A ceia do Senhor e a disciplina arcana: celebração pública ou adoração e edificação particular?

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PÁSCOA E CEIA: SUA ORIGEM    
Desde a sua escravidão no Egito, e posterior libertação (Êxodo), Israel é orientada a realizar a Páscoa (Pessach), como uma solenidade familiar. Sem a existência de templo, sacerdote ou altar, a observância desta ordenança divina (Êx 12:1-12) apresenta elementos que são de fundamental importância para a integridade da identidade deste povo, que deveria observar esta ceia pascal em particular, no ambiente do lar, e com a presença apenas daqueles que se dispuseram a obedecer os critérios estabelecidos pelo Senhor.

Com o passar dos anos, surgindo os sacerdotes, ocorrendo a construção do tabernáculo e sua posterior substituição pelo Templo, essa festividade passou a ser comemorada em público e de uma maneira mais formal. Com as futuras destruições do templo, em 587 a.C. por Nabucodonosor II, e em 70 d.C. pelas legiões romanas do general Tito, os hebreus sempre comemoraram a Páscoa em seus lares, na ausência do templo, como é feito até os dias de hoje. Porém, mesmo nos dias de Jesus, quando o templo ainda estava de pé, o Senhor resolveu comemorá-la em particular com os seus apóstolos, transformando-a naquilo que conhecemos hoje como a Ceia do Senhor.

Dessa forma, inicialmente, precisamos atentar para as exigências feitas ao povo de Deus no Antigo Testamento, quanto a forma como a Páscoa, ceia pascal, deveria ser comemorada, a começar pela circuncisão de todo macho (Êx 12: 44,48).

A circuncisão (Berit Milah), estabelecida desde o antigo Israel, deveria ser realizada ao oitavo dia de vida do bebê (Lv 12:2,3), com exceção para os adultos de outras nações que desejassem andar com este povo, que seriam circuncidados em qualquer período da vida, a partir do momento que desejassem ser reconhecidos como membros do povo de Israel (Êx 12:48). O seu significado vai desde a aliança feita com Abraão, representando a inserção ao povo eleito, como também uma simbologia do corpo de Cristo que seria dilacerado em Seu martírio e crucificação, como o apóstolo Paulo esclarece em Colossenses 2:11. Portanto, a circuncisão tem um significado crucial, pois é a ‘porta de entrada’, a iniciação, para todo aquele que deseja ser introduzido na religião do Antigo Testamento. A circuncisão, portanto, continua sendo citada no Novo Testamento, mas dessa vez não como um ato físico, como o desejado pelos judaizantes, e sim como um ato simbólico, a circuncisão do coração, apresentado pelo apóstolo Paulo. Essa circuncisão do coração, porém, já era apresentada pelos profetas desde o período do Antigo Testamento (Dt 10:16, 30:6; Jr 4:4, 9:25). Por isso, àqueles a quem a desobediência era uma prática constante dá-se o nome de “incircuncisos” (Jr 6:10; At 7:10).

Por isso, quando falamos dos sacramentos instituídos no Novo Testamento, nos referimos ao Batismo e a Ceia do Senhor, que possuem uma íntima relação com os pré-requisitos necessários à Páscoa, especialmente quando comparamos os textos de Êxodo 12:48 e Colossenses 2:11,12. Daí a relação apresentada. Então, com base na observação do princípio bíblico estabelecido e apresentado em Êxodo, na Páscoa, entendemos que a correta administração dos sacramentos deve ser feita com uma associação de reverência, entendimento do significado e obediência aos princípios. Reverência, porque estamos tratando de uma ordenança Divina; Entendimento, porque a correta observação dos sacramentos não pode ser feita apenas como uma simples questão religiosa ou mecânica, mas como um meio de ensino e memorização daquilo que é essencial à fé cristã; Obediência, porque a observação dos sacramentos não foi uma opção apresentada, mas uma ordem dada. Ainda, a relação existente entre a páscoa e a Ceia do Senhor é estabelecida pelo próprio Jesus, na chamada Última Ceia, quando ao mandar fazer os preparativos para a Páscoa (Mt 26:1,2,17-19) dá-lhe não um novo significado, mas cumpre o seu real significado (Mt 26:20-30).

Portanto, a correta administração dos sacramentos é uma das marcas que caracterizam uma igreja genuína (DEVER, 2007, p.23), e que proporciona a preservação de sua identidade bíblica, como também ensinou Melanchton em 1530, ao elaborar a Confissão de Augsburgo.

A SIMBOLOGIA DA CEIA    
Podemos observar que todos que participaram da páscoa estavam em obediência e submissão. Eles estavam “prontos”. Realizaram a páscoa com temor, reverência, obediência, respeito e educação. Posteriormente, o apóstolo Paulo repreende os coríntios por não fazerem o mesmo na Ceia do Senhor (1Co 11:17-22).

A ordem do Senhor, para os hebreus, foi para a páscoa ser comemorada no dia 14 do mês de abibe (nisã), pois foi este o dia em que os hebreus saíram do Egito. Ainda, deveria ser comemorada durante sete dias e deveria ser destituída do fermento, que representa o pecado, a impureza (Lv 2:11). A festa, ainda, deveria ser comemorada com o pão asmo, pois sabemos que este representa a sinceridade e verdade (1Co 5:7,8). Por último, encontramos as ervas amargas, o cordeiro pascal e o sangue. As ervas, para lembrar da amargura da escravidão; o cordeiro, para ser comido por todos sem que nenhum pedaço sobrasse (Êx 12:4), simbolizando a remissão de pecados e a morte do cordeiro que é suficiente para todos; e o sangue, que deveria ser passado nos umbrais (ombreira, soleira) das portas (Êx 12:7), que simbolizaria a proteção Divina sobre aqueles.

Ao celebrar a última páscoa antes da crucificação, Jesus Cristo cumpre em si mesmo a simbologia e o significado desta que é a comemoração mais importante da história do povo hebreu.

Algumas expressões e figuras utilizadas no Antigo Testamento apontavam para a pessoa de Cristo e Seu sacrifício. Por exemplo: enquanto as ervas amargas, na páscoa, simbolizavam a amargura da escravidão, na Ceia simbolizam a amargura da traição (Jo 13:18; Sl 41:9); enquanto o pão asmo, na páscoa, simbolizava a dureza do Egito e saída às pressas (Dt 16:3), na Ceia simboliza o corpo de Cristo (Mt 26:26; 1Co 11:24); enquanto, na páscoa, o sangue simbolizava a segurança contra a morte (Êx 11:6,7, 12:7), na Ceia simboliza a remissão de pecados representado pelo vinho (Mt 26:27,28; 1Co 11:25); enquanto, na páscoa, o cordeiro simboliza a remissão de pecados trazida através do sacrifício de um ser inocente, macho, sem mácula, sem nenhum osso quebrado (Êx 12:5,6,46), na Ceia simboliza o próprio Jesus Cristo que foi entregue à morte por nossa causa (Jo 1:29). Com isso, temos a adaptação da páscoa judaica para a Igreja, denominada de Ceia do Senhor.

Existem consequências espirituais ao celebrarmos a Ceia do Senhor e estas podem ser benéficas ou não, dependendo do nosso entendimento, atitude e situação espiritual, pois a Ceia é:

1)    Momento de recordação do que Ele fez por nós. Jesus Cristo disse isso em Lucas 22:19, pois a Ceia é um memorial, ou seja, um momento no qual lembramos do sacrifício de Cristo em nosso lugar;
2)    Anunciação de Sua morte. Paulo disse isso em 1Co 11:26, que completa o 1º ponto, pois não só devemos lembrar do que Cristo fez, mas devemos anunciar que o Senhor se entregou por nós;
3)    Um ritual de aliança. Paulo ensinou isso em 1Co 6:17, pois temos uma aliança com o Senhor e, por isso, estamos moldados ao Senhor, unidos, juntos e incorporados. Simbolicamente, a Ceia reafirma essa aliança;
4)    Um tempo de comunhão. Em 1Co 11:33 o apóstolo Paulo revela outro significado da Ceia, que é o sentido de comunhão. Ou seja, tudo em comum. Judas chama de festa do amor (Jd 12), a festa do amor de Deus, o amor ágape;
5)    Um ato de consequências espirituais. A Ceia é um momento de consequências espirituais, boas ou não. É um momento de bênção ou de castigo. Bênção porque Paulo ensinou em 1Co 10:16 que “o cálice da bênção que abençoamos não é a comunhão do sangue de Cristo? O pão que partimos não é a comunhão do corpo de Cristo?”. Estamos identificados com Cristo, unidos com Ele, recordando e anunciando o que Ele fez, e recebendo as bênçãos oriundas Dele. Por isso, a Ceia do Senhor é o momento no qual reafirmamos isso tudo, renovando a aliança publicamente. Maldição porque “quem come e bebe sem discernir o corpo, come e bebe juízo para si” (1Co 11:29). Ou seja, muitas pessoas podem ficar doentes e até mesmo chegar à morte prematura por participarem da Ceia do Senhor de forma conscientemente indigna. Em 1Co 11:28, o apóstolo ensina que aquele que participa da Ceia deve examinar a si mesmo, e não os outros.

É importante observar, portanto, que em toda a simbologia e significação da Ceia não há nem a orientação bíblica e nem o ensino de que a Ceia deve ser vista como uma prática evangelística. A Ceia não é um momento para evangelização, mas um momento de íntima comunhão com quem já é da família de Deus. A Ceia não é um momento para anunciar algo para quem está fora, é um momento para lembrar algo a quem já está dentro. A Ceia não é um convite à salvação, é um convite à manutenção da comunhão de quem já é salvo.

Se a Ceia tivesse o propósito evangelístico, seria um tanto estranho convidar alguém para a salvação, através da Ceia, e depois da pessoa tomar a decisão por Cristo ser orientada a não participar desta mesma Ceia, por ela não ser batizada. Seria estranho usar um meio para atrair pessoas e depois utilizar esse mesmo meio para mantê-la afastada, separada do grupo para o qual foi convidada.

A Ceia não tem o propósito bíblico de evangelização.

O momento da Ceia é decisivo na vida de um cristão, porque naquele momento chega a hora de decidir se participará da Ceia, arrependendo-se de seus pecados e abandonando-os, ou se continuará com o pecado e abandonará a comunhão com Cristo oferecida por meio da Ceia do Senhor. Não é hora de deixar de participar da Ceia por causa do pecado, é a hora de deixar o pecado por causa da comunhão com Cristo.

Por isso, é necessário entender que a Ceia do Senhor tem por finalidade trazer a consciência da morte de Cristo e sua consequente ressurreição, através dessa celebração que nos faz recordar, anunciar, renovar a aliança, proporcionar comunhão e produzir consequências espirituais.

Temos vivenciado, mais recentemente, uma constante e frequente ridicularização do Evangelho e dos evangélicos, que são apresentados em forma de caricatura. Sabemos que muito do que tem sido afirmado encontra respaldo no mau testemunho e péssimo exemplo que têm sido dados. Mas, por outro lado, parte do problema ocorre porque muitos cristãos não têm a preocupação em preservar, de forma respeitosa e reverente, os princípios mais importantes e profundos da fé cristã. Verdades essenciais à fé têm sido tratadas com desprezo e superficialidade, e isto faz com que assuntos importantes sejam vistos como irrelevantes. Isso tem gerado dentro do seio da própria Igreja uma indiferença, desrespeito e desinteresse por aquilo que deveria ser cultivado e estimulado como fonte de vida espiritual.

Por exemplo, o cuidado e zelo com as ordenanças e com as doutrinas bíblicas deveriam ser mais frequentes e efetivos no cristianismo, mas, ao invés disso, vemos pastores que não são claros quanto às Confissões de Fé, professores que não são bíblicos e alunos que, em termos bíblicos, não sabem de onde vieram, para onde vão e nem o que estão fazendo aqui. Cristãos mal instruídos por professores mal instruídos que foram induzidos por pastores mal instruídos. Por isso, temos presenciado as consequências de uma reação em cadeia.

CEIA: MEIO DE PRESERVAÇÃO DA IDENTIDADE    
Mark Dever, em seu livro Nove Marcas de uma Igreja Saudável, faz uma sólida abordagem sobre a identificação e preservação de uma igreja genuinamente bíblica e sadia, tendo como ponto de partida inicial a pregação do Evangelho Bíblico e a correta administração dos sacramentos, que são o Batismo e a Ceia. Ele coloca o assunto da seguinte forma:

Em 1530, Melanchthon elaborou a Confissão de Augsburgo que, no Artigo VII, afirmou que: “Ensina-se também que sempre haverá e permanecerá uma única santa igreja cristã, que é a congregação de todos os crentes, entre os quais o evangelho é pregado puramente e os santos sacramentos são administrados de acordo com o evangelho”. Em sua obra Loci Comunes (1543), Melanchthon repetiu a ideia: “As marcas que distinguem a igreja são o puro evangelho e o uso correto dos sacramentos”. Desde a Reforma, os protestantes têm visto estas duas marcas — a pregação do evangelho e a administração correta dos sacramentos — como delineadoras da verdadeira igreja, em contraste com os impostores.

Em 1553, Thomas Cranmer produziu os quarenta e dois artigos da Igreja Anglicana. Embora não tenham sido promulgados oficialmente até bem depois, naquele século, como parte do regime elisabetano, esses artigos mostram o que o grande reformador inglês pensava a respeito da igreja. O Artigo 19 (que permaneceu nos Trinta e Nove Artigos) diz: “A Igreja visível de Cristo é uma congregação de fiéis, na qual é pregada a pura Palavra de Deus, e são devidamente administrados os Sacramentos conforme a Instituição de Cristo em todas as coisas que necessariamente se requerem neles.”

Nas Institutas da Religião Cristã, de João Calvino, o assunto da distinção entre a falsa e a verdadeira igreja foi abordado no Livro IV. No Capítulo 1, Seção 9, Calvino escreveu: “Onde quer que vejamos a palavra de Deus ser sinceramente pregada e ouvida, onde vemos os sacramentos serem administrados segundo a instituição de Cristo, aí de modo nenhum se há de contestar estar presente uma igreja de Deus”. (DEVER, 2007, p.23)

Portanto, devemos entender que o Evangelho Bíblico trará como consequência uma prática de vida bíblica que, por sua vez, conduzirá o indivíduo e a igreja ao Evangelho bíblico. Temos aqui uma ação e reação em cadeia, em que o Evangelho é o início e o mantenedor da saúde individual e coletiva dos santos. Esse Evangelho Bíblico produzirá uma correta compreensão do significado e da aplicação dos Sacramentos. Esse sempre foi um ponto importante na vida da Igreja desde seus primeiros momentos.

A Didaquê1  é um documento composto por dezesseis capítulos, que revela aspectos importantes sobre as origens do cristianismo, mostra como as comunidades cristãs eram organizadas, como a liturgia deveria ser conduzida e possui orientações para a manutenção da identidade do cristianismo. Essa coleção de textos deveria ser utilizada na realização de um catecismo.2 Eckman (2005, p.26) faz o seguinte comentário sobre a Didaquê:

Um dos mais significativos escritos da igreja primitiva é o Didaquê, ou O ensino dos Doze. Escrito provavelmente na primeira década do primeiro século como manual para a igreja primitiva. O manual dá conselhos sobre como realizar batismos, conduzir cultos de adoração e a ceia do Senhor, além da maneira de exercer disciplina na igreja. Do mesmo modo, o livro fornece conselhos valiosos sobre a detecção de falsos ensinamentos na igreja. A parte final do manual exorta os cristãos a viver de forma santa à luz da segunda vinda de Jesus.

A história já demonstrou a importância que deve haver com a preocupação na preservação e integridade da Igreja. Mas, parece que a falta de cuidado em expor certas verdades mais profundas da Escritura, fez com que a sociedade em geral tivesse um mau entendimento do cristianismo e de suas práticas, a exemplo do pensamento vigente nos primeiros séculos sobre o significado da Ceia, quando os não convertidos acreditavam que os cristãos estavam, literalmente, comendo o corpo e bebendo o sangue de alguém.

Esse é apenas um pequeno exemplo que ilustra as possíveis complicações e divergências que podem ser geradas pela exposição pública de práticas e verdades do cristianismo que deveriam ser preservadas com maior cuidado, reverência e atenção. Muitas polêmicas ocorrem como fruto da má compreensão sobre o verdadeiro significado bíblico das verdades bíblicas. Outro exemplo que poderia ser dado é o tema ‘eleição Divina’. Talvez isso ocorra porque alguns pregadores mal preparados tentem fazer exposições dessa doutrina de forma pública e em um contexto em que os ouvintes não possuem o mínimo de embasamento bíblico sobre as doutrinas necessárias para a compreensão dessa verdade. Por isso, talvez, a exposição desse tema tenha trazido tantas polêmicas e divergências. Parece que muitos ouvintes têm sido mal treinados na Escritura, muitos pregadores estão mal preparados para apresentar tal doutrina e o ambiente em que isso tem sido feito não é o adequado.

Então, Lutero percebe a necessidade de aprofundamento nas Escrituras e, posteriormente, identifica que as verdadeiras marcas do Evangelho em uma igreja estão em praticar e se nutrir corretamente “dos sacramentos do batismo e da santa ceia para viver em verdadeira comunidade” (GONZÁLEZ, 2008, p.435).

Com tudo isso, podemos perceber que a correta administração dos sacramentos não inclui a sua exposição pública e desavisada, mas deve ter como princípio regulador a função de instrução e edificação, que proporcionará meios adequados para a preservação da identidade do cristianismo bíblico.

A CEIA NA IGREJA PRIMITIVA    
A Igreja primitiva tinha certo cuidado com a exposição das verdades bíblicas por diversas razões. Mas, dentre elas, a preservação de sua identidade, a preservação da integridade da doutrina e a boa instrução de seus discípulos certamente eram algumas dessas razões. “Os cristãos deviam evitar tudo o que podia lembrar a mitologia ou as frivolidades do paganismo” (PELLISTRANDI, 1978, p.73). Daí, o cristianismo passa a adotar a Disciplina do Segredo, ou Disciplina Arcana, especialmente diante da perseguição.
Bilheiro (2008, p.64) diz o seguinte:

O surgimento da Disciplina do Arcano – regra não expressa, mas difundida de não retratar, explicitamente, mistérios da religião para evitar reconhecimento pelos leigos – refletia o contexto das seguidas perseguições aos cristãos: era preciso que a religião não ficasse discriminável nas obras, que estas só pudessem ser percebidas e interpretadas por iniciados, por integrantes da religião.

A Disciplina Arcana é uma prática que impõe silêncio para os cristãos iniciados, não só com relação aos seus rituais, a exemplo do Batismo e Ceia, mas também com relação às doutrinas e crenças. Os estudos sobre essa disciplina têm sido realizados com mais frequência nos últimos anos e o núcleo de seu ensino se encontra no judaísmo helênico, constituindo-se como o fundamento para a tradição oral secreta do Cristianismo. Cross e Livingstone (1990, p.408,409) afirmam que o termo “disciplina arcana” foi inventado pelo Calvinista Jean Daillé,3 mas Isaac Casaubon4  já havia explicado um certo silêncio dos primeiros Pais Apostólicos com relação a certos assuntos da fé cristã, supondo que haviam imitado o segredo das religiões de mistério. O próprio Daillé adotou a disciplina arcana como prática educativa, especialmente para gerar nos catecúmenos uma maior reverência pelos sacramentos e despertar a vontade de participar dos mesmos. Outra explicação foi apresentada pelo teólogo católico Emmanuel Schalstrate,5 que declarou que a prática do segredo era uma instituição Dominical praticada pelos Apóstolos, e que a sua aplicação se estendia não apenas para receber o Batismo e a Eucaristia, mas que era também explicado pela escassez ou ausência de evidências no cristianismo primitivo sobre assuntos como a Trindade, a Missa, o número de Sacramentos, Transubstanciação e o Culto aos Santos. A discussão sobre a Disciplina Arcana continuou através dos séculos XVIII e XIX, e, enquanto os teólogos católicos romanos geralmente defendem a teoria de Schelstrate, a maioria dos teólogos protestantes defendem a teoria de Casaubon, identificando a Disciplina Arcana como uma prática de origem pagã.

Ainda, Cross e Livingstone (idem, p.409) afirmam que nos últimos tempos, as teorias tradicionais sobre o assunto têm sido abandonadas, porque a aceitação do desenvolvimento teológico torna-os, em grande parte, desnecessário. Por outro lado, não é preciso entender que houve uma influência direta das religiões de mistério no cristianismo, mas que é mais lógico pensar que os cristãos primitivos adotaram a prática do segredo em um ambiente de perseguição, o que fez com que o sentimento religioso e o instinto humano natural lhes levassem a se retirar para um ambiente e uma prática mais íntima, fazendo com que os elementos mais sagrados da fé e o seu conhecimento estivessem mais reservados e protegidos dos de fora. Por isso, não admitiam os catecúmenos na parte central da Ceia. As citações e menções à esses fatos são encontradas em Tertuliano,6 Cipriano7  e Orígenes,8 e, mais consistentemente, nos escritores dos séculos IV e V, a exemplo de Cirilo de Jerusalém, Egeria, João Crisóstomo,9 Ambrósio, Inocêncio I e Agostinho. Por volta do século VI, a Disciplina Arcana parece ter desaparecido. Portanto, parece que o motivo pelo qual o cristianismo parou de utilizar a Disciplina Arcana é porque a perseguição também cessou, com o Édito de Milão,10 e isto marca o início do fim das citações e da adoção da Disciplina Arcana pelo cristianismo primitivo, o que está de acordo com o pensamento de Cross e Livingstone.

A ortodoxia da fé cristã é mística no sentido de meditar na presença de Deus e contemplar o transcendente, especialmente quando tratamos do Batismo e da Ceia. A Disciplina Arcana na Igreja Primitiva se manifestou, primeiro, com relação ao silêncio sobre as doutrinas com os incrédulos e, segundo, na instrução do catecúmeno. Porém, como encontrar o equilíbrio entre preservar a identidade, através da Disciplina do Segredo, e, ao mesmo tempo, proclamar as Boas Novas?

CEIA E PROCLAMAÇÃO DO EVANGELHO    

A questão é que para a proclamação das Boas Novas, as verdades mais profundas e complexas da fé cristã não precisam ser expostas. Ainda, aqueles que estão sendo evangelizados não precisam estar presentes nos momentos mais íntimos da comunhão cristã. Por isso, na prática da Disciplina Arcana temos condições de compreender, de uma forma mais elaborada e cuidadosa, como alimentar nossa fé e como testemunhá-la no mundo contemporâneo de forma que não sejamos ridicularizados ou mal compreendidos. Williams (2011, p.31) faz a seguinte afirmação:

[…] as igrejas dos séculos 4 e 5 observavam a disciplina arcana (a regra ou prática do sigilo) em relação aos encontros de adoração. Agiam assim, principalmente, para garantir que apenas os cristãos batizados partilhassem a ceia do Senhor e confessassem o credo da igreja. Hipólito, teólogo do terceiro século, mantinha uma lista de vícios e declarações que desqualificariam alguém para o batismo.

Um dos principais motivos pelos quais a Disciplina Arcana foi adotada pelo cristianismo foi exatamente para a preservação de sua identidade e manutenção de seu ensino, evitando o escárnio dos não iniciados ao cristianismo e para que os cristãos fossem devidamente instruídos.

[…] especialmente nos primeiros séculos, as “boas-vindas” da igreja para o mundo eram temperadas com salvaguardas exclusivistas em relação à identidade e integridade. O exemplo das precauções da Igreja primitiva contra fazer uso de pérolas do Evangelho promiscuamente fez com que esses tesouros caíssem em mãos despreparadas. As palavras de Jesus são claras: “Não deem o que é sagrado aos cães, nem atirem suas pérolas aos porcos” (Mateus 7.6). Falhar em preservar a singularidade dos símbolos, visões e compromissos cristãos compromete tanto o significado quanto a santidade da vida da igreja. Longe de quaisquer arrogâncias ou elitismos espirituais, essa é uma parte crucial da mensagem do Evangelho. (WILLIAMS, 2011, p.31,32)

Contraditoriamente, a igreja da atualidade tem demonstrado maior preocupação com o seu crescimento numérico, tão simplesmente, do que com a manutenção e preservação de sua real identidade. Williams (2011, p.31), acertadamente, identifica a questão-chave sobre a ausência de uma Disciplina Arcana nos dias de hoje:

Enquanto lideranças de igrejas corretamente querem que os cultos de domingo sejam acessíveis a todo tipo de público, com certeza deve haver aspectos de uma adoração cristã nos quais somente crentes em Jesus são capazes de participar conscientemente, uma vez que a adoração é, em parte, o alimento e a afirmação de sua fé. Uma crítica recorrente 20 anos atrás era de que as igrejas desconsideravam os visitantes não-cristãos utilizando muito jargão essencialmente evangélico. Era uma crítica legítima. Porém, agora parece que a vontade de acomodar a cultura forçou as igrejas a cometerem o erro oposto. Teria o desejo por inclusão iludido as igrejas, levando-as a supor que particularidades doutrinárias ou litúrgicas ameaçariam sua missão num mundo religiosamente diversificado?

Então, a falta de consciência sobre a necessidade da preservação da identidade através da adoção de momentos exclusivos aos iniciados à fé cristã tem sido um dos fatores responsáveis pela descaracterização da fé. Williams (idem) continua:

As igrejas apostólicas e pós-apostólicas – aquelas mais próximas da época do Novo Testamento – adotaram uma abordagem diferente. À imagem do tabernáculo do Antigo Testamento, a igreja era onde os cristãos encontravam o “Santo dos Santos”. Assim, era razoável que a adoração não fosse aberta a todos. Já as igrejas dos séculos 4 e 5 observavam a disciplina arcana (a regra ou prática do sigilo) em relação aos encontros de adoração. Agiam assim, principalmente, para garantir que apenas os cristãos batizados partilhassem a ceia do Senhor e confessassem o credo da igreja. Hipólito, teólogo do terceiro século, mantinha uma lista de vícios e declarações que desqualificariam alguém para o batismo. Em um grande número de igrejas, os não-batizados, mesmo catecúmenos em preparação para o batismo, eram expulsos antes que a igreja celebrasse a Eucaristia e confessasse o credo.
[…]
Gregório de Nissa afirmou com propriedade que “teologia não é para qualquer um” (sermão 29). Por “teologia” ele quis dizer a criação de uma espiritualidade única, centrada em Cristo, que aos poucos transforma a mente e o coração, e na qual “profundezas falam às profundezas”. Em dado momento, o estilo de apresentação afeta a substância da identidade e ensino cristãos, frequentemente deixando sem corte suas pontas afiadas.
[…]
Nesse processo, entretanto, parece que as igrejas dão muita atenção a pequenos intervalos de tempo e se empenham em estimular picos emocionais durante seus cultos. Ao invés de facilitar um encontro com o verdadeiro Deus, os próprios métodos de entretenimento passam a ser o foco preponderante. Em dado momento, o estilo de apresentação afeta a substância da identidade e ensino cristãos. Não é por acaso que muitas igrejas contemporâneas oferecem uma pesada dieta de imagens e metáforas bíblicas, deixando de lado a real teologia escriturística.

Williams explica que “não tem cabimento uma igreja, hoje, expulsar um não-iniciado do meio da adoração”, mas isso também não justifica que a comunidade de fé não tenha seus momentos exclusivos e que sirvam, além de tantas outras coisas, para a preservação da identidade e integridade, pois preservar a singularidade dos símbolos, visões e compromissos cristãos também é uma parte crucial da mensagem do Evangelho. Ainda, o fato é que muitas igrejas têm feito com que muitos se sintam atraídos “mais pelas programações para jovens ou pela boa música do que pelos ministérios de discipulado ou pela ênfase no trabalho de missões”, e, por isso, a Igreja ao invés de se preservar tem se adaptado à cultura contemporânea. Isso não significa dizer que a igreja não deva se acomodar à cultura, mas que a cultura não deve dirigir a Igreja.

Outro fator bíblico a ser observado está na orientação de Cristo aos seus discípulos: “Não deis aos cães o que é santo, nem lanceis ante os porcos as vossas pérolas, para que não as pisem com os pés e, voltando-se, vos dilacerem” (Mateus 7:6).

A consequência natural de se dar o que é santo aos cães e as pérolas aos porcos é que estes se voltarão contra quem os deu, porque estão recebendo algo que é incompatível com sua natureza e seus desejos, e, após terem se rebelado contra quem lhes deu o santo e as pérolas, e lhes pisar, voltarão ao vômito e ao lamaçal. Por isso, Lima (2010, p.108) explica que essa passagem fundamentou o ensino da Disciplina Arcana na Igreja Primitiva:

A Igreja primitiva baseou-se nesta palavra de Jesus para fundamentar a disciplina arcana. Sobre a sagrada Ceia do Senhor não se falava aos pagãos. Não se desejava profanar a Fé. A participação da Santa Ceia era reservada unicamente aos que haviam sido batizados e que haviam recebido uma introdução ao sentido, ao símbolo e ao espírito do ato da comunhão.

Os princípios estabelecidos por Deus são santos, assim como o próprio Deus, e, por isso, devem ser tratados com toda a reverência e cuidado necessários e possíveis. Por essa razão, a Igreja Primitiva teve toda a cautela possível, para não dar aos cães e aos porcos aquilo que é santo e precioso, e que, naturalmente, não valorizariam. Da mesma forma, Jesus Cristo, ao revelar verdades específicas da Escritura, normalmente o fazia em particular, a um grupo particular de discípulos, apenas. Por exemplo: A verdade da eleição divina é feita a um grupo fechado (Mt 13:10-17; Mc 4:11,12); Apenas aos discípulos, em particular, Jesus diz: “Tenho compaixão da multidão”, antes de multiplicar pães e peixes (Mt 15:32); Apenas aos discípulos é feita a revelação de Jesus como o “Cristo, o filho do Deus vivo”, próximo a Cesaréia de Filipe (Mt 16:13-17); Apenas aos discípulos Jesus revela o plano de Seu martírio, crucificação e ressurreição (Mt 16:21); Apenas aos discípulos Jesus revela que seguir-Lhe teria como consequência, neste mundo, dores e sofrimentos (Mt 16:24); Apenas aos discípulos Jesus revela que o homem por si só não pode salvar-se, isso é impossível, mas apenas Deus pode conceder a salvação ao homem (Mt 19:23-26); A Ceia do Senhor é celebrada apenas com os doze apóstolos (Mt 26:20); A explicação das parábolas era feita apenas aos discípulos (Mc 4:34); Algumas verdades específicas e revelações de mistérios são feitas em particular aos discípulos (Lc 10:23); As revelações dos mistérios de Cristo não são feitas em público, mas em particular e somente àqueles a quem Ele chama de amigos (Jo 15:15).

A forma como Jesus trata de certos assuntos, apenas em particular, e com um grupo fechado, indica a preocupação com a preservação da identidade do cristianismo, e também é uma atitude que revela prudência, sabedoria e discernimento.

Em tudo isso, podemos ver o cuidado na exposição da verdade bíblica, pois Cristo só ofereceu a explicação para quem lhe seguia intimamente (os discípulos) e em particular. Longe da multidão, do alvoroço e dos olhares curiosos e descomprometidos. Ryrie (1994, p.1202) ainda afirma que “tais verdades são chamadas de “mistérios” porque não foram reveladas no A.T., e foram reveladas por Cristo apenas a pessoas apropriadamente relacionadas a Ele (vv. 11-13 e Mc 4:11-12)”.

Por fim, Barclay (s/d, online, p.496-497) explica o significado desse mistério com relação a Ceia, por exemplo, e suas implicações:

[…] Um mistério era algo que carecia de sentido para o estranho, mas era sobremaneira precioso para o iniciado. De fato, a Ceia do Senhor é algo assim. Para alguém que vem de fora e que nunca viu algo semelhante, pode parecer como um grupo de homens que comem pedaços de pão e bebem cálices de vinho; até pode parecer-lhe ridículo. Mas para o homem que sabe o que está fazendo e que sabe o que representam estes elementos, para o homem que está iniciado no sentido desta cerimônia, é o culto mais precioso e comovedor da Igreja.
De maneira que Jesus diz a seus discípulos: “Os de fora não podem entender o que eu digo, mas vocês me conheceis, vocês são meus discípulos, vocês podem entender.” O fato supremo do cristianismo é que só se pode entender de dentro. O homem só pode entendê-lo depois de seu encontro pessoal com Jesus. Ninguém pode entender o cristianismo até tornar-se cristão. Criticar de fora é criticar em ignorância. Só aquele que está disposto a converter-se em discípulo pode entrar nas coisas mais preciosas da fé cristã.

CONCLUSÃO    
A forma íntegra e biblicamente comprometida como a Ceia do Senhor deve ser tratada pode ser vista, por exemplo, na vida de Jonathan Edwards, que ao levar a seriedade dessa ordenança às últimas consequências encontrou resistência, especialmente da parte de irmãos, que foi a razão de sua demissão do pastorado de Northampton: “22 de junho de 1750 marca, então, o fim da carreira pastoral de Jonathan Edwards. Carreira esta que findou-se por Edwards permanecer firme em ‘sua convicção de que somente os santos – os verdadeiramente eleitos – podiam estar em plena comunhão’” (PORTE, online, 2012). Com isso, podemos observar que Edwards nunca pretendeu transformar a Ceia em objeto de atração numérica para a Igreja, e sim de manter o seu real significado bíblico.

[…] para Edwards, “tudo aponta para a presença real de Cristo. Toda parte do culto de adoração, incluindo, mais solenemente, a Ceia, que foi desenhada para eliciar um senso daquela presença espiritual inefável”.
[…] Para Edwards, a Ceia do Senhor sempre foi como uma festa para os filhos de Deus apenas.

A Santa Ceia precisa ser vista com mais seriedade e reverência, como um memorial que simboliza o maior ato de amor de Jesus Cristo e a anunciação de Sua volta. Ela necessita ser realizada com maior temor, respeito e consciência. Para isso, acreditamos que não basta atentar para o seu significado, mas também no modo como esta tem sido celebrada. Esse é um ponto de concordância entre diversos autores, a exemplo de Charles Hodge, Philip Jenkins, Herman Ridderbos, Mark Dever, Franklin Ferreira e Alan Maytt, Earle E. Cairns, Justo L. González e Hermann Bavinck.

Por fim, a nossa proposta é que a Ceia seja realizada observando o seu significado e significância, mas também observando o momento e o grupo que participará dela. Que não seja realizada em cultos abertos ao público; que sejam criados momentos específicos para ela, em que o ambiente proporcione a oportunidade de arrependimento, confissão, quebrantamento de coração e comunhão; que sejam criados momentos específicos para a Ceia, exclusivamente.

Não podemos, não devemos, continuar utilizando uma “brecha” nos cultos públicos para a realização da Ceia – lembremos que Jesus Cristo dedicou um momento exclusivo para a Ceia. Não podemos, não devemos, praticar uma das formas de culto mais sublimes da fé cristã em meio aqueles que não entendem a nossa fé bíblica – lembremos que Jesus Cristo não realizou a Ceia em um lugar aberto ao público. Não podemos, não devemos, continuar confundindo este momento de íntima e profunda comunhão com uma oportunidade de evangelização – lembremos que as verdades mais profundas da fé cristã não foram explicadas por Jesus publicamente, mas, as coisas mais íntimas da vida cristã foram vividas na intimidade.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS    
CROSS, F, L; LIVINGSTONE, E. A. The Oxford Dictionary of the Christian Church. New York: Oxford University Press, 1990.
DEVER, Mark. Nove Marcas de uma Igreja Saudável. São José dos Campos: Fiel, 2007.
ECKMAN, James P. Panorama da História da Igreja. São Paulo: Vida Nova, 2005.
GONZÁLEZ, Justo L. Dicionário Ilustrado dos Intérpretes da Fé. São Paulo: Hagnos, 2008.
LIMA, Abrahão Avelino de. A Proteção da Fé. Salto: Editora Schoba, 2010.
PELLISTRANDI, Stan-Michel. O Cristianismo Primitivo. Rio de janeiro: Otto Pierre Editores, 1978.
RYRIE, Charles Caldwell. A Bíblia Anotada. São Paulo: Mundo Cristão, 1994.
WILLIAMS, Daniel H. “O meio e a mensagem”. Cristianismo Hoje, Edição 24, ano 4, p.30-32, ago/set, 2011.
BILHEIRO, Ivan. A Arte Semântica dos primórdios do Cristianismo: a Disciplina do Arcano e o Simbolismo Cristão. Disponível em: . Acesso em 10 ago 2013.
PORTE, Wilson. Jonathan Edwards: A doutrina da ceia e sua demissão de Northampton (Parte 1). Disponível em: . Acesso em: 05 fev 2013.
PORTE, Wilson. Jonathan Edwards: A doutrina da ceia e sua demissão de Northampton (Parte 2). Disponível em: . Acesso em: 05 fev 2013.

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1A Didaquê é um escrito datado do final do século I que contém instruções sobre o cristianismo bíblico. O termo “Didaquê” significa “instrução” ou “doutrina”. Deve ter sido escrito na Antioquia, por vários autores e é formado por um conjunto de textos.
2O termo Catecismo vem do grego Katechismos (kathcismov”) e significa “instruir a viva voz”.
3Jean Daillé (1594-1670) foi um Huguenote francês, pastor e comentarista bíblico. Foi autor e apologista na Igreja Reformada Francesa.
4Isaac Casaubon (1559-1614) é considerado o mais importante estudioso helenista de sua época. Foi, ainda, um protestante humanista.
5Emmanuel Schelstrate (1649-1692) foi um cônego da catedral de Antuérpia, e depois chamado à Roma pelo Papa Inocêncio IX, se tornando um assistente bibliotecário da Biblioteca do Vaticano.
6Tertuliano (Quintus Septimius Florens Tertullianus) foi um dos principais autores do cristianismo entre os séculos II e III e um importante apologista.
7Cipriano (Táscio Cecílio Cipriano) foi um dos Pais Latinos da Igreja no século III, advogado e orador.
8Orígenes, conhecido como Orígenes de Alexandria, Orígenes de Cesaréia ou Orígenes, o Cristão. Foi teólogo, filósofo e um dos Pais Gregos da Igreja.
9João, o Crisóstomo foi teólogo, escritor e arcebispo de Constantinopla no fim do século IV e início do século V. Por ser um excelente orador, ficou conhecido como Crisóstomo, que em grego significa “boca de ouro”.
10O Édito de Milão é conhecido como o Édito da Tolerância, porque faz cessar a perseguição contra o cristianismo. A partir desse momento, o Império Romano se declarava laico e, portanto, seria neutro quanto ao credo religioso, garantindo a devolução dos locais de adoração e das propriedades aos proprietários cristãos.

1 COMENTÁRIO

  1. Exelente artigo, uma abordagem que mostra a verdadeira importancia e proposito, da constituição da ceia pelo proprio Senhor Jesus. Um artigo edificante e que nos leva, a refletirmos de que maneira estamos hoje nos reunindo como igreja de Deus para, a celebração da ceia do Senhor, um assunto que precisa ser levado muito a s‚rio, principalmente por nós que temos a responsabilidade de liderar grupos de cristãos. Parabens pelo artigo, Que seja o Senhor honrado e glorificado ,pela vidas de homens e mulheres remidos pelo precioso sangue ,que assim pensam e agem assumindo e se comprometendo ,com as verdades preciosas das escrituras sagradas. … Mas vem a hora, e ja chegou, quando os verdadeiros adoradores adorarãoo Pai em espirito e em verdade, porque são estes que o Pai procuram para seus adoradores.Jo 4-23.

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