Carta de retratação sobre os neo-judaizantes

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Deus disse a Moisés: Eu Sou o que Sou
Assim responderás aos israelitas:
Eu Sou me enviou a vós.
Êxodo 3.14

Eu sou o Senhor; este é o meu nome.
Não darei a minha glória a outro,
nem o meu louvor às imagens esculpidas.
Isaías 42.8

Por isso, Deus também o exaltou com soberania e lhe deu o nome
  que está acima de qualquer outro nome; para que ao nome de Jesus
se dobre todo joelho dos que estão nos céus,
na terra e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor,
para glória de Deus Pai.
Filipenses 1.23

Então os judeus lhe perguntaram:
Ainda não tens cinquenta anos  e viste Abraão?
Jesus lhes respondeu:
Em verdade, em verdade vos digo que, antes que Abraão existisse, Eu Sou.
Então eles pegaram em pedras para apedrejá-lo;
mas Jesus escondeu-se e saiu do templo.
João 8.57-59

O documento que venho reapresentar não é de minha autoria. Contudo estive envolvido no mesmo movimento e convivi bastante tempo com as pessoas que o assinam. O objetivo é simplesmente deixar um alerta. Não é possível generalizar o movimento em termos doutrinais aqui no Brasil. No meu caso, saí unicamente por entender que a minha permanência significava faltar com a lealdade devida ao Senhor Jesus. Os versículos que coloquei acima, apontam para a maior dificuldade que tive. O principal ensino da Bíblia é dizer quem é o Pai, quem é o Filho, quem é o Espírito Santo e que relação eles têm entre si e com o homem. Dessa revelação deriva a nossa salvação e também o próprio cristianismo.  Peço ao Senhor que nos traga luz, discernimento.

Belo Horizonte, 29 de setembro de 2010.

Retratação pública

Ao Corpo de Cristo, a Igreja.

Nós, o grupo que subscreve este documento, sentimo-nos obrigados a nos retratar publicamente com a Igreja de Cristo a respeito de alguns ensinos e doutrinas contrárias à ortodoxia cristã que, direta ou indiretamente, endossávamos em nossos discursos, ensinamentos que tínhamos como referência em nossas próprias vidas. Devemos esta satisfação pública, pois muitos de nós éramos professores, funcionários, discipuladores e líderes em uma comunidade que se afirma empossada da missão de ensinar as Escrituras e restaurar a Igreja.

Não concordamos com o discurso contemporâneo de alguns círculos teológicos que afirmam que a questão da correção doutrinária de acordo com a ortodoxia teológica cristã é algo secundário com relação à prática e piedade espiritual.   Não concordamos com esta posição. Em diversos textos, nas cartas de Paulo, vemos seu zelo pelo bom ensinamento, pela sã doutrina apostólica, pois a boa doutrina sempre anda lado a lado com a boa ação cristã; a doutrina fundamenta a ação do crente, e esta dá testemunho do ensino. Uma falha doutrinária pode conduzir a ação ao ativismo, à dissimulação ou ao egoísmo. Por outro lado, a doutrina desacompanhada da prática ética pode tornar-se árida, sem sentido e hipócrita.

Pensávamos que pouco ou nenhum valor havia na tradição cristã, porque a desconhecíamos quase completamente, e ignorávamos a sua legitimidade histórica e comunitária. Entretanto, a partir de longa discussão interna – por meio de estudos, leituras, diálogo e cooperação com irmãos com bom nível de entendimento da tradição e história da Igreja e, principalmente, muito temor diante de Deus em oração – redescobrimos as doutrinas fundamentais da fé cristã em seu caráter legítimo e incontestável, sendo erro grave não as considerarmos, pois resultam, justamente, da orientação do Espírito Santo que guiou (e ainda guia) a sua Igreja ao longo dos séculos, ainda que o Cristianismo tenha cometido erros em sua trajetória.

Vivíamos em um ambiente em que há frequentes críticas e desprezo ao Cristianismo e a grande parte do que a ele se refere, onde se criou um clima de hostilidade e aversão a muito daquilo que procede da Igreja de Cristo e de incompreensão das suas principais vertentes, desconsiderando as distinções e matizes internas, como se o Catolicismo, a Reforma e o movimento neopentecostal, por exemplo, fossem uma coisa só e compartilhassem dos mesmos credos e práticas.

Cremos que Deus nunca abandonou a sua Igreja e que, conforme prometido pelo próprio Filho de Deus, o Seu Espírito a guiaria a toda verdade (João 16:13). Isso independe das distinções citadas acima. Um exemplo claro disso é extraído do Apocalipse, onde se diz que, mesmo uma Igreja como a que estava em Laodiceia – com sua mornidão e muitos atos que desagradavam ao Senhor – não fora esquecida por Ele e, por isso, foi exortada a se arrepender. Em outras palavras, a Igreja de Laodiceia, mesmo com pecados graves, ainda era uma Igreja amada pelo Senhor.

Sendo assim, lamentando a inevitável menção indireta à comunidade de que participávamos, nós assumimos total responsabilidade quanto a esses erros e nos retratamos publicamente quanto aos desvios doutrinários que endossávamos, tolerávamos e ensinávamos, tais como os listados abaixo.

Quanto à negação da legitimidade do cristianismo

A Igreja é o Corpo invisível e místico de Cristo, a grande comunidade dos salvos e regenerados em Jesus, na comunhão do Espírito Santo, e transcende aos movimentos e denominações. O Cristianismo, por sua vez, é o lugar onde a Igreja acumula as suas reflexões sobre a revelação na forma da tradição que lê e interpreta comunitariamente a Bíblia, e de onde o Evangelho é pregado. O Cristianismo é uma visão de mundo pela qual todos os povos, línguas e nações podem compreender o Evangelho e expressar a fé a partir de seu contexto cultural. Nesse sentido, o Cristianismo tende a se tornar à imagem da Igreja que é santa, imaculada e pura. A tendência é que, quanto mais a Igreja se tornar aquilo que foi vocacionada para ser, melhor tornar-se-á o Cristianismo em sua capacidade de comunicar o Cristo que opera nela e por ela. Retratamo-nos, desta forma, porque, ao desejarmos uma Igreja legítima, acabamos por nos opor ao Cristianismo, ignorando o fato de que, sem ele, a Igreja teria sido engolida ante os desafios teológicos, filosóficos, sociais e culturais do mundo não-judaico.

Contudo, ao afirmarmos a legitimidade do Cristianismo, não o fazemos de forma acrítica ou sem ponderações, mas conscientes de que graves erros foram cometidos ao longo da história e de que somos, como membros da Igreja, igualmente responsáveis pelos mesmos, o que nos coloca em posição de arrependimento. Sabemos que muitos desses pecados ocorreram a partir de um mal uso de doutrinas cristãs para a legitimação de poderes jurídicos e governamentais, isto é, uma sobreposição de investiduras eclesiásticas e seculares. Isso ocorreu em momentos da história do Império Romano e do período medieval, tendo essa junção de poder eclesiástico e secular recebido o nome de Cristandade. A partir desse mesmo equívoco vieram também sanções ditas “cristãs” contra outras correntes do Cristianismo, perseguições e litígios entre seus ramos internos ou contra quem não professava determinada doutrina ou dogma. Contudo, mesmo diante de tantos tropeços verificados na longa trajetória da Igreja, reconhecemos a mesma como única herdeira da tradição dos apóstolos.

Não concordamos, por exemplo, com o antijudaísmo (por vezes, antissemitismo) de alguns segmentos e líderes do Cristianismo. Porém, nem mesmo esses erros deslegitimam a Igreja, porque insuperavelmente superiores são as suas virtudes, ainda que aqueles que a constituem, os homens, sejam passíveis de pecados. Sim, reconhecemos que a Igreja é santa e pecadora. Não obstante, a sua história deve ser analisada de forma crítica e em seu contexto temporal apropriado. Assim, absorvemos o melhor de cada época; o que houve de estranho ao Cristianismo verdadeiro deve ser rejeitado, pois esse é um processo de purificação contínuo do próprio Espírito que conduz a Igreja às retratações e reformas.

O teólogo N.T. Wright explica: “quando o assunto diz respeito à Igreja Cristã, as pessoas sempre se referem às Cruzadas e à Inquisição espanhola, como se essas duas monstruosidades pudessem resumir tudo o que a Igreja cristã tem feito. Isso, obviamente, é ridículo...” (WRIGHT, N.T. Surpreendido pela Esperança. Viçosa: Ed. Ultimato, 2009, p.258).

Por isso, arrependemo-nos por nossa postura insensata de achar que aqueles atos – perpetrados por uma Igreja corrompida pelo poder político – desqualificam o que verdadeiros cristãos sempre fizeram durante a história.

Quanto à sua trindade

Cremos que a doutrina da Trindade é a explicação correta, procedente das Escrituras Sagradas, a respeito da natureza do único Deus e de como Ele se revela e age na Criação. É a doutrina que explica com clareza os registros do Antigo Testamento e, principalmente, do Novo Testamento, a respeito de como o único Deus (Dt 6:4) atua para salvar a humanidade e acolhê-la novamente n’Ele mesmo. Devido à falta de clareza de nossos discipuladores nas Igrejas Evangélicas, viemos a questionar a doutrina da Trindade, alegando que se tratava de uma doutrina “triteísta” ou pagã, pois comprometeria o monoteísmo bíblico e judaico da Igreja Primitiva. Alguns de nós ensinamos e escrevemos textos contra a Trindade. Porém, agora, compreendemos sua forma legítima e como deve ser ensinada, que ela é uma das poucas doutrinas que todo o Corpo de Cristo (em suas várias denominações históricas) têm em consenso, compartilhando-a como ortodoxa. A Trindade afirma o monoteísmo quando reflete sobre a natureza única de Deus e afirma a complexidade relacional d’Este que mostra-se trino aos homens. Assim, o Pai, o Filho e o Espírito Santo são um quanto à natureza, mas distintos quanto aos papeis na sua relação interna e na Sua revelação à Criação.

Por isso, retratamo-nos por questionar tão séria doutrina. Hoje, mostra-se claro para nós o motivo que levou a Igreja a defender esta doutrina com tanto zelo e que sua negação constitui-se uma heresia. A doutrina da trindade não é secundária, mas central à vida do discípulo de Cristo, pois é a narrativa da criação e redenção do mundo e de nossa própria salvação.

Quanto à relação de não-judeus (gentios) com a lei e da igreja com as suas raízes judaicas

A Igreja é portadora da plenitude da Aliança em Cristo que constitui a mensagem do Evangelho. Dentro dela, há matizes e especificidades históricas, culturais e sociais, pois é formada como uma comunidade de benditos dentre todas as nações e famílias da Terra (Gn 12:3). No entanto, todas as expressões humanas assumidas no seu seio encontram-se submetidas ao Senhorio de Cristo que a todas unificou na obra da Cruz (Ef 2;14). Por isso, gentios (não-judeus) não precisam adotar práticas que são especificamente do povo judeu, como se precisassem “restaurá-las” para receber algum tipo de bênção. Com isso, referimo-nos simplesmente ao fato patente de que um crente gentio não precisa adotar um estilo de vida exclusivamente judaico, muito menos em uma versão estereotipada de judaísmo. Os gentios não são judeus segundo a carne, mas, procedentes das outras nações da Terra, são recebidos com toda a dignidade como filhos de Deus, conforme a teologia da adoção descrita nos textos de Paulo (Rm 8:14-16; Gl 4: 6 e 7). A herança judaica da Igreja são as próprias raízes judaicas do Evangelho e, certamente, seu reconhecimento e restauração trazem luz à leitura das Escrituras e aos fundamentos da mensagem evangélica. Não obstante, a fé cristã não é idêntica ao Judaísmo, muito menos àquele de desenvolvimento posterior ao século I, conhecido como Judaísmo Rabínico, concebido e delineado, em grande parte, como uma contrarresposta à fé cristã.

Romanos 11 (que nos apresenta a imagem do enxerto) é uma demonstração do pensamento apostólico de como os cristãos não-judeus são salvos pela participação nas alianças do Israel remanescente (judeus crentes em Jesus). Tal participação efetiva-se em Cristo. Essa seção da epístola paulina não se constitui uma autorização, muito menos uma prescrição, para que gentios vivam como judeus ou se sintam “livres” para observar práticas prescritas somente aos judeus. Que fique bem entendido: cremos que a Torá (Lei) nunca foi revogada por Cristo nem é contrária à graça, mas entendemos que há nela aspectos universais (para todos os homens) e específicos (para os judeus). Contudo, até mesmo entre os judeus a Torá faz diferenciações, porque há instruções exclusivas para a família de Arão, para os demais sacerdotes, para os levitas, para as mulheres e outros; ou seja, a Torá é uma, mas a sua aplicação não é a mesma para todos. Cabe esclarecer que os aspectos específicos da Lei para Israel são ainda legítimos para os judeus crentes em Jesus, observando-se, obviamente, as mudanças conduzidas pela Nova Aliança.

Assim, retratamo-nos se, por algum momento, tivermos sido, direta ou indiretamente, coniventes com o incentivo velado para que gentios adotassem práticas exclusivas do povo judeu.

Quanto à afirmação de que a igreja será restaurada quando reaver suas raízes judaicas
Cremos que a Igreja passou e passa durante a sua história por períodos críticos em que seus fundamentos têm de ser rememorados; nesses momentos, ela precisa reformar-se para retornar às bases bíblico-apostólicas que são o signo da saúde de sua identidade. Mas o conceito de reforma é bem distinto da proposta de “restauração”: o primeiro leva em consideração o processo histórico, as mudanças e desenvolvimentos no Cristianismo avaliados sob o crivo da doutrina ortodoxa ou apostólica; o segundo pretende extirpar da Igreja quaisquer desenvolvimentos e complexidades em prol de uma ideal de purismo e simplicidade primordial da Igreja, como se isso fosse o suficiente para por termo aos problemas do Cristianismo. Porém, pior e mais simplista é supor que um processo de restauração se dará quando a Igreja gentílica adotar práticas especificamente judaicas, “reavendo”, pretensamente, o que nunca lhe pertenceu.

A Igreja que apregoa e vive o Evangelho de forma verdadeira e simples é aquela que afirma o senhorio de Cristo sobre todos os aspectos da vida, sendo Ele o único meio pelo qual os homens se achegam a Deus. A crise atual da Igreja Evangélica, especialmente a do nosso país, deve-se à falta de clareza quanto ao que é o Evangelho e ao papel de Jesus como o único meio pelo qual os homens podem viver a realidade do Reino de Deus com todas as suas implicações. Com efeito, o Evangelho põe a nossa disposição os meios de graça e por ele tomamos consciência de que precisamos dos atos interventores de Deus, como o batismo, a ceia, a Palavra, a oração, a santificação e a vivência em comunidade com os crentes. Nada pode substituir esses elementos na prática da Igreja e, sem a sua recuperação, de nada vale importar para a vida dos crentes práticas culturais muito legítimas, valorosas e enobrecedoras enquanto tal, mas absolutamente ineficazes como veículos da Graça, a única capaz de  transformar a nós pecadores em servos obedientes e filhos de Deus.

Não obstante, uma abordagem apropriada das raízes judaicas é considerá-las como rememorações dos princípios apostólicos e ortodoxos que recuperam o contexto e compreensão judaicos das Escrituras. Assim, considerar hermeneuticamente as raízes judaicas do Cristianismo implica o resgate da própria doutrina cristã apostólica, patrística, conciliar e reformada. Portanto, um movimento de restauração que anatemize a própria história e doutrina cristãs, nos termos que aqui tentamos expor, constitui-se uma falácia.

Assim, retratamo-nos por termos priorizado a equivocada ideia de que a Igreja será restaurada quando supostamente reaver práticas sinagogais – reproduzindo um ambiente e uma liturgia específicos do povo judeu para os gentios crentes – em detrimento da superioridade e centralidade de Jesus Cristo, para quem todas as coisas convergem. Reafirmamos  que Jesus é a resposta definitiva para que a Igreja, no Espírito Santo, apresente e viva a plenitude do Reino como os apóstolos o fizeram. Os crentes, para tanto, precisam voltar-se para o Evangelho e ter Jesus reinando plenamente sobre todos os aspectos da vida.

Quanto à doutrina de que a salvação depende parcialmente da graça e da obediência humana

A salvação é um ato de absoluta e total graça e procede unicamente de Deus a quem ela pertence (Jn 2:9; Ef 2:8-9). A obediência e as obras de nossa parte são igualmente obras de graça, operadas em corações regenerados e cheios de gratidão. Não há espaço para boas obras autônomas, isto é, independentes da graça divina; pois é Ele (Deus) quem opera nos santos tanto o “querer” quanto o “efetuar” (Fp 2:13). A graça não é um antídoto, um remédio a que se recorre quando o nosso “livre-arbítrio” fracassa ou quando nós não conseguimos pagar a nossa “dívida” de culpa diante de Deus. A graça significa que o Deus que começou a boa obra é poderoso para completá-la (Fp 1:6). Ao admitirmos isso, fazemo-lo baseados na Bíblia, conscientes de que Jesus é o Autor e Consumador da nossa fé (Hb 12) e trajetória como testemunhas do Evangelho (Hb 11).

Dependemos totalmente da graça de Deus desde o novo nascimento, passando pelo processo de santificação e glorificação final com Cristo, não tendo as obras ou a obediência humana qualquer efeito sobre a salvação do homem. A obediência é fruto inevitavelmente dado por todo aquele que é salvo pela graça, porque é gerada por esta mesma graça que nos regenerou.

Enfim, retratamo-nos pela falta de clareza quanto à suficiência da graça de Deus que em nada depende de nossa autonomia ou de um suposto livre-arbítrio sob efeito da queda do homem no Éden.

A insustentabilidade de um ambiente culturalmente judaico para uma comunidade composta por uma maioria absoluta de não-judeus
Não concordamos com a criação de um ambiente sinagogal para acolher “gentios”. O resultado disso é uma tensão identitária. Houve uma crise de identidade que muitos de nós experimentamos. Alguns foram conduzidos por uma necessidade sedutora de adotar um estilo de vida judaico para se sentirem cultural e comunitariamente inseridos, o que não era legítimo de modo nenhum. Ao contrário, era uma atitude incoerente e inadequada que fora impulsionada pelo momento por que a igreja evangélica brasileira passa; há diversas crises e escândalos, por isso, inconscientemente, achávamos que encontraríamos num desvio identitário a resposta ou distanciamento do atual estado das coisas. Não sendo judeus conforme a lei judaica determina, vivíamos nos vangloriando com relação aos irmãos cristãos que viviam fora de nossa realidade comunitária.

Diferentemente da tensão identitária que muitos tiveram, na Igreja de Deus há espaço para que gentios crentes expressem, dentro de sua cultura, sua adoração a Jesus Cristo, enriquecendo o culto a Deus a partir de sua língua, identidade e costumes; obviamente, os que sejam compatíveis com os valores das Escrituras e do Evangelho. Da mesma forma, reconhecemos e apoiamos a iniciativa de judeus crentes em Jesus (judeus messiânicos) de viverem, segundo o seu chamado irrevogável, em um ambiente apropriadamente judaico, mas localizado no Corpo de Cristo, compartilhando com a Igreja a sua fé ortodoxa. Reafirmamos ainda que, em Cristo, as distinções identitárias tornam-se irrelevantes perante Ele, pois, quando nos revestimos d’Ele, adotados como filhos diante de Deus, chamando-o de Aba (Pai), realizamo-nos completamente n’Ele e não há nada mais suficiente do que isso. Contudo, não perdemos de vista que há uma diversidade de vocações: judeus e gentios, cada um vivendo conforme o seu chamado, porém, ambos igualmente acolhidos no Pai, em Cristo, pelo Espírito Santo.

Retratamo-nos, enfim, por termos propalado, direta ou indiretamente, que um ambiente excessivamente ou levemente judaico seria um espaço “superior” em relação à nossa prática comunitária e litúrgica. Fazendo assim, desprezávamos outras expressões simbólicas de culto a Deus por meio de Cristo.

Uma observação quanto ao judaismo-messiânico
Apesar de tudo que foi mencionado acima, a nossa retratação não se refere nem pretende atingir a legitimidade do judaísmo-messiânico como movimento apropriado para o acolhimento de judeus que reconhecem a Jesus como Messias, Salvador e Senhor, pleno de sua divindade. O judaísmo-messiânico em suas principais representações internacionais, como o UMJC (União de Congregações Judaico-Messiânicas – EUA), é ortodoxo em sua confissão, não ferindo os pilares da fé em Cristo. Esse mesmo movimento deixa claro sua discordância com aqueles grupos que pretendem aplicar uniformemente a Torá (lei) a todos, sem compreender as vocações específicas, como explicitou a UMJC neste documento: http://umjc.org/resources-mainmenu-101/documents-mainmenu-110/doc_download/18- one-law-movements-abridged

Considerações finais
Em unânime e comum acordo, como demonstração pública de nosso arrependimento, e por considerarmos o ato de congregar algo importante para a nossa fé em Cristo, após desligamento da nossa antiga comunidade, a maioria de nós optou por vincular-se à Igreja Esperança, uma comunidade de tradição cristã reformada, em Belo Horizonte, aonde nos dirigimos voluntariamente motivados, exclusivamente, pelo desejo de congregarmos juntos e pela admiração em comum por aquela comunidade que nos acolheu em amor, na pessoa de seu Pastor Guilherme de Carvalho e do conselho daquela Igreja.

Participam desta retratação e assinam-na:

Aender Amaral de Borba

André Tavares S. Santos

César Augusto Santos Amaral

Emerson Santos Amaral

Erike Couto Lourenço

Igor da Silva Miguel

José Cristiano de Oliveira Sampaio

Lidimar Alves Ferreira

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