação do homem da iniquidade (ἀποκαλυφθῆ ὁ ἄνθρωπος τῆς ἀνομιας) e o dia do Senhor (ἡ ἡμέρα τοῦ κυρίου).

A segunda seção tem início no verso 7 e vai até o verso 12. Ela trata do mistério do anomos (μυστήριον της ἀνομίας); daquele que detém (ὁ κατέχων); e da operação do erro entre os que não receberam o amor da verdade (τέρασιν ψεύδους τοις ἀνθ ὧ τὴν ἀγάπην της ἀληθείας οὐκ ἐδέξαντο εις τὸ σωθηναι αὐτούς).

A terceira seção tem início no verso 13 e vai ao verso 17. Ela comporta uma ação de graças (Ἡμεῖς δὲ ὀφειλομεν εὐχαριστεῖν) e uma exortação final (παρακαλέσαι ὑμῶν τας καρδίας).

Estabelecer o começo e o fim do pensamento paulino nessa passagem é imprescindível para se perceber todo o ensino do apóstolo ali.[57]Por isso não é recomendável parar de ler após o versículo 12 como muitos leitores infelizmente o fazem, em muitos casos influenciados pela tradução da bíblia que trazem em mãos:[58]

Isso é compreensível dado o fato de que os editores do texto grego (NA26, GNT4) e as traduções modernas (por exemplo, KJV, NIV, TNIV, RSV, NRSV, JB, NLT) começam sempre um novo parágrafo no versículo 13 e freqüentemente adicionam um título neste ponto sugerindo que uma nova seção da carta começa ali. A maioria dos comentaristas trata os versículos 1-12 como uma unidade completa que trata do tópico do Homem da Iniquidade distinto do material dos versículos 13-17 que trata do tema diferente de ação de graças para os leitores tessalonicenses, minimizando assim, se não excluindo, qualquer ligação entre estas duas secções.

A interrupção da leitura no verso 12 faz com que o leitor ignore uma série de indiscutíveis ligações entre os versículos 1 a 12 com os versos de 13 a 17.[59] E não perceba que provavelmente Paulo desejava que todo o capítulo dois fosse lido em conjunto como uma unidade literária.[60] “O que está em jogo aqui não é uma mera discussão técnica onde a passagem termina, mas a chave para se compreender o objetivo geral da perícope”:[61]

Se alguém lê apenas até o versículo 12 a passagem fecha com uma nota de julgamento para os incrédulos. De fato, os três versículos finais falam de uma maneira muito séria sobre aqueles que serão destruídos porque não receberam a verdade para que pudessem ser salvos e de como Deus envia sobre eles uma obra de engano (…). Se, no entanto, se ler todo o caminho para o versículo 17 a passagem fecha com uma nota de conforto para os cristãos tessalonicenses (…). Em contraste com a condenação enfrentada pelos concidadãos incrédulos eles são confortados pelo conhecimento de que Deus que os elegeu para receberem não julgamento, mas salvação.

A conexão lógica

Embora Howard Marshall questione se o capítulo 2 de 2 Tessalonicenses deve ser considerado uma só seção: “parece melhor, no entanto, considerar que os vv. 1-12 formam uma seção de ensino, visto que o v.13 começa de novo na forma de ações de graça”.[62] Weima apresentou bons argumentos em favor de uma dependência lógica dos versos 1 a 12 com os versos 13 a 17. Ele destacou, por exemplo, um inclusio verbal entre o verso 2 (“por uma expressão espiritual ou por uma palavra ou por uma letra supostamente de nós”) e o verso 15 (“por uma palavra ou por uma carta de nós”);[63] apontou uma incorporação temática entre o problema da instabilidade mental destacada no versículo 2 (“não ser facilmente abalado em mente ou alarmado”) e a solução para isso, tanto no comando do versículo 15 (“Fique firme e segure firme !”) quanto na oração do versículo 17 (que Jesus e Deus ” fortaleçam  vocês). Além de indicar alguns contrastes significativos entre a descrição dos incrédulos nos versículos 3-12 e a dos crentes tessalonicenses nos versículos 13-17, etc.[64]Assim segundo Weima o  pensamento do apóstolo não se encerra no verso 12 mas progride até o verso 17: os versos 13 a 17 fazem mais sentido quando em conexão com os versículos precedentes (de 1 a 12).

Peter Cousins E. também percebeu uma conexão entre as duas seções da perícope. Ele argumentou que o “nós” enfático no verso 13 sugere uma relação com o que foi descrito nos versículos anteriores.[65] Portanto a delimitação correta da passagem conduzirá o leitor ao principal objetivo do ensino de Paulo na passagem, isto é, seu desejo em confortar seu rebanho e assegurar-lhes que como povo de Deus não deveriam temer a nada.[66]Dessa maneira, na perícope 2 Tessalonicenses 2, o apóstolo repete o que já havia feito em 1 Tessalonicenses ( 4.13-18 e 5.11). Ali quando lidou com questões escatológicas o apóstolo também concluiu seus argumentos com palavras de conforto:[67]4.13-18 e 5.11.

Se tomada como uma unidade a perícope de 2 Tessalonicenses 2.1-17 apresentará  a seguinte estrutura da passagem:[68]

Relação estrutural Índice do tema
Específico (neg.) Não preocupem a mente de vocês; não estejam alarmados com qualquer mensagem sobre “o Dia do Senhor.”

(VV. 1-12)

Motivos  

 

 

Deus escolheu vocês e elegeu vocês para a salvação.

(VV.13-14)

Principal Continuem acreditando no corpo de ensino que vocês receberam de nós.

(v. 15)

Meios Oramos para que o Nosso Senhor Jesus Cristo os encoraje e faça com que vocês continuem falando e fazendo o que é bom.

(VV.16-17)

 

Assim embora a função imediata de 2 Tessalonicenses 2.3-12 seja corrigir a falsa afirmação sobre “o Dia do Senhor” seu propósito último deve ser visto à luz da preocupação de Paulo no segundo capítulo como um todo.[69]

A necessidade do ensino pastoral

A necessidade do ensino pastoral nessa passagem era evidente visto que os leitores estavam alarmados e confusos como a frase “Εἰς τὸ μὴ ταχέως σαλευθῆναι ὑμας ἀπο τοῦ νοὸς μηδὲ θροεῖσθαι” indica. O pior de tudo é que essa condição estava em franco progresso. A locução “Εἰς τὸ μὴ” – “para não” que é objeto de “Ἐρωτῶμεν” – “Pedimos” tem dois infinitivos no aoristo o primeiro é: “σαλευθῆναι” (serdes agitados) que analisa a ação sem referência ao seu progresso ou conclusão. No entanto o infinito presente “θροεῖσθαι” (serdes perturbados) define a ação como acontecendo e em progresso. Desse modo com base na qualidade (aspecto) da ação verbal no grego pode-se propor a seguinte leitura para o verso 2:  “Nós pedimos a vocês que não sejam facilmente desestabilizados e não fiquem em um estado constante de excitação nervosa”.[70]

Reverter o quadro acima era o objetivo do apóstolo, mas isso não seria nada fácil, pois como demonstra a frase “σαλευθῆναι ἀπο τοῦ νοὸς” seus leitores haviam sido expulsos de seus sentidos como um navio de suas armações.[71]Foram afastados de sua ancoragem segura.[72]E sacudidos por ventos e tempestades, como pode ser inferido pelo uso de “σαλος” na passagem. Um verbo muito comum na Septuaginta que em seu sentido literal significa: “movimento produzido por ventos e tempestades”.[73]Isso deixa claro que a mente dos tessalonicenses ficou perturbada pelo teor da falsa mensagem: o substantivo “νοὸς” – “mente” indica que os tessalonicenses caíram em um estado de alarme, agitação e excitação nervosa que como o tempo presente de “θροεῖσθαι” mostra, foi contínuo.[74] Para alterar esse quadro psicológico Paulo teve que dizer aos tessalonicenses que a notícia que provocou neles esse distúrbio não era verdadeira. Além disso, o apóstolo lembra-os que “o Dia do Senhor” deverá ser precedido de certos eventos. Por isso na frase “ὅτι ἐὰν  μὴ ἔλθῃ” – “porque se não vier” a conjunção “ὅτι” introduz a razão para os leitores não permanecerem alarmados.[75]

O objetivo do ensino

Paulo sabia que os crentes tessalonicenses não precisavam de novas informações sobre escatologia, pois já estavam bem informados sobre essa matéria, como a frase “Οὐ μνημονεύετε” (não vos lembrais de) sugere. Nota-se aqui o uso do verbo no presente do indicativo ativo introduzido por um advérbio de negação “Οὐ”. O que significa que o apóstolo estava aguardando uma resposta positiva, que nesse caso deveria ser: “vocês se lembram, não é verdade”?[76]

Ao se assumir que os tessalonicenses já estavam bem instruídos sobre temas escatológicos, é preciso se perguntar: que tipo de informação eles então precisavam receber do apóstolo? Provavelmente precisavam ser lembrados que estavam inscritos no plano eterno de Deus. E a partir dessa informação receber conforto e estímulo para a ação: o que parece ser indicado pela expressão: ἄρα οὔν – (assim, pois).[77]Aqui é importante manter em mente que os tessalonicenses eram crentes novos na fé, uma congregação jovem, que estava abalada por uma falsa afirmação sobre “o Dia do Senhor”. Era, portanto necessário que o apóstolo Paulo buscasse fortalecê-los por meio de um sólido ensino teológico que os levassem a refletir sobre a posição deles diante de Deus. Por essa razão o apóstolo os leva a refletir sobre a eleição e o amor divino dos quais eles foram alvos. Os tessalonicenses foram escolhidos por Deus para a salvação e amados por Ele. O apóstolo usou o particípio perfeito passivo “ἠγαπήμένοι” para enfatizar o estado contínuo desse amor.[78]Dessa maneira, os tessalonicenses deveriam consolar os corações uns dos outros, como o verbo “παρακαλέσαι” no aoristo optativo ativo deixa claro. Eles receberam uma consolação eterna e uma boa esperança.[79] Assim as palavras de ordem do apóstolo para os seus leitores foram: “στηκετε” – “ficai firme”[80]: aqui Paulo usa o imperativo ativo;  e “κρατειτε” – “guardai” também um verbo no imperativo.[81] Assim esta pesquisa pôde evidenciar o objetivo principal do ensino paulino na intrincada passagem de 2 Tessalonicenses 2.

Conclusão

Depois de seguir a rota discriminada acima esta pesquisa constatou não ser possível afirmar conclusivamente a identidade do Embargante: κατέχον/κατέχων isso porque a gramática da perícope é irregular e possui uma sintaxe difícil de entender. Destacou-se que as opiniões identitárias mais populares sobre κατέχον/κατέχων têm seus pontos fracos e não respondem as interrogações que elas mesmas levantam. No entanto, outro aspecto do ensino paulino nessa passagem parece ter ficado muito claro, a saber, que o propósito de Paulo na perícope de 2 Tessalonicenses 2 não era predizer, mas confortar. A temática escatológica surgiu apenas por estar relacionada com o falso ensino disseminado entre os leitores. Essa constatação parece ficar evidente quando se delimita corretamente a extensão do pensamento paulino na passagem.

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TONSTAD, Sigve. The restrainer removed: a truly alarming thought (2 Thess 2.1-12). Horizons in Biblical Theology, 29 no 2 ,2007.

WEIMA, Jeffrey. A.D. The slaying of the Satan’s superman and the sure salvation of the saints: Paul’s Apocalyptic Word of comfort (Thessalonians 2.1-17). Calvin Theological Journal, 41, 2006.

WIGRAM, George V.; GREEN, Jay P. The New Englishman’s Greek Concordance and Lexicon. Lafayeite: Associated Publishers & Authors INC, 1982.

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[1] Paulo usa aqui o perfeito do indicativo da voz ativa de “ἐνίστημι” – “tivesse chegado”, cf. ROBINSON, Edward. Léxico Grego do Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2012, p.317. Ver também: ROBERTSON, A.T. Comentario al texto griego do Nuevo Testamento. Obra Completa (6 tomos en 1). Barcelona: Editorial Clie, 2003, p.535.

[2]  Cuvillier está escrevendo em francês e nessa língua “enthousiaste” pode significar também “alvoroço, frenesi”, cf. AVOLIO, Jelssa Ciardi; FAURY, Mára Lucia. Michaelis: dicionário escolar francês: francês-português. São Paulo: Editora Melhoramentos, 2002, p.102. Ver também: CUVILLIER, Elian. De La crise de l’ esperance à La crise enthousiaste: une lecture de 1 Th 4.13-18 et de 2Th 2.1-12. Bulletin  de Littérature Ecclésiastique, 112, no 1 Jan-Mar, 2011, p.41 e 49.

[3] KITTEL, Gerhard; FRIEDRICH, Gerhard; GEOFFREY, W. Bromiley. Compendio del Diccionario Teológico del Nuevo Testamento. Michigan: Libros Desafío, 2002, p.772.

[4] COPPENS, Joseph. Les deux obstacles au retour glorieux Du saveur. Ephemerides Theologicae Lovanienses, 46 no 3-4 Nov, 1970, p.386.

[5]  Uma boa maneira de se iniciar esssa investigação é delimitando corretamente o final da perícope, cf. WEIMA, Jeffrey. A.D. The slaying of the Satan’s superman and the sure salvation of the saints: Paul’s Apocalyptic Word of comfort (Thessalonians 2.1-17). Calvin Theological Journal, 41, 2006, p.69-73.Ver também: FRAME, James Everett.The International Critical Commentary A Critical and Exegetical Commentary on the Epistles of St. Paul To The Thessalonians. London: T.&T. Clark, Edinburgh, 1912, p.220.

[6] WIGRAM, George V.; GREEN, Jay P.The New Englishman’s Greek Concordance and 1982, p.2009. Ver também: FRIBERG, Barbara; FRIBERG, Timothy. O Novo Testamento Grego Analítico. São Paulo: Vida Nova, 1987, p.630.

[7] Possivelmente um conhecimento conceitual, cf. NICHOLL, Colin. Michael the Restrainer removed (2 Thess 2.6-7). The Journal of Theological Studies, ns 51 no 1 Apr, 2000.p.27.

[8] Cf. BROWN, E. Raymond; FITZMYER, Joseph A.; MURPHY, Roland E. (eds). Nuevo Comentario Bíblico San Jerónimo. Nuevo Testamento y artículos temáticos. Navarra: Editorial verbo Divino, 2004.p.426.

[9] Ibid.

[10] MILLIGAN, George. St Paul’l Epistles to the Thessalonians the Greek Text with Introduction and Notes. London: Macmllan and Co., Limited St. Martin’s Street, 1908.p.100-101.

[11] Ibid.

[12] RIENECKER, Fritz; ROGERS,Cleon. Chave Linguística do Novo Testamento Grego. São Paulo:Vida Nova,1985,p.451.

[13] FRAME, 1912, p.262.

[14] FRAME, 1912,p.263.

[15] OMANSON, Roger L.Variantes  textuais  do Novo Testamento. Análise e avaliação do aparato crítico de “O Novo Testamento Grego. São Paulo: Sociedade Bíblica do Brasil, 2010, p.445.

[16] WIGRAM; GREEN,1982,p.92.Ver também: MOULTON, Harold K. Léxico Grego Analítico. São Paulo: Cultura Cristã, 2007, p.59.

[17] FRAME,1912, p.259.

[18] Frame sugere que “τὸ κατέχον” fosse à descrição de uma figura definida e conhecida cuja atividade κατέχειν estava em progresso no tempo Paulo, cf. FRAME,1912, p.259.

[19]BOOR, Werner de. Cartas aos Tessalonicenses-(2 Tessalonicenses). Comentário Esperança.Curitiba: Editora Evangélica Esperança, 2007, p.122.

[20] DIXON, Paul S. The evil restraint in 2 Thess 2.6. Jounal of the Evangelical Theological Society, 33/4, 1990, p.446-447.

[21] Ibid.,p.446-447.

[22] Ibid.,p.447.

[23] Ibid.,p.447.

[24] PEERBOLTE, L.J. Lietaert.  The katechon/ katechõn of 2 Ts 2.6-7. Novum Testamentum, 39, no 2 Apr, 1997. p.139. Ver também: THIELMAN, Frank. Teología del Nuevo Testamento. Miami: Editorial Vida, 2006, p.210.

[25] KÖSTENBERGER, Andreas J.; PATTERSON, Richard D. Convite à Interpretação Bíblica: a tríade hermenêutica. São Paulo:Vida Nova,2015,p.550.

[26] Para informações sobre apódase e protáse, cf.WALLACE, 2009,p.684.

[27] MILLIGAN, 1908, p.98.

[28] COPPENS,1970, p.383-389. Para mais informações sobre  anacoluto, cf. KÖSTENBERGER; PATTERSON, 2015,p.552.

[29] FRAME,1912, p.256.

[30] CARSON, 2009,p.1936.

[31] LADD, George Eldon. Teologia do Novo Testamento. São Paulo:  Hagnos, 2003, p.747.

[32] POWELL, Charles E. The identity of the “restrainer” in 2 Thessalonians 2.6-7. Biblioteca Sacra, 154, 1997, p.320.

[33] NICHOLL, Colin. Michael, the Restrainer removed (2 Thess 2.6-7). The Journal of Theological Studies, ns 51 no 1 Apr, 2000, p.27.

[34] AGOSTINHO, Santo. La ciudad de Dios. Obras Completas. Versión española online disponível em: <http://www.augustinus.it/spagnolo/cdd/index2.htm> Acesso em: 05/04/2014.

[35] TONSTAD, Sigve. The restrainer removed: a truly alarming thought (2 Thess 2.1-12). Horizons in Biblical Theology, 29 no 2 ,2007,p.137.

[36] Ibid.

[37] MILLIGAN,1908,p.95.

[38] POWELL, 1997, p.320.

[39] ROBINSON, 2012,p.491.

[40] HAUBECK, Wilfrid; SIEBENTHAL, Heinrich Von. Nova Chave lingüística do Novo Testamento Grego: Mateus- Apocalipse. São Paulo: Targumim: Hagnos, 2009, p.1155.

[41] ROBINSON, 2012, p.491.

[42] MILLIGAN,1908, p.155.

[43] HENDRIKSEN,William. Comentário 1e2 Tessalonicenses, Colossenses e Filemon. Cultura Cristã, 2007,p.145-146.

[44] KRODEL, Gerhard. The ‘Religious Power of lawlessness’ (kratechon) as precusor of the ‘lawless one’ (anomos) 2 Thess 2.6-7. Currents in Theology and Mission, 17, no 6, Dec, 1990, p.440-442.

[45] Ibid.

[46] Ibid.,p.440-442

[47] Ibid.,p.440-442.

[48] KITTEL,Gerhard; FRIEDRICH, Gerhard.O Compendio del Diccionario Teológico del Nuevo Testamento. Grand Rapids: Libros Desafío, 2002, p. 227.

[49] LOUW, Johannes; NIDA, Eugene. Léxico Grego-Português do Novo Testamento. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 2013. p.149.

[50] ROBINSON, 2012, p. 491.

[51] PEERBOLTE, L.J. Lietaert. The katechon/ katechõn of 2 Ts 2.6-7. Novum Testamentum, 39, no 2 Apr 1997, p.139.

[52] PEERBOLTE, 1997,p.139.

[53] BROWN; FITZMYER; MURPHY,2004,p.425.

[54] THIELMAN, Frank. Teología del Nuevo Testamento. Grand Rapids: Editorial Vida, 2006,p.208.

[55] WEIMA,2006,p.73.

[56] Ibid.,p.70.

[57] Ibid.,p.70.

[58] Ibid.,p.70.

[59] Ibid.,p.71.

[60] Ibid.,p.71.

[61] Ibid.,p.71.

[62] MARSHALL, I. Howard. I e II Tessalonicenses: Introdução e Comentário. Cidade Dutra: Mundo Cristão, 1984.p.218.

[63] WEIMA, 2006,p.71-72.

[64] WEIMA, 2006,p.71-72.

[65] BRUCE, F.F. Comentário Bíblico NVI. Antigo e Novo Testamento. São Paulo: Editora Vida, 2008.

p.2043-2044.

[66] NEIL, William. The epistle of Paul to the Thessalonians. The Moffatt New Testament Commentary. London: Hodder and Stoughton, 1950,p.179-180.

[67] WEIMA, 2006, p.85.

[68] Cf. POWELL,1997,p.321-322.

[69] WEIMA, 2006, p.85

[70] FRAME, 1912,p.245.

[71] Ibid.

[72] MILLIGAN,1908, p.96.

[73] Ibid.

[74] FRAME,1912,p.245.

[75] Ibid.,p.250.

[76] RIENECKER, Fritz; ROGERS, Cleon. Chave Linguística do Novo Testamento Grego. São Paulo:Vida Nova,1985,p.451.

[77] JAMIESON, Roberto; FAUSSET, A.R; BROWN, David. Comentario exegetico y explicativo de la Biblia – Tomo II: el Nuevo Testamento. Casa Bautista de Publicaciones, 2002,p.603.

[78] RIENECKER; ROGERS,1985,p.452.

[79] WEIMA,2006, p.85-87.

[80] WIGRAM; GREEN, 1982,p.801.

[81] Ibid.,p.494-495.

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